domingo, 10 de março de 2013

MARIA: MÃE DE JESUS, SERVA DE DEUS



O ESTUDO A SEGUIR É PARTE INTEGRANTE DO MEU LIVRO "O VERDADEIRO SEGREDO DE MARIA", AINDA A PUBLICAR

1. A verdadeira Maria


Não é possível falar do culto a Maria sem agora conhecermos um pouco desta figura central da fé católica através dos primeiros escritos que documentam a sua história: os Livros Sagrados. Quando um fiel protestante diz rejeitar Maria, causando forte indignação por parte dos fiéis católicos romanos, ele não está rejeitando a figura de Maria conforme apresentada na Bíblia, mas aquela que o catolicismo romano construiu durante séculos de fé, de dogmas e de adoração; uma Maria que está muito distante daquela que nós conhecemos nos Evangelhos e no livro de Atos dos apóstolos. A Maria bíblica, com certeza, é outra Maria, muito diferente da mulher vestida com a roupagem do catolicismo e que Montfort nos chama à consagração escrava e servil.
            Da Maria católica, Ligório (p. 152) afirma: “’ao império de Maria todos estão sujeitos, até o próprio Deus’. Isto é, Deus lhe atende aos rogos como se foram ordens”. De si mesma, a Maria como a conhecemos na Bíblia diz: “Aqui está a serva do Senhor, que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lucas 1:38). Esta sensível diferença de pontos de vista fica mais evidente quando lemos a Palavra de Deus e descobrimos que os textos que fazem alusão a mãe de Jesus são muito poucos; a grande maioria se encontra nos Evangelhos e se concentram no Evangelho de Lucas. Tais textos, se estudados dentro do seu contexto histórico, circunstancial, religioso e textual, não fornecem nenhuma base para as afirmações católicas acerca de Maria e do seu essencial papel na economia da salvação, muito menos para a devoção idealizada por Montfort.
            Muito antes do nascimento de Maria, os profetas já prediziam que o Cristo haveria de nascer de uma virgem e este seria o Salvador do povo de Israel. Já no livro do profeta Isaías, lemos: : “Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz a um filho e lhe chamará Emanuel” (Isaías 7:14). Essa profecia se cumpriu em Maria (Mateus 1:23). No livro de Gênesis encontramos uma passagem que, segundo a Tradição católica romana, faz alusão a Maria: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). Nota-se claramente, porém, que a palavra “descendente” encontra-se no singular e faz referência e vitória de Cristo sobre Satanás (cf. Gálatas 3:16; Romanos 16:20) e não a toda raça humana e muito menos a Maria. Querem também com esse texto, os católicos romanos, aludir à imaculada conceição de Maria. Mas, como já vimos, a referência aqui é somente a Cristo.
            As primeiras informações a respeito da mãe de Jesus no Novo Testamento estão no início dos Evangelhos sinóticos. Na maioria das referências que são feitas a ela pelos evangelistas, o seu nome pouco é citado. Isto não significa que eles não davam importância a ela ou desejavam ocultá-la de propósito. Toda a ênfase do relato bíblico recai sobre o Senhor Jesus Cristo. A própria razão de ser da existência de Maria nos Evangelhos é mostrar Jesus através do nascimento virginal, não por mão de homens, mas pelas mãos de Deus. Somente uma vez, em Gálatas, Paulo se refere à Maria, embora sem citar seu nome: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho, nascido de mulher” (4:4). A importância maior que o apóstolo queria dar era ao Filho de Deus, não importando de que mulher que Ele tenha nascido. O importante é que Ele veio ao mundo nos salvar e isso basta para o apóstolo.
            As referências a Maria nos Evangelhos podemos encontrar em:

·         Mateus 1:18: Maria aparece como estando desposada com José
·         Lucas 1:26,27: Como mulher escolhida por Deus para dar à luz ao Messias, Maria recebe a visita do anjo;
·         Lucas 1:28-35: O anjo anuncia que Maria conceberá e dará a luz a um filho que será chamado Filho de Deus;
·         Lucas 1:34,35: É enfatizada a virgindade de Maria, porque o Messias jamais poderia vir do homem pecador, mas de Deus, o próprio Deus;
·         Lucas 1:38-45: Maria demonstra a sua fé e a sua obediência a Deus;
·         Lucas 1:39-45: Maria visita a sua parenta, Isabel;
·         Lucas 1:46-55: Após as palavras de louvor a Deus de Isabel, Maria entoa um cântico ao Senhor;
·         Lucas 2:1-20: Nascimento de Jesus;
·         Mateus 2:11: Maria recebe os magos que vieram do Oriente para trazer presentes a Jesus;
·         Lucas 2:21-24: Maria e José dão a Jesus o seu nome conforme o anjo ordenara; depois levam-no ao templo para apresentá-lo a fim de cumprir a Lei de Moisés;
·         Lucas 2:25:35: Simeão profetiza a respeito de Jesus;
·         Mateus 2:13,15: Fuga para o Egito;
·         Mateus 2:19-23: Volta do Egito;
·         Mateus 2:41-52: José e Maria procuram por Jesus e o encontram no templo entre os doutores da Lei;
·         João: 2:1-12: Jesus e Maria assistem às bodas em Caná da Galiléia;
·         Mateus 12:46-50; Marcos 3:31-35; Lucas 8:19-21: Maria e os irmãos de Jesus à sua procura;
·         João 19:25-27: Maria junto cruz com Cristo crucificado.

No livro de Atos encontramos Maria com os doze apóstolos reunidos em oração: “Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. (Atos 1:13,14). A partir do instante em que o Espírito Santo é derramado sobre os apóstolos, a figura presencial de Maria desaparece dos relatos bíblicos. Durante todo o livro de Atos não vemos qualquer referência à presença de Maria no ministério apostólico, nas missões que foram realizadas ou em qualquer outro evento envolvendo a Igreja. Ela não atua como pedagoga, os apóstolos não pedem a sua intercessão, os crentes não contam com o seu patrocínio e Deus não se limita à vontade dela.


1.1. Um perfil da Maria bíblica


Algo que podemos notar nos poucos textos que fazem referência a Maria é o fato de que ela fala muito pouco. Na verdade, só a vemos dialogar com o anjo no anúncio do nascimento de Jesus, e com Jesus durante as bodas de Caná. No Evangelho de Mateus, Maria não diz uma só palavra. Isto leva os teólogos católicos a tê-la como uma mulher contemplativa, reflexiva. Olhando, porém, para os poucos relatos que temos em mãos, podemos obter um perfil da mãe de Jesus e descobriremos uma Maria evangélica, cuja história é de humildade e servidão. Será que essa Maria bíblica é a “face feminina” de Deus? Será ela Senhora, Rainha, Corredentora, Esperança, Porta do céu, Imaculada?
            Maria é, na Bíblia, a mãe de Jesus Cristo homem; o depósito no qual o Espírito Santo gerou o Salvador do mundo. Sabendo-se, assim, que o que nela foi gerado não foi obra de homens – e isto inclui a própria Maria! – mas foi tão somente obra do Espírito Santo (Mateus 1:20,21). Maria em seu ventre apenas carregou a semente que lhe foi fecundada de maneira sobrenatural. É interessante notar o quanto a Maria pregada pelo catolicismo romano difere em tudo da Maria bíblica. Se fôssemos tentar traçar um perfil para Maria baseados na Palavra de Deus, nos textos dos Evangelhos acima, teríamos mais ou menos o seguinte:

·         Maria era pobre, da linhagem de Davi, porém não da linhagem real;
·         ela vivia humildemente, casada com seu marido José, que era carpinteiro;
·         para se locomover necessitava de um jumento, sem luxo ou regalias;
·         ela não hesitou em ter seu filho numa estrebaria;
·         era submissa à vontade de Deus;
·         era cuidadosa com os problemas dos outros, como nos atesta as bodas de Caná;
·         mostrava-se muitas vezes confusa quanto ao ministério de seu filho, mas guardava todas as coisas em seu coração e meditava nelas;
·         era boa mãe, sempre atenta e preocupada com o filho;
·         foi mãe sofredora desde o início, a ponto de assistir o martírio do próprio filho;
·         era mulher de oração;
·         como atesta o relato de Pentecostes, Maria era perseverante, não abandonou a fé.

Certamente, assim como Davi e Jeremias, Maria deveria ser a mais nova e desprovida de importância na sua casa, ao contrário do que alega o proto-Evangelho de Tiago (apócrifo). Maria não poderia ser mulher de grande importância, poder e sabedoria, com uma graça acima de todos os homens e anjos, pois o objetivo de Deus era que o seu Filho fosse exaltado, e não sua mãe carnal. Embora tanto Montfort quanto qualquer outro autor católico apresente uma versão dos fatos bíblicos demonstrando um cuidado especial que os apóstolos tinham com Maria, a própria Bíblia atesta que não existe essa veneração e esse cuidado especiais no livro de Atos nem em outras partes das Escrituras.
            Maria era, com certeza, humilde e desinteressada de qualquer tipo de cuidado especial ou veneração. O livro de Atos, inclusive, bem como as demais Escrituras, tem todo o cuidado de não lembrá-la além do necessário, certamente para que sobre ela não recaísse uma importância desmedida e desmerecida como acabou realmente acontecendo através do catolicismo romano. É por este motivo que Deus “escolheu as cousas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as cousas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1 Coríntios 1:27). Para quê? Para que sobressaia não a capacidade humana, mas o poder de Deus. O apóstolo Paulo compreendeu isto quando Cristo lhe fez certas revelações, e para que ele não viesse a tornar-se soberbo por causa da grandeza de tais revelações, foi-lhe posto um espinho na carne a fim de que ele não se exaltasse (cf. 2 Coríntios 12:1-7). Disse Paulo: “Porque quando sou fraco, então é que sou forte” (v. 10).
            Para que o poder de Deus se manifestasse em Maria, ela haveria de ser “louca” e “fraca”, e não majestosa e poderosa como atesta o catolicismo romano. Ela deveria estar vazia de si para que pudesse se encher de Deus. E esta é a Maria da Bíblia! A Maria romana, ao contrário, distancia-se pela falta de humildade e servidão, ainda que para o catolicismo romano seja imprescindível imitar as suas virtudes, tendo com principal a humildade: “A Virgem Santíssima conhece e ama a todos os que a amam; está ao lado dos que a invocam, principalmente quando se assemelham pela pureza e humildade” (Ligório, p. 415). Pelo menos, em vida, Maria jamais pensou de si mesma acima do necessário, jamais requereu veneração ou atenção especial para si. Nas bodas de Caná ela apontou para Jesus, não para si mesma.
            Todavia, não erra a igreja católica ao afirmar que devemos imitar Maria. Embora a maioria dos evangélicos rejeitem essa ideia, ela é bíblica. Em diversas ocasiões o apóstolo Paulo exortou os crentes a serem os seus imitadores naquilo que ele imitava a Cristo (cf. 1 Coríntios 4:16; 11:1; Filipenses 3:17; 1 Tessalonicenses 1:6; 2:14). Não é errado imitar a vida daqueles que vivem sob o senhorio de Cristo, que obedecem a Deus e cumprem a sua vontade (cf. Hebreus 13:7). A vida dos cristãos relatada na Bíblia serve como exemplos de como podemos proceder, seja no seu caráter transformado por Cristo, seja no seu zelo missionário ou no seu cuidado com a doutrina e com as igrejas de Deus. Não só Maria, mas Estêvão, Pedro, Paulo, Priscila, Áquila, Tito, Raabe e tantos outros merecem a nossa imitação, porque eles imitavam a Cristo.
            A Maria que conhecemos na Bíblia deve ser um exemplo para nós de fé, obediência, coragem e amor. Basta apenas imaginarmos que pena estava destinada naquela época à mulher pega em adultério. Maria não havia ainda casado com José e já estava grávida de um menino. Quando o anjo anunciou que ela conceberia pelo Espírito Santo, com certeza essas coisas passaram pela sua cabeça. Entretanto, ela venceu o medo pela fé e pela obediência à Palavra de Deus, como Abraão, ao levar o seu filho para ser sacrificado segundo a ordem do Senhor. Não devemos, porém, enxergar essas virtudes de Maria como se partissem dela mesma. Somente o poder de Deus operando na sua vida pôde capacitá-la a aceitar a sua missão. Os planos de Deus para o nascimento do Messias jamais falhariam e Deus levaria com segurança a sua serva até o fim.















7 comentários:

  1. Desde o principio Ela foi designada para ser a mãe de Jesus e ja nasceu uma mulher especial e deve ser sempre uito adorada e respeitada por todos

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    1. Keila, me desculpe, sou catolico Apostolico Romano, Carismático e Mariano, mas Maria jamais deve ser adorada, ele deve ser Venerada, Adoração Somente a Deus. Cuidado, quando voce diz isso, leva os protestantes a pensar que todos os catolicos pensam assim, e a Igreja Catolica Apostolica Romana nao ensina isso.

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  2. Maria com certeza foi uma grande mulher, digna de ser admirada e imitada no seu modo de viver, mas daí a ser adorada já é uma grande heresia! O próprio Jesus falou a satanás:"Só ao teu Deus adorarás e só a ele servirás"!

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    1. Nenhum Catolico verdadeiro adora Maria, infelizmente voces protestantes nao conhecem a Biblia, ainda se metem a discutir a veneração à Maria como Jesus Manda...

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  3. Voce pede para publicar assinando e sem medo, como voce fez! Entao porque nao publica os comentarios sem medo tambem...

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  4. Quem escreveu tudo isto é um ignorante e não conhece em nada a doutrina católica. Estude antes de escrever .

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