quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

OS DESIGREJADOS



TRECHO DO LIVRO “IDE E PREGAI: CURSO DE FORMAÇÃO DE EVANGELISTAS”, DE MIZAEL DE SOUZA XAVIER.


Existe um movimento que tem surgido no meio cristão denominado “os desigrejados” ou “os sem-igreja”. São pessoas que rejeitam o modelo atual de igreja, com seus templos, líderes, placas, sistemas de governo, convenções, estatutos e regras. Esses indivíduos querem seguir a Cristo, mas sem depender da igreja institucional. Eles geralmente se reúnem nas casas e se posicionam contra as igrejas convencionais. Pressupõe-se que nas reuniões desses grupos não existam líderes nem regras; que não há um espaço físico (troca-se o templo pela casa) nem obrigações a serem cumpridas pelos seus adeptos, o que com certeza não é verdade. O que queremos debater aqui ao falar a respeito dos desigrejados, é algumas das razões que levam muitas pessoas a saírem da Igreja, a abandonarem as suas congregações e enveredarem por esse tipo de caminho. Alguns estão decepcionados com igrejas neopentecostais, que lhes prometeram bênçãos que acabaram não recebendo. Outros saíram de suas igrejas porque, como vimos no ponto “d”, deixaram-se influenciar negativamente pelo mau testemunho dos outros e não foram maduros o suficiente para se manterem firmes na fé. Alguns migram de igreja em igreja na busca por um lugar perfeito, onde não haja pecado de espécie alguma, o que subtende-se que tais indivíduos sejam pessoas incapazes de pecar ou se sintam espirituais e perfeitas demais para conviverem com aqueles que julgam inferiores.
            A tarefa do evangelista, neste caso, é mostrar aos desigrejados e àqueles que vivem a migrar entre igrejas que não existe uma igreja perfeita aqui na terra, mas que em todas haverá pecadores e os problemas consequentes desta realidade. Se a igreja primitiva é proposta como modelo para o cristianismo atual, é preciso estudar a Bíblia e ver que ela nunca foi uma igreja perfeita, muito pelo contrário. Todos os problemas que hoje condenamos nas diversas denominações espalhadas pelo mundo, existiam nas igrejas fundadas pelos próprios apóstolos. Vejamos alguns exemplos:

·         Igreja de Corinto: era uma igreja que, assim como nos dias de hoje, possuía “grupinhos” (1 Co 1.12), tinha muitos crentes invejosos e também contendas (1 Co 3.3), além de brigas entre irmãos na justiça secular (1 Co 6), e fornicação (1 Co 5). A Igreja de Corinto possuía muitos dons espirituais, mas mesmo assim era reputada por Paulo como uma igreja carnal (1 Co 3:1), onde parecia não haver a presença do amor.
·         Igreja de Éfeso: apesar de ter sido alicerçada sobre a Palavra, era uma igreja que demonstrava pouco amor (Ap 2:4). Após a saída do apóstolo Paulo, aquela igreja experimentaria a presença de lobos vorazes e falsos mestres (At 20:29,30).
·         Igreja de Tessalônica: alguns crentes desta igreja andavam desordenadamente e não gostavam de trabalhar (2 Ts 3:11).
·         Igreja de Filipos: na igreja de Filipos havia desentendimento entre os irmãos. Duas irmãs, inclusive, não tinham pensamentos tão divergentes que foram citadas na carta escrita por Paulo (Evódia e Sínteque, Fp 4:2).
·         Igreja de Colossos: esta igreja enfrentava um terrível problema de heresias. Alguns estavam querendo colocar em dúvida a divindade de Cristo. Além disso, nela havia até mesmo culto aos anjos praticado por pessoas de mente carnal (Cl 2:18). Nesta igreja havia, inclusive, visões trazidas por pessoas que não eram crentes, porque não tinha Cristo como sua cabeça (v. 19).
·         Igreja da Galácia: além de estarem decaindo da graça e dando atenção aos hereges judaizantes, naquela igreja havia crentes que estavam devorando uns aos outros (Gl 5:2-4,15).
·         Igreja de Tiatira: esta igreja tolerava uma mulher que se dizia profetiza, mas que ensinava os irmãos a se prostituírem e a comer sacrifícios de idolatria (Ap 2:20).
·         Igreja de Laodicéia: ela era uma igreja que enfrentava dois problemas espirituais: era uma igreja morna que causava náuseas em Deus; e também uma igreja que se achava autossuficiente. O Senhor afirma que ela era infeliz, miserável, pobre, cega e nua (Ap 3:15-17).
·         Igreja de Pérgamo: a igreja de Pérgamo tinha sérios problemas doutrinários, permitindo que no meio dela se ensinasse a doutrina da Balaão e dos nicolaítas (Ap 2:14,15).
·         Igreja de Jerusalém: esta igreja sede deveria ter tudo para ser perfeita, pois contava com a presença dos apóstolos. Todavia, foi um deles – Pedro – que demonstrou preconceito contra os crentes gentios e agiu de maneira dissimulada, temendo os crentes judeus (Gl 2:12,13). Além disso, já havia ocorrido murmuração entre seus membros (At 6:1) e crentes que mentiam descaradamente (At 5:1-11).


Não vemos os apóstolos abandonando essas igrejas, mas os encontramos amando os irmãos, orando por eles e com eles, aconselhando, exortando, admoestando (Tg 1:22; 1 Ts 5:14-22; 1 Jo 1:9; Ef 4:1-3; Cl 3:17; 1 Co 6:18-20; 15:33; 2 Co 13:11; Fp 2:1-4;  1 Tm 5:21; 1 Ts 4:1,2; 2 Ts 3:11-13; Hb 13:22). O que precisa estar claro para o evangelista e ele deve passar para os crentes adeptos dessa nova teologia, dessa forma equivocada de pensar e viver a Igreja, é que o corpo de Cristo na terra é composto de pessoas que erram, de pecadores redimidos, mas que são imperfeitos, sendo santificados e aperfeiçoados diariamente em Cristo, pelo Espírito Santo. Os crentes amadurecem todos os dias no convívio com as suas próprias imperfeições e as imperfeições dos seus irmãos, amando-se uns aos outros, exortando-se e aconselhando-se mutuamente (1 Ts 5:10,11). Se não suportarmos as debilidades dos fracos, como poderemos fortalecê-los que a nossa fé que julgamos madura? O conselho do apóstolo Paulo aos desigrejados é: “Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para a edificação. Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim” (Rm 15:1-3). A Igreja perfeita será aquela que estará na glória com o Senhor, sem pecado algum (Ef 2:27) e que consta de todos os que possuem os seus nomes escritos no Livro da Vida e fazem parte da grande Assembleia universal de Deus nos céus (Hb 12:23).



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O JUÍZO FINAL: VOCÊ ESTÁ PREPARADO?



“E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9:27).

Não importa a nossa crença, a nossa divindade ou o fato de de repente nem crermos em Deus. Um dia todos nós estaremos diante de Deus para sermos julgados por Ele, como lemos em Apocalipse 20:12:

“E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.”  

Quero lhe fazer uma pergunta importante: Se você morresse agora ou se Jesus voltasse hoje, você estaria pronto para ser julgado por Deus?

A Palavra de Deus nos diz que todos somos pecadores e que o salário do pecado é a morte, segundo escreve o apóstolo Paulo em Romanos 3:12,23:

“Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só... Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.”

Você conhece os 10 mandamentos? Quantas vezes você já mentiu? Já falou alguma vez o nome de Deus em vão? Já respondeu mal ou desobedeceu aos seus pais? Já cobiçou alguma coisa do seu próximo ou desejou-lhe algum mal?

Não há como negar: todos somos pecadores. Quem disser que não tem pecado, mente para si mesmo e chama Deus de mentiroso, conforme escreveu o apóstolo João em 1 Jo 1:8-10:

“Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” 

Nós não somente somos pecadores, como também estamos espiritualmente mortos. Todos aqueles que nascem, nascem com uma vida física, mas espiritualmente morta para Deus. Em Rm 5:12, Paulo afirma:

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.”

Se estamos assim mortos, de a nossa natureza é de todo depravada, precisamos de vida, e esta vida não temos para dar a nós mesmos, como podemos ler em Efésios 2:1:

“Ele vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados.”

Seja sincero consigo mesmo e responda: se você comparecesse hoje diante de Deus com todos os seus pecados, Ele iria te considerar culpado ou inocente? Ele te mandaria para o céu ou para o inferno?

O inferno é um lugar terrível de sofrimento eterno, para onde irão o diabo e seus anjos após o juízo final e todos aqueles que não creram em Jesus. Não existe na Bíblia um lugar transitório como o purgatório, onde a alma ainda supostamente teria uma nova chance. Após a morte, segue-se o juízo. Leiamos Apocalipse 21:7,8:

“Aquele que vencer herdará estas coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte.”

Deus é misericordioso e amoroso; mas também Oe justo juiz. Não é da sua vontade que alguém se perca, que vá para o inferno, mas que pela fé em Jesus Cristo alcance a salvação para a sua alma perdida, como escreveu o apóstolo Pedro em 2 Pedro 3:9:

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.”

Deus providenciou um meio para te livrar do inferno e te levar para o céu. Mas você não pode ir para o céu com seus pecados.

Pecados são como crimes que cometemos contra Deus e que precisam ser punidos. Jesus morreu na cruz para pagar pelos seus pecados e tornar você uma pessoa justa e aceitável diante de Deus. Em João 3:16,17, o próprio Senhor Jesus declarou:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”

O sacrifício de Cristo não somente perdoa e apaga os nossos pecados, como também aplaca a ira de Deus e traz a paz entre Ele e nós. Por meio de Cristo nos tornamos filhos de Deus, o que significa que antes não éramos seus filhos. O apóstolo João escreveu no seu Evangelho (Jo 1:11-13):

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.”  

Se o salário do pecado é a morte, o dom gratuito de Deus é a vida eterna! Se você morrer com Cristo, não entrará em juízo, mas já comparecerá diante dele de posse da sua salvação e herdará a vida eterna ao seu lado. Veja o que o apóstolo Paulo afirma em Romanos 6:23:

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.”

Existe uma porta de salvação, um caminho para o céu! Ao morrer na cruz, o Senhor Jesus proveu a salvação para os que creem. O que é preciso fazer para ser salvo? Apenas crer em Cristo, arrepender-se dos seus pecados e converter-se a Ele, uma obra que o Espírito Santo opera na vida do perdido. Paulo declara em Romanos 10:9:

“Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.”

Você pode estar pensando que é uma boa pessoa, que nunca usou drogas nem cometeu crimes e que por isso pode ser que Deus o aceite em sua glória. Todavia, a salvação não é pelas obras, mas somente pela fé, conforme lemos em Efésios 2:8,9:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.”

 Ninguém é bom que possa merecer o céu, por isso somente por meio de Cristo podemos ser salvos. Ele pagou o preço pelos nossos pecados na cruz para nos dar uma salvação que de outro modo nos seria impossível alcançar. A nossa autojustiça diante de Deus é como coisa imunda. Deus falou por intermédio do profeta Isaías, em Isaías 64:6,7:

“Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como o vento, nos arrebatam. E não há quem invoque o teu nome, que desperte, e te detenha; pois escondeste de nós o teu rosto e nos consumiste, por causa das nossas iniqüidades.”

A respeito da situação espiritual dos crentes antes de Cristo os converter, o apóstolo Paulo escreve na sua carta a Tito, 3:3:

“Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja odiosos e odiando-nos uns aos outros.”

A volta de Jesus e o julgamento final estão próximos, conforme o próprio Senhor Jesus pregava. Leiamos Mateus 4:17:

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei- vos, porque é chegado o reino dos céus.

Não ajunte tesouros neste mundo sem se importar com o Reino de Deus e o destino final da sua alma. Aquilo que para nós representa vida e felicidade, na verdade está nos afastando cada vez mais de Deus e nos levando a um destino eterno trágico, longe da sua gloriosa presença. O Senhor Jesus nos adverte em Marcos 6:34-38:

“E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que diria o homem em troca da sua vida? Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também dele se envergonhará o Filho do homem quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.”

Não perca seu tempo esperando o tempo certo, porque o momento é agora, o dia da sua salvação é hoje! Muitos adiam esta decisão, esperam estar no leito de morte, como se fosse possível prever este momento. Se você espera o tempo certo, veja o que Paulo escreveu em 2 Coríntios 6:2:

“porque diz: No tempo aceitável te escutei e no dia da salvação te socorri; eis aqui agora o tempo aceitável, eis agora o dia da salvação.”

É tempo de se arrepender, de desistir de si mesmo para buscar ao Senhor que pode te salvar e te dar vida em abundância, uma vida que não termina aqui nem está presa aos prazeres deste mundo, mas uma vida eterna nos céus. Hoje o Senhor te diz:

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3:19).

Se o Espírito Santo falou ao seu coração e abriu a sua mente para crer nestas verdades; se você se sente compelido a aceitar a Jesus como seu único e suficiente Salvador, faça uma oração entregando a Ele a sua vida. Uma oração simples de arrependimento e aceitação de Cristo já é o suficiente. Depois, procure pessoas crentes que você conheça e compartilhe a sua decisão. Escolha uma igreja séria, que pregue o Evangelho da cruz para se congregar. Evite aquelas que pregam apenas prosperidade financeira. Faça parte desta linda família divina, que é a Igreja.

Deus o abençoe ricamente em Cristo Jesus.

Mizael de Souza Xavier

27 de setembro de 2017



A AÇÃO SOBERANA DE DEUS NA SALVAÇÃO DO PECADOR



É Deus quem soberanamente nos escolhe/elege segundo a predestinação (Dt 10:15; Sl 33:12; 65:4; 135:4; Mt 11:27; 22:14; 24:22,31; Lc 18:7; Jo 15:16; 17:24; At 13:48; Rm 8:28-33; cap. 9; 10:20; 11:5,6; Ef 1:3-14; 2:10; Cl 3:12; 1 Ts 5:9; 2 Ts 2:13; 2 Tm 1:9,10; 2:10; Tt 1:1,2; Tg 2:5; 1 Pe 1:1,2; 2:8,9; Ap 17:8,14; 1 Co 1:27-29; Fp 2:13).

É Deus quem chama (Rm 8:28-33; cap. 9; 2 Tm 1:9; 1 Pe 2:9; 5:10; Jo 6:37,44,65; 2 Ts 2:13,14).

É Deus quem regenera (Jo 1:12,13; 3:3-8; 2 Co 3:18; 5:17; Cl 3:10; Ef 2:1-5; 4:24; Tt 3:3-7; 1 Jo 3:9; Tg 1:18; Ez 36:26).

É Deus quem nos dá a fé necessária à salvação (Ef 1:9; 2:8,9; 1 Jo 5:1; Tt 1:1; At 15:11; Rm 10:14,17; Fp 1:29; Cl 2:12; 1 Pe 1:21).

É Deus quem convence o perdido do seu pecado e produz no seu coração o arrependimento (Jo 16:8; At 16:14; Rm 5:5; 1 Co 14:24; Jd 1:15).

É Deus quem converte o pecador (At 26:18; 2 Cr 7:14; At 2:38; 3:19; Mt 4:17; Tt 1:21; Cl 2:12).

É Deus quem nos perdoa (Sl 86:5; Is 1:18; 55:7; Mt 9:2; Lc 11:4; At 10:43; 13:38,39; 1 Jo 1:7-9; Ef 1:7; 4:32; Cl 1:13,14; At 13:38).

É Deus quem nos justifica (Rm 1:7; 3:22-30; 4:5,24,25; 5:1,9,10,17,18; 9:30; 10:10; 1 Co 6:9-11; 2 Co 14:21; Tt 3:3-7; 1 Jo 2:29; 1 Pe 2:24; 3:18; At 13:39; Hb 10:38,39; Gl 2:16; 3:11-14,25; Fp 3:9; Tg 2:23-26).

É Deus quem nos resgata (Mt 20:28; Cl 1:13,14; 1 Tm 2:16; Mt 20:28; Gl 1:4; 4:1-5; Tt 2:14; 1 Pe 1:18,19; Jo 3:18,19,36)

É Deus quem nos reconcilia consigo mesmo (Rm 5:10,11; Cl 1:20-22; 2 Co 5:18-21; Ef 2:13-17; Cl 1:20; Hb 2:17).

É Deus quem nos salva (Mt 1:21; Jo 3:15-18,36; 5:24; 6:29,35,40; 11:25,26; Tt 2:14; 3:1-5; Ef 1:7; Hb 9:12; 1 Jo 4:10; 5:10-12; Ap 1:5; Rm 3:24; 5:6; 10:9,10; Mc 16:16; At 2:38; 16:31; 1 Pe 3:21; Cl 1:13,14; Ef 2:8,9).

É Deus quem nos dá a vida (Jo 5:24; 6:51-57; 11:25,26; 20:31; Ef 2:1-6; Rm 5:17; 6:23; 8:1,2; 2 Co 5:14,15; 1 Jo 4:9,10; 5:11,12).

É Deus quem adota o convertido como seu filho (Rm 8:14-23; 9:4,26; Jo 1:12; 8:44; 1 Jo 3:1,2,10; 4:3-6; Gl 3:26; 4:4-6; Ef 1:5).

É Deus quem santifica (Ef 3:17; Fp 2:15,16; Cl 1:22; 3:5; 1 Ts 4:7; 5:23; Tt 2:14; 1 Pe 5:10; 1 Jo 3:9; 4:7; 5:1; Rm 1:7).

É Deus quem faz perseverar (Fp 1:6; 1 Co 1:8; Fp 1:10; 2:13,16; 1 Jo 2:1,2; 5:18; 1 Pe 1:5; Ap 14:12; Lc 21:19; Rm 15:5; Tt 1:4).


É Deus quem glorifica o crente (Rm 8:17,18,22,23,29,30; 1 Co 15:41-55; 2 Co 4:17; 5:1-4; 1 Pe 5:1; 1 Ts 4:13-18; Fp 3:21; 1 Jo 3:2).

Mizael de Souza Xavier
Setembro, 2017



sexta-feira, 7 de julho de 2017

FALSOS PROFETAS NA IGREJA




1. VERDADES BÍBLICAS A RESPEITO DA PROFECIA


1. O ministério profético só existe no Antigo Testamento e se encerra com Malaquias. A função dos profetas era anunciar ao povo a vontade de Deus, suas profecias, seus decretos e seus juízos. Eles também profetizaram a respeito do Messias, como Isaías (Êx 7:2)

2. O profeta era enviado por Deus. Era Deus quem escolhia e comissionava os profetas para uma missão específica. Os profetas que não eram levantados por Deus eram tidos como falsos.

3. A mensagem profética era exclusivamente aquilo que Deus mandava o profeta falar. Ele não profetizava de acordo com seu entendimento e vontade, mas seguindo a orientação de Deus.

4. O profeta não tinha poder algum que não fosse dado por Deus. Ele não agia segundo sua capacidade, mas de acordo com a autoridade e o poder que Deus lhe dava para realizar determinada obra.

5. O profeta não era um adivinho. Os fatos por ele profetizados vinham na parte de Deus. Ele não previa o futuro, mas comunicava o que o Senhor disse que faria. Ele não determinava bênçãos sobre o povo ou mesmo maldições que não tivessem sido enviadas por Deus.

6. No Novo Testamento não existe o ministério profético na forma como havia no Antigo. Deus cessou de falar por meio dos profetas e passou a falar por meio do seu Filho, Jesus Cristo (Hb 1:1). Jesus é a revelação de Deus, a Palavra de Deus para nós, o cumprimento das profecias do Antigo Testamento.

7. O que temos na Nova Aliança é o dom de profecia, que nada mais é que uma capacidade especial dada por Deus para a proclamação da sua verdade revelada na Bíblia. O profeta hoje é usado por Deus para pregar o Evangelho e defender a sã doutrina. Quando o profeta fala da parte de Deus, edifica a Igreja por meio da exposição da verdade bíblica.

8. Somente quem tem o dom de profecia pode se considerar um profeta. Nenhum crente está autorizado a profetizar se não tiver o dom. Quem se declara profeta e não tem o dom de profecia é um falso profeta, é mentiroso.

9. A profecia não está ligada a novas revelações. A revelação termina com o livro do Apocalipse. O profeta do Senhor fala exclusivamente o que está escrito na Bíblia. Qualquer declaração que se diga profética, mas que não possua respaldo bíblico, é mentirosa e demoníaca.

10. Profetizar não é fazer adivinhações e predições sobre o futuro. O dom de profecia não é "dom de Nostradamus". O profeta também não pode profetizar contra os decretos de Deus, que são imutáveis.

11. Não existe em parte nenhuma na Bíblia a ideia clássica evangélica de "poetizar bênçãos" na vida do irmão. As nossas palavras não tem poder algum. Isso é a lei da atração, uma teoria mundana presente também na Teologia da Prosperidade.

12. Ninguém pode declarar na Igreja ou nas redes sociais qualquer mensagem iniciando com declarações como: "Assim diz o Senhor", " Deus manda lhe dizer". Mesmo que uma mensagem contenha fundo bíblico em seu conteúdo, ninguém pode escrever no final "Assinado: Deus", pois supõe uma mensagem recebida de Deus, o que é claramente mentira. Deus só assina aquilo que está escrito na Bíblia.


13. Atualmente existem apenas dois tipos de profetas: aqueles que têm o dom de profecia e os falsos profetas. Se você se diz profeta e não tem o dom, mas vive profetizando bênçãos, curas, vitórias e milagres na vida das pessoas, então você é um falso profeta ou no mínimo um crente sem conhecimento algum da Bíblia.


2. O PROBLEMA DOS FALSOS PROFETAS NA IGREJA

a) OS FALSOS PROFETAS SÃO UMA REALIDADE

Mateus 7:15,16

Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Pelos frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.

Mateus 24:24

Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.

2 João 2:1-3

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.

b) A FALTA DE UMA IDENTIDADE COM CRISTO LEVA AS PESSOAS A PROCURAREM OS FALSOS MESTRES E OS FALSOS PROFETAS POR INTERESSES MESQUINHOS

1 Timóteo 4:1-5

Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.

c) AQUELES QUE PREFEREM OUVIR OS FALSOS PROFETAS E DESPREZAM O ESTUDO DA BÍBLIA NÃO SÃO DE DEUS

João 8:47

Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus.

João 10:26

Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.


d) OS ESPÍRITOS PRECISAM SER PROVADOS. TODOS OS PROFETAS PRECISAM SER AVALIADOS. O QUE NÃO VEM DE DEUS É DO DIABO. A IGREJA PRECISA REJEITAR OS FALSOS PROFETAS, OS FALSOS MESTRES E SEUS ENSINOS

João 4:1-6

Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo. Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

2 Coríntios 11:1-4

Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me, pois. Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais.


e) NENHUMA PROFECIA EXISTE FORA DA BÍBLIA. TUDO O QUE ULTRAPASSA O QUE ESTÁ NELA ESCRITO VEM DO DIABO. NÃO EXISTEM NOVAS REVELAÇÕES

2 João 9

Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz essa doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhes dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más.

Gálatas 1:6-9

Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.

f) AS PESSOAS ESTÃO MORTAS ESPIRITUALMENTE NAS IGREJAS PORQUE LHES FALTA CONHECIMENTO

Oséias 4:6

O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.

g) PRECISAMOS NOS GUARDAR DOS FALSOS PROFETAS E AJUDAR AQUELES QUE ESTÃO FRACOS NA FÉ

Judas 17-23

Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: No último tempo, haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias paixões. São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito. Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. E compadecei-vos de alguns que estão na dúvida; salvai-os, arrebatando-os do fogo; quanto a outros, sede também compassivos em temor, detestando até a roupa contaminada pela carne.

h) OS FALSOS PROFETAS E FALSOS MESTRES DEVEM SER CONFRONTADOS COM A PALAVRA DE DEUS E COMBATIDOS

Judas 3,4

Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.

Atos 17:11

Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim. Com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens.


Mizael de Souza Xavier



sexta-feira, 30 de junho de 2017

A ARMADURA DE DEUS



Como vimos, temos um inimigo feroz que deseja nos tragar. Embora não seja possível ao diabo fazer a nossa alma se perder, uma vez que já estamos selados por Cristo para a salvação, ele pode nos levar a desanimar e pecar quando nos tenta em nossas fraquezas e nos afasta da intimidade com Deus. O que fortalece o caráter do crente e o mantém de pé e longe do pecado é o seu compromisso com Cristo, o seu cuidado na oração, bem como na leitura e na prática da Palavra. Essa, porém, não é uma batalha na qual o crente luta só, onde emprega seus esforços pessoais. Se a nossa luta é espiritual, as nossas armas também são espirituais. O apóstolo Paulo registrou: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (1 Co 10:3-5). Seja na nossa luta interna contra o pecado ou no confronto direto com as hostes malignas, o poder que nos move e nos faz vencer não é nosso, mas vem de Deus e tem como objetivo levar todo pensamento à obediência de Cristo.

a) Enfrentando o dia mau. O evangelista deve esperar esse constante confronto, seja interno ou externo, devendo estar preparado com toda a armadura de Deus para que possa resistir no dia mau (Ef 6:13). Todos os dias nós enfrentamos esse “dia mau”. O próprio apóstolo Paulo enfrentava dias como esse; “Porque chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro” (2 Co 7:5). Em Hebreus 11, vemos que os dias maus fazem parte do cotidiano de todos os servos de Deus: lutas, tribulações, perseguições, tentações, desemprego, separações e tudo aquilo que pode nos fazer fraquejar da fé. Todavia, o mesmo Paulo era consolado pelo “Deus que conforta os abatidos” (2 Co 7:6). Em tudo era atribulado (2 Co 4:8-11), mas não desanimava, pois sabia o propósito de todo o seu sofrimento e entendia que era passageiro (vs. 12-18). Ele, então, apresenta aos efésios as armas espirituais da nossa milícia, capazes de nos dar a vitória e nos manter inabaláveis (Ef 4:14-18), como veremos a seguir.

b) O cinturão da verdade (v. 14). O apóstolo Paulo toma como figura da armadura espiritual do cristão a armadura utilizada pelos soldados romanos na sua época.  O cinturão era uma peça de couro que prendia as extremidades da túnica do soldado para não atrapalhar a agilidade dos seus movimentos. A falta da verdade é algo que pode atrapalhar bastante a nossa vida espiritual. Em primeiro lugar, é preciso que estejamos cingidos com a verdade do Evangelho de Cristo, não pregando nem vivendo outra mensagem que não seja a da cruz. A verdade é a essência da Palavra de Deus (Sl 119:160), e é ela que deve guiar o evangelista (Sl 25:5). Em segundo lugar, devemos viver essa verdade, não tendo do que nos envergonhar diante de Deus nem dando lugar ao maligno. Quem não anda na verdade, pratica a mentira, comete pecados e dá lugar ao inimigo. Fomos gerados pela palavra da verdade (Tg 1:18), logo, devemos seguir a verdade em amor para que cresçamos em Cristo (Ef 4:15). O crente precisa ser honesto, íntegro, sincero, verdadeiro. A mentira é filha do diabo (Jo 8:44).

c) A couraça da justiça (v. 14). A couraça do soldado romano era uma peça de metal que protegia o seu peito e as suas costas, assumindo, aqui, dois significados. O primeiro diz respeito à certeza da justificação em Cristo por meio da fé (Rm 5:1), que lhe traz paz com Deus e lhe garante a salvação eterna (Rm 8:1; Jo 3:36). O crente era um pecador faminto e sedento por justiça e foi saciado por Deus (Mt 5:6). Muitas vezes, quando pecamos, somos levados a pensar que não fomos perdoados por Deus, que ainda estamos mortos em nossos pecados e, por isso, não somos seus filhos. Entretanto, o apóstolo João escreveu: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 Jo 2:1). O nosso Advogado já defendeu a nossa causa com seu sangue e o Juiz já nos absolveu dos nossos pecados (1 Pe 2:24). Não temos que ter dúvidas quanto a nossa justificação. O segundo significado diz respeito à prática da justiça como resultado do perdão de Deus que nos alcançou, buscando viver em santidade e praticar a sua Palavra, obedecendo-o (Is 11:5). Essa questão também envolve a prática e a busca por justiça. Da mesma forma como a busca por justiça era o centro da adoração e da vida do povo de Israel (Dt 27:29; Jr 22:3), o chamado da Igreja de Cristo é para uma vida renovada pela justiça de Deus, que implica numa fé prática, desprendida do egoísmo e da hipocrisia e com consequências positivas na vida daqueles que sofrem. O que Deus pede do seu povo é a prática da justiça e submissão à sua vontade (Rm 12:2; Cl 1:9,10).

d) O calçado do Evangelho da paz (v. 15). A “preparação do evangelho da paz” conota um equipamento (como um arco) que o cristão deve possuir na sua batalha contra as forças hostis das trevas. Isso nos faz lembrar que a nossa luta não é contra sangue ou carne (v. 12); isto é; não lutamos contra as pessoas, contra as suas crenças, sua maneira de ser, sua cultura. Mesmo quando está claro que algumas pessoas estão sendo instrumentos nas mãos do diabo, o evangelista deve lembrar que essa batalha não é algo pessoal que alguém tem contra ele, e por isso não pode revidar, brigar, criar problemas e desavenças, mas vencer por meio da paz. O ódio que o mundo tem por nós, discípulos de Jesus, não é novidade (Jo 15:18,19; Mt 10:22), mas somos exortados a buscar a paz com todos os homens sempre que possível (Rm 12:18,19). O evangelista é um pacificador (Mt 5:9), aquele que leva as boas-novas que fazem a paz entre o pecador e Deus (Ef 2:14; Cl 1:20; Rm 5:1; Hb 7:2). Não podemos deixar de levar em conta o termo “evangelho” neste versículo. A nossa arma contra Satanás não é a nossa ideologia nem a nossa denominação; também não é qualquer mensagem, mas é o Evangelho da paz. Se a mensagem não promoveu a paz entre o pecador e Deus perdida na Queda, então não era o Evangelho.

e) O escudo da fé (v. 16). O escudo, para o soldado romano, era uma peça feita de madeira e revestida de couro e metal que o protegia do ataque de espadas, lanças, flechas e outras armas de guerra do inimigo. Lembrando do que foi aprendido anteriormente, vemos o inimigo como adversário que ataca a fé do cristão para destruí-la e desviá-lo dos caminhos do Senhor. Quem já viu filmes de guerras do tempo do império romano ou medievais, assistiu aquela cena em que os soldados estão no campo de batalha, enquanto do outro lado, os soldados do campo inimigo lançam sobre eles uma chuva de flechas, algumas flamejantes. A sua única proteção contra a morte certeira é o escudo. O diabo pode lançar dúvidas quanto à nossa fé, a integridade do nosso caráter, a nossa confiança e esperança em Deus. Ele pode, inclusive, tentar fazer com que percamos essa confiança e esperança. Outro atentado de Satanás contra a fé do crente é desviar-lhe da sã doutrina para seguir falsos ensinos, como ocorreu com os gálatas (Gl 1:6-9). O apóstolo Pedro apresenta a firmeza na fé como uma forma de resistir às investidas de Satanás: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1 Pe 5:8,9). Até mesmo as tribulações podem ser estratégias do diabo para nos desviar do nosso foco. A fé que pregamos e vivemos é totalmente baseada nas Sagradas Escrituras; ela gera obediência a Deus, frutos e obras. Crer, até os demônios creem, e tremem (Tg 2:19).

f) O capacete da salvação (v. 17). O capacete era uma peça de metal ou couro que protegia a cabeça do soldado contra objetos lançados contra ele. É interessante como o apóstolo Paulo escolhe esta parte da armadura para falar sobre a salvação. A cabeça envolve mente, intelecto, a direção de todo o corpo. É a cabeça – o cérebro – que transmite ordens para o corpo agir. Quando ela tem dúvidas sobre o que fazer, não emite comando algum e o corpo não age nem reage. Em 1 Tessalonicenses 1:4-9, Paulo fala a respeito da necessidade de vigilância com relação à vinda do Senhor. Os filhos das trevas não vigiam (v. 5), mas aqueles que são de Cristo se mantêm sóbrios, revestindo-se da couraça da fé e do amor e “tomando como capacete, a esperança da salvação” (v. 8). O v. 9 revela que esse capacete é a certeza de que somos salvos, que não podemos nos perder, por mais que o diabo nos tente e por mais que ele queira nos tragar, “porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo”. Jesus já nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do seu Santo Espírito, de modo que nos tornamos herdeiros segundo a esperança da vida eterna, por meio da justificação pela graça (Tt 3:5-7). Muitas formas de crer e pregar a Bíblia estão tirando essa certeza da salvação da mente dos crentes. Em primeiro lugar, através de doutrinas como o arminianismo, que prega a perseverança dos santos em detrimento da graça eficaz de Deus. Em segundo lugar, retirando da pregação esta salvação, oferecendo outros elementos mais interessantes aos padrões do cristão moderno, como bênçãos e milagres. Sem o conhecimento da salvação, não vem a sua certeza, mas uma fé ilusória que não tem sustentabilidade, não leva para o céu e não protege ninguém contra as investidas de Satanás.

g) A espada do Espírito (v. 17). O conhecimento correto da Palavra de Deus é que decidirá a nossa vitória no campo de batalha. Qualquer dúvida com relação a tudo o que foi dito anteriormente demonstrará falta de fé e confiança em Deus. Partir para a guerra sem a nossa arma principal, a Bíblia, significa entregar-se ao inimigo. Para o evangelista, a espada do Espírito é crucial; ela é sua arma e seu instrumento de trabalho. Sem ela não existe evangelismo. Não é o nosso testemunho nem as nossas experiências que nos levarão a vencer o inimigo, mas a Palavra de Deus. Ela é a espada que usamos na luta corpo a corpo com as trevas. Se o evangelista não dominar essa Palavra com destreza, ela pode ser usada contra ele pelo próprio Satanás, como aconteceu com Jesus na tentação no deserto. Jesus repeliu as ações do inimigo com a Palavra de Deus. Satanás vinha com uma verdade distorcida, e Jesus rebatia com a verdade genuína (Mt 4:1-11). Muitos crentes, incluindo evangelistas, não querem ler nem estudar a Bíblia, por isso a sua fé vacila e o diabo os conduz à queda. O evangelista deve ser um obreiro aprovado que maneja bem a Palavra da verdade (2 Tm 2:15). Mas não basta apenas dominar o conteúdo da Bíblia, é preciso colocá-lo em prática (Tg 1:22). Este estudo está repleto de indicações a respeito do valor da Bíblia e da importância do seu estudo para o evangelista.


h) A oração e a súplica (v. 18). Paulo finaliza a descrição da armadura espiritual do Cristão afirmando que ela deve ser tomada e utilizada com “toda oração e súplica, orando o tempo todo no Espírito, e para isso vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos”, e também por ele (v. 19). A oração demonstra dependência, submissão e confiança em Deus. Na luta contra o inimigo, esses três fatores devem ser observados, pois a nossa luta não é contra o sangue nem contra a carne, mas também não pode ser nem por meio do sangue nem por meio da carne. As armas da nossa milícia são espirituais, não seguem o padrão do mundo, mas são poderosas em Cristo (2 Co 10:3-5). Essa oração não é apenas individual, mas comunitária, envolve a preocupação com os outros que também enfrentam lutas. Muitos estão presos pelas cadeias do inimigo e ainda não aceitaram a Jesus. É preciso orar por eles e com eles, sentir a sua dor e oferecer-lhes auxílio espiritual. No campo de batalha do mundo, o único inimigo verdadeiro é o diabo. 

Este estudo faz parte da apostila CURSO PREPARATÓRIOS PARA EVANGELISTAS, de autoria de MIZAEL DE SOUZA XAVIER, eu.