terça-feira, 8 de maio de 2018

OS MAIORES ERROS QUE O CRENTE NÃO PODE COMETER





Achar que conversão é entregar-se a Deus porque está cheio de problemas e deseja receber bênçãos em troca da sua fé.

Pensar que é possível viver um cristianismo sem cruz, sem submissão total ao senhorio de Cristo, sem amor e sem obediência à sua Palavra.

Achar que é possível ser crente sem abandonar os pecados, sem viver em novidade de vida, sem ser nova criatura.

Acreditar que a Igreja é um templo ou uma denominação e resumir a sua vida espiritual a tudo que acontece ali dentro.

Deixar de ler e estudar a Bíblia para dar ouvidos aos falsos ensinos dos falsos mestres, falsos profetas, falsos apóstolos e anticristos.

Achar que pode ficar sentado, salvo e satisfeito na Igreja, sem servir a Deus, sem produzir frutos, sem praticar as boas obras.

Sair da Igreja por considerá-la muito “pecaminosa”, sem jamais olhar para o seu próprio pecado, incluindo o achar-se melhor que todo mundo.

Criticar tudo que se faz dentro da Igreja, achar tudo ruim, enquanto não contribui com absolutamente nada.

Apontar os erros dos líderes, dos irmãos, dos ministérios, das programações e de tudo mais, sem sugerir mudanças nem fazer melhor.

Dar dízimos e ofertas com interesses mesquinhos, sem amor e sem entender que dar é melhor que receber.

Achar que pode ser crente sozinho em casa, sem a comunhão com outros irmãos e sem estar debaixo de uma autoridade pastoral.

Rejeitar o ensino teológico por considerar que ele destrói a fé do crente, desprezando o ensino sólido das Escrituras.

Aceitar tudo o que escuta e lê a respeito de Deus sem consultar as Escrituras para ver se as coisas são de fato assim.

Achar que é possível manipular a vontade de Deus por meio de orações, dízimos e jejuns, sem levar em conta a sua soberania.

Crer que é possível servir a dois senhores (Deus e o dinheiro), transformando a fé num instrumento de barganha com Deus.

Acreditar que Deus não está observando as fofocas, as intrigas, a maledicência, o adultério e a prostituição dentro da Igreja.

Achar-se mais espiritual que todos porque fala em línguas estranhas, usando essa linguagem para aparecer e proferir mentiras.

Profetizar ou “revelar” o que o Senhor não ordenou, enganando os irmãos com falsas promessas de bênçãos e milagres.

Achar que ser pastor é ser intocável, incapaz de pecar e que todos devem obedecê-lo cegamente, sem questionar.

Afirmar que todos os seus problemas e pecados são culpa do diabo, deixando de assumir seus próprios erros e a sua responsabilidade.

Viver como se Jesus não fosse voltar, pecando e deixando cumprir o Ide por meio da evangelização e das missões.


AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

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segunda-feira, 7 de maio de 2018

A PRÁTICA DO AMOR NO COMBATE À MENTIRA - PARTE 4





4. COMO MANTER-SE FIRME NA FÉ

            Enquanto escreve a Timóteo, Paulo também se preocupa em orientá-lo sobre como lidar com esta situação e ao mesmo tempo manter a integridade da sua fé e da Igreja do Senhor. Ele demonstra que só é possível amar a Deus, estar comprometidos com a sua verdade e amar as pessoas quando cremos da maneira correta, abrindo mão das heresias e da busca egoísta pelos nossos interesses pessoais. Toda ação contra a Palavra de Deus é uma ação direta conta Deus e contra a sua Igreja. Por maiores que sejam as obras praticadas pelos crentes, se elas não estão fundamentadas no amor bíblico, se de alguma forma distorcem a sã doutrina, são detestáveis e não promovem a glorificação do Santo Nome de Deus. A fé cristã e a sua prática precisam estar fundamentadas na pureza do coração, na verdade da consciência e na sinceridade da fé.


A crença correta

            Contra as investidas dos falsos mestres, a principal arma é a permanência na sã doutrina, na crença correta capaz de gerar e verdadeira adoração da Deus. Paulo nos mostra que a crença em Deus não é algo místico, mas envolve a soma da crença correta e práticas coerentes com esta crença. No Novo Testamento, uma das definições de fé é que ela é um “conjunto de doutrinas”. Quando Paulo escreve “E tu, Timóteo, guarda o que te foi confiado” (6:20), ele está falando de um corpo doutrinário composto pelos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos, juntamente com o Antigo Testamento interpretado à luz da cruz de Cristo. De acordo com estudo realizado por mim no livro “Os sete barcos de Deus”, quando dizemos que cremos “em” Deus, essa declaração nos remete à razão, porque entendemos que existe um Deus no qual nós cremos, ainda que não o consigamos ver. Crer “no” Evangelho é assumir a sua existência e apropriar-se racionalmente do seu conteúdo (cf. Mc 1:15; Mt 18:6; Jo 2;11; At 10:43; 19:4; Gl 2:16; Fp 1:29; 1 Pe 1:8). Em 1 João 5:10 e 11, a crença em Cristo é baseada no testemunho que o Pai dá dele. Esse testemunho é demonstrado em todo o Antigo Testamento, na própria pessoa de Jesus e no testemunho dos apóstolos, que agora escrevem sobre ele.
A fé é a própria Palavra de Deus, onde muitos mandamentos e doutrinas nos ensinam em que e como devemos pensar e viver a nossa fé. Em Tito 1:9,14 e 2:1, o apóstolo Paulo enfatiza a necessidade do apego à doutrina correta. Em 1 Timóteo 4:6,16, ele liga o desempenho do ministério de Timóteo a um alimento duplo: as palavras da fé e da boa doutrina. A doutrina é quem define a razão e o objetivo da nossa fé. Quando ela falta, somos levados por todo lado por todo vento de doutrina (Ef 4:14,15). Embora a fé seja algo prático, ela envolve o aprendizado, a apreensão de ensinamentos que a fundamentam.
Desprezar a doutrina no exercício da fé é desprezar a própria fé, que está fundamentada na doutrina. A Palavra inspirada nos ensina, repreende, corrige, instrui, aperfeiçoa-nos e nos prepara para toda boa obra (2 Tm 3:16,17).
A exortação de Paulo a Timóteo é que sejam evitados os falatórios e discussões que não promovam a unidade da Igreja e conduzam às heresias (6:4,20; 2 Tm 2:14-16,23; Tt 3:9). A verdade do Evangelho deve ser transmitida por meio do ensino correto (4:13,16). É a falta do ensino que faz com que a fé se dobre diante das heresias (1:3,4; Gl 1:6-9). A doutrina é importante não somente para definir aquilo que cremos, mas também quem nós somos. Permanecer na doutrina de Cristo é crucial para revelar se estamos ou não em Deus, como escreveu o apóstolo João: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece, não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem assim o Pai, como o Filho” (2 Jo 9). A permanência e a defesa da sã doutrina são tão importantes à nossa fé que o apóstolo exorta a não receber em casa e nem mesmo dar as boas-vindas a quem chega até nós com alguma doutrina diferente (v. 10,11). O Senhor Jesus define como seus verdadeiros seguidores aqueles que têm o seus mandamentos e os guarda (Jo 14:21). Por isso, Timóteo é instruído a conservar o mistério da fé com a consciência limpa (3:9; cf. 1 Co 4:4). O desejo de Deus é que todos cheguem ao pleno conhecimento da verdade (2:4), o que só é possível se permanecermos naquilo que foi ouvido (1 Jo 2:24,25; 2 Jo 9)


O serviço de Deus

            O resultado da influência dos falsos profetas na igreja, como vimos, é ao afastamento da sã doutrina e as suas consequências: heresias, hipocrisia e divisões. Todas as elucubrações dos falsos mestres servem como motivo para intermináveis discussões inúteis e não redundam no serviço de Deus, na fé (1:4). Em contraponto a isto, o apóstolo Paulo apresenta uma fé que transforma o caráter, traz uma nova vida e produz obras. O próprio Paulo se coloca como alvo do amor transformador de Deus, que o libertou de um comportamento blasfemo, perseguidor e insolente para servir a Deus no ministério de levar a sua Palavra e tornar-se modelo para os crentes (1:12-17; 2:7). O objetivo da sua conversão a Cristo não era outro senão o serviço a Deus, para o qual ele foi designado (v. 12). Tendo em si este chamado, ele exorta Timóteo a também combater o bom combate da fé (v. 18-10).
Ao instruir Timóteo a respeito dos oficiais da Igreja, isto é, aqueles que servem aos irmãos, ele enfatiza as qualidades ligadas ao caráter do obreiro. Aquele que serve a Deus deve fazê-lo de acordo com os padrões bíblicos de santidade.  O termo “diácono” utilizado por Paulo (gr. diákonos) significa “aquele que serve”, o que envolve todo e qualquer convertido, pois todos são chamados a servir. A diaconia existe, também, como um corpo de obreiros na igreja destinado a assistir ao pastor em áreas como a ceia do Senhor e a assistência aos pobres (1 Tm 3:10,13; 4:6; Fp 1:11; Rm 16:1). Fé que não provém do amor e não gera serviço, não é uma fé genuína, não possui fundamento bíblico e não está alicerçada em Cristo. O que se deve evidenciar na Igreja não são os pecados, mas as boas obras (5:24,25). Não é possível demonstrar um caráter cristão verdadeiro sem entendermos que somos salvos para a prática das boas obras (2 Tm 2:8-10), sem as quais a nossa fé não pode se legitimar, porque a fé sem obras é morta (Tg 2:17).
A fé cristã está a serviço de Deus. De acordo com o estudo realizado sobre fé no livro “Os sete barcos de Deus”, não se deve usar a fé apenas como um meio de angariar bênçãos de Deus, mas acima de tudo como uma forma de produzir frutos para o seu Reino (Jo 15:16). A fé é comunitária, gera comunhão, compartilhamento e consolo entre os irmãos (Rm 1:11,12). A fé como um dom espiritual, tem como objetivo a edificação e a unidade do corpo de Cristo (Ef 4:13). O cuidado com os nossos demonstra a nossa fé ou a falta dela quando esse cuidado inexiste (1 Tm 5:8). Tiago desafia: “mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé” (2:18). O que está implícito aqui é a incapacidade de cumprir o desafio, porque, sem produzir obras, ninguém poderá demonstrar fé alguma. Isto significa que somente a partir das obras é que a fé pode ser demonstrada. Se não temos obras, significa que não cremos em Deus, por mais que a nossa boca diga o contrário. Cristo habita em nós pela fé, de modo que nele estamos arraigados e alicerçados no amor (Ef 3:17). Cristo, fé e amor caminham juntos, um amor que excede todo entendimento e que rende glórias a Deus (vs. 18-21).

A mediação do amor

Por trás de todas essas preocupações está o amor, que precisa estar presente na vida da Igreja para que ela acolha a sã doutrina e a coloque em prática corretamente. O objetivo claro dos falsos mestres é deturpar o Evangelho de Cristo, criar divisões, e tudo isso com o objetivo de obter lucro através da piedade cristã. As suas intenções são mesquinhas, não levam em conta o caráter e a vontade de Deus, muito menos as consequências negativas dos seus atos sobre a fé e a vida dos irmãos. O que é gerado sem amor, jamais poderá se firmar como verdade. Como vimos no capítulo segundo, a adoração sadia está fundamentada no amor, que consolida a fé cristã, direciona-a para o objeto certo, promove a santidade e conduz ao serviço de Deus. Mesmo que Timóteo empregasse todos os seus dons e se aplicasse àquilo que Paulo o estava instruindo, jamais poderia obter êxito sem o amor como instrumento do seu ministério.
Vemos este amor presente nas instruções sobre a adoração pública (2:1-15), onde a oração envolve a preocupação com as autoridades, tendo cristo como único Mediador (2:1-7); as orações públicas excluem a ira e a animosidade, envolvendo a fé, a santificação, o amor e o bom senso (2:8-15). As exortações a respeito de alguns grupos e indivíduos na igreja (5:1-6:21) trazem uma exortação muito importante: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (v. 8). Presume-se que aqueles que são de Cristo vivem na prática do amor que Ele ensinou. Os descrentes não vivem este princípio de maneira natural. Se aquele que crê em Cristo não vive como Ele viveu, está sendo incoerente com a sua própria fé. Nisso, o descrente é coerente com sua incredulidade. Só podemos amar e demonstrar este amor quando nos isentamos do erro e buscamos a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância e a mansidão (6:11).


Santidade de vida

            O amor a Deus e a sua Palavra conduz o crente a um estilo de vida santo. Diante da investida dos falsos mestres e das suas heresias destruidoras, o apóstolo Paulo exorta a Timóteo que se exercite na piedade (4:7) e seja padrão no amor, na fé e na pureza (4:12), o que inclui o seu relacionamento com os irmãos, em especial as moças (5:1,2). O exercício da piedade exclui tudo aquilo que é errado, que não provém da verdade nem conduz a uma vida santa. Ao falar em exercício físico, o apóstolo pode estar-se referindo ao ascetismo, uma filosofia que ensina que o caminho para atingir a perfeição e o equilíbrio moral e espiritual é abstenção dos prazeres físicos e psicológicos. Sendo o corpo físico a fonte de todos os males, os ascetas possuem algumas práticas que visam mortificá-lo, como penitências, autoflagelo, dietas rigorosas e jejuns. Dentro de um contexto de piedade cristã ensinada por Paulo, essa prática asceta significaria promover a santidade através de esforços individuais. Isto é: o homem pode mortificar a sua carne e tornas-e puro por meios próprios, sem a necessidade do Espírito Santo.
            Está claro que esta era a prática dos falsos mestres combatidos na epístola, como vemos no v. 3: “que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade”. Escrevendo aos coríntios a respeito das comidas sacrificadas aos ídolos, Paulo deixa bastante claro que o comer ou não comer estas comidas não influencia a relação do crente com Deus (1 Co 8:8). A liberdade de Cristo nos permite uma consciência tranquila daquilo que é certo ou errado, de modo que comer ou deixar de comer certos alimentos não nos edificará em nada; da mesma forma praticar ou não praticar certas coisas não nos tornarão mais ou menos santos quanto são feitas com o intuito de promover a nossa própria santificação. A abstinência de certos alimentos no Antigo Testamento apontava para Jesus, de modo que se tornou obsoleta (Cl 2:16-19). O autor de Hebreus também se preocupa em orientar seus leitores com relação a essas práticas que não trazem proveito algum ao crente, e que o que vale é o coração confirmado com graça (Hb 13:9).
            Ainda o autor de Hebreus escreve que os sacrifícios oferecidos na Antiga Aliança eram ineficazes para aperfeiçoar aqueles que prestavam culto, e constavam de coisas impostas até o tempo oportuno da reforma, ou seja: a vinda do Messias, Jesus Cristo (9:9-11). Ele, então, revela-nos a fonte da nossa purificação e da nossa santificação posicional e diária: “muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (v. 14). A prática asceta de muitos cristãos pretende torná-los santos e aceitáveis para entrarem na presença de Deus, o que é inútil. A Bíblia apresenta o caminho correto, que é o inverso: ser purificado por Deus para servi-lo. Não praticamos obras ou nos abstemos de certas práticas para nos tornarmos santos, mas pelo fato de sermos santos pela graça de Deus é que temos a vontade e a capacidade dadas pelo Espírito Santo de nos abster daquilo que é errado. Paulo deixa claro que a carne não pode ser combatida com a própria carne: “Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto a si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Cl 2:23).
            Assim como é impossível ao homem merecer o perdão de Deus e adquirir a sua salvação a través de méritos próprios, também não é possível desenvolver por seus esforços a sua salvação. Todavia, a santificação é um mandamento (Mt 5:48; 1 Pe 1:14-16). As questões práticas apresentadas por Paulo na sua primeira epístola a Timóteo provêm de uma vida piedosa exercitada na verdade. Somente a doutrina correta é capaz de promover a verdadeira santificação do crente. A atitude do convertido é de esmurrar seu próprio corpo como Paulo (1 Co 9:27). Esta, porém, é uma tarefa possível somente àqueles que de fato estão em Cristo (2 Co 13:5,6), porque somente este pode renegar as paixões antigas para frutificar no Espírito (Tt 2:12; Gl 5:22). Se o ensino dos hereges conduzia o crente a uma autossuficiência espiritual, o ensino de Paulo leva-os à crença correta de que a honra e o poder eterno vem de Deus (6:16).


Estilo de vida simples

            O apóstolo Paulo apresenta um contraponto à heresia dos falsos mestres, que objetivavam lucrar em cima da piedade cristã, como vimos anteriormente. Aquele que ama o dinheiro não está a serviço do Reino de Deus, mas do próprio ventre (Rm 16:17,18) pois é impossível servir a Deus e às riquezas ao mesmo tempo (Mt 6:24; Tg 4:4; 1 Jo 2:15). O amor ao dinheiro é um ídolo que toma o lugar da verdadeira adoração a Deus. A fé de muitos crentes é um culto de si mesmo, onde Deus é buscado apenas como a divindade que suprirá as necessidades dos seus fiéis, nada mais. Por trás de todas as heresias que se prega das igrejas atuais, acima de tudo as neopentecostais, está a ganância dos líderes e dos próprios fiéis dessas igrejas (2 Pe 2:3). Tudo visa o lucro financeiro, a ostentação de bênçãos, promessas, vitórias e milagres. Prega-se que o crente merece um tesouro celestial, do qual deve tomar posse pela fé. Ensina-se que Deus não quer que os seus filhos sejam pobres, mas que se tornem empresários de sucesso. A qualidade da fé é medida pelo tamanho do dízimo ofertado e pela suntuosidade da vida do crente. O sofrimento é rejeitado como um mal, um instrumento de Satanás ou consequência da falta de fé e da não fidelidade nos dízimos e nas ofertas.
            A fé avarenta é uma fé que não cria raiz na nossa alma, por isso não se desenvolve nem produz os devidos frutos. O dinheiro, os bens e as riquezas, pelo contrário, cultivamos e adubamos para que frutifiquem e criem raízes no nosso coração. Essas raízes sustentam a árvore da avareza, que gera toda espécie de males. O fim é trágico: apostasia e tormento. Se por um lado existem pessoas que se negam a abraçar a fé porque o seu amor ao dinheiro as impede de pensar nas coisas espirituais e eternas, por outro lado é o amor ao dinheiro que leva muitos às igrejas, às promessas de prosperidade e vitória. O desejo da nossa alma deve ser pelas bênçãos celestiais do Senhor, tudo aquilo que faz parte do seu Reino e que foi conquistado por Cristo na cruz. Isso não é um direito nosso, mas uma concessão que Deus dá a tão vis pecadores. O Senhor Jesus nos chama a uma vida simples, contentes com o que temos, satisfeitos com aquilo que temos recebido da parte de Deus. Ele é fiel e jamais nos deixará faltar nada. Se o Reino dos céus está dentro de nós, ele se manifestará nas nossas decisões e escolhas, nas nossas necessidades reais. E a nossa maior necessidade deve ser sempre alimentar-nos com a Palavra de Deus.


Ensino da sã doutrina

            Tudo o que Paulo expôs a Timóteo e o que estamos aprendendo aqui a respeito disso diz respeito ao discipulado, à educação cristã. Contra a heresia e o risco da apostasia não existe arma mais eficaz que a firmeza no ensino da verdade. Se não nos instruímos a respeito do conteúdo da fé que professamos, estamos sujeitos à informações contrárias que não saberemos filtrar porque não temos as informações corretas. A admoestação de Paulo está endereçada a “certas pessoas” que estavam ensinando outra doutrina na Igreja. Isto significa que os falsos mestres devem ser pessoalmente confrontados sobre as suas heresias e o seu comportamento na comunidade dos fiéis. Como já vimos, é do meio dos crentes que esses indivíduos surgem, pervertendo a mente dos incautos que não estão aptos para avaliar o conteúdo daquilo que chega até os seus ouvidos nem discernir o que é praticado diante dos seus olhos, muito embora, em tese, possuam o Espírito Santo. O problema-chave está no ensino bíblico de qualidade.
             Se o ensino confronta o erro, também o previne e conduz ao acerto. Está claro na epístola que o assunto do ensino na Igreja deve conduzir ao amor que procede de coração puro, à consciência boa e à fé sincera. Tudo isso se conquista por meio da atuação do Espírito Santo e da observação da sã doutrina. O ensino não pode causar discussões infrutíferas, que além de não edificarem a igreja, promovam divisões. Mesmo o dom de ensino se torna inoperante quando não praticado com amor. Paulo chama Timóteo a um ensino racional, inteligente, onde o mestre compreende e vive aquilo que ensina, ao contrário dos falsos profetas (1:7). A Lei é boa e existe para tudo e todos que se opõem à sã doutrina, que é o Evangelho da glória de Deus (vs. 8-11). Somente combatendo o bom combate firmado na fé, é possível rejeitar as heresias e manter-se firme no ensino correto (vs. 18-20). Se o ensino dos hereges é contraditório, a Palavra de Deus é fiel (1:15; 3:1; 4:9).
Paulo ensina que o bom ministro de Cristo guarda-se da apostasia ao alimentar-se da palavra da fé e da boa doutrina (4:6). A Palavra de Deus é a essência da pregação apostólica (At 8:5-8,25; 13:42-44,48,49; 15:22-36; 19:20; Fp 1:12,13). A fé é despertada no perdido através do ouvir da pregação da palavra de Cristo (Rm 10:17). A ressurreição de Cristo é o fundamento da fé cristã e a legitimação da missão evangelística da Igreja (At 17:31; 24:21; 26:7,8; Rm 14:9; 1 Co 15:15-22; Cl 1:18; 2 Tm 4:1; 1 Pe 4:5). Paulo chega a escrever que se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação e a nossa fé, e modo que nos tornamos falsas testemunhas diante de Deus (1 Co 15:14,15). Nenhuma mensagem pode ser diferente do Evangelho que está registrado nas páginas da Bíblia, seja por ignorância ou por má fé (Gl 1:6-9). Paulo exorta a Tito que ele se apegue à palavra fiel, que é segundo a doutrina (Tt 1:9). A nossa mensagem é uma: o Senhor Jesus, poder e sabedoria de Deus (1 Co 1:22-24; cf. At 24:11; 2 Co 4:5).
Os falsos mestres combatidos por Paulo estavam deturpando o Evangelho de Cristo, acrescentando práticas contrárias àquelas que vinham sendo ensinadas pelo Senhor Jesus e pelos apóstolos, e que dizem respeito à salvação pela graça. Paulo insiste com Timóteo que ele deveria se aplicar à leitura, à exortação e ao ensino (4:13), ingredientes do discipulado cristão. O aprendizado da Palavra deve ser constante na vida do ministro para que ele tenha o que ensinar à Igreja (v. 15). Da mesma forma, o ensino na Igreja precisa ser ininterrupto, primeiro através das bases de fé cristãs e depois um ensino mais aprofundado das verdades bíblicas. Geralmente as igrejas oferecem apenas um mingau teológico nas suas escolas dominicais, que ano a ano se repetem e não se transformam num conteúdo mais sólido que permita aos crentes rejeitarem as heresias. Além de falar de Cristo com sinceridade (2 Co 2:17; 2 Pe 1:16), devemos nos afastar de quem prega a mentira (Rm 16:17,18; 2 Tm 3:1-9).


CONCLUSÃO

            O amor cristão é uma questão que envolve, acima de tudo, aquele que nos amou: Deus. O seu amor tem um significado e um propósito: é para a glória do seu Santo Nome. Este amor está fundamentado no caráter de Deus e não pode ser impregnado pelos valores humanos. Como divino, este amor é perfeito e exclui a mentira, porque é totalmente baseado na verdade. Não existe amor nem amar se a verdade não estiver presente. O apóstolo Paulo escreveu para combater a infiltração de indivíduos ímpios no meio da Igreja do Senhor, que estavam desvirtuando a verdade do Evangelho com ensinos contrários ao de Jesus e dos apóstolos. Ele mostra que somente a verdade conduz ao amor verdadeiro, e que somente este pode sustentar a verdade. Assim, não é possível crer e praticar esta fé se ela não provém de uma doutrina correta, porque é esta doutrina que levará a uma prática correta, a uma espiritualidade virtuosa, a uma piedade segundo a vontade de Deus. Devemos fugir dos falsos profetas, combatendo-os com a verdade evangélica revelada nas Escrituras. Devemos nos armar com a Palavra de Deus contra as investidas de demônios, com seus falsos ensinos, cujo claro objetivo é explorar a fé dos néscios, daqueles que não possuem uma fé sadia edificada sobre a verdade.


FIM.



AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

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A PRÁTICA DO AMOR NO COMBATE À MENTIRA - PARTE 3





3. AS CONSEQUÊNCIAS DA FALTA DESTE AMOR (vs. 6,7)

            A ausência deste amor que Paulo ensinou traz consequências desastrosas à vida aqueles que pregam a mentira e de todos os que seguem os seus falsos ensinamentos. Desde que se instaurou a Teologia da Prosperidade na fé evangélica, os fiéis dessa teologia passaram a desenvolver uma fé e uma espiritualidades vazias e egoístas, com uma piedade voltada apenas para os seus próprios interesses. Tudo o que se prega e realiza nas igrejas que se servem dessa maneira equivocada de interpretar e empregar a Bíblia, recorrem a Deus tão somente para resolver seus problemas pessoais e conquistar bênçãos que serão benção apenas para eles próprios. Não existe uma teologia solidária que conduza a uma vida em comunidade, que leva os crentes a terem tudo em comum, a se alegrarem com os que se alegram ou chorarem com os que choram. Isso demonstra o poder que as falsas doutrinas podem causar na Igreja.
O objetivo do falso ensino não é desviar os crentes de Deus, mas da crença correta nele. Quanto mais errados estiverem acerca da sua fé em Deus, mas distante dele estarão sem se darem conta disso. Por mais que o mundo insista em afirmar que toda crença em Deus está correta e que todos os deuses de todas as religiões são, na verdade, o mesmo Deus, a ortodoxia evangélica protestante crê somente no Deus que se encontra revelado na Bíblia, com seu caráter e seu modo de agir descritos em palavras inspiradas pelo seu Espírito Santo. Qualquer crença que difira do que está revelado – guardadas as corretas interpretações – é um falso ensino, uma heresia. O problema da igreja evangélica atual está em abrir mão da verdade e se apegar às mentiras pregadas pelos falsos profetas, contanto que essas mentiras vão de encontro às suas necessidades. Não importa se não está na Bíblia ou se deturpa o Evangelho, o importante é atender aos anseios dos seus corações mesquinhos e ególatras.


Especulações inverídicas

Paulo apresenta em sua epístola algumas consequências negativas dos ensinos dos falsos mestres, tanto para eles como para aqueles que seguem seus ensinamentos heréticos. Em primeiro lugar está uma perturbação mental causada por vãs especulações, na qual muitos estão perdidos (1:6). Ao buscar um conhecimento que não é essencial, essas pessoas se desviam das verdades essenciais da fé cristã, passando a se importar com ensinos desnecessários, criando novas doutrinas e aquilo que se denomina hoje de “usos e costumes da igreja”. Paulo cita dois exemplos de ensinos enganadores desses falsos mestres: a proibição do casamento e a abstinência de alguns alimentos, coisas criadas por Deus e que são intrinsecamente boas (4:3-5; cf. Mc 7:15). Em sua segunda epístola à Timóteo, o apóstolo Paulo continua a combater os falsos mestres que, também por meio de falatórios inúteis e profanos, asseveravam que a ressurreição já havia se realizado (2 Tm 2:16-18). A consciência cauterizada é incapaz de conceber a verdade, de aceitá-la em sua inteireza e de vivê-la.


Naufrágio na fé

Em segundo lugar, negligenciar a boa consciência leva ao naufrágio na fé, o que envolve a blasfêmia (1:18-20). Quando a crença correta não está presente, o que resta é a heresia, os falsos ensinos que pervertem o Evangelho de Cristo e induzem as pessoas ao engano. Para abraçar uma nova fé, é preciso abrir mão da antiga. Para aceitar uma nova doutrina, é necessário considerar a anterior falsa ou, no mínimo, obsoleta. Ao naufragar em sua fé, o que resta na mente dos homens ímpios é a mentira, o que deixa patente que eles, na verdade, nunca acreditaram de fato. Isto fica patente na declaração de João a respeito de muitos anticristos que naquela época já surgiam e que saíam do seio da Igreja do Senhor: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto de que nenhum deles é dos nossos” (1 Jo 2:18,19).
Não é possível pertencer ao Senhor Jesus e ao mesmo tempo crer o contrário daquilo que é ensinado nas Escrituras, seja rejeitando parte dela, deturpando alguns ensinamentos, acrescentando ou diminuindo o que se achar conveniente. As igrejas que pregam uma teologia homoafetiva e possuem uma Bíblia especial para fundamentar a sua crença, não podem ser chamadas de cristãs, pois, para defender seu ponto de vista, precisam retirar das Sagradas Escrituras tudo aquilo que lhes é contrário. Da mesma forma, as Testemunhas de Jeová devem ser consideradas seitas porque desprezam os textos que demonstram claramente que Jesus é Deus. As igrejas que tem como fundamento da sua fé a Teologia da Prosperidade também não podem ser chamadas de cristãs, porque desprezam o fundamento apostólico e usam a Bíblia tão somente para criar doutrinas sobre dízimos, bênçãos, vitórias e prosperidade financeira, todos ligados às conquistas materiais e egoístas neste mundo. Quem afirma estar em Cristo e se serve dessas formas teológicas heréticas, nunca foi dele de fato, é um apóstata que blasfemou contra o Espírito Santo (4:1-3; 2 Tm 3:1-7; Hb 6:4-6; 10:26,27; 2 Pe 2:20,21; 1 Jo 2:18,19).


Hipocrisia religiosa

            O que resta para aqueles que não possuem um coração puro, uma consciência boa e uma fé sincera é a hipocrisia. As crenças erradas levam a práticas igualmente erradas, baseadas num amor fingido, numa consciência cauterizada e numa fé hipócrita (4:1-5). Os falsos mestres, os falsos profetas, os falsos apóstolos e os anticristos que enchem muitas igrejas sempre agem de má fé. Eles já nasceram ali ou se infiltraram num estado de rebeldia contra Deus. Não podem ser considerados apóstatas porque jamais tiveram fé de verdade. Os seus ensinos, porém, espalham-se como um câncer que influencia a mente daqueles crentes fracos na fé, que não possuem uma consciência plenamente formada por Deus e cheia do Espírito Santo. Estes também podem ser contados como ímpios que jamais se converteram de verdade, que estão inseridos no contexto das igrejas por motivos errados, como a conquista de bênçãos, por exemplo. Qualquer vento de doutrina os carrega, qualquer novidade teológica os prende, qualquer heresia os conquista, porque não possuem compromisso com a verdade, mas apenas consigo mesmos.
            Uma religiosidade vã e vazia consequentemente gera uma espiritualidade hipócrita. Pensemos naquelas pessoas que diariamente lotam templos suntuosos com a desculpa de estarem indo adorar a Deus, mas que no fundo estão a serviço de si próprias, usando a fé apenas como um trampolim para o seu sucesso financeiro. Ou naqueles líderes que pregam sobre Deus, mas que no fim o seu Deus é o dinheiro. Talvez apenas a Idade Média tenha presenciado uma degradação tão terrível da fé cristã, com homens gananciosos e depravados, que não se importam em usar a Palavra de Deus para satisfazer seus próprios interesses. A mentira, o adultério, a fornicação, a prostituição, a inveja, o assassinato, o homossexualismo, a ganância, entre tantos outros pecados ainda mais abomináveis, entraram nas igrejas e fazem parte do seu modo de viver, como se fosse a coisa certa a ser feita. Tudo isso é fruto do abandono da sã doutrina, da cruz de Cristo, além de o juízo de Deus sobre aqueles que acham que podem ser crentes sem a Bíblia, que se entregam a todo vento de doutrina como se fosse a verdade de Deus.


Amor ao dinheiro

            Como já dissemos, o amor dos falsos mestres não está em Deus nem é direcionado às pessoas, mas está no dinheiro e voltado totalmente para si próprios (6:10). O apóstolo Paulo descreve com precisão o caráter desses homens, ao afirmar: “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as palavras do nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (6:3-5). Por rejeitarem o ensino de Jesus Cristo como padrão da sua fé, rejeitam-no, também, como padrão para o seu comportamento, o que não somente revela a sua verdadeira natureza, como também influencia negativamente algumas pessoas dentro da igreja, promovendo distorções na fé e na prática de vida, o que se pode ver por meio da inveja, das provocações, das difamações, das suspeitas malignas e das altercações que passam a fazer parte da realidade eclesiástica.
            O que estava por trás de tudo isso na época em que a epístola foi escrita e que também é a razão para a situação atual da igreja evangélica é o amor ao dinheiro. Os falsos mestres combatidos por Paulo visavam lucrar com a piedade cristã. A piedade (gr. eusebeia) está ligada a todas as nossas atitudes com relação a Deus (At 3:12; 1 Tm 2:2; 4:7,8; 6:3,5,6,11; Tt 1:1; 2 Pe 1:3,6,7; 3:11). Além de partir de um coração espontâneo, essa piedade é direcionada exclusivamente a Deus e pode significar a nossa santidade, a nossa espiritualidade em geral e a nossa adoração, que também envolve o serviço sagrado por meio das pessoas. Segundo o que temos estudado, esta piedade deve estar fundamentada na doutrina correta e gerar amor. Quando isso não acontece, não é uma piedade correta, não tem em vista a adoração a Deus, mas ao próprio homem, servindo aos seus interesses, o que de fato acontece com os falsos mestres, que supõem que a piedade é fonte de lucro.
            O amor ao dinheiro é a raiz do todos os males (v. 10), o que indica que o desvio da fé está ligado diretamente à cobiça desses homens. A difusão das heresias não visa apenas criar heresias, mas obter lucro financeiro em cima delas. É o que alerta o apóstolo Pedro sobre os falsos profetas em sua segunda epístola: “também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias” (2 Pe 2:3a; cf. 2 Co 2:17; Tt 1:11; 2 Pe 1:16). No sistema religioso atual, os falsos mestres sentem-se à vontade, porque lotam seus templos com falsos crentes que não buscam a verdadeira piedade, mas estão de fato interessados em serem explorados. Eles aceitam de bom grado que a sua fé seja explorada, porque ambos buscam a mesma coisa: lucrar com a fé, obter vantagens da sua autopiedade. O resultado dessa fé é um consumismo de bênçãos celestiais e a atormentação por meio de muitas dores que gozam essas pessoas nesta vida e na sua eternidade (6:10).


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AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

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A PRÁTICA DO AMOR NO COMBATE À MENTIRA - PARTE 2





2. AS QUALIDADES DO AMOR CRISTÃO (v. 5)

            O apóstolo Paulo apresenta um contraponto ao ensino dos falsos mestres que pervertem o Evangelho de Cristo e induzem as pessoas ao erro. Assim como escreveu aos crentes de Corinto que o amor é o maior de todos os dons e deve servir como base para a crença e a prática corretas (1 Co 13), ele escreve à Timóteo com uma finalidade única: estabelecer o amor como fundamento sólido para a crença e a prática da Igreja de Éfeso. Paulo escreve: “Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de boa consciência, e de fé sem hipocrisia” (1:5). O termo “admoestação” (gr. parangelias), traduzido pela ARC como “mandamento, significa ordem, comando, mandamento. Era usado a respeito da ordem de magistrados seculares (At 5:28; 16:240, e os mandamentos de Paulo (1 Ts 4:2; 1 Tm 1:5,8). Ele vem é substantivo de parangello (transmitir uma mensagem, ordenar, declarar). Logo, a epístola contém uma ordenação apostólica a respeito da questão dos falsos mestres e suas heresias. Ela é uma mensagem em forma de mandamento que Timóteo deveria de fato levar em conta e obedecer.
Assim como a doutrina precisa ser correta, a prática do amor ensinado por essa doutrina deve ser coerente com ela. A doutrina não existe para causar separação ou discussões, mas para unir os crentes em torno de uma só fé. O amor é o alicerce da fé cristã e nos chama a um viver coerente com a nossa vocação, na qual somos unidos pelo Espírito Santo no vínculo da paz (Ef 3:17; 4:1-3). Paulo ensina aos efésios em sua epístola que a unidade deve ser mantida, porque “há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (4:4-6). A fé cristã genuína não comporta sentimentos contrários ao amor e crenças ou atitudes que não estejam alicerçadas sobre ele e que promovam divisões ao invés da edificação do corpo de Cristo.
O amor não sobrevive sem a doutrina (ou os mandamentos), como escreveu João em sua primeira epístola: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos” (1 Jo 5:2). Os falsos profetas e os falsos mestres são homens ímpios, sem afeição alguma, que pela prática da mentira demonstram a sua aversão à verdade e o seu desprezo por Deus e pelas pessoas. Escrevendo aos colossenses, Paulo nos exorta, entre outras coisas, a não mentirmos uns aos outros (Cl 3:9), mas a desenvolvermos valores morais próprios daqueles que possuem um novo nascimento, onde o amor e a Palavra de Cristo servem como alicerces seguros não somente da nossa fé, mas também das nossas relações interpessoais (vs. 12-17). Os mentirosos desprezam a verdade e buscam difundir suas mentiras como uma forma de desviar aqueles que, por sua vez, não estão totalmente seguros do conteúdo da sua fé, que se deixam levar por todo lado por ventos de doutrina (Ef 4;14).


Coração puro

            Paulo não somente recorre ao amor como firme fundamento da doutrina e da comunhão da Igreja, como também qualifica este amor ou aquele que afirma possuí-lo (v. 5). Em primeiro lugar, o amor capaz de resolver a questão dos falsos profetas e orientar a prática de vida da Igreja provém de um coração puro (gr. katharos). Neste contexto, o coração puro implica em um coração limpo, puro em um sentido moral, sem culpa, inocente (At 18:6; 20:26), sincero, justo, livre do mal (Mt 5:8; Jo 13:11; 1 Tm 3:9; 2 Tm 1:3; 2:22; 1 Pe 1:22). O apóstolo Paulo está chamando os crentes de Éfeso a viverem uma vida íntegra, uma vida que não comporta o pecado nem cede espaço às heresias. A integridade moral cristã está ligada à crença correta que conduz a práticas corretas. A partir do momento em que abandonamos a integridade da nossa fé, somos despidos da integridade do nosso caráter. Crer e não praticar conduz a uma espiritualidade contraditória.
De acordo com o estudo “O cristão e a integridade: buscar o equilíbrio ou viver a verdade?”, de minha autoria, somente a verdade pode produzir integridade, pois “Assim como a nossa crença deve ser ortodoxa, fundamentada totalmente na Palavra de Deus, aliada à verdade absoluta e jamais relativista, também a nossa prática de vida não pode comportar o dualismo, o relativismo”. A integridade está diretamente ligada ao nosso caráter, de modo que é possível determinar que tipo de crentes somos através do nosso comportamento, acima de tudo aquele que se manifesta em oculto. Outros comportamentos, porém, afloram diante do público através do falso ensino e das práticas provenientes deles. Não podemos nos deixar enganar, pois “Embora muitos se afirmem cristãos, seguidores de Jesus, alguns demonstram, por suas crenças e suas práticas, que não são quem dizem ser. Isso está claro na Bíblia ao se referir a respeito dos falsos mestres, falsos profetas, falsos apóstolos e o anticristo (cf. Mt 7:15-23; 24:4,5, 24:23-26; Gl 1:6-8; 2 Co 11:3,4,13-15; 2 Ts 2:3,4,8-10; 2 Pe 2:1-22; Jd 1:1-23)”.


Boa consciência

Em segundo lugar, o amor proposto por Paulo como solução para os problemas da igreja de Éfeso provém de uma boa consciência (gr. syneidesis), que está ligada à consciência moral do crente (At 23:1; 1 Pe 3:16,21; 1 Tm 1:5,19; Hb 13:18). Uma das características dos falsos mestres e daqueles que seguem suas heresias apontadas por Paulo é a consciência cauterizada (4:1,2). Tal mente é o resultado da constância no pecado (Rm 1:24,25,28; Ef 4:19). No contexto da epístola a Timóteo, o pecado está ligado às consequências do ensino errado na Igreja, da ação dos falsos profetas. Não é possível haver uma boa consciência quando esta não está alicerçada na sã doutrina. Em primeiro lugar porque é o Evangelho genuíno que precisa formar o pensamento cristão; em segundo, porque não pode haver consciência limpa quando se prega e vive a mentira. A falsa doutrina conduz inevitavelmente a uma falsa moralidade. De acordo com o estudo citado, A Palavra de Deus deve ser anunciada e vivida integralmente (2 Co 2:17). “A ministração da verdade exclui as coisas que de tão vergonhosas ficam em oculto, de forma plena, jamais adulterada, de modo que haja boa consciência diante de Deus (2 Co 4:2). Os dualismos e os relativismos pertencem aos perdidos, àqueles que não obedecem à verdade, que têm cego o seu entendimento e são impedidos de conhecer plenamente o Evangelho da glória de Cristo (2 Co 4:3-5)”.


Fé sem hipocrisia

Por fim, o amor ensinado por Paulo envolve o desenvolvimento e a prática de uma fé não fingida (gr. anypokritos), que significa não dissimulada, sincera, sem disfarces (hipocrisia, como na ARA), não fingida, genuína, real, verdadeira. Se o apóstolo Paulo está escrevendo para fazer correções na espiritualidade dos crentes de Éfeso, que vinham sofrendo a influência dos falsos mestres, entender o caráter destes homens é importante para sabermos o que é uma fé sem hipocrisia. Em primeiro lugar, eles ensinavam outras doutrinas (v. 3), isto é, afirmavam ser discípulos de Jesus enquanto ensinavam preceitos que nem Ele nem os seus apóstolos ensinavam. Isto indica que não existe verdade onde a crença não é verdadeira. E se a verdade não está presente na crença, também não estará na prática de vida de quem promove a mentira nem nas suas intenções. A fé hipócrita está fundamentada na mentira (4:2), o que vai determinar como será o seu caráter e o seu comportamento. O que esperar de alguém que nos fala mentiras?
Em segundo lugar, uma fé fingida abre mão do que realmente importa para se preocupar com temas que não promovem a edificação, mas geram contendas e divisões dentro da Igreja (1:4; cf. Jd 19). A preocupação central da fé cristã é o amor. Quando o Senhor Jesus resumiu toda a Lei de Moisés e os profetas, afirmou que elas apontavam para um único mandamento: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mt 22:34-40). Qualquer ação que não provenha do amor nem o promova, está distante de se parecer com aquilo que o Senhor nos ordenou: que nos amemos uns aos outros assim como Ele próprio nos amou (Jo 15:12-17). Ao contrário do caráter distorcido e da postura herética dos falsos mestres, o amor une os irmãos e os conduz à perfeição (Cl 3:14). Se o amor leva à perfeição, a sua falta conduz à destruição. Que não age por amor não está preocupado com o bem, mas apenas com o mal. Quem não se importa em induzir as pessoas ao erros e dividi-las, não pode ser digno de crédito.


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A PRÁTICA DO AMOR NO COMBATE À MENTIRA - PARTE 1





TEXTO ÁUREO: 1 Timóteo 1:3-7

INTRODUÇÃO

A primeira epístola de Paulo a Timóteo tem como objetivo instruir este jovem pastor quando aos perigos dos falsos mestres que se infiltraram na igreja de Éfeso, como ele mesmo havia predito que acontecesse cinco anos antes (At 20:28-30). Ele exorta Timóteo a se opor corajosamente a esses homens maus e a sustentar a verdade das Escrituras. Além disso, Paulo tencionava instruí-lo a respeito de assuntos práticos com relação à adoração pública, as qualificações dos oficiais da Igreja e as relações com diversos grupos nela presentes, como as viúvas, os anciãos, os escravos e mesmos os falsos mestres. Paulo revela o seu cuidado com seu filho na fé, dando uma grande ênfase à piedade como a grande qualificação do ministro cristão.
A finalidade da presente admoestação, que compreende toda a epístola, é o amor e as suas qualidades próprias. Vemos, assim, que a presença do amor na vida da Igreja exclui os falsos ensinos. Não é possível amar verdadeiramente se não houver verdade na doutrina que é ensinada. Sem esta verdade, o próprio ensino já não provém do amor, de uma boa consciência, um coração puro ou uma fé sincera, mas de mentes cauterizadas que vivem e pregam a mentira, desviando os crentes da verdadeira fé e induzindo-os ao erro. O amor está presente na epístola como o fiel da balança, tendo a são doutrina como a medida certa de todas as coisas.


1. A CRENÇA CORRETA (vs. 3,4)

            A preocupação primordial do apóstolo Paulo ao escrever a sua epístola é o ensino contrário ao seu Evangelho que já vinha se infiltrando na Igreja de Éfeso através de “certas pessoas”, uma expressão indefinida que ele utiliza para não especificar ninguém. Todavia, mais adiante ele desmascara essas pessoas, indicando o seu caráter apóstata, baseado em espíritos enganadores e ensinos de demônios (4:1). A sua instrução a Timóteo é que ele admoeste essas pessoas, isto é, ordene-as que desistam de ensinar doutrinas contrárias (heterodoxia) àquela que já foi ensinada (ortodoxia).
O problema dos falsos mestres e suas heresias não era um problema exclusivo da comunidade de Éfeso, mas estendia-se por todas as igrejas do primeiro século, mesmo no início, quando ainda havia a presença pessoal dos apóstolos. A epístola de Paulo aos gálatas também visava corrigir ensinos contrários à doutrina apostólica que vinham se infiltrando naquela comunidade por meio dos judaizantes. Paulo exortou aos gálatas: “Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gl 1:9). A segunda epístola de Pedro também dá ênfase ao problema dos falsos profetas na igreja, afirmando que eles introduziriam na Igreja “heresias destruidoras” (2:1). Também Judas ocupou-se com este problema, deixando de escrever aos irmãos a respeito da salvação para exortá-los a batalharem pela fé evangélica, porque alguns homens ímpios haviam se introduzido na comunidade transformando em libertinagem a graça de Deus e negando a Cristo como único Soberano e Senhor (Jd 3,4).
A preocupação com a ortodoxia evangélica é dupla: a formação de heresias que deturpam o evangelho e as práticas erradas consequentes dessas heresias, que desvirtuam o caráter cristão, fomentando toda sorte de pecados. A crença equivocada sempre redundará em uma espiritualidade igualmente equivocada: a graça de Deus transformada em libertinagem. Quando a Igreja não crê da maneira correta, quando permite que o falso evangelho se instaure no seu meio, toda a sua piedade é afetada. A forma de pensar Deus e praticar a sua fé deixa de ser balizada pela verdade e passa a obedecer a mentira. Isto implica em orar, ofertar, amar, servir, evangelizar, obedecer, santificar-se e executar tantas outras ações comuns ao cristão de uma forma incorreta.
A própria prática do amor é afetada pela crença correta. O amor diz respeito à nossa forma de crer em Deus. Não basta ter fé, é preciso ter a fé correta, baseada na são doutrina, que é o Evangelho pregado por Cristo e pelos apóstolos. A doutrina de Cristo diz respeito à forma como devemos crer em Deus e as suas práticas resultantes, o que envolve amor pelas pessoas, seja por meio da exposição correta da verdade, seja pela forma como esta exposição é feita. Se não cremos da maneira correta, dificilmente amaremos com o amor de Deus, ou simplesmente não amaremos. A preocupação dos falsos mestres não está em edificar a Igreja, muito menos promover um serviço santo a Deus (v. 4). Ao contrário, eles causam discussões infrutíferas que acabam dividindo a Igreja. A solução para a questão está em alimentar-se “com as palavras da fé e da boa doutrina” (4:6).
Muito embora, no capítulo quatro, Paulo faça referência aos “últimos tempos”, a apostasia na Igreja já pode ser observada hoje, como desde aquele tempo já podia ser vista e combatida. Apegar-se à crença correta é a única forma de nos mantermos livres das heresias. Na Igreja moderna, as heresias tem-se infiltrado de uma forma não sorrateira, mas declaradamente contraditória, ensinando e estimulando práticas contrárias àquelas coerentes com as Escrituras. O neopentecostalismo trouxe à luz a Teologia da Prosperidade e toda a problemática que a envolve. Os pregadores que se servem desse estilo de doutrina não encontram barreiras para contradizerem a Bíblia e deturparem-na para servir aos seus próprios interesses, por meio de ensinos de demônios. Todas essas coisas refletem na qualidade moral não somente dos líderes desses movimentos, mas igualmente dos seus seguidores, que praticam uma fé materialista e mesquinha, onde o que está em vista não é o amor a Deus ou a busca pelo seu Reino, mas o amor e si mesmos e uma busca irresoluta pelos bens e prazeres deste mundo.



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