segunda-feira, 16 de abril de 2018

PAI NOSSO: UMA ORAÇÃO COM A VIDA




TEXTO ÁUREO: Mateus 6:5-15

INTRODUÇÃO

A oração que o Senhor nos ensinou não é uma fórmula a ser “rezada”, mas um modelo de como deve ser a nossa própria oração. Por meio desta oração, podemos ver o que Deus espera de nós quando oramos e que a oração está além do diálogo, mas envolve uma relação íntima com Deus e os frutos positivos que esta relação traz para o nosso caráter e as nossas relações interpessoais. A oração precisa estar fundamentada naquilo que a Bíblia ensina, não no nosso modo de orar. Se não lermos e estudarmos a Bíblia, dificilmente saberemos orar da maneira que Deus espera.


COMO NÃO DEVEMOS ORAR?


Exibindo a nossa religiosidade

A oração não deve ser feita com o intuito de mostrar aos outros a nossa religiosidade, pois isto demonstra orgulho (v. 5). A oração é uma conversa entre nós e Deus, de quem vem a nossa recompensa (v. 6). O tipo de oração que envolve orgulho e exibicionismo não é ouvida por Deus (Lc 18:9-14). A oração é uma atitude de humildade diante daquele que é tudo e que conhece o nosso interior, as nossas intenções, que saber discernir os desejos mais profundos do nosso coração (Pv 21:2). O Senhor Jesus disse aos fariseus que “aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus” (Lc 16:15).


Com repetição de palavras

A oração deve conter as nossas próprias palavras, aquelas necessárias para expor a Deus a nossa adoração e os nossos pedidos. Muitas pessoas repetem diversas palavras e frases como mantras; ou quando oram, passam um longo tempo repetindo a mesma oração, como se o fato de repetir as mesmas palavras fosse convencer Deus a atendê-las ou apressar a sua bênção. A eficácia da oração não está na quantidade de palavras que falamos. Não é por isso que seremos ouvidos por Deus (v. 7,8). A oração que Deus escuta e que é biblicamente correta envolve apenas três elementos: 1) orar com fé (Tg 1:6; Hb 11:6), 2) orar no Nome de Jesus (Mt 21:22; Jo 14:13), 3) orar buscando a vontade de Deus (Mt 6:10; 26:42). Não somos ouvidos e atendidos por algum poder que está em nossas práticas religiosas, mas no poder e na vontade soberana de Deus (Ef 3:11).


COMO DEVEMOS ORAR?

            Se a oração não é uma ponte para exibirmos a nossa religiosidade nem uma forma de convencimento de Deus por meio de muitas palavras, o que ela será? Ao dizer “portanto vós orareis assim”, Jesus está indicando que nos ensinará a maneira correta de orar, uma oração que nos tira de nós mesmos e nos conduz à verdadeira adoração a Deus, onde o nosso ego e a satisfação dos nossos interesses cedem espaço para a glorificação do Senhor.


Filiação a Deus com amor reverente: Pai nosso que estás no céu.

A nossa oração se inicia através de uma relação direta entre nós e Deus. não estamos orando a uma entidade fria e distante, mas ao Deus vivo, o nosso Pai que está nos céus. Isto nos identifica como filhos de Deus. No aramaico, Pai, neste texto, seria Abba, que significa “paizinho”, que denota uma relação íntima e afetiva com Deus (Mc 14:36; Rm 8:15; Gl 4:6). Ao contrário do que se pensa, nem todos são filhos de Deus, mas só nos tornamos filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo (Jo 1:12; Gl 3:26). A partir do momento em que somos convertidos pelo Espírito Santo por meio da fé em Cristo, somos adotados como filhos e podemos chamar Deus de Pai (Rm 8:14-16,23; Gl 4:4-6; 1 Jo 3:2; Ef 1:5). Antes estávamos separados de Deus, mas em Cristo fomos reaproximados, reconciliados com Ele e agora temos livre acesso à sua presença (Ef 3:12). A nossa relação com Deus deve ser de filhos, o que envolve obediência e submissão ao nosso Pai a quem nos dirigimos (1 Jo 2:4; 1 Pe 1:14). Não adianta orar dizendo “Pai nosso” se Ele não é nosso Pai ou se é nosso Pai, mas não o obedecemos. A obediência é uma marca indelével do caráter do crente verdadeiro, daquele que ama a Deus e por isso pratica os seus mandamentos (Jo 14:15; Lc 6:46; Tg 1:22; 1 Pe 1:14; 1 Jo 5:3).


Busca pela glória de Deus através da santificação pessoal: Santificado seja o teu nome.

Quando, como, onde e em quem o Nome de Deus deve ser santificado? Isto é mais que um desejo, mas deve partir da vontade do crente de viver de maneira tal que a santidade de Deus seja refletida no seu próprio caráter (1 Pe 1:15,16). É através da nossa vida santa que o Nome de Deus é santificado (1 Pe 3:15). Do contrário, seu Nome será blasfemado (Rm 2:23,24). Uma religiosidade hipócrita, que não promove transformação de vida, não gera santificação a Deus, mas faz com que o seu Nome seja blasfemado entre os descrentes que observam o nosso mau procedimento. As pessoas precisam olhar para nós, para o nosso comportamento, e enxergar Deus. A santificação do crente é uma busca pela glória de Deus, nele e no mundo (Mt 5:16; 1 Co 10:31-33).


Anseio pelo Reino de Deus e evangelização: Venha o teu Reino.

Aqui está um desejo duplo pelo Reino de Deus. O primeiro é o desejo pela presença dos valores eternos deste Reino na vida da Igreja e do mundo, quando desejamos viver estes valores, que envolvem justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). O segundo é e a vinda gloriosa do Reino definitivo de Deus na volta de Jesus (2 Ts 2:8; 1 co 15:23-28). O cristão deve ansiar por isso, exclamando como o apóstolo João no final do seu Apocalipse: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20). Muitos crentes oram com a sua mente e o seu coração voltados totalmente para o reino deste mundo, buscando bênçãos e milagres, mas poucos estão preocupados com os valores eternos da Palavra de Deus, com a volta de Jesus ou o arrebatamento da Igreja. Se a nossa oração é uma busca por Deus, devemos orar e viver buscando o Reino de Deus em primeiro lugar (Mt 6:33) e vivendo dignamente como cidadãos deste Reino. Esse anseio pelo Reino de Deus nos chama, também, à evangelização, onde o Reino é pregado (Mc 16:15). Jesus só virá depois que o Evangelho do Reino for pregado e todos os seus escolhidos tenham a oportunidade de ouvi-lo para serem convertidos (Mt 24:14). A nossa vida deve refletir o Reino de Deus para as pessoas, deve desejá-lo nas pessoas e ansiar pela vinda do Reino eterno dos céus com a volta de Jesus.


Busca pela vontade soberana de Deus: Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.

A busca pela vontade de Deus está ausente de muitas orações e muitas vidas. O crente é chamado a viver a vontade de Deus, desejá-la, buscá-la. Em todas as nossas orações a busca por esta vontade precisa estar presente. Não devemos orar dando certeza de que seremos atendidos, isso não é fé, é superstição. Não podemos ordenar nada a Deus. Significa, também, desejar que a vontade de Deus se cumpra na nossa própria vida, na vida da Igreja e no mundo (1 Jo 2:17; Mt 7:21). Devemos nos perguntar: como é a vontade de Deus no céu? No céu é feita plenamente a vontade de Deus. A nossa oração é que como crentes e como Igreja vivamos e preguemos a vontade de Deus expressa na sua Palavra, sendo um canal de bênção e transformação para o mundo. A vontade de Deus é soberana, nunca muda, nunca falha, os seus planos são eternos; ela é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2). Somente aquele que tem a sua mente transformada e renovada por Ele pode experimentá-la.


Espiritualidade sadia por meio da simplicidade e da Palavra: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.

Existem muitas pessoas orando preocupadas com o ontem, o hoje e o amanhã. Muitas crentes vivem tentando “saquear o céu” para arrancar de lá todos os seus tesouros. As nossas necessidades devem estar diante de Deus, entendendo que Ele não nos dá nada para sobrar nem para suprir nossa sede de bênçãos. Muitas orações não são ouvidas porque partem de um coração cheio de cobiça (Tg 4;2-4). As nossas orações devem estar isentas do apego às coisas do mundo. Em muitas orações, a única coisa espiritual e sobrenatural é o fato de quem ora estar se dirigindo a um Deus que não se pode ver. Mas essa busca por Deus se transforma numa busca apenas pelos bens materiais, mantendo a pessoa presa a este mundo. Deus sabe do que precisamos. O crente deve desenvolver um estilo de vida simples, compatível com a simplicidade do Evangelho e do Senhor Jesus (1 Tm 6:7-9). Jesus e seus apóstolos viviam uma vida simples, e nós queremos viver na ostentação. O nosso pão, também, é espiritual: o Senhor Jesus como Pão vivo que desceu do céu (Jo 4:32; 6:35). Precisamos nos alimentar do Senhor Jesus, das consequências do seu sacrifício na cruz, da sua graça e da sua santidade.  O nosso pão também é a Palavra de Deus (Mt 4:4). Crente vazio não para em pé.


Vida em comunidade na prática do perdão: E perdoa as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores

A oração não envolve somente a nossa intercessão pelas outras pessoas, mas as nossas atitudes para com elas, a qualidade dos nossos relacionamentos. Não podemos chegar diante de Deus com o coração amargurado e as nossas relações doentes e esperar sermos atendidos por Ele. Os vs. 14 e 15 deixam bastante claro que o perdão que esperamos de Deus depende do perdão que ofertamos àqueles que pecam contra nós. Devemos perdoar uns aos outros como o Senhor nos perdoou (Cl 3:13; Ef 4:32; Lc 6:37). A questão do perdão é tão importante na vida do crente, que o Senhor Jesus ensinou que a nossa oração deve ser interrompida quando, ao orarmos, lembrarmos que temos algo contra alguém. Precisamos primeiro liberar perdão (Mc 11:25).


Vida íntegra por meio da vigilância: E não nos deixes cair em tentação

A oração é o clamor de um coração que procura andar retamente diante de Deus, e isto envolve estarmos firmes diante das investidas da nossa própria carne. Cada um é tentado conforme a sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz (Tg 1:13-15). O diabo pode acender o estopim, mas a bomba somos nós. Ele oferece aquilo que vai nos fazer cair, mas o cair está sob nossa responsabilidade. A tentação que vem do diabo tem o objetivo de nos destruir (Jo 10:10). Oração é vigilância constante contra as artimanhas do inimigo (1 Pe 5:8,9; 2 Co 2:11). O crente deve vigiar e orar para não cair na tentação do diabo e para ser aprovado na provação de Deus (26:41; 1 Co 10:13).


Batalha espiritual na dependência do Senhor: Mas livra-nos do mal

Não basta orar, também, é preciso agir. A nossa oração deve pedir a Deus que nos dê livramento do mal. Uma boa tradução desta palavra seria “maligno”, isto é: o diabo e suas ciladas e armadilhas. Devemos, porém, orar a Deus que nos guarde, também, de praticar o mal. Nem todo mal vem da parte do diabo, muito pelo contrário: ainda na sua ausência o mal continuaria a ser praticado no mundo e nós continuaríamos tendenciosos a pecar. Olhamos muito para o mal à nossa volta e para as investidas de Satanás, culpando o mundo e o diabo por tudo que ruim que acontece conosco. É preciso reconhecer a nossa parcela de culpa, quando não fazemos o que agrada a Deus, e por isso caímos, pecamos e sofremos. O mal não deve nos dominar ou derrotar, mas deve ser vencido pela prática do bem (Rm 12:21). Devemos devolver com o bem o mal que nos fazem; devemos responder com santidade as ofertas de Satanás. Não podemos alimentar o que é mal, mas precisamos nos afastar dele (1 Ts 5:22). Não adianta pedir que o Senhor nos livre do mal se não nos abstivermos dele. Resistir é mais que orar, mas é ter atitudes que nos afastem do que pode nos levar a cair. Não podemos orar pedindo que Deus nos afaste do mal se vivemos envolvidos com tudo o que nos leva a pecar e tudo que pode nos destruir.


CONCLUSÃO

A oração do Pai-Nosso é muito mais que uma reza, mas retrata o que deve ser o estilo de vida dos filhos do Pai que está nos céus. Ela nos mostra que a oração deve estar impregnada por uma vida totalmente dedicada a Deus, onde as nossas palavras não se perdem no vazio, mas se transformam numa prática de vida. Quando oramos, relacionamo-nos com Deus. Este relacionamento vai além do diálogo e se legitima através da obediência e do amor; amor a Deus acima de tudo e ao próximo. Se não amamos aqueles que estão à nossa volta nem nos importamos com eles, não amamos também a Deus nem nos identificamos com Ele (1 Jo 4:20,21). Precisamos orar de acordo com o que somos em Cristo e viver de acordo com as nossas orações, quando estas são corretas. A oração do Pai Nosso não é uma mera repetição de palavras, não é uma forma mística de atrairmos a atenção de Deus e a sua resposta aos nossos anseios, mas é uma relação íntima com Deus, onde nos identificamos com Ele por meio de Cristo, de uma prática santa de vida, da submissão total a Ele e à sua vontade, seus valores e sua Palavra.


AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

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São Paulo, 16 de abril de 2018
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quinta-feira, 29 de março de 2018

O SENHOR É O MEU PASTOR - SALMO 23:1a




Senhor (v.1a)

“O Senhor é o meu pastor”

            Só é possível entendermos claramente o Salmo 23 quando nos acercamos desta primeira afirmação do rei Davi: “O Senhor é o meu pastor”. Poderíamos ousar inverter esta frase e ler: “O pastor é o meu Senhor”. Isto nos dá uma dimensão muito maior e um entendimento mais abrangente de quem é o pastor presente neste salmo: ele é ninguém menos que o Senhor (YHVH, ou Jeová). Logo, o Pastor de Davi é o Deus de Israel, alguém que possui total autoridade sobre a sua vida e a quem ele deve adoração incondicional e irrestrita. Se Deus é o nosso pastor, não apenas estamos seguros quanto às suas bênçãos, como também devemos estar certos de que precisamos viver em obediência a Ele. A maioria dos crentes que possuem um quadro na parede com este salmo ou o recitam em momentos de angústia e medo, não se dá conta de que ele não fala apenas de um pastor, mas, acima de tudo, de um Senhor. Se Deus não é Senhor da nossa vida, Ele também não é o nosso Pastor, logo não somos suas ovelhas. O pastor só cuida das suas próprias ovelhas, jamais das ovelhas de outros pastores. Sendo assim, ler o Salmo 23 e apoderar-se das suas verdades e bênçãos envolve fazer-nos a seguinte pergunta: Deus é Senhor da minha vida?
            A nossa segurança está justamente no fato de pertencermos a este Senhor, que não apenas nos salva, como também cuida de nós. Toda a confiança do salmista que permeia todo o Salmo 23 está fundamentada nesta dupla figura de Deus como Pastor e como aquele que nunca falta. Se Davi não possuísse esta certeza de ter Deus como o Senhor zeloso pela sua vida, jamais estaria seguro de caminhar pelos vales sombrios do mundo e alcançar a vitória de Deus para ele. Muito pelo contrário, o desespero da incerteza de chegar faria com que ele tivesse medo até mesmo de partir. Vemos esta confiança plena em Deus logo no início da caminhada de Davi como ungido do Senhor. É o que podemos atestar na sua exclamação diante do gigante Golias, que afrontava toda a nação de Israel: “Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” (1 Sm 17:45).
Este é um salmo de alguém que teve uma experiência com Deus. O v. 1 demonstra que o rei Davi possuía uma relação íntima com o seu Pastor. Ele não somente conhecia a sua natureza e o seu caráter, como também era conhecido por Ele. Davi conhecia Deus além da palavra, isto é, da Lei e do cumprimento daquilo que nela estava prescrito. Ele o conhecia por se relacionar com Ele, o que vemos claramente nos seus Salmos, onde o rei abre o seu coração, reconhece os seus pecados e pede perdão, clama por socorro e agradece pelos livramentos recebidos. Davi era alguém que não somente cria em Deus, mas que o vivenciava em toda a sua vida por meio da oração, da adoração, da atenção à sua Lei, das maravilhas que Deus operava na sua vida. Isto nos lembra outro personagem da Bíblia: Jó, que mesmo sendo considerado por Deus um homem de caráter ilibado, que cumpria a sua vontade e de quem nada de errado podia ser dito, reconhece após passar por duras provas: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:5).
Quando Davi chama o Senhor de “meu pastor”, não está afirmando que Deus é uma possessão sua, muito pelo contrário: ele que é possessão de Deus. Ao contrário da teologia moderna que trata Deus como um mero escravo a serviço dos desejos e planos dos crentes, Deus é aquele Pastor que governa, alimenta e protege as suas ovelhas. Então devemos responder à pergunta feita no primeiro parágrafo, porque se Deus não é Senhor da nossa vida, não somos sua possessão, não somos suas ovelhas e não estamos seguros quanto ao nosso destino final. O Senhor Jesus afirmou que naquele dia muitos o chamarão de Senhor e listarão tudo o que fizeram em seu Nome. Ele, porém, lhes dirá: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7:22,23). Então quem está apto para entrar no seu Reino? O próprio Senhor já havia afirmado: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (v. 21). Logo, é impossível seguirmos a Jesus e nos deixarmos conduzir por Ele se não o reconhecemos como Senhor da nossa vida e se não fazemos aquilo que Ele nos manda fazer (Lc 6:46).
O rei Davi tinha a certeza de ser ovelha do seu Senhor, sabia que pertencia a Ele. Então, o salmo que ele compôs não é uma simples reza, um poema a ser estampado num quadro ou numa camiseta, muito menos um mantra a ser repetido constantemente para atrair bênçãos e afugentar o mal. Ele é, na verdade, o retrato de uma vida entregue totalmente ao Senhor, submissa à sua vontade. Muitos apropriam-se do Salmo 23 sem jamais terem conhecido o Senhor descrito nele. Este Pastor salmodiado por Davi é o próprio Senhor Jesus, profetizado por Isaías, ao escrever: “Eis que o Senhor Deus virá com poder, e o seu braço dominará; eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa. Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente” (Is 40:10,11). Em Ezequiel 34:11-31, a figura ao pastor também aparece como aquele que procura e busca as suas ovelhas (v. 11). Ele não somente as busca, como também as encontra e as reúne de onde foram espalhadas, para apascentá-las e dar-lhes repouso, fazendo a devida separação entre ovelhas, carneiros e bodes (v. 17).
A profecia de Ezequiel não aponta apenas para a restauração de Israel após o cativeiro, mas também para a vinda do Sumo Pastor, que recolheria as suas ovelhas espalhadas pelo mundo (Jo 10:16), conduzindo-as em segurança ao aprisco celestial. Jesus é, então, o bom pastor, que dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10:11). Ao contrário do mercenário que não vem para cuidar do rebanho, mas foge diante dos perigos e é capaz até mesmo de negociar as ovelhas para obter lucro financeiro, Jesus garante que jamais abandonará as suas ovelhas e que elas podem estar seguras de que jamais serão arrebatadas das suas mãos (Jo 10:28). O nosso Supremo Pastor nos dá garantia de recebermos a coroa da glória (1 Pe 5:4).


A vocação das ovelhas

As palavras de Jesus registradas pelo apóstolo João conforme vimos acima, foram direcionadas aos judeus que o interrogavam a respeito de quem Ele era verdadeiramente, pois, na sua mente, Jesus era um louco endemoninhado (v. 20). Estava patente que, mesmo diante das obras que Jesus praticava, eles não conseguiam enxergar que ele era o Cristo de Deus (v. 25). E por que não conseguiam? Jesus afirma: “Mas vós não credes, porque não sois minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (vs. 26,27). É isto que acontece atualmente em muitas igrejas que se dizem cristãs e com muitas pessoas que utilizam o Salmo 23 como um conjunto de palavras místicas: elas não obedecem a Jesus, não o seguem com sinceridade, não obedecem a sua Palavra, não fazem o que Ele manda, não vivem nem pregam a verdade, porque não são ovelhas do seu pasto. Em suma: não são verdadeiramente convertidas, ou seja: não são crentes de fato. A igreja é uma imensa lavoura de trigo, onde o joio cresce e se mistura até o dia da colheita (Mt 13:24-30).
Não devemos nos enganar achando que podemos ter o Pastor do Salmo 23 se Ele não for primeiramente o nosso Senhor. Davi era servo de Deus e isso lhe trazia a segurança de ser guiado, cuidado e protegido por Ele. Algo importante a respeito de Davi e que também diz respeito a nós é que não foi ele quem escolheu a Deus, mas foi Deus quem o escolheu. Essa escolha diz respeito à promessa feita a Abraão, homem escolhido por Deus para ser o pai da nação de Israel, como também à própria escolha de Davi como rei. Eis uma verdade: não são as ovelhas que escolhem o pastor, mas é o pastor quem escolhe as ovelhas. Somente aqueles enviados a Jesus por Deus são suas ovelhas, como o próprio Senhor declarou: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo algum o lançarei fora... Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia... E prosseguiu; Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (Jo 6:37,44,65).
A vocação das ovelhas – os eleitos de Deus para a salvação em Cristo – faz parte da vocação interna ou eficaz, conforme explicada por Berkhof (1992, p. 225 a 230). Existe, na verdade, duas vocações: a externa e a interna. Ambas são o chamado geral e gracioso de Deus aos pecadores para aceitarem a salvação oferecida por Cristo. Todos os pecadores não buscam a Deus, mas são procurados por Ele, por meio de uma obra redentora que envolve o Pai (1 Co 1:9; 1 Ts 2:12; 1 Pe 5:10), o Filho (Mt 11:28; Lc 5:32; Jo 7:37) e o Espírito Santo (Mt 10:20; Jo 15:26; At 5:31,32). Esta vocação está direcionada a todas as pessoas que em todos os lugares escutam de algum modo a Palavra de Deus, o chamado evangélico ao arrependimento e à conversão. A diferença está em como o chamado de Deus afetará a cada um: os eleitos e os réprobos, isto é, aqueles que jamais responderão positivamente ao convite de Deus à conversão.
A vocação externa é estendida a todos os homens sem distinção. Quando falamos de Jesus nas praças ou pregamos o seu Evangelho nas redes sociais, um número imenso de pessoas ouve a verdade sendo ministrada. Esta vocação geral e externa está presente na grande comissão (Mt 28:19; Mc 16:15). A rejeição ao Evangelho por parte dos ouvintes que não são ovelhas do Senhor fica patente também (Mt 10:15; 11:21-24; 22:12-14; Lc 14:15-24; Jo 3:36; 5:40; 16:8,9; At 13:46; 2 Ts 1:8; 1 Jo 5:10). Embora a realidade do pecado, da salvação pela fé, da necessidade do arrependimento e da condenação eterna seja claramente exposta a essas pessoas, elas mantêm o coração endurecido. Embora a salvação seja oferecida graciosamente por Deus a todos os pecadores (Jl 2:32; Sl 86:5; Is 55:1; Mt 11:28; Ap 22:17) e não somente aos eleitos (Pv 1:24-26; Ez 3:19; Mt 22:2-8,14; Lc 14:16-24), é fato que muitos morrerão na incredulidade, porque jamais foram escolhidos por Deus para crerem.
Já a vocação interna é eficaz e produz salvação na vida do pecador, porque é efetuada pelo Espírito Santo. Podemos exemplificar esta situação através da própria natureza do rebanho de ovelhas. Se um pastor juntar as suas ovelhas às ovelhas de outro pastor, de modo que seja impossível diferenciar visualmente as ovelhas umas das outras, não saberemos quais são as ovelhas do pastor e quais não são. Então o pastor chamará as suas próprias ovelhas do meio de todo aquele rebanho. Todas ouvirão o chamado do pastor, mas somente as suas próprias ovelhas atenderão a este chamado e irão até ele. As outras ovelhas, embora tenham ouvido o mesmo chamado, permanecerão onde estão, porque não fazem parte do seu rebanho. O pastor é o mesmo (Jesus), o chamado é o mesmo (ao arrependimento), as palavras utilizadas são as mesmas (o Evangelho), mas quem não é de Deus, não irá até Jesus.
A Palavra de Deus é pregada e o Espírito Santo atua de maneira eficaz na vida dos escolhidos, convencendo-os do seu pecado e convertendo-os (1 Co 1:23,24; At 13:48). Essa conversão não pode ser revogada (Rm 11:29). Uma vez que o pecador se converte, está totalmente livre de condenação (Rm 8:1,2). É importante dar atenção ao fato de que o Espírito Santo opera a salvação por meio da escuta da Palavra (Rm 10:17), do Evangelho de Cristo, persuadindo a sua consciência e abrindo o seu entendimento para a verdade que liberta do pecado e da morte, de modo que o pecador se volta para Deus. Muitos recorrem a Deus porque foram convencidos por pregações triunfalistas que prometiam a solução para seus problemas pessoais diversos. Estes não foram convencidos do pecado pelo Espírito, mas abraçaram a fé para ter uma vida tranquila e próspera. Pode-se comparar a bodes que, observando o cuidado do pastor por suas ovelhas, se juntaram ao rebanho para gozar deste cuidado, mas que jamais farão parte dele. As igrejas estão lotadas de pessoas assim, que nunca receberam o chamado eficaz e que, por isso, não são convertidas. Estão no meio do povo de Deus para se alimentar dos pastos verdejantes, mas não estarão na Casa do Senhor para todo o sempre.
Podemos apreender uma verdade dessas palavras de Jesus: Deus conhece aqueles que são seus, as suas ovelhas. Falando a respeito de homens que se desviaram da verdade, o apóstolo Paulo escreveu: “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor” (2 Tm 2:19; cf. Nm 16:5). Logo, nem todos os que se aproximam dele e até mesmo o seguem são ovelhas do seu pasto. Muitos que se dizem cristãos e lotam inúmeras igrejas espalhadas pelo mundo inteiro jamais experimentaram a verdadeira conversão, jamais foram escolhidos por Deus para fazerem parte do seu rebanho. Ao contrário, buscam a Deus e seguem a Jesus por motivos egoístas e interesseiros, para conquistar bênçãos e vitórias.
Não somos nós que escolhemos Deus para ser o nosso Pastor, mas é Ele quem nos escolhe para sermos as suas ovelhas. Senão, vejamos:

·         É Deus quem soberanamente nos escolhe/elege segundo a predestinação (Ef 1:3-14; cf. tb. Dt 10:15; Sl 33:12; 65:4; 135:4; Mt 11:27; 22:14; 24:22,31; Lc 18:7; Jo 15:16; 17:24; At 13:48; Rm 8:28-33; cap. 9; 10:20; 11:5,6; Cl 3:12; 1 Ts 5:9; 2 Ts 2:13; 2 Tm 1:9,10; 2:10; Tt 1:1,2; Tg 2:5; 1 Pe 1:1,2; 2:8,9; Ap 17:8,14; 1 Co 1:27-29; Fp 2:13). Nenhum pecador deseja ir a Deus para ter vida (Jo 5:40), é preciso que Deus o busque e lhe dê a fé necessária à salvação e a vida que ele tanto precisa (Ef 2:1,8,9).
·         É Deus quem chama (Rm 8:28-33; cap. 9; 2 Tm 1:9; 1 Pe 2:9; 5:10; Jo 6:37,44,65; 2 Ts 2:13,14). Somos ovelhas escolhidas e chamadas por Deus para segui-lo. Todo o processo de salvação se inicia, desenvolve-se e termina com Deus, nosso Pastor.

Ser escolhido por Deus para fazer parte do seu rebanho de salvos traz consequências positivas à vida das ovelhas, o que se demonstra por meio de um caráter santo, transformado pelo Espírito Santo e comprometido com o Reino de Deus. Deus não é somente aquele que cuida e protege, mas é, antes de tudo, aquele que governa. Podemos ver essa submissão ao governo de Deus e à sua soberana vontade na vida do próprio Davi. No capítulo sete do segundo livro de Samuel, o profeta começa nos informando um dos motivos por que Davi era um homem segundo o coração de Deus. Davi tinha cuidado e zelo pela arca de Deus (v. 2), isto é, pela presença do Senhor no meio do seu povo. Ele cria que Deus merecia morar num lugar melhor, já que ele mesmo viva numa casa de cedro, enquanto a arca de Deus habitava numa tenda. O profeta Natã disse-lhe: “Vai, faze tudo quanto está no teu coração, porque o Senhor é contigo” (v. 3). A vontade do coração de Davi não seria dele mesmo, mas de Deus, pois Ele estava guiando a sua vida. Davi declara no Salmo 37: “Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração” (v. 4). E qual era o desejo do seu coração? O Salmo 40:8 nos responde: “agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração está a tua lei.”
A partir do momento em que temos a lei de Deus no nosso coração, não estaremos mais em busca de satisfazer a nossa vontade, a não ser que esta seja fazer a vontade de Deus. Seguir a Deus e ser fiel a Ele traz bons frutos para a nossa vida, como aconteceu com Davi. Afastar-se dos caminhos de Deus e não guardar a sua Palavra pode trazer péssimos resultados, como ocorreu com Saul (v. 15). O rei Davi colheu o fruto da sua comunhão com Deus, mesmo que errando em muitos momentos. Ele era homem de coração sincero e contrito (Sl 51:17). O capítulo 7 de 2 Samuel também possui uma visão profética da pessoa de Cristo e do seu reinado eterno (11-14). As ações de graça de Davi que se seguem são um conforto pelas grandes obras do Senhor, que estabeleceria para sempre o seu descendente: Jesus. Assim como Davi, podemos enxergar as obras e as promessas de Deus e nos alegrar no seu cumprimento, sabendo que Ele é fiel para cumprir tudo o que nos prometeu na Bíblia. Viver o hoje na expectativa da iminente volta de Cristo para levar a sua igreja, traz nova perspectiva e significado à nossa existência, além de nos colocar em conexão com esse Reino vindouro que já existe em nós, despertando compromisso e amor pela Palavra de Deus.


As falsas ovelhas entre nós[1]

Deus profere, por meio de Ezequiel, uma profecia contra os falsos profetas. Isso nos mostra que a preocupação de Jesus com os mentirosos infiltrados no meio do povo de Deus refletia uma preocupação divina de muitos séculos (Ez 13:1-16). Como aconteceu na época dos profetas, de Jesus e dos apóstolos, muitos falsos profetas e falsos mestres têm surgido no meio do povo de Deus, fingindo-se de ovelhas, intitulando-se pastores, missionários, bispos e até mesmo apóstolos. Eles operam supostos sinais e maravilhas e realizam toda sorte de milagres em nome de Deus, mas pela atuação de Satanás. Fazem isso utilizando uma fé supersticiosa e sincretista, misturando ao Evangelho elementos da Umbanda. Eles são indivíduos listados na Bíblia, como: falsos mestres (Mt 7:15-20; Rm 16:17,18; 1 Tm 6:3-5), falsos profetas (Mt 24:11; 1 Jo 4:1; 2 Pe 2:1-3; Ap 19:20), falsos cristos (Mt 24:23-26; Mc 13:22,23), falsos irmãos (Gl 2:4,5), falsos apóstolos (2 Co 11:13-15) e homens ímpios (Jd 5-16). Estudando o caráter dessas falsas ovelhas e os seus ensinamentos (Gl 1:6-8; 2 Co 11:3,4; 2 Ts 2:3,4,8-10), percebemos os riscos que eles representam à Igreja e os problemas que podem causar com suas ações e pregações. A Igreja precisa estar alerta, identificando esses indivíduos e excluindo-os do meio do povo de Deus. Muitos desses falsos irmãos são anticristos que acabam por sair do nosso meio, o que deixa bastante claro que não eram dos nossos (1 Pe 2:18,19). Aquele que é de Cristo não se deixa enredar por esses falsos cristãos porque, ao contrário deles, possuem a unção que vem do Santo (v. 20).
Afora esses casos declaradamente heréticos, nem sempre é fácil identificar as falsas ovelhas. Primeiro porque ninguém admitirá ser um falso crente; segundo porque não tem como saber ao certo quem eles são, pois quem julga é Deus. Mas o Senhor nos dá uma pista: “Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto” (Lc 6:44). As verdadeiras ovelhas do Senhor andam no Espírito e produzem o seu fruto (Gl 5:22-25). Paulo afirma: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8:14). Algumas pessoas estão dentro da Igreja e se declaram crentes porque frequentam uma denominação e exercem algumas práticas religiosas. Mas é possível estarem enganadas quando observamos seus atos (Pv 16:25; 2 Jo 1:9; Tt 1:16; Cl 2:8). Além dos falsos mestres, aí também estão os convertidos pelos motivos errados, como bênçãos, milagres e prosperidade. A atitude da Igreja, nestes casos, deve ser identificar esses indivíduos e continuar a evangelizá-los. Em alguns casos – como os falsos profetas – deve-se praticar a exclusão da comunhão com os irmãos para evitar que contaminem os demais (1 Co 5:1,2,11,13). Aqui está a importância da pregação pura do Evangelho. A própria exposição da verdade já deixa patente quem anda na mentira, confronta as falsas ovelhas e as desafia nas suas crenças e práticas. Quem anda na verdade é amigo da verdade; quem resiste a ela, torna-se seu inimigo.
Ainda existe outro grupo de falsas ovelhas: os amigos do Evangelho, aquelas pessoas capazes de frequentar durante anos a Igreja, participar de todas as suas atividades, contribuir com ofertas e apoiar os seus projetos, mas sem jamais terem feito uma decisão pessoal por Jesus. Algumas delas jamais receberam nem receberão o chamado eficaz para se converterem. Esses amigos procuram ser crentes, todavia sem assumir um real compromisso de vida e de fé com o Senhor, deixando sempre uma porta aberta para o mundo, onde estão os pecados que eles no fundo não querem abandonar. É preciso deixar bastante claro que eles não são filhos de Deus (1 Jo 3:10; Jo 1:12; 3:6; 8:47; Gl 3:26), mesmo frequentando a Igreja, porque não “são” Igreja; e que se morrerem sem Cristo, perecerão. Somente crendo em Jesus poderão ser salvos (At 16:31; 2 Pe 2:4-9; 2 Ts 1:7-9; Jo 10:9). Quando Jesus Cristo vier levar a sua Igreja, fará a separação entre o joio e o trigo, as ovelhas e os bodes, e os “amigos do Evangelho” não subirão com Ele (Mt 13:24-30; 25:31-46). Quem não teve as vestes lavadas no sangue do Cordeiro não é a sua noiva (Ap 22:14; At 20:28; Ef 5:25-27). Somente as ovelhas genuínas têm seus nomes escritos no Livro da Vida (Ap 3:5; 20:12; Jo 3:16; 1 Jo 5:3; Hb 11:4). Estar na Igreja sem ter sido convencido do pecado pelo Espírito Santo não levará ninguém para o céu, mesmo que se esteja envolvido em ministérios, seja filho de pastor e dê dízimos e ofertas.



[1] Este ponto do estudo é adaptado do livro “Ide e pregai”, de minha autoria, ainda a publicar.


ESTE ESTUDO FAZ PARTE DO LIVRO "A OVELHA PEREGRINA: UM ENFOQUE SOTERIOLÓGICO DO SALMO 23", DE MINHA AUTORIA, AINDA A PUBLICAR.


AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

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terça-feira, 27 de março de 2018

ESTRATÉGIAS DO BOM SALDADO DE JESUS - PARTE 2




3. Participar do processo (vs. 3-6)

            Só é possível haver engajamento na obra de Deus se nos dedicarmos a ela de corpo e alma. A grande maioria das pessoas que frenquentam uma denominação evangélica atualmente estão totalmente alheias ao ministério da pregação da Palavra. Crê-se que o Evangelho deva ser pregado no púlpito pelos pastores ou pelos evangelistas e missionários apenas. Entretanto, quando nos tornamos filhos de Deus, tornamo-nos também os seus soldados. A missão evangelizadora é uma ação a ser praticada por todo aquele que é convertido a Jesus. O apóstolo Paulo revela a Timóteo algumas características do ministério de defesa da fé que o bom soldado de Cristo deve observar atentamente:


Sofrimento pela obra

·         Envolve os sofrimentos resultantes do nosso compromisso com Deus e com a sua Palavra, o que gera oposição do mundo e do diabo (v. 3). O convite de Paulo a Timóteo difere daquele ouvido nas igrejas atuais, onde o sofrimento cristão é tratado como uma mentira. Todos querem colher os frutos do ministério e estão ao lado dos seus líderes apenas enquanto eles são exitosos. Quando as dificuldades chegam, porém poucos são os que lhe dão a mão.
·         O soldado de Cristo deve encarar o sofrimento como uma conseqüência natural do seu compromisso com o Senhor, entendo que a oposição do mundo e do diabo sempre estarão presentes; e como uma oportunidade de crescimento para si e para a Igreja. Ao contrário do que se pode pensar, tais perseguições jamais frearam o avanço da Igreja do Senhor, muito pelo contrário: contribuíram para a sua expansão e fortalecimento. O apóstolo Paulo é um exemplo disso. Ele escreve aos Filipenses: “Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do Evangelho” (Fp 1:12).
·         Como servos de Deus e soldados de Jesus, nós sofremos “com” Cristo (Rm 8;17) e “por” Cristo (Fp 1:29). Paulo era um soldado disposto não somente a sofrer, como também a morrer pelo Nome do Senhor Jesus (At 21:13).
·         A Palavra de Deus deixa bastante claro que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo serão perseguidos” (2 Tm 3:12). O apóstolo Paulo afirma isto após falar das suas próprias perseguições e sofrimentos por causa do Evangelho (vs. 11,12). Escrevendo aos tessalonicenses, que estavam sofrendo tribulações, ele lembra aos irmãos das suas próprias tribulações, afirmando: “vós mesmos sabeis que estamos designados para isto” (1 Ts 3:1-4).
·         As credenciais de muitos pregadores, evangelistas e missionários da atualidade são bastante diferentes daquelas apresentadas pelo apóstolo Paulo em 2 Coríntios 6:4-10. Para ele, a sua riqueza e a sua glória não estavam nas conquistas terrenas, no status de grande evangelista, no louvor dos homens, mas no cumprimento da sua carreira (At 20:24).


Compromisso total

·         O trabalho do soldado do Senhor envolve compromisso total com a sua obra (v. 4). Ele está sempre em estado de prontidão para servir e defender a sua fé. O que se vê hoje, todavia, são crentes envolvidos demais com as coisas deste mundo: seu sucesso financeiro, a conquista dos seus sonhos, a realização das promessas de bênçãos materiais, seus problemas e seus milagres. A sua atuação como soldados de Cristo está numa guerra travada a favor de si mesmas, não do Evangelho.
·         O soldado do Senhor demonstra seu compromisso com o Evangelho ao obedecê-lo e pregá-lo (2 Pe 1:4; Fp 2:5; 1 Co 2:16; 9:19-23; Cl 3:3; 1 Jo 4:8; Jo 4:34; 10:15,16). Isto significa que o Evangelho não contém apenas aquilo que podemos receber de Deus, mas também o que podemos ofertar às pessoas. Estar comprometido com a pregação e a defesa da fé é uma consequência do nosso compromisso com Deus. Isto significa que a ausência de um denuncia a ausência do outro.
·         Jesus quer saber o quanto estamos disponíveis para Ele (Jo 21:15-19). O soldado precisa ser alguém que está sempre pronto e disponível para ser usado por Deus onde quer que ele esteja (At 16:9,10; Gl 1:15,16).
·         A obra do Senhor requer corações que buscam a sua glória, que entendam a quem estão servindo (Cl 3:23,24) e que o façam não por obrigação ou constrangimento, mas de boa vontade (1 Pe 5:2). O soldado que se dispõe para a obra da pregação do Evangelho deve fazê-la com excelência. Não adianta estar disponível e fazer todas as coisas relaxadamente (Jr 48:10).


Obediência às normas legítimas

·         A pregação do Evangelho envolve obediência total às regras estabelecidas e que estão contidas na Bíblia (v. 5). A luta do soldado do Senhor é uma luta honesta, utilizando-se das armas legítimas dadas por Deus para a sua batalha e obedecendo as regras estabelecidas na sua Palavra.
·         Se a nossa luta é espiritual, as nossas armas não podem ser carnais. O apóstolo Paulo registrou: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (1 Co 10:3-5).
·         O evangelista deve esperar esse constante confronto, seja interno ou externo, devendo estar preparado com toda a armadura de Deus para que possa resistir no dia mau (Ef 6:13). Todos os dias nós enfrentamos esse “dia mau”. O próprio apóstolo Paulo enfrentava dias como esse; “Porque chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro” (2 Co 7:5).
·         Todavia, o mesmo Paulo era consolado pelo “Deus que conforta os abatidos” (2 Co 7:6). Em tudo ele era atribulado (2 Co 4:8-11), mas não desanimava, pois sabia o propósito de todo o seu sofrimento e entendia que era passageiro (vs. 12-18). Ele, então, apresenta aos efésios as armas espirituais da nossa milícia, capazes de nos dar a vitória e nos manter inabaláveis (Ef 4:14-18).


Frutos

·         Sucesso do ministério. Aqueles que não participam ativamente da obra do Senhor, não participam das vantagens que ela oferece. O apóstolo Paulo diz que o que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos (1 Co 9:10; Rm 1:13). Todavia, esses frutos não devem ser visto como uma forma de pagamento pela atuação do lavrador na obra do Senhor nem fruto de uma busca pessoal pelo sucesso ministerial, onde os lucros financeiros devem compensar o esforço empregado pelo obreiro. O sucesso do ministério está nos frutos que ele produz para o próprio ministério.
·         Estabelecimento da verdade. Quando o soldado de Cristo cumpre o seu papel de anunciar e defender a Palavra de Deus contra os falsos profetas e seus falsos evangelhos, contra o mundo e seus sofismas, contra Satanás e suas estratégias destruidoras, a verdade é estabelecida como Revelação divina e padrão de fé e comportamento para a Igreja, além de âncora de salvação para os perdidos.
·         Glorificação de Deus. A pregação da Palavra da maneira correta rende glórias ao Nome de Deus. Quando pregamos e defendemos a verdade, fazemos a sua vontade, anunciamos o seu Evangelho e proclamamos o seu Reino. Não existe recompensa maior que saber que por intermédio da nossa vida o Nome de Deus está sendo exaltado na Igreja e no mundo.
·         Crescimento espiritual da Igreja. Quando o Evangelho é pregado aos perdidos, a Igreja é edificada, crescendo na fé, na esperança e no amor. A mesma alegria do céu quando uma alma se converte, é experimentada pela Igreja.
·         Crescimento quantitativo da Igreja. O evangelismo, quando feito corretamente, traz novos membros para a Igreja, novos obreiros, novos evangelistas. São mais soldados na frente da batalha do Senhor, pregando o seu Reino, fazendo a sua vontade, anunciando as boas-novas da salvação.
·         Transformação social. O evangelismo, na perspectiva da Missão Integral, além de anunciar o Evangelho que resgata as almas do pecado, pratica esse Evangelho, cuidando do corpo e do ambiente onde essas almas vivem.
·         Coroa da justiça. A última recompensa é aquela que o evangelista não busca, mas sabe que já está guardada para ele no céu. Ele não serviu a Deus em busca dessa recompensa, mas o fez já de posse dela, como escreveu o apóstolo Paulo: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Tm 4:7-8).


4. Estabelecer um padrão (v. 7)

            A exortação de Paulo a Timóteo é que ele siga o padrão por ele determinado. Ele deveria “ponderar” sobre tudo o que estava sendo ensinado, o que significa “ter em mente”, “pensar sobre”, “considerar” (cf. Mt 24:15; Mc 13:14). Mais adiante, ele repete o mesmo conselho após falar a respeito de homens ímpios que andam pelas casas aproveitando-se de pessoas “que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade” (3:1-7). Paulo exorta Timóteo, que seguia de perto o seu ensino e o seu caráter (vs. 10,11), a permanecer naquilo que dele havia aprendido com ele e que fora inteirado, porque desde a infância sabia as sagradas letras, que podiam torná-lo sábio para a salvação em Cristo Jesus (vs. 14,15).
            O apóstolo Paulo, então, estabelece um padrão para a pregação e a defesa da fé: as Sagradas Escrituras: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (vs. 16,17). Se a Palavra é o padrão estabelecido por Deus para a sua Igreja viver e pregar, então ela deveria ser pregada e ensinada a todo tempo (4:1,2) por um motivo: “Pois haverá um tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (vs. 3,4). Quanto a Timóteo, ele deveria ser sóbrio em todas as coisas, suportar as aflições, fazer o trabalho de um evangelista e cumprir cabalmente o seu ministério (v. 5).
O soldado do Senhor deve ter um bom preparo intelectual, sendo capaz de raciocinar a respeito das coisas de Deus e compreender as suas verdades. Todos os grandes servos de Deus foram grandes pensadores e realizaram grandes obras, como Moisés (At 7:22) e o apóstolo Paulo (Gl 6:10). Paulo, como evangelista, destacou-se como mestre (At 20:31; 15:35; Ef 4:11; 2 Tm 2:2). João Batista teve discípulos e ensinava (Lc 11:1). Jesus, o Mestre por excelência, ensinou aos seus discípulos por três anos (Mt 14:49). O obreiro precisa conhecer profundamente as Sagradas Escrituras para dar a razão da sua fé quando for questionado e para defendê-la dos falsos ensinos disseminados pelos falsos mestres, falsos profetas e falsos apóstolos (1 Pe 3:15; 2 Pe 2:1,2). Uma das razões da proliferação das heresias no meio evangélico é a falta de amor que os crentes nutrem pela Palavra de Deus, dando preferência a uma fé baseada na experiência mística e no testemunho pessoal de outras pessoas, sem examinar tais experiências e testemunhos à luz da Bíblia. Ou conhecemos a Bíblia e o Deus da Bíblia, ou estaremos fadados a sermos levados para todos os lados por todo vento de doutrina (Ef 4:13-15).
A Palavra de Deus deve ocupar o nosso pensamento, de modo que jamais nos esqueçamos dela (Sl 119:11). Ela é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Sl 119:105). O apóstolo Pedro reforça o aprendizado da doutrina cristã em suas epístolas com o objetivo de que elas não sejam esquecidas. Ele escreve: “Por esta razão, sempre estarei pronto a trazer-vos lembrados acerca destas coisas, embora estejais certos da verdade já presente convosco e nela confirmados” (2 Pe 1:12). Mesmo já estando certos da verdade, aqueles irmãos foram exortados com diligência pelo apóstolo a conservarem lembrança de tudo (vs. 14,15). O obreiro aprovado maneja bem a Palavra da verdade (2 Tm 2:15).


5. Identificar-se com Cristo (v. 8,9)

            O apóstolo Paulo diz a Timóteo que ele deve lembrar-se de Cristo, ressuscitado dentre os mortos, segundo o evangelho que ele próprio pregava (v. 7). Esquecer-se da verdade evangélica do Cristo crucificado é apresentar ao mundo um evangelho mentiroso. A mensagem do evangelho de Paulo é o Cristo que foi morto numa cruz (1 Co 1:23) e que ressuscitou (Rm 8:34). O soldado de Cristo identifica-se com Ele quando ensina de maneira correta o seu Evangelho e encarna em sua própria vida a verdade de que o Senhor vive. O próprio Paulo trazia em si essa identificação: assim como Cristo sofreu como um malfeitor ao ponto de ser morto numa cruz, ele também sofria todos os dias como malfeitor por amor ao seu Senhor. Ele se gloriava na cruz de Cristo, trazendo no seu próprio corpo as suas marcas (Gl 6:14,17). Logo, o soldado tem uma identidade com Cristo que se inicia na crença correta (ortodoxia) e se transforma numa prática correta de vida (ortopraxia). Vejamos algumas características dessa nossa identificação com o Senhor.

·         A nossa identificação com Cristo dá-se início na nossa conversão, que nos torna novas criaturas.  Tudo se faz novo em nós, passamos da morte para a vida, do velho homem para o novo homem, do inferno para a salvação. O soldado do Senhor não vive mais para si, mas para Deus pela fé em Jesus Cristo (Gl 2:20). Não é aquilo que opera na sua carne ou por meio dela, mas pela intervenção de Deus (Gl 5:6; 6:15). Essa intervenção divina é demonstrada por meio de um caráter transformado e feito conforme a vontade de Deus, tendo como alicerce o amor (1 Jo 2:29; 5:1,12,18; 3:9; 1 Pe 1:23).
·         Nós nos identificamos com Cristo por meio dos sofrimentos que passamos nesta vida. Em 2 Tessalonicenses 1:1-12, o apóstolo dá graças a Deus pela fé daqueles irmãos que, mesmo em meio às perseguições e aflições, mantinham uma fé constante e crescente, além de estarem unidos através do amor fraternal (vs. 2-4). Dois elos poderosos que, somados, produziam a esperança na volta gloriosa do Senhor, onde o alívio para as suas dores viria e Cristo seria glorificado neles (vs. 10-12). Aqueles irmãos eram dignos do Reino de Deus, identificavam-se com ele porque se identificavam com o Senhor do Reino. Os que são participantes das aflições também serão das consolações (2 Coríntios 1:3-7). Nem sempre queremos aceitar os momentos difíceis como parte da nossa identificação com Cristo, menos ainda estar ao lado daqueles que passam por eles. Assim como queremos absorver de Cristo apenas o seu poder e a sua glória, sem participar da sua humilhação e sofrimento, queremos apenas os louros da vitória da vida dos outros.
·         O amor é a maior prova da nossa identificação como soldados de Jesus. Em primeiro lugar porque Deus se manifestou amorosamente a nós e nos salvou por meio do sacrifício de si próprio na cruz (Jo 3:16; Rm 5:8). Segundo, é o amor que nos identifica como filhos de Deus (1 Jo 3:10; 4:19-21). E terceiro, o amor é o fruto do Espírito Santo (Gl 5:22). O Senhor Jesus disse aos seus discípulos: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13:35). A Igreja está fundamentada no amor a Deus e demonstra este amor entre os seus e no mundo de maneira prática. Amar a Deus requer compromisso, abnegação, sacrifício. Se não amamos a Deus, toda a nossa vida fica comprometida, em todas as suas dimensões. É amando a Deus que nos tornamos conhecidos dele. (Rm 13:9; 1 Jo 4:10; 5:2; Mt 22:37; 1 Co 8:3; 1 Jo 4:20,21; Tg 1 e 2).
·         O soldado anda em obediência ao seu Senhor. A missão de Jesus torna-se também a nossa e é parte da nossa identidade cristã quando nos identificamos com Ele na sua morte e ressurreição, quando nos tornamos seus discípulos e despenseiros. Andar nos passos de Jesus é fazer aquilo que Ele fazia, falar o que Ele falava, amar como ele amava e nos doar às pessoas como Ele se doou. A nossa missão maior é nos tornarmos imagens de Cristo para o mundo, a fim de que Ele seja glorificado e as pessoas o conheçam como Salvador e Senhor (cf. Rm 8:29; 1 Co 15:49; 2 Co 3:18).
·         Nossa identificação com Cristo nos torna suas testemunhas (Jo 20:21). Testificamos daquilo que não vimos (cf. 1 Pe 1:8; 2 Co 5:7; Rm 8:24), mas que pela fé cremos, um testemunho que se iniciou em Jerusalém e agora já se expandiu até aos confins da terra (cf. At 1:8). No texto de João 20:21, percebemos que fomos enviados com a mesma autoridade de Jesus, autoridade dada por Deus e que nos foi conferida pelo Senhor para fazermos a sua obra (cf. Mt 10:1; 28:18; Mc 6:7; Lc 10:19).


CONCLUSÃO

            Em todos os lugares do planeta existem pessoas que se declaram cristãs, mas sou poucas as que de fato seguem aquele que justifica o termo “cristão”: Jesus Cristo. No Brasil e no mundo, a quantidade de igrejas abertas quase que diariamente não reflete a realidade do que é ser Igreja. E o número de pessoas que lotam esses ambientes diminui quando aprendemos o que é ser um verdadeiro soldado do Senhor. Poucos são os que de fato possuem uma identidade com Cristo, transmitida através conversão efetuada pelo Espírito Santo e de uma vida santa, comprometida com a verdade e coerente com a sã doutrina, que é o Evangelho da cruz de Cristo. Essas pessoas são soldados que não saem para o campo de batalha, que não utilizam a armadura de Deus, que não estão dispostos a passar pelo sofrimento por amor a Cristo e que acham que a vida cristã é um imenso SPA, onde elas vão ser cuidadas, tratadas, embelezadas e enriquecidas com muito dinheiro.
            O que a Palavra de Deus nos ensina é que na conversão nos torna um com Cristo, membros do seu corpo, que é a Igreja e soldados na sua frente de batalha: a pregação e a defesa do Evangelho. Qualquer ação cristã neste mundo envolve essa missão. Se não estamos pregando e ensinando a respeito de Jesus, não estamos cumprindo com o nosso chamado para sermos suas testemunhas e darmos frutos. O bom soldado de Cristo conhece o seu Senhor e é conhecido por Ele, luta conforme as regras, semeia e colhe frutos para a glória de Deus. O que o cristianismo precisa hoje é de crentes comprometidos com o Reino de Deus, que o encarnem em suas vidas e o apregoem com palavras e um testemunho vivo e transformador. Se não estamos fazendo isso, não somos bons soldados de Jesus ou, o que é ainda mais sério, talvez nem façamos parte do seu batalhão.


AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

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