quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

EU E A MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR - JOSUÉ 24:14-25




TEXTO ÁUREO: Josué 24:14-25

INTRODUÇÃO

Este é um estudo direcionado à família cristã, que vive num lar onde se professa a fé em Jesus Cristo. Seria coerente se essa fé fosse suficiente para formar famílias saudáveis, cheias de graça e amor, onde os problemas e as crises fossem facilmente resolvidos através da oração, da prática do amor, do diálogo e da obediência à Palavra de Deus. Mas nem sempre esse ideal é o real. Eis o retrato de muitas famílias modernas, incluindo as cristãs: parece que se esqueceram de Deus e da sua Palavra, não se deixando mais serem guiadas por seus valores e permitindo que os valores mundanos geradores de morte ditem os seus padrões de comportamento. O ser está sendo substituído pelo ter, as pessoas e os relacionamentos são tidos como objetos usáveis, manipuláveis, descartáveis e substituíveis. Pais e filhos parecem ter se tornado inimigos. Quem tem vez e voz no lar geralmente é a Internet.
A inversão de valores e a relativização da verdade divina têm trazido para dentro das famílias a discórdia, a desunião, a falta de diálogo, a falta de respeito dos filhos, o abuso dos pais, uma educação permissiva, a violência, o adultério. Já ouvi caso do pastor usar droga escondido atrás do púlpito. E de outro que fugiu com a esposa do irmão. Fato é  que as famílias evangélicas não são diferentes. Quanto mais se distanciam da cruz de Cristo e colocam vários deuses no seu lugar (mídia, ego, feminismo, sucesso profissional, ganância, drogas, etc.), mais se autodestroem e permitem que Satanás traga discórdias e separações. Poucos são os lares que mantêm a prática do culto doméstico, com oração, leitura da Palavra e adoração. Embora unida debaixo do mesmo teto, a família moderna está separada e dividida, muitas vezes por um pequeno aparelho de telefone.
Aqui iremos estudar um pouco de uma grande família chamada "povo de Deus", a nação chamada Israel . O momento escolhido da história daquele povo para nosso estudo foi crucial: uma decisão sobre quem amar e servir. A Deus? A si mesmos? A outros deuses? Tudo isso tem a ver com a nossa família hoje. A escolha que fizermos com relação a Deus definirá não somente o nosso comportamento, como também a qualidade das nossas relações e o sucesso da nossa família. Quem você tem escolhido? De que lado você está? Qual o modelo de família ideal? Não basta falar de Jesus, de fé, de santidade. Se nada disso faz sentido na nossa vida prática, não passa de teoria. Vamos juntos buscar o modelo de família cristã genuína, que é aquela que ama e serve a Deus. Está disposto(a)? Então aguarde os próximos capítulos.

Dever de casa: Faça uma análise da vivência no seu lar. Em que aspectos ele reflete o caráter de Cristo? Em quais tem deixado a desejar?

Dica de livro: "O sermão do monte", D. A. Carson, ed. Vida Nova.


1. ALIANÇA COM O SENHOR

Leia: Josué 24:2-4

A família que serve a Deus é bem diferente daquela que não o conhece e não vive de acordo com a sua Palavra, ou pelo menos deve ser. O seu caráter e o seu comportamento são diferenciados, baseados nos valores eternos da Palavra de Deus, numa vida íntegra e cheia do Espírito Santo. Escolher servir a Deus envolve dedicar-se totalmente a Ele, o que transforma a nossa vida integralmente, incluindo as nossas relações interpessoais. Logo, uma família que serve a Deus é uma família que tem uma aliança com o Senhor (vs. 2-4), que se identifica com Cristo e segue os princípios bíblicos. Você e a sua família possuem essa identificação?

ISRAEL: O povo de Israel era fruto de uma aliança entre Deus e Abraão, que o tirou do meio da idolatria para fazer dele uma grande nação (vs. 2,3). A descendência de Abraão (Isaque e Jacó) rumou para o Egito, onde passou a viver sob regime de escravidão (v. 4). Em tudo isso vemos o mover de Deus na história daquele povo, com graça e providência.

APLICAÇÃO: Precisamos lembrar que temos uma Aliança com Deus firmada na cruz de Cristo e baseada em princípios éticos, morais e espirituais da sua Palavra (Hb 12:24). São esses princípios que devem servir de base para as nossas decisões. Se nossa vida não está fundamentada na Palavra de Deus, nós e a nossa família seremos levados pela enxurrada do mundo. Estar edificado sobre a Palavra de Deus significa obedecê-la (Jo 14:21; Mt 7:21-27). Fomos salvos para obedecer a Deus. Esta obediência traz consequências positivas à nossa vida (Dt 5:29). Qual o manual de instruções e o guia da sua família?

FAMÍLIA: Falamos tanto das bênçãos consequentes da nossa fé e das nossas orações, mas esquecemos dos benefícios de obedecer a Deus, atentando àquilo que Ele ensina e ordena na sua Palavra. Os grandes problemas familiares são frutos da desobediência, quanto nos negamos a viver segundo a Lei do Senhor para agir de acordo com nossas próprias regras e desejos pecaminosos. O primeiro fruto da obediência é o amor, porque o amor é o cumprimento da Lei (Jo 15:17; 2 Jo 2:15). Se temos uma aliança com o Senhor, não podemos viver escravizados pelo pecado. É preciso haver arrependimento e confissão para que a nossa família seja restaurada e permaneça fiel a Deus. Era esse o projeto de Deus para o seu povo, como também o é para nós hoje. Deus não parou de agir na história. Ele continua nos dando graça e providência. O que precisamos fazer é recorrer a Ele, ficar firmes no propósito de caminhar sobre os passos de Jesus. Imagine que efeitos transformadores a nossa família pode experimentar ao submeter-se totalmente a Deus, dando sempre lugar ao Espírito Santo.

Dever de casa: Ore por familiares e parentes que ainda não conhecem a Jesus. Sempre que possível, fale da salvação para eles.

Dica de livro: "Minha família: projeto de Deus", Jaime Kemp, ed. Betânia.


2. LIBERTOS PARA SERVIR

Leia: Josué 24:5-13

Quando olhamos as crises enfrentadas por muitas famílias que frequentam as igrejas costumeiramente, nem sempre enxergamos alguma diferença entre elas e o mundo na maneira como encaram essas crises. Isso causa espanto e preocupação, uma vez que são pessoas que professam sua fé em Cristo e creem naquilo que a Bíblia ensina. Um número considerável de famílias cristãs vivem na contramão do ensino de Paulo: "Mas a prostituição e toda impureza ou avareza nem ainda se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas, antes, ações de graças" (Ef 5:3,4).

ISRAEL: A liberação do povo de Israel se deu por intermédio de Moisés (vs. 5-7). Após a saída do Egito, o povo de Deus enfrentou diversos inimigos, até finalmente tomar posse da terra prometida (vs. 8-13).

APLICAÇÃO: Da mesma forma que o Senhor libertou o seu povo para servi-lo no deserto, também nos liberta para as boas obras preparadas de antemão para que andemos nelas (Ef 2:8-10). Somos salvos para servir a Deus como indivíduos, Igreja e família. Amamos e adoramos a Deus quando assumimos a nossa natureza regenerada através de um compromisso irrestrito de santidade, obediência e serviço. Pais servem aos filhos, filhos servem aos pais, e ambos fazem isso para a glória de Deus.

FAMÍLIA: A nossa família será abençoada a partir do momento em que vivermos para servir a Deus e uns aos outros, não nos entregando à idolatria e à desobediência, como fizeram os judeus, fazendo com que passassem 40 anos peregrinando pelo deserto. Se fomos libertos pelo Senhor, somos verdadeiramente livres (Jo 8:35,36; Rm 8:2). Então, não devemos mais nos prender à escravidão do passado. Somente vivendo esta liberdade a nossa família será capaz de servir a Deus. É preciso impregnar nossas relações familiares com os valores corretos, como aqueles que Paulo ensina aos crentes de Filipos: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco" (Fp 4:8,9).

Dever de casa: Medite sobre que ídolos no seu lar tem tomado o lugar de Deus. Internet? Dinheiro? Ego? Sucesso?


3. SEPARADOS PARA DEUS

Leia: Josué 24:14,15

Já aprendemos em outra mensagem a respeito da santificação. Somos separados do mundo para Deus pela fé em Jesus Cristo. Esta era a natureza de Israel: separada dentre os outros povos para ser consagrada a Deus. Além de Igreja, como núcleo familiar também temos essa característica. Então, se fomos consagrados a Deus, ungidos com o seu Santo Espírito, como deve ser o nosso procedimento como pais e filhos? Devemos ser uma família que se afasta de tudo que nos afasta de Deus (vs. 14,15).

ISRAEL: Josué exorta o povo a abandonar os deuses de seus pais, os quais eles mesmos cultuavam, para servir somente a Deus (vs. 14,15). Josué fez a sua escolha: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (v. 15).

APLICAÇÃO: A liberdade do crente é do pecado e da morte (Rm 8:2). O nosso Egito era uma vida longe da presença de Deus, sendo escravos da Lei e do pecado. Se somos libertos, não devemos mais nos sujeitar àquilo que nos aprisionava (Gl 5:1). Se somos diferentes como indivíduos, isso refletirá em todas as áreas da nossa vida, acima de tudo no âmbito familiar, que é a base de tudo.

FAMÍLIA: Para que a nossa família siga abençoada, precisamos abrir mão de tudo aquilo que nos afasta do centro da vontade de Deus, para amar, adorar e servir exclusivamente a Ele, o que envolve assumir uma identidade de filhos e obedecê-lo (Lc 6:46). Os israelitas tinham Deus por Pai, mas não o obedeciam, ao contrário: viviam na idolatria. Servir a Deus envolve renúncia (1 Ts 1:8,9). Muitos casamentos não dão certo porque um ou os dois cônjuges insistem em manter uma vida de solteiro, não lembrando do compromisso que assumiram um com o outro diante de Deus. Diversas famílias cristãs estão falindo porque os crentes não agem como libertos por Cristo, mas como escravos do pecado, agredindo-se física e verbalmente, cometendo adultério, criando os seus filhos de maneira permissiva e sem a disciplina do Senhor (Ef 6:4). Os israelitas deveriam escrever as leis de Deus até mesmo nos umbrais das casas (Dt 6:9), mas elas só fariam verdadeiramente sentido se fossem guardadas em seus corações (Sl 119:11). Se a Palavra de Deus não estiver no nosso coração, se não atentarmos para os mandamentos do Senhor, todas as nossas ações sempre serão contrárias ao ideal de família cristã abençoada e abençoadora proposto por Ele.

Dever de casa: No seu lar existe diálogo? Como você  e sua família costumam administrar os conflitos?


4. SANTIDADE

Leia: Josué 24:16-18

De onde vem a falta de diálogo entre marido e mulher e entre pais e filhos? De onde surgem o individualismo e o egoísmo? De onde provém a falta de diálogo, de atenção e de carinho? Será que a indiferença é fruto do acaso? Será que o desemprego e o preço do combustível são os vilões no lar? Será que relacionamentos tóxicos e abusivos são obras do diabo? Sejamos sinceros: a raiz de todos os nossos problemas é o pecado. E uma família que serve a Deus é uma família que abre mão do pecado (vs. 16-18)

ISRAEL: A resposta do povo a Josué foi positiva, isto é: eles estavam dispostos a abandonar a idolatria para servir somente a Deus, a quem reconheciam como o seu Libertador (vs. 16-18).

APLICAÇÃO: Servir a Deus traz consequências práticas à nossa vida: uma vida santa, totalmente dedicada a Ele, onde abrimos mão do pecado para servi-lo em novidade de vida (Rm 6:1-4; Tt 2:11-15). Assim como os judeus foram exortados a abandonar a sua idolatria, Deus nos chama hoje para uma vida longe da perversidade do mundo (At 2:40), onde a nossa mente transformada nos torna diferentes e nos leva a conhecer, experimentar e viver a vontade perfeita de Deus (Rm 12:1,2). Não basta crer, é preciso obedecer. O inferno estará repleto de pessoas que sempre acreditaram em Deus.

FAMÍLIA: Não é possível ter uma família sadia sem abrir mão do pecado, de tudo aquilo que representa uma afronta à santidade de Deus e uma agressão aos valores familiares descritos na Bíblia. Onde existe a prática deliberada e constante do pecado, não existe amor, paz, compreensão, diálogo. O pecado nos afasta de Deus, de nós mesmos e das pessoas. Isso demonstra egoísmo: queremos fazer o que nos agrada sem nos importar com o que Deus pensa e sem pensar no que isso pode representar para quem está do nosso lado. Não podemos servir a Deus e continuar pecando, como também não é possível continuar no pecado e ter uma família feliz. Uma família desestruturada, onde o não existem demonstrações de amor, gera desequilíbrio emocional nos seus membros, o que se transforma em atitudes nocivas, gerando uma cadeia destrutiva de opressão e autodestruição. Muitos filhos acabam buscando no mundo a paz que não encontram no seu lar, envolvendo-se com as drogas e a criminalidade. Casais que deveriam se amar, acabam se tornando inimigos dentro do próprio lar. Que pecados precisamos abandonar para que a nossa família viva em paz?

Dever de casa: Não se esqueça de dizer todos os dias que ama a sua esposa, seu marido, seus filhos, seus pais.


5. COMPROMISSO INTEGRAL COM DEUS

Leia: Josué 24:19

A família que serve ao Senhor é aquela que possui compromisso integral com Ele. É maravilhoso quando vemos a presença de famílias inteiras nos cultos: o casal e seus amados filhos. Ainda mais maravilhoso é quando cada um tem um ministério: o marido prega, a esposa canta, os filhos estão envolvidos em atividades com os jovens. A questão é quando esse compromisso está restrito ao ambiente eclesiástico, não refletindo a realidade doméstica. No oculto do lar e da vida pessoal de cada um, nem sempre esse belo compromisso com Deus é notado. Há uma prática religiosa desassociada da vivência cotidiana. Isso é mais ou menos o que acontecia com o povo de Deus no Antigo Testamento, e que sempre foi alvo de grandes repreensões divinas. Veja o exemplo notório do livro do profeta Isaías, capítulo primeiro.

ISRAEL: Apesar da declaração de compromisso do povo, Josué afirma que lhes seria impossível servir a Deus de maneira íntegra, pois o seu coração ainda estava inclinado ao pecado (v. 19).

APLICAÇÃO: Não é possível servir a Deus de qualquer maneira, principalmente quando não estamos dispostos a abandonar aquilo que nos afasta dele. Servir a Deus envolve compromisso total e irrestrito. Não podemos servir a dois Senhores (Mt 6:24). Ou a nossa casa serve a Deus ou aos nossos próprios interesses; ou ela obedece à Palavra de Deus ou segue a ideologia mundana; ou ela é edificada por Cristo ou destruída por Satanás.

FAMÍLIA: O sucesso familiar está em buscar e viver o Reino de Deus em primeiro lugar (Mt 6:33). Este Reino não é composto daquilo que nos tira a paz e traz ansiedade, muito pelo contrário: é um reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). Muitos casamentos chegam ao fim ou seguem uma relação desestruturada porque a busca do casal não está nas coisas do alto, mas nas conquistas e realizações terrenas (Cl 3:1,3). Enquanto se privam um do outro e deixam seus filhos à mercê da TV, da Internet, dos jogos eletrônicos e das amizades da rua, muitos casais buscam seu sucesso profissional e financeiro, não compartilhando mais de si mesmos nem dedicando tempo de qualidade ao cuidado com a família. O resultado é o esfriamento do amor, uma educação falha e permissiva e a traição. Quanto mais se distanciam do ideal de Deus, quanto mais amam mais ao mundo do que a Deus, mais se tornam estranhos para si mesmos e atraem palavras e atitudes destruidoras, deixando várias brechas para que o inimigo penetre e destrua aquilo que já está fraco.

Dever de casa: Eleja um dia por semana, quinzena ou mês em que você e sua família ficarão um dia inteiro fora das redes sociais, usando somente o indispensável. Tire esse tempo para atividades juntos.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Leia: Isaías 2:6-8

O desenrolar da história da nação de Israel a partir do pacto de fizeram com Deus de servir somente a Ele, mostrará que eles não se mantiveram fiéis e voltaram à sua prática idolátrica, misturando-se aos costumes das nações pagãs ao invés de influenciá-las com a Palavra de Deus e um comportamento santo. Como povo de Deus selado com o Espírito Santo, não podemos seguir o exemplo deles, mas devemos viver uma vida íntegra, buscando diariamente a santidade, o que nos levará não somente a abrir mão daquilo que é errado, como também investir na prática do que é certo, que agrada e glorifica a Deus. Baseados em tudo o que estudamos a respeito daquele momento específico da história de Israel e sua aplicação à realidade das famílias cristãs modernas, podemos tirar algumas conclusões:

É preciso perseverar na fé e jamais abandonar a adoração a Deus por qualquer outro tipo de adoração. O culto doméstico deve ser uma prática vital, mas também deve haver mudança de caráter e de comportamento. Isso envolve valores morais elevados, como respeito e fidelidade.
O abandono da verdade nos leva a viver na mentira, praticando tudo aquilo que Deus desaprova. A família só estará unida e servindo a Deus enquanto crer na sua Palavra e praticá-la.
Não podemos permitir que os valores mundanos influenciem a nossa vida. Ao contrário, devemos influenciar o mundo com nosso padrão de vida comprometido com os valores eternos do Reino de Deus. Cada familia cristã deve ser um núcleo evangelístico e missionário.
O valor que damos a Deus demonstrará o valor que damos à nossa família. Deus não pode ser servido por mãos humanas (At 17:25), de modo que escolher adorar somente a Deus significa escolher as pessoas para amar e servir. Qual o nível de qualidade das nossas relações domésticas? Que tipo de pessoas temos sido? As nossas atitudes demonstram que de fato escolhemos a Deus?
Cada membro da família precisa assumir seu papel e suas responsabilidades, cumprindo-os todos. Além disso, deve assumir a sua participação no sucesso ou no fracasso das relações familiares, comprometendo-se com a mudança.
Somente amando a Deus acima de tudo e buscando em primeiro lugar o seu Reino e a sua justiça poderemos dizer: eu e a minha casa serviremos ao Senhor.

Dever de casa: Compartilhe este estudo com toda a sua família e as famílias que você conhece.



Mizael de Souza Xavier

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

O FATOR "FLASH” – LIÇÕES QUE APRENDI ASSISTINDO AO SERIADO “THE FLASH”




Há alguns dias tenho assistido a série do super-herói de Central City: THE FLASH. Como todos sabem, ele é o homem mais rápido do mundo, utilizando a força da aceleração para combater meta-humanos maus e diversos criminosos. Mas o que tem me chamado mais a atenção no Flash não é a sua super-velocidade e seus feitos heroicos, mas a sua humanidade, as suas fraquezas. Apesar de todos os seus poderes, em diversos momentos ele se revela confuso, incapaz, às vezes autossuficiente, em outras angustiado, irritado, desesperançoso. Com toda a sua velocidade, mal consegue lidar com problemas emocionais, como traições e a perda de seus pais. E o que isso tem a ver comigo e com você?

Vamos ver algumas lições importantes que o seriado do Flash nos traz.

Primeira. Apesar de ser um super-herói,  ele não trabalha só, mas tem toda uma equipe ao seu lado, apoiando-o, tanto em questões técnicas como emocionais. Não importa o tamanho da nossa força, sempre precisaremos de pessoas ao nosso lado para nos apoiar e nos sustentar, inclusive nos momentos de dificuldade. Ninguém é autossuficiente. Mas a ajuda só vem quando reconhecemos a nossa pequenez e que somos seres interdependentes. Por isso, Deus nos fez corpo. Somos membros uns dos outros. Crescemos juntos e juntos lutamos nossas guerras. O nosso poder vem da cabeça que comanda todo o corpo: Jesus Cristo. Ele é a força que produz nosso perfeito metabolismo.

Segunda. A cada falha ou queda, o Flash aprende lições que o tornam mais forte e o ensinam onde e como não errar mais. Isso se chama RESILIÊNCIA. Assim também somos nós: aprendemos algo novo todos os dias, o que deve nos tornar mais sábios e capazes. Somos empoderados com a sabedoria que vem do Alto, com o poder do Espírito Santo, com a Palavra de Deus e a sua graça maravilhosa. Deus usa pessoas e situações para nos provar, corrigir e aperfeiçoar, inclusive as adversidades.

"E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte" (2 Co 12:9,10).

Sócrates escreveu que uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida. De fato, não podemos "julgar todas as coisas", conforme o apóstolo Paulo ordenou (1 Ts 5:21), se não refletirmos a respeito delas. Refletindo, não só poderemos discernir entre o que é bom ou ruim, como poderemos tirar boas lições de tudo para a nossa vida. Ou seja: é possível extrair importantes aprendizados assistindo a um seriado como THE FLASH. O lado ruim é a filosofia ateísta e pragmática. É a exaltação da ciência em detrimento da soberania de Deus. Mas há certa ordem no caos. Deus nos dá inteligência para extrair lições de tudo. Podemos até aprender com o diabo. A sua existência e ações nos ensinam tudo o que não devemos ser nem fazer. Assim sendo, prossigamos com as lições do Flash.

Terceira. Por diversas vezes o Flash volta no tempo para tentar concertar seus erros ou evitar alguma tragédia. O resultado é que ele altera a linha do tempo, criando um ponto de ignição que piora as coisas ainda mais. Não podemos voltar no tempo para desfazer nossos erros ou evitar nossas tragédias. O que podemos fazer é construir coisas novas no lugar e aprender a conviver com o que for inevitável. Deus não nos ordena reconstruir o passado, mas nos deixa obras para fazermos hoje (Ef 2:8-10). É preciso fazer as pazes com o passado, perdoar e nos perdoar. É um peso que não precisamos carregar, pois Cristo já o carregou por nós na cruz. Vivamos o hoje enquanto construímos o amanhã.

Quarta. O Flash não nasceu herói. Ele se tornou após ser atingido pela explosão de um acelerador de partículas. A partir daí, com todos os seus poderes, a sua vida se transformou. E junto com grandes poderes, vieram grandes responsabilidades. Nós fomos revestidos do poder de Deus quando recebemos o Espírito Santo. E qual a nossa grande responsabilidade? Testemunhar de Cristo (At 1:8). Não fomos redimidos para ficarmos sentados,  salvos e satisfeitos. Estamos aqui para sermos salvos, santos e servos. Fomos atingidos pela graça de Deus para salgar e iluminar o mundo. Temos um propósito: glorificar a Deus com a totalidade da nossa existência. Se não estamos fazendo nada disso, não estamos sendo responsáveis com o poder que nos foi dado.

Quinta. De fato, para quem está disposto a aprender, a vida é uma escola. Qualquer ensino é um processo no qual nos envolvemos com disposição para fazer a nossa parte para que aconteça o aprendizado. E é esta uma das lições importantes que o Flash nos traz. Não basta conhecer nossas habilidades, é preciso desenvolvê-las, trabalhá-las até que sejamos capazes de dominá-las e dar o nosso melhor. O Flash aprendeu que não bastava ter velocidade, era preciso saber como utilizá-la estrategicamente. Da mesma forma, devemos conhecer os dons e talentos que Deus nos deu e aprimorá-los para que sejam utilizados da maneira correta, e jamais desperdiçados. Não basta ter o dom de ensino, por exemplo, mas é preciso esmerar-se (Rm 12:7). Ou seja: dedicação. A cada novo problema que surge, Flash e sua equipe precisam buscar novos conhecimentos para lutar e se adequar a alguma nova realidade.

Sexta. O Flash é o homem mais rápido do mundo. O que demoramos horas ou até dias para fazer, ele realiza em questão de segundos. Mas algo ele tem aprendido que pode nos ensinar: existem coisas que demandam tempo, que obedecem a um processo que pode ser longo. Esquecer uma tragédia, conquistar a confiança, desenvolver relacionamentos significativos, perdoar, aceitar as pessoas como elas são, mudar nossa realidade interior (mente e coração), tornar-se perito em algo. Não adianta correr contra o tempo, é preciso aproveitá-lo ao máximo. Paulo escreveu aos crentes de Éfeso: "Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus" (Ef 5:16,17). Precisamos de sabedoria e paciência para dar um passo de cada vez. Se não fizermos isso, acabaremos pulando etapas importantes. É preciso também evitar a procrastinação.

Sétima. Finalizando nossas reflexões sobre o Flash, ele não é o único na série com poderes especiais. Muitos outros foram atingidos pela explosão e desenvolveram capacidades extraordinárias. Entretanto, parece que a maioria está interessada em usar seus poderes em proveito próprio, para destruir, roubar ou se vingar dos seus desafetos. Isso nos chama a atenção para uma verdade: ao contrário do que se diz, o poder não corrompe ninguém, apenas revela a verdadeira natureza de cada um. A pessoa íntegra continuará íntegra de posse do poder. Quem é humilde, permanecerá humilde. Nada que é externo pode mudar a nossa essência. Se você era "bom" e de repente se tornou mau quando subiu de posto na empresa, na verdade você era um mau enrustido, esperando uma oportunidade para se revelar. Embora cheio de defeitos, o Flash manteve a mesma natureza de quando ainda não possuía poderes especiais.

Oitava. Talvez a lição mais marcante do seriado THE FLASH seja a importância da família e dos amigos. Todos os personagens principais da trama formam uma única unidade afetiva que comporta diferenças e singularidades. De alguma forma, todos estão sempre dando apoio um ao outro, procurando ajudar a corrigir suas distorções, dando apoio moral, estando presentes, agindo em conjunto, perdoando as falhas, protegendo-se mutuamente. Quem dera as famílias fora da ficção também fossem assim! Quem dera todas as igrejas fossem assim! Não podemos perder de vista o amor de Deus que nos salvou e nos reuniu como família divina. Somos um em Cristo. Não devemos ter em vista somente o que é nosso, mas devemos levar as cargas uns dos outros. A igreja é um grupo terapêutico onde crescemos juntos.

É claro que não seremos jamais super-heróis nos moldes da ficção. Nem precisamos ser "supercrentes". O que devemos ser é pessoas totalmente dependentes de Deus e da sua graça, obedientes, santos e servos. Em tudo somos mais que vencedores em Cristo. De Deus vem a nossa força e a nossa suficiência. Devemos ser rápidos como o Flash para amar, perdoar, evangelizar e fazer o bem. Já temos o divino poder do Espírito Santo para manter a nossa integridade e dar frutos para o Reino. Já temos a nossa armadura espiritual para lutarmos contra nosso inimigo: Satanás. Somos os "heróis" empoderados por Deus para amar o próximo e socorrer os aflitos. Somos enviados com a mais nobre de todas as missões: proclamar as boas-novas da salvação. Avante!

AUTOR: Mizael de Souza Xavier

sábado, 14 de dezembro de 2019

O PODER TRANSFORMADOR DA PALAVRA DE DEUS





O PODER TRANSFORMADOR DA PALAVRA DE DEUS

INTRODUÇÃO

Leia: Efésios 1:13

Pense e responda: Ler a Bíblia já é suficiente para transformar a vida de alguém? Se sim, por que muitos ateus, cientistas, filósofos e historiadores a leem e releem, mas mesmo assim morrem na incredulidade? E por que tantas pessoas que estão dentro das igrejas jamais se deixam transformar pela Palavra, ao ponto de serem chamadas de joio, falsos irmãos, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos mestres? Terá a Palavra de Deus falhado? Será possível resistir a um Deus Todo-poderoso e Soberano?

Neste estudo, tentarei elucidar essas e outras questões referentes ao poder transformador da Palavra de Deus. Podemos começar questionando nesta introdução que tipo de transformação estamos falando. Não é preciso nem mesmo crer em Deus para utilizar os ensinamentos bíblicos para alcançar alguma retidão moral. De fato, estudiosos e fiéis de outras religiões consideram Jesus um mestre, um grande modelo de bondade e de caráter. Alguns até procuram seguir seus exemplos. Mas pergunte a qualquer um deles se creem em Cristo como Deus, Senhor e Salvador que a resposta será negativa. Então já percebemos que ser transformado pela Palavra de Deus é mais que crer na Bíblia como um manual de modelos e práticas éticas, morais e espirituais. Ela não é um livro qualquer.

Por outro lado, em muitas igrejas cristãs, a Bíblia parece não passar de um mero manual de autoajuda ou um simples manancial de bênçãos e vitórias. A superficialidade da fé de alguns irmãos não os permite ir mais além. A sua fé não ultrapassa as barreiras das suas ambições pessoais nem parece mudar o seu caráter. Eles não enxergam a pessoalidade de Deus, muito menos a eternidade. Não sabem sequer explicar as doutrinas mais básicas da fé cristã. Como ter práticas corretas sem o conhecimento necessário? Que transformação eles têm experimentado? Ela é bíblica? Se não, que transformação a Palavra de Deus nos traz e como ela acontece? É o que veremos nas próximas mensagens.

Dever de casa: Estude sobre este tema e aprofunde o seu conhecimento da Bíblia Sagrada.


A NATUREZA DA BÍBLIA

Leia: 2 Timóteo 3:16

O Evangelho é poder de Deus (Rm 1:16). Isso pode ser comprovado na história da Igreja e das Missões. Por exemplo: o que o grande doutor da Igreja, Agostinho, bispo de Hipona (354-430 d.C), e o reformador Martinho Lutero (1483-1546 d.C) têm em comum? Ambos experimentaram uma transformação radical em suas vidas ao lerem as Sagradas Escrituras. Não por coincidência, foram iluminados pelo mesmo livro: Romanos (13:13,14 e 1:17, respectivamente). Para o cristão reformado ou evangélico, a Bíblia é a única fonte da revelação escrita de Deus (2 Tm 3:16,17; 2 Pe 1:19-21). Os católicos acrescentam a Tradição e o Magistério da Igreja (Dei Verbum n. 8, 9 e 10; Lumen Gentium n. 60 e 61). A Bíblia contém expressamente a natureza de Deus, o seu caráter e a sua vontade para a humanidade (Hb 1:1-4; 1 Sm 3:4; 1 Rs 9:9,13). Nela estão seus mandamentos, promessas e profecias. Todo o plano de salvação, incluindo o julgamento final, a subida dos crentes ao céu, a descida dos ímpios para o inferno e o reinado eterno de Cristo estão nas suas páginas (Hb 9:27; Ap 21:1-8). A derrota de Satanás também está clara em suas revelações (Ap 12:10-12; 20:10). Ela é a nossa única regra de fé e prática. Ela nos revela Jesus como o Deus encarnado e o Salvador daqueles que nele creem (Jo 1:1-14; 3:16,36). A Bíblia é um misto de loucura para os que se perdem e de poder de Deus para a redenção dos que creem (1 Co 1:18).

A transformação que buscamos é aquela efetuada pela Palavra de Deus.  Nenhuma outra pode ser mais legítima e perene. A Bíblia é a Rocha que mantém segura e firme a vida de quem sobre ela está edificado (Mt 7:24-27). Mas essa transformação vai muito além do caráter e do comportamento humanos. Ela não diz respeito a práticas ritualísticas como frutos da fé. Também está muito acima da espiritualidade religiosa e tradicionalista (veja Isaías 1:10-17). Uma vida transformada com uma nova natureza não é o objetivo, mas consequência da transformação que a Palavra de Deus opera na alma do pecador. Essa Palavra poderosa e irresistível, divinamente inspirada e cheia da graça de Deus aponta para algo mais além: a eterna glória vindoura no céu. Infelizes são aqueles que buscam na Bíblia apenas soluções para seus problemas terrenos e temporais! É como beber apenas um gole de uma fonte inesgotável de vida e felicidade eternas. Jesus tem vida em abundância para nos dar (Jo 10:10).

Mas eis a grande questão. A maioria das pessoas que bebem da Bíblia não experimenta a sua verdadeira essência. Que essência é essa? Podemos ver na resposta de Pedro quando o Senhor Jesus questionou seus apóstolos se eles o abandonariam como fizeram os demais: "Senhor, para quem iremos? Só tu tens as palavras de vida eterna"(Jo 6:60-71). Esta é a essência da Palavra de Deus, de Gênesis a Apocalipse: a eternidade em Cristo (Jo 5:24; 17:2,3; 1 Jo 5:13). Todo o conteúdo da Bíblia, palavras e atos de Deus Pai, Filho e Espírito Santo pode ser resumido na seguinte declaração do apóstolo João a respeito do ministério de Jesus: "Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (Jo 20:31). Então persiste a pergunta inicial: basta ler a Bíblia para ter a vida transformada? Lendo os evangelhos teremos vida eterna? Prossigamos com nosso estudo. Ainda temos muito que aprender.

Dever de casa: Pesquise e leia sobre a vida de Santo Agostinho e Martinho Lutero.


A NATUREZA HUMANA CAÍDA

Leia: Romanos 3:23-26

Já vimos que a Bíblia é a Palavra poderosa de Deus que deseja efetuar uma transformação radical na nossa vida, e que essa transformação diz respeito à vida eterna. Mas por que precisamos desta Palavra e da vida eterna que ela nos revela? Eis o motivo que leva muitos leitores da Bíblia ao engano e ao inferno: eles a veem como um livro religioso, histórico e filosófico, mas não como Palavra de Deus que revela o pecado do homem e a necessidade de salvação (1 Co 6:9,10; Gl 3:22; Rm 5:8; 1 Tm 1:15). Como escreveu Paulo aos romanos, todos somos pecadores. Carregamos o pecado original por causa da Queda do primeiro casal, Adão e Eva. Fomos separados de Deus, recebemos uma natureza totalmente depravada e condenada à morte e ao inferno. Nascemos mortos em nossos delitos e pecados, filhos da ira e da desobediência (Ef 2:1-5). Somos por natureza inimigos de Deus, amigos do mundo, servos das trevas. Não há bem algum em nós que não provenha da graça de Deus.

Então, a primeira e maior transformação que precisamos obter é de posição diante de Deus: de condenados a salvos (Jo 5:24; Rm 8:1,2), de pecadores a santos, de filhos do diabo a filhos de Deus (Jo 1:12,13), de amigos do mundo a amigos de Deus (Jo 15:15). Mas como isso é possível se nossos pecados fazem separação entre nós e Deus? Pela nossa própria natureza e vontade, somos incapazes de ir até Deus. Na verdade, não queremos. Foi o que Jesus disse aos judeus: "Não quereis vir a mim para terdes vida" (Jo 5:40). Foi preciso Deus vir nos buscar, e Ele fez isso por meio de Cristo, que morreu e ressuscitou para nos dar a vida eterna. O que jamais poderíamos fazer por nós mesmos, Jesus fez na cruz, dando-nos livre acesso à presença de Deus e entrada gratuita no céu. Em Cristo, os nossos pecados são perdoados e apagados. Ficamos livres de condenação (Rm 8:1,2).

Mas aqui voltamos àquela questão: basta ler a Bíblia e saber dessas coisas para que sejamos salvos? O simples conhecimento da nossa condição depravada e da necessidade de vida eterna garante para nós um lugar no céu? Essa pergunta já foi parcialmente respondida no parágrafo anterior: não queremos ir! Leia Romanos 3:9-20. E mesmo se quiséssemos, não teríamos tal capacidade. Não basta conhecer o Sagrado: é preciso penetrar nele. Mas como? Algumas correntes teológicas, como o "Arminianismo", defendem que o perdido é capaz de, por si só, buscar e contribuir para a sua própria salvação (sinergismo). Mas a Bíblia é enfática ao ensinar que a salvação do pecador é um ato exclusivo de Deus (monergismo; Rm 3:20-24; Ef 2:8,9). O que compete a nós fazermos? Este será o tema do próximo capítulo.

Dever de casa: Pesquise e estude na Internet ou em um dicionário de teologia os seguintes temas: justificação, expiação, sacrifício vicário e propiciação.


A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

Leia: João 16:7-11

Precisamos ser transformados por Deus para termos a vida eterna, mas sozinhos não podemos. Não podemos ir a Ele se Ele não nos chamar e atrair (Jr 31:3). Não podemos ir até Cristo se pelo Pai não formos levados (Jo 6:37). É aí que o Espírito Santo opera na vida do pecador, regenerando-o e dando-lhe a fé necessária para crer (Ef 2:8,9). Poucas palavras são necessárias para descrever todo o processo de salvação. Basta lermos o primeiro capítulo da carta de Paulo aos Efésios. Fomos eleitos, predestinados, feitos herança de Deus e selados com o Espírito Santo. Não pela nossa vontade ou obras, mas pelo beneplácito da soberana vontade de Deus. Não é todo leitor da Bíblia que alcança essas bênçãos espirituais, mas aqueles que são chamados de acordo com os propósitos eternos de Deus. Quem "se converte" continua perdido. Mas aquele que "é convertido" pelo Espírito Santo tem a vida eterna.

Assim, a Palavra de Deus opera em conjunto com o Espírito Santo: lemos ou ouvimos as palavras de vida eterna e o Espírito nos convence do pecado por meio delas (Jo 16:7-11). Ele retira as escamas que encobrem os nossos olhos espirituais e nos faz entender que somos pecadores miseráveis, carentes de salvação. Além disso, produz o arrependimento e nos faz crer no sacrifício vicário de Cristo para que sejamos salvos. Esses são os elementos essenciais da conversão genuína (At 3:19; 17:30,31; 26:20; Lc 3:3; 2 Pe 3:9). Nesse exato momento, somos santificados, separados do pecado e do mundo e consagrados a Deus (Dt 14:2; 2 Ts 2:13,14). É uma santificação posicional e instantânea. Somos de Deus, selados pelo Espírito Santo, feitos seus filhos (Jo 1:12,13; Rm 8:14-16; Gl 3:26,27; 4:7; 1 Jo 3:1), tornados novas criaturas (2 Co 5:17). Não somos mais de nós mesmos. Podemos afirmar como o apóstolo Paulo: "Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim" (Gl 2:20). O perdão de Deus é transformador!

Então, esta é a maior e a principal transformação efetuada pela Palavra de Deus: a justificação. Paulo escreveu aos crentes de Roma que a fé vem pelo ouvir da Palavra de Deus pregada (Rm 10:17). E o Senhor Jesus disse: "Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida" (Jo 5:24). Ouvir e crer não é para todos. A prova é que muitos que ouvem, não creem. Mas aqueles que o Senhor chama, ouvirão a sua voz e irão até Ele, porque são suas ovelhas e ouvem a sua voz (Jo 10:27). E quando seguem o seu Pastor, essas ovelhas já não são mais as mesmas. Elas são novas criaturas que experimentam uma transformação diária trazida pela Palavra de Deus. É sobre essa transformação que falaremos na próxima mensagem.

Dever de casa: Pesquise e estude sobre a graça e a soberania de Deus.


TRANSFORMAÇÃO PROGRESSIVA

Leia: Oseias 4:6 e 6:3

Falamos no capítulo anterior sobre santificação, que nada mais é que uma mudança instantânea de posicionamento diante de Deus: de perdidos para salvos (1 Co 6:11; Hb 13:12). Não pelas nossas obras desprezíveis de justiça, mas somos justificados pela graça apenas, por meio da fé em Cristo (Is 64:6; Rm 5:1-12; Ef 2:1,2,8,9; Tt 3:3). Podemos chamar isso de "novo nascimento" (Jo 3:1-21), quando nos tornamos novas criaturas (2 Co 5:17) e templos do Espírito Santo (1 Co 6:19,20). Como pecadores regenerados, somos estimulados pela Palavra e pelo Espírito Santo a viver diariamente num processo de crescimento espiritual (santificação progressiva), desenvolvendo a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2:12-16). Perceba bem: não é nos desenvolver "para sermos salvos", mas "porque já somos salvos". Quanto mais conhecemos a Deus por meio da sua Palavra e nos relacionamos com Ele, mais vamos sendo por Ele transformados, servindo-o mais e melhor. E isso envolve amar e servir as pessoas (1 Jo 3:14-18,23; Rm 12:10; Ef 5:2; Gl 6:2,10,13).

Até aqui já respondemos a questão levantada na introdução deste estudo. O Senhor Jesus orou a respeito dos seus discípulos: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade" (Jo 17:17; leia o capítulo inteiro). A Palavra de Deus transforma o perdido em salvo e continua a transformá-lo por toda a sua vida, até a vinda de Cristo. Esta é uma obra que Deus inicia em nós, conduz a sua continuidade e é fiel para completá-la (Fp 1:6). Ela se baseia na verdade revelada. Esse processo de transformação estimulado pelo Espírito Santo é efetuado por Deus, que opera em nós o querer e o realizar, segundo a sua vontade (Fp 2:13). Se queremos nos entregar a esse processo, devemos nos transformar pela renovação da nossa mente, o que envolve a inconformidade com este mundo (Rm 12:2). Tudo isso está ligado à Palavra de Deus, a qual precisamos obedecer piamente. O Senhor Jesus declarou: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele" (Jo 14:21).

Percebe como o conhecimento que transforma não é meramente intelectual? A Palavra de Deus precisa ser verdade na vida daquele que se aproxima dela, produzindo o conhecimento de Deus baseado num relacionamento íntimo com Ele, o que só é possível por meio da obra da regeneração. Espírito, Palavra, conhecimento e transformação estão intimamente ligados e não podem ser desassociados uns dos outros. Eles formam as engrenagens de uma única estrutura sólida e santa. Nosso papel é beber todos os dias dessa fonte de água viva, guardando no coração as Sagradas Escrituras para não pecar contra Deus (Sl 119:11). A falta de conhecimento nos faz errar o alvo e nos tira do centro da vontade do nosso Pai celestial. Como conhecer o que nosso Senhor espera dos seus servos sem ler e estudar a sua Palavra? Como nos tornaremos crentes maduros e obreiros aprovados que manejam bem a Palavra da verdade (2 Tm 2:15) se não nos dedicarmos a meditar nela de dia e de noite (Sl 1:1,2)? Onde está o seu prazer?

Dever de casa: Pesquise na sua Bíblia e leia os seguintes textos: 1 Ts 4:4-7; 5:23; Hb 2:11; 10:10-14; 12:14; 13:12; 2 Co 7:1; 1 Pe 1:15,16; 2 Tm 1:9; Sl 139:23,24; Fp 2:14-16; Ef 1:4; 5:3; Rm 12:1; 6:22; Mt 5:48.


O CERNE DA TRANSFORMAÇÃO

Leia: Romanos 12:1,2

Com tudo o que já aprendemos aqui, resta-nos uma última questão: O que precisa ser transformado? Creio que cada pessoa que busca a Deus em oração ou no culto tem uma visão pessoal do tipo de transformação que deseja para a sua vida. Pode ser a vitória sobre o sofrimento causado por uma vida atribulada, um relacionamento em crise, uma grave crise financeira, problemas de ordem familiar, doenças diversas, traumas e complexos, ansiedade e medo, depressão ou algum outro igualmente trágico. O mundo também precisa de transformação: aquecimento global, violência, corrupção, misérias, doenças e guerras. A igreja também urge mudanças urgentes: apatia, materialismo, depravação, individualismo, teologia da prosperidade, teologia egocêntrica, suicídio de pastores, alienação teológica. São muitas questões. Todavia, todas têm um ponto em comum: não são a doença, mas apenas os sintomas de um único mal chamado "pecado". O profeta Jeremias bem disse: "De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados" (Lm 3:39). E se o problema da humanidade é o pecado, a única solução é a salvação. Para o crente, que já está salvo, santificação e confiança em Deus.

O que buscamos em oração ou no culto talvez não seja o tratamento para a doença, mas apenas um paliativo para o nosso sofrimento. E as igrejas modernas estão peritas em oferecer tais paliativos, formas de aliviar a dor sem tratar profundamente aquilo que a está causando. As pregações triunfalistas não somente culpam o diabo por todas as mazelas humanas, como também oferecem bênçãos e vitórias que pretendem resolver a questão. Mas não cuidam do principal: o coração, o caráter. A grande questão é que "atenuando os sintomas, podemos ocultar a verdadeira enfermidade" (LLOYD-JONES, 2008, p. 33). Deus nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis (Ef 1:3; cf. Cl  1:21-23 e Rm 8:29). Não adianta uma transformação aparente, tratando dos sintomas. O problema persistirá e se agravará ainda mais. A quem estaremos enganando? Não adianta oásis de felicidade se a nossa vida continuar um deserto. Não adianta nada que nos traga uma sensação falsa de vitória, quando tal vitória é meramente terrena e não envolve as coisas celestiais nem a eternidade. São paliativos. São máscaras que ocultam o pecado que traz todas as crises que enfrentamos ou a maneira equivocada com a qual lidamos com elas.

A Palavra de Deus é poderosa para nos transformar de dentro para fora. Ela deseja atingir o nosso ego para submetê-lo a Cristo (Gl 2:20), retirando a máscara da religiosidade através de uma transformação estrutural, e muitas vezes dolorosa, do nosso caráter. Ela requer um alto grau de humildade em reconhecer  onde e como estamos errando, pois fomos resgatados para uma vida nova (Rm 6:3-7). É claro que não me preocupo aqui com a transformação da conta bancária, mas da vida espiritual, da nossa relação com Deus e com as pessoas. Essa é uma transformação moral. É preciso ir ao cerne da questão, avaliar nossas motivações, rever nossas atitudes ou a ausência delas. Daí surgirão respostas para nossas crises interiores, conjugais, familiares, ministeriais, profissionais, etc. No texto supracitado de Romanos (12:1,2), Paulo fala de transformação do centro das nossas escolhas e decisões: a mente. São nossos pensamentos que geram sentimentos, produzindo ações que trarão consequências. O que é como temos pensado? Como isso tem afetado nosso modo de viver, de lidar com as tentações e os problemas? Até que ponto nossos pensamentos glorificam ou não a Deus? É essa a transformação que devemos buscar todos os dias. Renove-se!

Dever de casa: Faça um autoexame sincero e meticuloso. Desnude-se diante de Deus e assuma o que precisa ser transformado dentro de você. Deixe-se moldar por Ele.


CONHECIMENTO ESPIRITUAL

Leia: 1 Coríntios 2:9-16

Quem nos transforma é Deus. Precisamos conhecê-lo. Mas não há como conhecermos a Deus se Ele não se revelar a nós (Êx 3:1-14; Is 46:9,10; Dt 6:4; Jo 14:6; Ap 22:12). Ele fez isso por meio de três revelações: GERAL, que é a natureza ou tudo que foi criado (Sl 19:1; Rm 1:20); ESPECÍFICA, que é a sua Palavra, a Bíblia (Hb 4:12; 2 Tm 3:16,17); e ESPECIAL, a sua encarnação como Filho, Jesus Cristo (Jo 1:1-14; Fp 2:6-8; Hb 1:1-4). Mesmo Deus se revelando dessa maneira, nem todos são capazes de enxergá-lo. Alguns olham para a natureza e a veem como um deus ou os seus elementos como deuses (os astros, os animais, etc.). Outros não veem a Bíblia como revelação divina inspirada, mas como um livro humano que serve aos propósitos de um seguimento religioso judaico-cristão. Quem olha para Jesus, nem sempre o vê como Deus, mas como um demiurgo, mestre, filósofo ou psicólogo (veja no discurso de Pedro, em Atos 2:14-36, a incredulidade dos judeus). Os incrédulos jamais veem Jesus como Criador e Senhor de tudo e de todos. Então, não basta apenas Deus se revelar, é necessário uma visão espiritual e correta do Deus que se revela. E isso não é algo que todos possuem. Muitos jamais irão possuir (2 Co 4:4). A Palavra de Deus só atua com eficácia na vida daqueles que creem em Cristo para a salvação (1 Ts 1:9,10; 2:13; 1 Pe 1:23-25).

O nosso conhecimento de Deus é parcial (1 Co 13:9-12) e envolve somente o que Ele quis relevar, e já é suficiente para nós (Rm 11:33-36). Além disso, ideias distorcidas moldam e maculam nossa visão. Para conhecermos Deus e entendermos a sua vontade, precisamos da mente de Cristo, como lemos em 1 Coríntios 2:9-16. Para entender a Bíblia e experimentar a transformação que ela opera, é necessário que o Espírito Santo abra os nossos olhos espirituais (At 26:28). Leia em sua Bíblia estes dois exemplos: Lucas 24:44-46 e Atos 16:14. Até os dias de hoje, os judeus possuem seu entendimento cego e são incapazes de reconhecer em Jesus Cristo o Messias prometido em todo o Antigo Testamento (2 Co 3:14-18; 4:4-6). Aqueles que estão em Cristo possuem o conhecimento dado por Ele para o reconhecimento da verdade revelada (1 Jo 5:20). Embora uma das características da Bíblia seja a perspicuidade, é a sabedoria do Alto que fará a diferença para conhecermos o que Deus nos revela (Tg 3:17; Ef 1:17; Cl 2:2).

Tudo isso já nos ajuda a entender algumas questões. Por que muitos leem a Bíblia e não a entendem nem apreendem seu conteúdo espiritual? Por que tantos acham difícil ou mesmo impossível cumprir o que ela ordena? Por que inúmeros cristãos têm sua Bíblia aberta em casa no Salmo 91, bem ao lado de um bar ou de imagens de escultura? Por que, mesmo dizendo acreditar na Bíblia, tantos crentes se deixam levar pelo ensino mentiroso dos falsos profetas? Por que muitos que leem a Bíblia vivem no pecado? Se o Espírito Santo não nos guiar, a Palavra não nos transformará. Sem uma visão espiritual, o sobrenatural de Deus não se revela (veja 2 Reis 6:15-17). Sem a regeneração efetuada pela graça de Deus, nossos esforços serão inúteis. Quem não é morada do Espírito, está ainda perdido. Mas aquele que é templo do Espírito Santo, deve viver sob sua dependência, pedindo sabedoria e iluminação espiritual para entender a vontade de Deus e praticá-la. É Isto que demonstra que verdadeiramente somos transformados por Cristo: se guardamos os seus mandamentos (1 Jo 2:3-6). Afinal, este é o objetivo de ler e entender a Bíblia: encarnar suas verdades e vivê-las. A fé sem obras é morta (Tg 2:18-26).

Dever de casa: Pesquise na Internet ou em um livro de teologia sobre a revelação de Deus. O que é a Bíblia? Como ela chegou até nós? Quem a escreveu? Como? Qual a sua importância?


CONHECIMENTO E PRÁTICA

Leia: Jó 42:1-6

Embora este estudo seja apenas a ponta do iceberg de tudo que há para aprender sobre o tema proposto, podemos concluí-lo afirmando que sem a intervenção poderosa do Espírito Santo é impossível haver conhecimento de Deus e da sua Palavra, muito menos salvação e transformação integral de vida. Tudo é um processo que se iniciou ainda no Paraíso, e teve seu ápice na cruz e na subida aos céus do Cristo ressurreto. Como participantes dessa gloriosa benção, crescemos na medida em que avançamos, prosseguindo rumo à perfeição, como o apóstolo Paulo (Fp 3:12). Deus trata nossos pecados e limitações. Ele nos aperfeiçoa diariamente, provando-nos e provando-nos (Tg 1:2-4,12; 1 Pe 1:6,7; 4:12-14). Eis a diferença que a Palavra opera na vida do crente: ela o santifica. E o fato se sermos santos revela a nossa natureza regenerada. Conforme escreveu J. C. Ryle, em seu livro "Santidade" (ed. Fiel, 2002): "Devemos ser santos, porque essa é a única evidência segura que possuímos fé salvadora em nosso Senhor Jesus Cristo" (p. 67).

Lembre-se: embora a fé deva ser exercida com o uso da razão, o conhecimento de Deus e a fé em Cristo não partem de um assentimento meramente intelectual, mas são uma obra produzida pelo Espírito Santo. Podemos chamar Jesus de Senhor sem jamais tê-lo conhecido (Mt 7:21). A verdadeira transformação operada pela Palavra de Deus só é possível e conduz à vida eterna quando é o Espírito que atua na vida do perdido. Não somos nós que deliberadamente o escolhemos, mas é Deus quem nos escolhe (Jo 15:16). Sendo escolhidos e regenerados pela Palavra da verdade (Ef 1:13; Cl 1:5; Tg 1:18), podemos experimentar sensíveis transformações diárias do nosso caráter, temperamento, ideologias, relacionamentos e vocações. Além disso, somos transformados com propósitos bem específicos: praticar as boas obras (Ef 2:8-10), salgar e iluminar o mundo (Mt 5:13-16), dar frutos (Jo 15:15,16), testemunhar de Cristo (At 1:8), amar com o amor com que fomos amados (Gl 6:2; Tg 2:8; Jo 15:12), ensinar e discipular outros (Mt 28:19,20).

Deus se revela para que o obedeçamos (Dt 29:29). O conhecimento de Deus através da sua Palavra nos torna pessoas melhores: pais, filhos, patrões, empregados, crentes, etc. Esse conhecimento deve ser correto: a sã doutrina (1 Tm 4:6,7; 2 Tm 4:2-4; 6:3; Tt 1:9). Mas não deve ficar só no conhecer. É preciso praticar. E a prática da Palavra se resume em um único verbo: amar. Não existe espiritualidade cristã e vida íntegra sem coerência entre aquilo que cremos (ortodoxia) e aquilo que praticamos como fruto dessa crença (ortopraxia).  O Senhor Jesus nos ensinou: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:35). Ser discípulo de Cristo envolve crer nele; ser conhecido como seu discípulo envolve a prática do amor. A mensagem do Evangelho é uma mensagem de amor, de fé, de perdão, de restauração, de reconciliação, de esperança, de abandono do pecado, de obediência, de adoração e de serviço a Deus. A transformação se dá por meio do amor e gera amor. Se amamos com o amor de Deus, a transformação já aconteceu e continuará a acontecer.

Dever de casa: Ore. Frequente os cultos de ensino da sua igreja e a escola bíblica dominical. Leia a Bíblia diariamente. Leia livros de teologia. Participe de seminário teológico ou grupos de estudo da Palavra de Deus.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao fim do nosso estudo. Espero que você tenha aprendido bastante sobre o poder transformador da Palavra de Deus. Esta Palavra não é somente inspirada, mas também é útil (2 Tm 3:16,17). Ela existe para cumprir seu propósito no mundo, na Igreja e na vida de cada crente individualmente. Mas não basta saber, é preciso aplicar a verdade bíblica de maneira contextualizada à nossa realidade atual. Não basta ter fé, é preciso ter a fé salvífica despertada pelo Espírito Santo. Desejo finalizar com alguns pontos que mostram a importância da Bíblia para nós e o poder que ela exerce sobre a vida daquele que, pela graça de Deus, tem fé em Jesus Cristo.

Ela é divinamente inspirada, não contém erros nem mentiras. Podemos confiar plenamente no seu conteúdo (2 Tm 3:16,17; 2 Pe 1:19-21).

Ela é a Revelação específica de Deus para nós. Ela mostra quem Deus é (sua natureza e seu caráter) e qual a sua vontade para a humanidade e para a Igreja (Hb 1:1-4; 1 Sm 3:4; 1 Rs 9:9,13).

Ela nos mostra Cristo e nos torna sábios para a salvação (Jo 14:6; 20:30,31; At 4:12; 2 Tm 3:15).

Ela nos mostra o nosso pecado e se mostra como poder de Deus para a salvação daquele que crê em Jesus. Fora das Escrituras Sagradas não existe possibilidade de salvação (Gl 3:22; Rm 1:16).

Ela é a única fonte divina de fundamento da nossa fé e nos protege das heresias. Tudo o que precisamos saber a respeito daquilo que cremos está na Bíblia (Gl 1:6-10). Ela é a nossa fonte da verdade (Jo 17:17).

A Bíblia nos fornece todos os elementos essenciais para uma vida espiritual sadia e prática, transformando o nosso caráter e nos capacitando para a obra do Senhor, mostrando-nos os princípios de Deus (Gl 5:22,23; Hb 4:12; 2 Tm 3:16).

Através da Bíblia somos ensinados, corrigidos, repreendidos e educados por Deus (2 Tm 3:16). Somos também advertidos por Ele (1 Co 10:10-12; Sl 19:11).

Conhecer a Palavra de Deus nos traz alegria, esperança, gozo, sabedoria e entendimento (Jr 15:16; Sl 19:7-10; 2 Pe 3:18; Rm 15:4). Ela é uma fonte de ricas bênçãos para quem a obedece (Lc 11:28). Não basta ler a Bíblia e as bênçãos nos perseguirão: é preciso nos comprometer com seu conteúdo.

Ele nos dá direção. Por ela somos preservados do erro (Sl 119:11,105).

Temos a nossa vida purificada e somos levados à maturidade e equipados para a vida (Jo 15:3; 2 Tm 3:17). Ela é fonte de crescimento (Jo 15:3; 1 Pe 2:2).

A Palavra de Deus nos sustenta nas dificuldades (Sl 119:92).

A Palavra de Deus é a nossa fonte segura de poder (Rm 1:16).

Dever de casa: Pesquise e estude HERMENÊUTICA. Ela o ajudará a compreender melhor o texto bíblico, sob a direção do Espírito Santo.

AUTOR: Mizael de Souza Xavier