domingo, 11 de novembro de 2018

A PAZ QUE EXCEDE TODO ENTENDIMENTO - UMA INTRODUÇÃO




TEXTO ÁUREO: Colossenses 3:15


INTRODUÇÃO

            Escrevo este estudo num momento em que a minha vida, de um ponto de vista meramente humano, passa por grandes conflitos, e a paz parece um horizonte inalcançável. Pergunto a mim mesmo: como falar de paz se para todos os lados só vejo guerra? Como dizer que tenho paz enquanto olho para dentro e fora de mim e encontro tantas razões para viver ansioso e desesperado? Como fazer um estudo cristão sobre paz assistindo as guerras que são travadas dentro das igrejas, onde muitos pastores acabam cometendo suicídio por não suportarem a pressão? Então fica bastante claro que este não pode ser um estudo sobre a paz a partir de mim mesmo, uma paz que é impossível ser produzida pelos meus próprios esforços. A paz que este estudo irá tratar está além da compreensão humana, como escreveu o apóstolo Paulo: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4:7).
            O mundo precisa de paz. Na criação, o homem tinha todas as condições, dadas por Deus, para gozar de plena paz. Ele habitava num paraíso onde tinha ao seu dispor tudo o que era necessário à sua sobrevivência e ao seu bem-estar físico, mental, emocional e relacional. A relação entre o primeiro casal seria totalmente livre de conflitos, porque não havia a presença do pecado determinando seus pensamentos, sentimentos e ações. Eles gozavam, acima de tudo, da presença diária de Deus, algo que foi suprimido após a sua desobediência. O fato de a morte vicária de Cristo servir para nos devolver a paz com Deus, demonstra que o primeiro casal gozava desta paz, mas que passamos a necessitar desesperadamente dela. Quando o pecado e a morte entraram no mundo, a paz perfeita já não seria mais possível sem uma intervenção direta de Deus. A ausência de paz é que guia a vida do homem perdido, que determina as suas escolhas e que conduz as suas ações. A busca pela paz, mesmo entre os ímpios, é fruto da graça comum de Deus, que não permite que o mal humano se concretize na sua plenitude, pondo freios aos seus intentos malignos.
Em meio a este universo de conflitos gerados pelo pecado, o cristão é chamado a uma vida de paz: “Vivei em paz uns com os ouros” (1 Ts 5:13; cf. 1 Co 7:15; 2 Co 13:11). Somos convocados a seguir as coisas da paz, que são aquelas que não promovem divisões, mas a edificação do corpo de Cristo (Rm 14:19). A nossa paz precisa estar firmada em Deus e na sua Palavra para termos a segurança de sermos dele e subirmos com Cristo quando Ele vier buscar a sua igreja. O crente precisa vigiar, esperar pelo Senhor na certeza da sua salvação. Muitos presumem ser possível experimentar paz com Deus e estar seguros sobre a sua vida sem a fé em Cristo, mas sobre estes virá uma destruição repentina (1 Ts 5:3). Essa paz que acontece num nível vertical, entre nós e Deus, reflete na paz que deve acontecer no nível horizontal, entre nós e os outros. Somente em paz com Deus estaremos em paz conosco e com as pessoas ao nosso redor.
Neste estudo, abordaremos o assunto sob diversos aspectos dentro da perspectiva cristã bíblica. É necessário enfatizar esta perspectiva cristã como sendo bíblica, porque muitos conceitos sobre a paz estão equivocados dentro do próprio cristianismo, especialmente o protestante, que é a nossa corrente de estudo. A teologia neopentecostal trouxe para o mundo evangélico a ideia falsa de que o cristão não precisa passar por tribulações e que o sofrimento não faz parte da nova vida que o Senhor nos dá. A presença da dor significa ausência de fé, de modo que é impossível falar de paz nessa perspectiva, porque tal teologia nega o sofrimento como parte integrante da caminhada cristã e, portanto, não poderá encontrar paz em meio ao conflito. A perspectiva bíblica, no entanto, mostrará uma paz que se estabelece independente das circunstâncias e está além dos nossos sentimentos humanos. Isto é: ela não depende das nossas impressões e reações ao ambiente para se tornar real. Ela é real por si só. Mesmo quando não achamos que temos paz, estamos em paz.
Então, fundamentados na Palavra de Deus, vamos analisar a paz enquanto conceito e ação divinos na transformação da vida do homem. Vamos aprender que ter paz está além de experimentar um sentimento de tranquilidade ou um bem-estar físico ou emocional. Também responderemos às perguntas: é possível haver paz sem a mediação do Espírito Santo? O mundo pode experimentar uma paz sem Deus? Veremos que Aquele que é o autor e consumador da nossa fé, também é o autor e consumador da paz que esta fé produz. Logo, uma paz sem Deus é um ideal mundano ilusório, uma utopia. Aprenderemos, ainda, que a paz se estende para além desta vida e nos conduz à eternidade. Na verdade, é a paz eterna proporcionada por Cristo na cruz que permite ao homem experimentar a paz neste mundo tenebroso. Se não temos a paz eterna, nenhuma outra que possamos vivenciar nesta vida será de fato paz, porque ainda estaremos destinados à danação da segunda morte.


O QUE É A PAZ

            A primeira pergunta que devemos responder é: o que é a paz? A própria definição da palavra já nos ajuda a compreendê-la e absorver alguns ensinamentos importantes para o nosso estudo. De acordo com os linguistas, a paz pode ser explicada como a relação tranquila entre os cidadãos, ausência de problemas e de violência. A palavra paz pode ser definida a partir do termo latino pax, que significa um estado de calma e tranquilidade, remetendo à ausência de perturbações e agitação. No Antigo Testamento, o termo hebraico utilizado para paz é shalom, que significa seguro, bem, feliz, amistoso, ligado a bem-estar. É um substantivo masculino que significa paz ou tranquilidade. É utilizado 237 vezes como uma saudação (Jr 19:20; 1 Cr 12:18; Dn 10:19), sendo empregado, também, para perguntar como está a paz de alguém (Gn 43:27; Êx 18:7; Jz 18:15), entre outras aplicações. A paz está presente com os sábios, mas ausente dos ímpios (Pv 3:2,7; Is 57:21; 59:8). Esta paz é geralmente retratada como procedente de Deus. Gideão edificou um altar e o chamou Yahweh-shalom (o Senhor é Paz; Nm 6:26; Jz 6:24; Is 26:3). O termo shalom, na raiz primitiva salam, envolve estar seguro, completo, ser amistoso, retribuir, fazer reparação, dar um fim, concluir, terminar, tornar cheio, dar novamente, tornar bom, reembolsar, reconciliar, realizar, prosperar. Significa estar seguro, estar concluído, na mente e no corpo (Jó 8:6; 9:4).
O termo shelamim está ligado à palavra shalom, designando os sacrifícios pacíficos ou de paz, ou "sacrifícios de comunhão", um rito sacrificial que restabelece a relação e eleva uma amizade, até ali perturbada, a seu pleno acabamento, à sua plenitude, à sua perfeição (Lv 23:3-13). Trata-se de um dom divino (Jz 6:24). Deus possui a paz e deseja dá-la a todos os que o servem (Sl 35:27), o que indica a possibilidade de gozar da sua paz aqueles que não o amam. A paz entre Deus e o pecador foi efetuada por Cristo na cruz (Ef 2:14-17; Rm 5:1), de modo que os sacrifícios de paz foram abolidos e não são mais necessários. Não pode haver paz entre o homem e Deus e entre o homem e seu próximo por meio de rituais. Nenhum ritual promove a paz efetiva. Caminhadas pela paz, por exemplo, não trazem a paz que o mundo necessita. A paz verdadeira exige ações, como a justiça e a verdade (Jr 6:14; 8:11) e obediência aos mandamentos de Deus (Is 48:18; 54:13,14).
No Novo Testamento, o termo grego usado para paz é eirene, que significa paz, quietude, repouso, retornar à unidade. Vemos que o significado de paz, tanto no hebraico quanto no grego, está além da sensação de tranquilidade. Vemos, também, que a paz possui um sentido positivo e outro negativo. Em seu sentido positivo, a paz é a presença de algo bom que gera essa paz, como a tranquilidade e a quietude. No sentido negativo, ela é a ausência daquilo que pode tirá-la ou impedir que ela aconteça, como a guerra e a violência. Por exemplo: a nossa mente está em paz quando relaxamos num lugar tranquilo. Ou: um casal vive em paz quando não existem brigas e a sua situação financeira é estável. A paz não é somente aquilo que ocorre externamente, isto é, não diz respeito apenas às condições externas, mas também as internas. Neste sentido, ela estaria ligada à ausência de conflitos internos gerados por sentimentos negativos, como a ira, a desconfiança, o medo, a falta de esperança, por exemplo. De qualquer forma, ambos os ambientes estão interligados. Aquilo que nos aflige internamente, influencia o ambiente em que estamos por meio da nossa relação com ele, do nosso comportamento. Uma mente perturbada, sem paz, agirá de maneira desordenada. Por sua vez, o ambiente pode influenciar negativamente uma mente tranquila, quando não apresenta paz. Por exemplo: uma situação econômica instável, a violência urbana, a poluição sonora, as crises sociais, e assim por diante.
Logo, a paz verdadeira não pode ser resultado de apenas um dos lados da questão – a interna ou a externa – mas ambos precisam estar estáveis para que haja paz. Neste ponto, percebemos que a paz de Cristo excede todo entendimento quando permite aos crentes viverem em paz num mundo de conflitos, a seguir confiantes em meio às mais duras provas, a manterem a sua esperança viva quando não existe nenhum motivo aparente para isso, a não ser a certeza de que Deus cuida de nós. O Senhor nos dá a segurança interior que precisamos para enfrentar os problemas do dia a dia sem nos entregarmos ao desespero. Por outro lado, sentir paz diante dos problemas dos outros sem experimentar qualquer perturbação é egoísmo e não demonstra amor. Geralmente buscamos a paz para nós mesmos e as nossas relações pessoais, mas pouco olhamos para o bem-estar de quem está a nossa volta. Conseguimos repousar tranquilos enquanto sabemos que existem irmãos da igreja em conflito, passando necessidades financeiras, desempregados, sofrendo perseguições. Essa paz que nos leva a enxergar somente a nós mesmos e não nos permite ser solidários com as dores do irmão e do próximo, não vem de Deus. A paz do Senhor é comunitária, envolve o que acontece com todo o corpo, de modo que, quando um membro do corpo sofre, os outros sofrem com ele; se ele se alegra, todos se alegram também (1 Co 12:26,27). Devemos nos alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram (Rm 12:15).
A paz pode ser igualmente traduzida como “felicidade”, indicando bem-estar, prosperidade e todas as formas de bem. Em Lucas 1:79, o “caminho da paz” significa o “caminho da felicidade” (cf. 2:14), que retira o homem da situação de trevas em que se encontra perdido e sem Deus e o coloca na luz. O Evangelho da paz (Rm 8:6; Ef 6:15; 2 Ts 3:16) também significa “evangelho da felicidade” a bem-aventurança trazida pelo evangelho da felicidade, as boas-novas de “grande alegria” (Lc 2:10). Esta felicidade não é conquistada pelo esforço humano nem diz respeito às bênçãos materiais que ele possa gozar nesta vida, mas é uma felicidade espiritual e eterna que os filhos de Deus usufruem pela fé em Cristo. Deus é chamado de “O Deus da paz”, aquele que é o autor da paz e que a concede aos homens (Rm 15:33; 16:20; Fp 4:9; 1 Ts 5:23; Hb 13:20), o que não os isenta de conflitos. Podemos falar de paz nestes dois sentidos: (1) aquela que se estabelece após um período de conflito, quando os problemas que causavam esse conflitos são resolvidos; e (2) aquela capaz de nos manter seguros, confiantes e esperançosos, mesmo durante o conflito.
A paz não é um bem que resulta em algo, mas um bem resultante de algo, embora aqueles que possuem em si a paz de Cristo atuem na paz e pela paz. A paz de Cristo irradia a vida cristã e produz relações harmoniosas dentro da comunidade (Rm 14:17; 1 Co 7:15). Os filhos de Deus estão entre aqueles que promovem a paz (Mt 5:9). Isto não significa que esta promoção automaticamente nos transforma em filhos de Deus. Se assim fosse, mesmo os ateus teriam uma filiação divina ao se engajarem em ações pela paz. A paz de Deus só pode obter e promover aquele que está em paz com Ele por meio da fé em Jesus Cristo produzida pela regeneração efetuada pelo Espírito Santo. A presença de Deus na nossa vida é que nos traz a paz (Sl 4:8; Jó 25:2). Então, se mesmo estando com Deus não nos sentimos em paz, pode ser que não estejamos tão certos assim do mover de Deus na nossa vida, não estejamos confiando plenamente nele ou não andamos em conformidade com a sua Palavra, e isso traz consequências que nos roubam a paz.
Um dos pensamentos equivocados a respeito da paz é que ela significa ausência de conflito. Mas muitas vezes a paz só pode ser conquistada através do conflito. Este é necessário para nos esvaziar de tudo aquilo que nos rouba a paz, para resolver problemas que sem o conflito não podem jamais ser resolvidos. Por meio do conflito acabamos fortalecidos e aprendemos. Paz não é ausência de guerra, mas a presença constante de Deus em meio às lutas e aos momentos de tranquilidade, proporcionando-nos confiança, segurança e esperança. Somente aqueles que estão firmes no Senhor podem ter confiança e experimentar a paz (Is 26:3). Quando praticamos aquilo que Deus não aprova, não podemos estar seguros quanto aos resultados dos nossos atos, se nos trarão paz, porque o Senhor não compactua com o pecado. Podemos estar confiantes, seguros e esperançosos quanto ao nosso hoje e o nosso amanhã quando Deus é Senhor da nossa vida, quando vivemos de maneira íntegra.
A paz não somente nos mantém firmes nos momentos angustiantes, como também nos preserva nas horas de calmaria, de bonança. Podemos desenvolver um sentimento de ansiedade de que a qualquer momento algo muito ruim pode acontecer para nos roubar a nossa paz, como um problema na família, na igreja ou no trabalho. Existem crentes que, mesmo tendo todos os ventos ao seu favor, não conseguem ter paz, porque vivem ansiosos pelo dia de amanhã, projetando desgraças que não existem. Por outro lado, outros crentes confiam em Deus e mantêm a tranquilidade, mesmo quando tudo parece lhes faltar ou quando as lutas são intensas. A paz de Cristo se apresenta como um antídoto eficaz contra a ansiedade e o estresse causado pelo mundo e suas demandas, que muitas vezes atormentam até mesmo o cristão. Davi escreveu: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Sl 55:22). A confiança em Deus não afasta de nós o que quer nos abalar, mas nos mantém firmes nessas situações. Da mesma forma, o Senhor nos exorta a não andarmos ansiosos ou inquietos quanto às solicitudes da vida, porque Deus cuida de nós (Mt 6:25-34). A paz de Cristo que excede todo entendimento, guarda a nossa mente e o nosso coração quando oramos e damos graças a Deus, colocando diante dele as nossas petições (Fp 4:6,7).
A paz conforme descrita na Bíblia é, também, um efeito da justiça, o que não exclui a possibilidade de enfrentarmos fortes tempestades (Is 32:17-20). Em primeiro lugar está a ideia da justificação pela fé em Cristo. Se temos paz com Deus por meio da justificação que há na expiação efetuada por Cristo, a nossa fé não pode ser abalada e a nossa alma permanece firme, guardada pelo Senhor. A colheita desta fé que provém da justiça se demonstra por meio dos bens espirituais e eternos (Sl 85:10). Mais adiante veremos como Deus efetuou a paz na cruz, justificando aqueles que de outra forma jamais poderiam ser considerados justos. Aqueles que foram justificados em Cristo produzem os frutos da justiça. Isaías escreveu: “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre” (Is 32:17). Vê-se no contexto a presença do Espírito Santo, que concede vida e traz paz. Aquele que tem o Espírito, dá frutos (Jo 15:8; 14:16-20), sendo a paz um dos seus frutos (Gl 5:22).
A paz não é algo abstrato ou um sentimento que possa ser conquistado por meio da meditação ou do ascetismo. Ela não é meramente um conceito ou algo sobrenatural que repousa sobre nós e nos livra de sentimentos negativos e conflitos interiores. Não podemos fortificar as nossas relações com um “sentimento de paz”, como, por exemplo: esvaziar a mente de pensamentos ruins para que isso influencie o nosso comportamento e o nosso relacionamento. Essa visão esotérica não produz a verdadeira paz. Em primeiro lugar, já aprendemos que ela é, acima de tudo, fruto da relação íntima e transformadora do homem com Deus. Esta é uma relação ativa e passiva. Ela é ativa quando sofremos influência do Espírito Santo na regeneração e na nossa conversão, santificando o nosso caráter e, assim, transformando a nossa disposição mental e espiritual para ações que são frutos da paz de Deus e a promove, que é a relação ativa. Não buscamos a paz para que haja justiça, mas praticamos a justiça para que haja paz. A paz é ao mesmo tempo um sentimento novo que gera novas atitudes e as consequências positivas que essas atitudes trazem. Sentir paz não resolverá os nossos problemas. Não adianta experimentarmos a paz de Cristo em meio à guerra: é preciso lutar, ter atitude, tomar decisões diante da vida que conduzam a uma solução pacífica.
A paz é fruto da sabedoria que vem de Deus (Pv 3:2,5,17). Muitos problemas e conflitos são gerados quando decidimos abrir mão da sabedoria do alto para resolvermos tudo segundo o nosso próprio entendimento. A confiança em Deus também significa acreditar que seus mandamentos são verdadeiros e que praticá-los é a coisa certa a ser feita. Significa, também, que confiamos nos resultados positivos que a obediência a esses mandamentos nos trazem, assim como também estamos convencidos das consequencias negativas de não observá-los. Um exemplo disto está na história do povo de Israel e todos os seus pecados, dos quais se lamentavam e se indagavam sobre a razão do seu sofrimento. Em Isaías 2:10-16, o Senhor fala a respeito da infidelidade de Israel aos seus mandamentos, quando os homens deixaram a companheira da sua mocidade para se casar com mulheres pagãs. Diante da recusa de Deus em aceitar as suas ofertas, eles se perguntavam “Por quê?” (v. 14). O adultério, as discórdias, as mentiras, a maledicência, a violência, o roupo, a inveja e quaisquer outros pecados que atormentam o crente e a Igreja nada mais são do que frutos da falta de obediência a Deus.
Paz tem uma relação direta com a humildade. Aquele que é humilde não se coloca acima dos outros nem quer suprimir seus direitos. Não é soberbo ou arrogante e sabe reconhecer seu erro e abrir mão do que for necessário em favor do outro. Não aumenta a sua voz nem impõe suas ideias. Não quer se impor, mas buscar a harmonia entre todos.




AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO: O QUE É?




A blasfêmia contra o Espírito Santo

            Assim como eu, você com certeza já foi repreendido por alguém quando criticou certas manifestações estranhas que acontecem em muitas igrejas: pessoas rodando como peão, gritando e batendo palma freneticamente, pulando, jogando-se ao chão ao serem tocadas por algum objeto ungido, falando línguas estranhas e incompreensíveis como se fosse o seu segundo idioma, profetizando toda sorte de bênçãos, revelando o futuro das pessoas, batendo tambor e dançando vestidas de branco como num terreiro de macumba, entre tantas outras cenas bizarras. Se você lê e estuda a Palavra de Deus, é claro que não consegue se sentir bem diante dessas coisas, porque nenhuma delas está na Bíblia. E quando falamos isso, lá vem aquela velha ameaça de estarmos blasfemando contra o Espírito Santo. Essas ameaças geralmente partem de quem não tem o costume justamente de ler e estudar a Bíblia, mas acredita em novas revelações, inclusive aquelas que aparecem no Facebook e no Whatsapp. Se pedimos que nos expliquem essas manifestações, essas pessoas começam dizendo “Eu acho...”, como se o que elas acham ou deixam de achar fosse a Palavra de Deus para nós, digno de fé e confiança.
Para termos a nossa mente tranquila, precisamos abordar um tema importantíssimo para a nossa compreensão daquilo que é de Deus: a blasfêmia contra o Espírito. As pessoas que acreditam, defendem e praticam muitas das coisas que citamos, geralmente são de denominações consideradas neopentecostais. Elas defendem que o Espírito possui total liberdade para agir como quiser, insistindo que o seu agir não está limitado pela Bíblia. Afinal de contas, o vento sopra onde quer (Jo 3:8). Precisamos, então, compreender o que é a blasfêmia contra o Espírito. Compreendendo isto, saberemos discernir as ações do Espírito de Deus das manifestações puramente carnais ou diabólicas. Por exemplo: a vassoura consagrada para varrer todo mal da nossa casa é de Deus ou do diabo? Através dessa vassoura Deus por fazer o milagre acontecer e tirar toda maldição da nossa vida? É o que faz a Igreja Despertar da Fé, no centro de Belo Horizonte, Minas Gerais, como vemos em vídeo divulgado na Internet.
            Quando entendemos claramente o que é a blasfêmia contra o Espírito Santo revelada na Bíblia, temos segurança para julgar todas as coisas sem o medo de incorremos neste pecado imperdoável. Então podemos iniciar afirmando: a blasfêmia contra o Espírito Santo é o que está ensinado em Marcos 3:28,29, Mateus 12:32 e Lucas 12:10. Não é aquilo que pensamos ser, mas aquilo que a Palavra de Deus declara que é. Não é qualquer pecado que julgamos grande e imperdoável, mas o que o Senhor afirmou ser imperdoável. Vamos analisar o texto de Marcos 3:20-35, observando o seu contexto e todos os fatos que levaram o Senhor ao ensino dos vs. 28 e 29. Neste ponto, Jesus já vinha sofrendo uma forte oposição dos escribas e fariseus, que contestavam a natureza do seu ministério e a validade dos sinais que Ele realizava, motivados por ciúmes. No capítulo segundo, dois episódios nos chamam a atenção. Primeiro, Jesus havia sido acusado de ser blasfemador ao perdoar os pecados de um homem que havia sido curado de paralisia (v. 7). Somente Deus tem poder para perdoar os pecados; agindo assim, Jesus fazia-se igual a Deus, o que para os judeus era inadmissível e digno da mais severa punição. Mais adiante, o Senhor foi advertido pelos fariseus porque os seus discípulos não guardavam o sábado (v. 24), rebatendo-lhes: “de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado” (v. 28). Isto significa que Jesus é o dono do perdão, da cura e do dia santo dos judeus.
            A essa altura já estava bastante claro que a popularidade de Jesus crescia entre os populares, acima de tudo as pessoas sempre desprezadas pelos fariseus e escribas. Aqueles que possuíam apenas a figura desses líderes religiosos como modelo, passaram a enxergar em Jesus alguém diferente, como lemos em Mateus 7:28,29, após o Sermão do Monte: “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas”. Em Mateus 12:22,23, que está dentro do contexto de Marcos, Jesus acabara de realizar a libertação de um endemoninhado cego e mudo. A admiração da multidão despertou a inveja nos escribas e fariseus, o que desencadeou a sua hostilidade contra Jesus. Até mesmo a sua família não cria nele, afirmando que estava fora de si e saiu para prendê-lo (Mc 3:21). Nesta feita, os escribas que haviam descido de Jerusalém, diziam: “Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo maioral dos demônios que ele expele demônios” (v. 22). Eles estavam afirmando que Jesus estava endemoninhado e atuava pelo poder de Belzebu, transformando a encarnação de Deus numa obra maligna ou na encarnação do próprio mal.
            Da acusação dos escribas contra Jesus, surge o significado de “blasfêmia contra o Espírito”: ela é um pecado consciente e deliberado contra o conhecimento claro da verdade e da evidência da divindade de Cristo, atribuindo a obra do Espírito Santo ao próprio Satanás” (LOPES, 2016). É preciso, entretanto, cuidado na compreensão deste ensino, para não cairmos no erro de definirmos de acordo com o nosso próprio entendimento que obra é do Espírito. Jesus não está abrindo espaço para condenarmos como blasfemador aquele que, por exemplo, afirma que o falar em línguas estranhas não é do Espírito; ou que uma pessoa que se contorce, roda e se joga ao chão gritando também não é uma obra do Espírito Santo. Se assim fosse, qualquer novidade espiritual criada pelas igrejas que fazem uso desse tipo de manifestação teria que ser aceita como divina, sem questionamento, sob o risco de blasfêmia contra o Espírito. O que a Bíblia nos ensina sobre isto é que essa é uma blasfêmia consciente contra a verdade, atribuindo o que é de Deus a Satanás. O que nos levará ao restante deste capítulo, onde apresentaremos meios de discernir o que é de Deus ou não.
            Logo, blasfemar contra o Espírito Santo é declarar que Jesus opera segundo o poder de Satanás, como seu aliado. Podemos aqui fazer uma ponte entre a realidade apresentada em Hebreus 6:4-6 e a blasfêmia contra o Espírito Santo. Os judeus acusavam Jesus Cristo de blasfemar quando se autoafirmava Deus (Jo 10:33). Do mesmo modo, Jesus os acusava de blasfêmia por imputarem os seus milagres à atuação do diabo (Mt 12:22-31). Nos dois episódios vemos a negação do caráter messiânico de Jesus, tanto afirmando que Ele não era o Ungido do Senhor, quanto dizendo que as suas obras eram feitas pelo poder de Belzebu. Em ambos os casos a condenação é cabida pela total incredulidade. Não é uma simples negativa ou dúvida a respeito de alguma obra de Cristo, mas da sua própria natureza divina. Não é possível trazer ao arrependimento os que assim creem. Existe aí um endurecimento total do coração que extingue toda possibilidade de conversão (cf. Hb 10:26-31). Sendo impossível discernir entre aquilo que é divino e o que é diabólico, como voltar-se para Deus? Podemos ver aqui uma clara apostasia (cf. 3:12; 6:4-8; 12:25; cf. tb. Is 1:2,29,30; 2 Pe 2:21). A blasfêmia contra o Espírito Santo é uma demonstração de que o blasfemador jamais foi convertido.

Este estudo faz parte do livro BATALHA ESPIRITUAL: UMA LUTA EM DEFESA DA VERDADE, de minha autoria, ainda a publicar.

Estou em busca de patrocinadores para a publicação deste livro. Pode ser pessoa física ou jurídica. Você pode contribuir com qualquer valor. Entre em contato comigo:

AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

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OBS: Capa meramente ilustrativa.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

COMO ADMINISTRAR O SEU TEMPO



Introdução
Efésios 5:16

O tempo é o nosso bem mais precioso e o mais desperdiçado. É algo que temos e ao mesmo tempo não temos. De todas as forças da natureza que o homem é capaz de dominar, o tempo é um elemento impossível de ser sujeitado, armazenado, retido. Algo tão precioso devia ser melhor administrado e investido, no entanto, passamos o nosso tempo gastando-o com aquilo que não produz crescimento, que não acrescenta nada de bom à nossa vida. Às vezes nos queixamos de que o dia deveria ter mais que 24hs, porque o tempo está cada vez mais escasso, mais curto para fazermos tudo o que queremos ou precisamos. Ao invés te adaptarmos o nosso calendário de atividades ao tempo que temos disponível, queremos fazer o contrário. O resultado é o descontrole do nosso tempo e a derrota pelas circunstâncias. Ao invés de controlarmos o tempo, somos controlados por ele. Para administrar bem o nosso tempo não podemos viver a mercê das circunstâncias. O que são as circunstâncias senão aquilo que acontece quando nem sempre esperamos e que foge completamente ao nosso planejamento? Logo, como poderemos basear nelas a nossa vida, nosso ministério, nossas ações? É preciso saber o que fazer antes que elas aconteçam e estar preparados para elas, e isto só se dará com uma administração eficaz do nosso tempo. Deus deseja que administremos este bem tão precioso para que o glorifiquemos através da responsabilidade. Como fazer isso? Como otimizar o tempo e transformar desperdício em investimento? É isso que veremos neste estudo. Tempo desperdiçado não volta jamais, e o tempo que gastamos tentando compensar o tempo perdido, é mais tempo sem o aproveitamento devido. A Bíblia nos ensina a remir o tempo, porque os dias são maus (Ef 5:16).


O que é o tempo?
Gálatas 6:10

Se tivéssemos o tempo de Deus, um dia para nós seria como mil anos, mas talvez nem assim saberíamos aproveitar todo esse tempo, porque acabaríamos encontrando tarefas que requereriam pelo menos dois mil anos. O Novo Testamento utiliza duas palavras gregas para se referir ao tempo: kairós e chrónos. O termo kairós significa um tempo oportuno (Ef 5:16; Gl 6:10; Cl 4:5; Hb 11:15), um ponto ou um período no tempo (Lc 21:36; At 14:17), tempo presente (Rm 3:26), tempo favorável (Mc 12:2; Lc 20:10), tempo fixo definido (Mt 13:30; Gl 6:9) e tempo de crise ou últimos tempos (Mt 8:29; 1 Co 7:29; Ef 1:10; Ap 1:3). O termo chrónos designa demora, prazo, tempo (Mt 25.19; Lc 8.27; Jo 7.33; At 1.7; 14.3, 28; 17.30; Rm 16.25; 1 Co 16.7; Gl 4.4; Hb 5.12; Ap 6.11). Existe uma sensível diferença entre o tempo humano e o tempo de Deus: para Deus não existe conceito de tempo, como também não existe espaço. O tempo é visto sempre a partir da uma perspectiva humana e limitada. O nosso passado, presente e futuro fazem parte de um hoje eterno de Deus, que nem hoje é. O que para nós ainda é futuro, para Deus aconteceu desde a eternidade. Quando a Bíblia faz menção ao tempo se referindo a Deus, é para que tenhamos uma visão mais ou menos clara da forma como Ele age no mundo. Como não somos Deus e estamos limitados a essa realidade temporal, sem poder controlar o hoje, apressar ou atrasar o amanhã, cabe-nos fazer o melhor com o tempo que temos em mãos, aproveitando-o como oportunidades de Deus para nós (2 Tm 4:2). De podemos estar certos de que oportunidades jamais faltarão se administrarmos bem o tempo que temos disponível (Gl 6:10). Nessa administração, descobriremos que não precisamos fazer tudo sozinhos nem ao mesmo tempo. Uma caminhada não se dá com saltos, como o Hulk, mas passo a passo. Um passo de cada vez.


Evite gasto indevido de tempo
Eclesiastes 3:18

A administração do nosso tempo requer sabedoria. Precisamos avaliar as escolhas que temos feito e quais são as nossas prioridades reais para eliminar o tempo gasto de maneira incorreta, com coisas que não contribuem para o nosso crescimento e para o nosso desempenho na obra do Senhor. Tempo eficaz é aquele que investimos naquilo que realmente tem importância e que nos dará um retorno seguro. Se as nossas tarefas não têm produzido um resultado satisfatório, se não têm contribuído para alcançarmos nossas metas dentro daquilo que é prioridade para a nossa vida pessoal, familiar, profissional e ministerial, elas precisam ser reavaliadas e até mudadas. A forma como administramos o nosso tempo, as coisas que elegemos como prioridades, é que mostra o nosso real valor, o nosso caráter; são essas coisas que deixam claro aquilo que realmente nos é importante. Quando usamos mal o nosso tempo, quando empregamos nossas preciosas horas naquilo que é infrutífero, não temos retorno de espécie alguma, pelo contrário, perdemos nós e o Reino de Deus. Um tempo gasto indevidamente é um tempo inútil, que não pode ser recuperado. Quantos cristãos perdem longas horas em frente à TV assistindo novelas, destruindo os seus neurônios, maculando a sua espiritualidade, absorvendo verdadeiro lixo cultural ao invés de investir no Reino de Deus! pais não têm tempo para os seus filhos, casais não investem tempo de qualidade na relação, pastores não empregam tempo no estudo da Palavra, jovens passam mais tempo em jogos na Internet do que se dedicando aos estudos e à sua vida na igreja. O problema real não é a falta de tempo ou o tempo curto, mas o mau uso que fazemos do tempo que temos disponível. Perder tempo pode significar a perda de uma oportunidade de fazer o bem, de buscar Deus com mais empenho, embora Ele jamais nos faltará. Otimizemos o nosso tempo!


Mantenha uma agenda flexível
1 Tessalonicenses 2:18

Nosso tempo precisa ser otimizado. Otimizar significa tornar ótimo ou ideal, extrair o melhor possível de algo (o tempo) ou alguém (nós). Não podemos ser escravos do relógio, mas é sempre bom manter uma agenda de atividades bem organizada, que nos ajude a fazer o que tem de ser feito no tempo certo. Esta agenda deve estar sempre aberta. A administração do nosso tempo precisa ser flexível. Existem muitos cristãos vivendo um ativismo desenfreado, escravos das suas atividades, da sua agenda, não abrindo mão do que já está programado. Todavia, a própria vida se encarrega de nos mostrar que existe tempo para tudo e que esse tempo é o tempo de Deus. Deus sempre encontrou um tempo para nós, sempre manteve a sua agenda flexível para nos atender em nossas necessidades. Deus não quer que sejamos irresponsáveis com relação ao nosso tempo e nossas obrigações, mas Ele espera que, acima de tudo, esteja o amor pelo próximo e o cuidado sempre constante com as suas necessidades. As pessoas não existem por nossa causa; nós, como servos de Cristo, despenseiros do Reino de Deus e ministros do Evangelho é que existimos por causa delas. Quando otimizamos o nosso tempo, permitimos que as tarefas sejam feitas da forma correta e no espaço de tempo devido, dando-nos oportunidade de investir nos imprevistos ou de ganhar tempo para aplicar em outras atividades importantes. Uma agenda flexível conterá algo que veremos mais adiante: as prioridades. Embora tudo caminhe dentro da direção soberana de Deus, do ponto de vista humano, Adão quebrou a agenda de Deus quando pecou, levando a uma reorganização em torno de uma nova realidade. Imaginemos se Deus fosse inflexível, se Ele não encontrasse tempo na sua agenda para providenciar-nos um Salvador. Da mesma forma, precisamos estar sempre abertos à reorganização da nossa vida.


Separe tempo para cuidar de si mesmo
Salmo 139:14

Somos santuários do Espírito e habitação de Deus (1 Co 3:16; 6:19; Ef 2:22). Logo, cuidar a nós mesmos é muito mais que uma questão de amor próprio, mas é amar ao Deus que habita em nós. A Palavra de Deus nos mostra algumas formas de valorizarmos o santuário de Deus e mantê-lo sempre agradável aos olhos do Senhor.  A falta de organização do nosso tempo toma muito de nós e não deixa espaço para uma vida de maior dedicação a Deus. Às vezes queremos fazer coisas demais em pouco tempo e acabamos deixando muitas prioridades de lado, como ler a Bíblia e orar. Administrar nosso tempo, além de incluir como prioridade a pessoa de Deus, precisa deixar espaço para nosso lazer, nossa família, para cuidarmos da nossa saúde. Deus não é insensível às nossas necessidades pessoais. O nosso Deus é um Deus que cuida de nós. Quando alguém chega à exaustão na obra do Senhor não é porque é um super-crente, mas porque é alguém que não sabe se cuidar, que não entende que o seu corpo é santuário do Espírito Santo, mas continua sendo de carne e osso e precisa de cuidados especiais. O ativismo nunca é saudável. Em Mateus 23:37 e Marcos 12:30 aprendemos que devemos amar a Deus de quatro maneiras: nossa força, e isso representa esforço físico para louvar, pregar a Palavra, servir, adorar; nosso coração, o que também significa que devemos usar nossas emoções no amor a Deus; nossa alma, isto é, com toda a nossa espiritualidade; nosso entendimento, o que podemos entender como mente e razão. Sendo assim, aquele que ama a Deus, que deseja amar ao próximo como a si mesmo, deve amar-se ao ponto de não descuidar da sua saúde física e espiritual. Quando negligenciamos um, normalmente estamos em falta com outro. Para isso precisamos administrar o nosso tempo corretamente, levando sempre em conta a glória de Deus.


Planeje!
Lucas 14:28,29

Não existe maneira mais simples de otimizar o tempo do que através do planejamento, embora nem sempre a vida corra na mesma direção da nossa agenda. Quando planejamos para Deus e sob a sua orientação, estamos certos de que Ele fará o melhor por nós.  o planejamento deve levar em conta as nossas atividades e o tempo precisaremos para realizá-las, de modo que tudo seja feito no prazo, dentro das nossas possibilidades. Muitas vezes nos envolvemos com coisas demais, querendo realizar muitas tarefas ao mesmo tempo, acabando não fazendo nada ou fazendo tudo pela metade, o que gera diversos problemas. Quando planejamos, impedimos que isso aconteça, eliminando muitos erros decorrentes da pressa e da falta de atenção e dedicação corretas. O adiamento de decisões e ações cada vez que surge uma surpresa ou a oportunidade de gastar tempo com mais alguma coisa, acumula tarefas, dispersa a nossa atenção, esgota-nos, estressa-nos. O planejamento leva em conta as situações inesperadas, antecipando-nos a elas, aceitando correr riscos necessários, programando um tempo para resolvê-los de forma proativa. Uma ótima forma de fazer isso é sempre planejar algo com tempo sobrando. Isto é, se calculamos que uma programação dure em torno de cinco horas, podemos nos programar para seis ou mais, levando em conta que pode ocorrer algum imprevisto. Outra forma de enfrentar o inesperado é a organização e a pontualidade. Imprevistos sempre ocorrerão, mas na hora de trabalhar em cima deles, não se pode perder o foco da missão nem abrir mão das prioridades. Ao empreender algo, esteja certo de ter o conhecimento, as ferramentas, a capacidade e os recursos humanos necessários para realizá-lo. Começar a construir um edifício sem saber se de fato será possível levar a obra até o fim, desperdiça tempo, talento e esforços. Planeje sempre!


Invista tempo no que gosta
Filipenses 2:12-16

Nosso tempo é mais bem aproveitado quando o investimos naquilo que realmente gostamos e nos dá prazer. Fazer a obra do Senhor deve ser mais que uma obrigação ou um mandamento bíblico, mas algo que nos motiva, impulsiona, dá forças para viver. Quando fazemos algo que não gostamos, o tempo não anda; quando nos envolvemos em algo que não nos dá prazer, não ligamos para a falta de tempo, não planejamos. Por isso, antes de empreendermos qualquer ação, seja na vida acadêmica, profissional ou eclesiástica, é interessante que procuremos conhecer quais são os nossos talentos, que são as nossas aptidões naturais, e quais são os nossos dons espirituais, isto é, a capacitação especial que Deus nos dá para trabalhar na sua obra. Muito tempo e esforços são mal empregados quando estamos no lugar errado e fazendo a coisa errada. Quem não tem talento para lidar com crianças, não renderá no ministério infantil da Igreja e terá muitos problemas até se convencer disso. Quem não tem o dom de presidir, poderá até se esforçar em dar o seu melhor, mas não fará diferença como aquele que tem o dom e deixará de estar sendo aproveitado em outra área. Tanto na nossa vida dentro como fora da Igreja (no sentido de templo), não é errado procurar fazer aquilo que gostamos, que nos sentimos bem em realizar. A visão de que devemos servir na obra do Senhor em qualquer posição, independente de gostarmos ou não, é equivocada. Ele é sábio e distribuiu os dons de maneira perfeita, de modo que cada um faça a sua parte e a faça com amor e prazer. Na vida profissional, escolher uma profissão só porque é bastante rentável ou por uma cobrança da família só nos levará à frustração. Em qualquer esfera da existência humana existe um lugar para cada pessoa e cada pessoa deve estar no seu lugar, fazendo o que ama e amando o que faz.


Organize-se contra o estresse
1 Reis 20:25

O tempo bem administrado reduz a nossa taxa de estresse. Imaginemos alguém que vive correndo, atrasado para tudo, que esquece seus compromissos, que se mete em várias atividades quase que ao mesmo tempo. O seu grau de nervosismo e de estresse será altíssimo, diferente daquele que mantém uma agenda de compromissos bem organizada e sabe que não é onipresente, isto é, não pode estar em vários lugares ao mesmo tempo. É mentira dizer que crente não se estressa, que não passa por momentos de pressão onde pode até perder a cabeça, fazer e falar besteiras. Uma vida sedentária, desorganizada, sem boa alimentação, sem devocional, ativista e sem sabedoria estressa qualquer cristão. Quem se organiza não se estressa. É necessário manter tudo por escrito, o que precisa ser feito, pensado, falado, comprado, todas as informações concernentes ao ministério, às reuniões, às decisões tomadas, ao planejamento, tudo precisa estar escrito para facilitar a consulta no momento apropriado. Quando mais mantemos esses relatórios, menos tempo gastamos tentando nos lembrar de algo. Muitos podem confiar em suas memórias, mas devemos levar em conta que ela pode falhar, e se tudo estiver anotado, será muito fácil consultar e relembrar. Mas não basta organizar o tempo, é preciso organizar o ambiente. Um ambiente limpo e organizado poupa-nos tempo. Como dissemos com relação às pessoas, também afirmamos com relação as coisas: um lugar para cada coisa, cada coisa no seu lugar. Eleger um local apropriado para deixar objetos guardados nos livra do estresse de ter de procurá-los quando precisamos deles. A chave guardada sempre no mesmo local não se perde. Quando precisarmos dela, saberemos onde encontrar, poupando-nos um tempo desnecessário de busca. Quando mais nos organizados, menos nos estressamos e melhor nos saímos.


Administre o possível
Salmo 90:12

Para administrar bem o nosso tempo precisamos, também, eliminar as barreiras que nos impedem de ganhar tempo. Nosso ambiente de trabalho precisa estar sempre organizado, com tudo aquilo que vamos precisar usar ao alcance das nossas mãos. Antes de cada atividade, é importante estarmos com uma lista nas mãos com tudo que precisaremos não perder tempo precioso correndo atrás de algo esquecido. Quando falamos em administração do tempo, das nossas atividades, devemos estar certos que estamos falando das coisas possíveis e prováveis. Não podemos administrar o impossível e o improvável, pelo menos não antes de eles acontecerem. Sempre que planejamos é necessário contar com esses dois fatores e utilizar de muita criatividade quando eles surgirem. Há alguns anos eu trabalhava com teatro na Igreja. O irmão que faria um dos personagens em uma peça de natal, simplesmente desistiu de apresentar e tive de substituí-lo, sem tempo para ensaiar. Neste dia eu estava na sonoplastia e precisei de me desdobrar para representar e voltar para a mesa de som. Ser filhos de Deus e ter o poder do Espírito Santo em nós não significa que não teremos limitações nem encontraremos obstáculos. A vida do apóstolo Paulo foi repleta desses momentos que fogem ao nosso planejamento e que nos cobram medidas emergenciais. Embora soubesse que sofreria pelo Evangelho, provavelmente ele não sabia por antecipação cada uma das vezes que sofreu nas mãos de salteadores, dos patrícios, nos naufrágios, etc. Quando cada evento surgiu, Paulo precisou lidar com eles. O que vemos em seus escritos sobre isso é uma total dependência do Espírito Santo, a certeza de estar fazendo a vontade de Deus e a vontade de chegar até o fim da sua carreira tendo guardado a sua fé. Administremos o possível pela fé no Deus do impossível, porque tudo é dele.


Adapte-se à realidade dos outros
Hebreus 13:16

Na administração do tempo existem regras que se aplicam a todas as pessoas, independente da atividade que elas realizam. Todavia, precisamos adaptar estas regras à realidade de cada um, mesmo que isto signifique mudar algumas. Cada uma tem o seu jeito de trabalhar, de se autoadministrar, de aproveitar o seu tempo, pois sua vida pessoal difere da dos outros. Em um mesmo ambiente (trabalho, lar, igreja) podemos ter pessoas que apenas trabalham e pessoas trabalham e estudam; podemos ter pessoas com bastante tempo livre e pais e mães com a agenda cheia, mas todos trabalhando juntos. Não podemos ser ditadores, acharmos que todos devem administrar o tempo de igual modo, mas precisamos estar sensíveis à individualidade de cada um e adaptar esta administração às suas realidades. Adaptar-se a realidade dos outros não significa dar liberdade para faltas e atrasos injustificáveis. É preciso conhecer bem a realidade de cada um, suas necessidades, para saber como cada pessoa administrará seu tempo para o bom andamento de algo realizado em equipe. Devemos estar atentos para saber quando teremos de substituir uma pessoa que não pode participar de algo porque seus compromissos pessoais a impediram. É bom estarmos sempre sensíveis a tudo. Não se pode querer obrigar as pessoas a acertarem seu relógio com o nosso, mesmo porque a sua realidade difere da nossa. Mas é preciso remir o tempo, aproveitar cada segundo precioso que temos. Nada pode ser forçado. Precisamos nos motivar e estimular as pessoas a otimizarem o seu tempo, dando exemplo, mostrando o que elas têm a ganhar com isso, deixando claro a importância de se administrar o tempo para a obra do Senhor, em todas as áreas da nossa vida e para sua glória. Somos família, corpo, equipe, time. Não somos uma ilha nem o exército de um homem só. Somos interdependentes.

  
Eleja prioridades
Lucas 10:38-42

A forma mais eficaz e importante, na administração do tempo é o estabelecimento de prioridades. Existem várias maneiras de classificar essas prioridades, mas daremos aqui preferência a uma projeção de prioridades baseada em: indispensável, necessária, possível e supérflua. Convém lembrar que cada pessoa têm as suas próprias prioridades, de modo que cada um deve buscá-las e encaixá-las nessas projeções. Eleger prioridades ajuda a eliminar a perda de tempo e mantém o foco da missão. Manter os problemas e as ações numa ordem de prioridades nos ajuda a realizar todas as nossas tarefas no tempo certo e da forma correta. O primeiro vem sempre em primeiro lugar. Quando adiamos um problema de importância máxima em função de algo novo que surge, criamos uma bola de neve que poderá nos soterrar de preocupações maiores no outro dia. Isto é: com os problemas de amanhã para resolver, ainda teremos o que não resolvemos hoje. Certamente os de amanhã passarão para o outro dia e assim por diante. Talvez não tenhamos tanto tempo e oportunidades para tais prorrogações. As nossas prioridades serão sempre uma questão de valores: amamos e priorizamos aquilo que para nós tem importância. Muitas atividades corriqueiras do nosso dia a dia são empurradas com a barriga ou jogadas para debaixo do tapete, ficando para ser feito apenas aquilo que julgamos essencial. Mas esse julgamento é baseado em quê? Nem sempre o que para nós é importante tem de fato alguma importância. E de forma contrária: nem tudo aquilo que consideramos como menos importante o é de fato. Precisamos de sabedoria para avaliar de forma isenta e não tendenciosa. Às vezes o prioritário é o que não nos agrada no momento e que, se postergado, poderá agradar ainda menos no futuro. Logo, é interessante realizá-lo o quanto antes e partir para o seguinte.


A cadeia de prioridades
1 Reis 8:23

Antes de elegermos aquilo que é prioritário para nós, precisamos entender que a nossa prioridade máxima é o Reino de Deus (Mt 6:33). Todo o restante do nosso planejamento de vida deve estar alicerçado sobre os valores eternos deste Reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). Vamos, então, classificar nossas prioridades: a) indispensável: é aquilo que precisamos realizar com urgência e que se for protelado, poderá trazer consequências desastrosas. Um exemplo é a salvação da nossa alma (2 Co 6:2); b) necessária: uma prioridade necessária é importante, mas não tão urgente e pode ser adiada, mas não por muito tempo, pois pode vir a se tornar indispensável e, por passarmos tanto tempo não dando muita atenção a ela, pode não haver mais como solucioná-la; c) possível: as atividades possíveis podem ser adiadas indefinidamente, sem grandes consequências; normalmente são coisas que precisamos realizar, mas que não requerem tanta urgência. Mas elas podem com o tempo assumir uma posição de necessário logo evoluir para indispensável. Na verdade, o que determinará o tempo que adiaremos ou não uma prioridade é a sabedoria, o cuidado de realizar tudo seguindo as instruções da vontade de Deus; d) supérflua: a prioridade supérflua é aquela que realmente não faz falta e pode ser adiada indefinidamente, pois não influencia em grande coisa em qualquer área da nossa vida. Precisamos estar atentos às nossas prioridades para saber administrá-las com sabedoria. Muitos pecam por inverter a lista de prioridades e dar atenção demasiada àquilo que não é tão importante, deixando o que realmente importa para depois. A nossa prioridade em tudo deve ser a vontade de Deus, e isso envolve priorizar uma vida de oração e estudo da Palavra. Se Deus é prioridade na nossa vida, todo o restante fluirá perfeitamente.


Relação custo-benefício
1 Coríntios 10:31

Após o término de cada atividade, precisamos avaliar nossas atitudes e a maneira como empregamos o tempo. Quais foram os resultados? Eles satisfazem o planejado? Eles corresponderam às expectativas daquilo que era prioridade? Senão, o que ocorreu de errado e precisa ser mudado, transformado, aprimorado? Qual tem sido o nosso desempenho?  Que comportamentos precisam ser modificados para a melhora do nosso desempenho, o aumento da nossa produtividade e o alcance dos resultados esperados? Identificar os obstáculos interiores e exteriores é indispensável para a otimização do tempo e a realização de tarefas. O caminho de Deus é perfeito e a sua obra é santa, mas os caminhos do homem são maus e nem sempre o mundo acolherá as nossas ações. Muitos são os fatores que podem influenciar negativamente o nosso tempo, afastando-nos das nossas prioridades e precisamos identificá-los. O tempo gasto com burocracia, com discussões inúteis, com coisas supérfluas precisa ser otimizado. Segundo Mancini, citando Winston (2007. P. 29), a relação custo-benefício é essencial quando determinamos prioridades. Daí surge a pergunta: “O que eu ganho com isso?”. O uso do nosso tempo é, portanto, avaliado em termo de valor e retorno. Devemos nos perguntar que benefício existe por trás de cada investimento de tempo que fazemos, tanto para nós quanto para as pessoas ao nosso redor. Pode ser que não valha a pena o tempo investido em certas atividades. Como crentes, precisamos nos indagar sobre o custo/benefício o quanto uma atividade redundará em glória a Deus. Não é difícil avaliar o benefício de cada uma dessas ações. Elas podem ter um investimento alto de tempo, paciência, dinheiro, perseverança, lágrimas, esforço, mas os seus benefícios são muito maiores, e são eternos.


Tenha objetivos claros
Romanos 1:11

Ter objetivos claros e específicos contribui bastante para a boa administração do tempo. Quando desejamos realizar algo, precisamos estar certos do que queremos realizar antes de começar, caso contrário, ficaremos perdidos no meio do caminho e teremos de gastar tempo para acertar o rumo. Com metas e objetivos bem claros e audaciosos, todos os nossos esforços estarão empregados em sua implementação, sabendo já a direção certa a seguir. Algo que sempre toma muito tempo de nós são as distrações, aquelas coisas que encontramos tempo para fazer e que fogem completamente ao nosso objetivo, ao nosso planejamento inicial. É necessário fazer um uso eficiente do tempo, aplicá-lo da melhor maneira possível, sem desperdiçar qualquer precioso segundo. O tempo não retrocede, não paralisa, simplesmente avança implacável. O que perdemos hoje, não podemos recuperar depois, pois depois será um novo tempo, com uma nova realidade, talvez mais complicada. Quando deixamos algo para amanhã, ele se somará àquilo que deve ser feito amanhã, transformando-se em uma bola de neve. O apóstolo Paulo era alguém que podia nos aconselhar a respeito do uso do nosso tempo, porque ele soube aproveitar todas as oportunidades que surgiram, vivendo sempre em total dependência da direção do Espírito Santo, traçando metas sobre onde queria ir e o que desejava realizar (1 Co 4:19-21). Nem sempre alcançamos os nossos objetivos porque não traçamos metas específicas nem planejamos o percurso da ação. Se investirmos tempo em traçar metas específicas, não gastaremos tempo mais adiante tentando refazer o caminho, o que significa, muitas vezes, voltar ao ponto inicial e começar tudo de novo. Tendo a meta em vista, devemos nos ater a ela e a tudo aquilo que lhe for beneficiar, lembrando sempre que o que conta de verdade é a vontade de Deus para nós.


Delegue tarefas
Êxodo 18:13-27

Uma forma de saber administrar o tempo é não concentrar uma grande quantidade de tarefas em nossas mãos. É preciso delegar. Quando muitas pessoas estão envolvidas, cada uma em uma tarefa específica, há tempo para todas realizarem as suas obrigações dentro do prazo determinado. Quando uma pessoa se vê obrigada a cumprir várias atividades, ela não o faz com eficiência e sempre fica algo a desejar. Se alguém descobre que não é capaz de realizar tal tarefa ou que precisa de alguém que o ajude, os ajustes devem ser feitos para que não se perca tempo. Muitos pastores e outros líderes na Igreja pecam por concentrarem tudo em si, ficando sobrecarregados, quando poderiam delegar tarefas a outras pessoas capacitadas a realizá-las. Vemos dois exemplos na Bíblia de como é importante contar com os outros. O primeiro é o do sogro de Moisés, que percebe o quanto ele estava sobrecarregado na tarefa de atender às demandas que o povo lhe trazia. Além do tempo gasto sem sabedoria, isso também sobrecarregava o povo. Seguindo o conselho de Jetro, Moisés delegou a outras pessoas uma tarefa que ele tentava resolver sozinho, sem qualidade (Êx 18:13-27). O segundo exemplo é o da Igreja primitiva. Como aumentava o número de conversões, fez-se necessário escolher alguns irmãos para servirem às mesas e, assim, permitir aos apóstolos que se dedicassem a outras atividades (At 6:1-6). Se os apóstolos tivessem concentrado todo o poder em suas mãos, haveria uma 21grande perda de tempo e pessoas teriam sido prejudicadas. Seja liderando um ministério na Igreja, seja no ambiente profissional ou familiar, é importante que deleguemos tarefas, que não façamos nada sozinhos, mas procuremos contar com pessoas capazes para nos ajudar. Dessa forma, o tempo será mais bem aproveitado e muito mais tarefas serão realizadas e com mais qualidade.


Troque a pressa pela agilidade
Provérbios 21:5

Diz o adágio popular que a pressa é inimiga da perfeição. Estar apressado pode significar certa negligência e falta de planejamento e organização. Deus não é Deus de pressa, Ele não faz as coisas de qualquer jeito, mas tudo de um modo planejado e ordeiro, de maneira que todas as coisas aconteçam no seu devido tempo. Quando lemos na Bíblia sobre pressa, não encontramos aquela pressa irresponsável de quem deveria ter realizado uma tarefa num espaço de tempo estabelecido, acomodou-se e agora precisa correr. Na Bíblia, pressa tem a ver com ímpeto para fazer a vontade de Deus rapidamente (Êxodo 12:11), fugir estrategicamente (2 Samuel 15:14), pressa do Senhor em nos salvar (Salmo 70:1). Provérbios 21:5 afirma que “os planos do diligente tendem à abundância, mas a pressa excessiva, à pobreza”. Logo, o que precisamos para uma administração eficaz do nosso tempo é ter agilidade, planejar estrategicamente para fugir das armadilhas do imprevisto. Precisamos ser proativos, com rápido raciocínio, adaptando-nos às mudanças, aos meios e às situações, reagindo rapidamente ao inusitado. Quando deixamos de planejar, tornamo-nos presas fáceis das adversidades. Nosso tempo precisa ser otimizado, planejado de maneira a abrir a possibilidade de administrar bem os imprevistos, por piores que eles sejam. Para isso é preciso manter o equilíbrio, conhecer a nós mesmos profundamente, saber que somos falhos e que podemos nos apertar a qualquer momento, prevenindo-nos. Conhecer o meio em que vivemos e atuamos e compreender que ele pode trazer imprevistos e reconhecê-los imprevistos antes que aconteçam, também é de grande valia. Além disso, delegar atividades, colocar pessoas responsáveis por cada área, por cada situação ajuda-nos há amenizar um pouco os imprevistos e até mesmo evitá-los.


AUTOR:


Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

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