sábado, 24 de novembro de 2018

MOVIMENTO DE BATALHA ESPIRITUAL




O MOVIMENTO DE BATALHA ESPIRITUAL


“Porque o que semeia para sua própria carne,
da carne colherá corrupção; mas o que  semeia
para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna.”
(Gálatas 6:8)


            Eu fui convertido a Jesus no ano de 1994. Até este ano – 2018 – jamais havia pensado em estudar o tema “batalha espiritual”, por julgá-lo desnecessário e parte de uma teologia equivocada ensinada nas igrejas pentecostais e nas seitas neopentecostais, como sempre tive a oportunidade de ler em artigos ou assistir em vídeos espalhados pelas mídias. O contato com o lado negativo e herético deste tema sempre me trouxe repulsa. Estudando-o agora, porém, além de perceber o seu lado verdadeiro e bíblico (uma luta em defesa da verdade contra as mentiras de Satanás), percebi a importância de abordar as mentiras ensinadas pelo Movimento de Batalha Espiritual e de cura e libertação para auxiliar aqueles que estão presos a estas mentiras na busca pela verdade, refutando seus falsos ensinos e mostrando a versão correta da verdadeira batalha.
A simples crença em espíritos territoriais, quebra de maldição, objetos amaldiçoados, mapeamento espiritual e maldição hereditária já demonstra que o inimigo tem ganhado terreno por meio de heresias que distorcem a Palavra de Deus e impedem que os crentes lutem a verdadeira batalha. Portanto, tais crenças não passam de estratégias do pai da mentira para encobrir a verdade, lançando muitos indivíduos no campo de batalha errado e com as armas erradas. Estará, então, o inimigo lutando contra si mesmo quando os crentes fazem uso dessas armas da mentira para derrotá-lo? Veremos aqui que as sutilezas do diabo podem enganar os incautos com supostas vitórias que já são em si uma terrível derrota para quem acredita nelas.
            Todos os pontos que abordaremos neste capítulo obedecem à seguinte premissa imposta por esses movimentos: todo mal é demoníaco. Ou seja: tudo que existe de ruim na vida humana é culpa de um demônio, desde os males circunstanciais (como a doença, o desemprego, os acidentes, os problemas diversos, etc.), até os males morais; isto é: existe uma atuação demoníaca para cada pecado praticado pelo homem (adultério, mentira, fornicação, uso de drogas, assassinato, estupro, etc.). Sendo assim, a libertação de todos esses males só é possível quando se luta contra os demônios que os estão causando, um ministério que os adeptos do Movimento de Batalha Espiritual chamam de ekbalístico, que significa “lançar fora” ou “expelir”. Qualquer problema que aflige o crente ou o descrente pode ser resolvido repreendendo-se, amarrando-se e controlando-se os demônios, proibindo-os de agirem. Se alguém está sofrendo com a dependência do álcool, por exemplo, é aconselhado a repreender o espírito do alcoolismo ou a participar de uma sessão de exorcismo em que esse espírito será expulso de sua vida para lhe trazer alívio. É claro que o indivíduo continuará se embriagando, pois o que causa o seu vício não está fora, mas dentro dele: o seu desejo pelo álcool.
Certa pastora de uma igreja pentecostal verdadeiramente acredita que é impossível que uma mulher possa se entregar à prostituição por livre consciência ou que uma questão social, como a Cracolândia em São Paulo, não possa acontecer pela iniciativa do ser humano. Essas situações só são possíveis porque essas pessoas estão sendo dirigidas por demônios, seja através de uma possessão direta ou de uma influência externa constante. Isto significa que aquelas pessoas jamais poderiam escolher viver daquele modo tão deplorável, porque algo tão terrível só pode vir do diabo, excluindo, assim, a responsabilidade individual e negando o fato de que todos somos pecadores e desejamos constantemente o mal. Entretanto, quando lemos a Bíblia, não vemos que Jesus veio chamar pecadores a libertarem-se dos demônios que os levam a pecar, mas ao arrependimento dos seus pecados e à conversão (Lc 5:32; Mt 3:2). O mesmo pregavam os apóstolos: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3:19).


Principais ensinos do movimento

O que entendemos com relação ao que está revelado na Bíblia não tem importância alguma se não provém da sua fiel interpretação. Isto significa que para tudo aquilo que falarmos a respeito de Deus, é necessário embasamento bíblico. Quando não existe este embasamento, alguns estudiosos recorrem a fontes externas, como o Magistério da Igreja e a Tradição no catolicismo romano. No mundo evangélico, algumas doutrinas e práticas que não estão na Bíblia são acolhidas em nome da liberdade do Espírito e da desculpa de que Deus não muda e continua falando ainda hoje. Se falamos sobre batalha espiritual, tudo o que dissermos precisa vir acompanhado de uma doutrina bíblica sólida. Precisamos demonstrar o que cremos de acordo com as Sagradas Escrituras. Caso não seja possível fazer isso, é preciso rever nossas crenças.
            O Movimento de Batalha Espiritual não tem a sua origem na Bíblia, mas em uma necessidade particular de conquista do território inimigo e de inchamento das igrejas. A sua base teológica é formada por ensinos distorcidos de textos das Escrituras, revelações diretas de Deus e experiências práticas vivenciadas e/ou observadas. Embora não de possa determinar ao certo o início desse movimento, presume-se a sua origem, de acordo com Augustus Nicodemus, em um missionário americano chamado J. O. Fraser, que na década de 1930 foi missionário na China, pela “Missão para o Interior da China”, fundada por Hudson Taylor. Em seu trabalho numa tribo no interior da China, ele viu seu ministério frustrado pelo ocultismo presente na vida daquele povo, com suas práticas de feitiçaria e magia negra. As suas tentativas fracassadas de libertar os convertidos dessas práticas, levaram-no a um enfrentamento direto do diabo, buscando libertar aquelas pessoas da influência dos espíritos demoníacos. Ele desenvolveu técnicas e estratégias para anular, eliminar ou impedir a atuação dos demônios nos convertidos, invadindo os territórios dos demônios para amarrá-los.
            No início da década de 1930 os seus trabalhos foram publicados por sua irmã e logo se tornaram notórios, sendo as suas ideias popularizadas por Frank Perreti, autor do livro “Este Mundo Tenebroso”, um Best Seller publicado nos Estados Unidos e traduzido em diversas línguas ocidentais. Influenciado por Perreti, surge Peter Wagner, considerado o maior divulgador do Movimento de Batalha Espiritual, sendo responsável pela difusão do movimento de “Crescimento de Igreja”, associando a isso a ideia de crescer por meio de sinais e prodígios. Para ele, a época atual urgia um crescimento por meio de sinais e prodígios, sem os quais a Igreja não poderia crescer, pois na era moderna ninguém valoriza o conceito de certo ou errado. Esta visão está compatível com o pensamento cristão moderno, que não suporta mais a verdade e o discurso do “arrependei-vos e convertei-vos”. As igrejas que mais crescem no Brasil e no mundo são aquelas ligadas aos movimentos de cura e libertação, onde os sinais maravilhosos e os milagres tomam cada vez mais o espaço da pregação bíblica, da mensagem da cruz. As adesões em massa a esses movimentos não refletem numa real conversão a Jesus Cristo. As igrejas crescem cheias de pessoas totalmente vazias.
             O Movimento de Batalha Espiritual encontrou no Brasil um solo fértil para a sua proliferação, sendo a doutora Neusa Itioka, autora do livro “Deuses da Umbanda”, a mais conhecida. Em seu livro, ela coloca nomes nos demônios que supostamente controlam o Brasil. Todavia, a Bíblia não chama nenhum demônio pelo nome. O próprio termo “satanás” não é um nome próprio, mas um adjetivo para referir-se a uma das características desse anjo caído: adversário; ou diabo (gr. diabolos), que é enganador. O fato é que a doutora Itioka colheu estes nomes de testemunhos de pessoas endemoninhadas em tratamento no seu gabinete, bem como de fontes das religiões umbandistas. Isto significa que ela baseou a sua doutrina sobre batalha espiritual na palavra de demônios e em fontes extra-bíblicas, o que retira totalmente a sua autoridade. Conforme dito anteriormente, tudo o que dissermos a respeito de Deus precisa estar fundamentado nas Sagradas Escrituras. Quaisquer outras fontes são questionáveis, mesmo que vindas da boca de um anjo (Gl 1:8). Satanás e seus demônios são anjos.
Outro nome bastante conhecido no Brasil deste movimento é Valnice Milhomens, por meio de seus escritos, simpósios e programas de televisão
Igrejas como a Universal do Reino de Deus e a Mundial do poder de Deus investem pesado nessas práticas e as superdimensionam, criando novas formas de combater o inimigo e encher os seus templos. Vejamos alguns ensinos desse movimento que fazem parte da prática de muitas igrejas, principalmente as pentecostais e as seitas neopentecostais. É possível identificar na fé da maioria dos crentes ao menos um elemento desses que vamos estudar agora.


Espíritos territoriais

            De acordo com a Bíblia, o mundo jaz no maligno. Embora Deus seja Soberano sobre tudo e sobre todos, incluindo os espaços geográficos e toda a natureza, o mundo está espiritualmente morto e a mercê de Satanás, fazendo o que é da sua vontade maligna. Quando falamos em mundo, estamos nos referindo a um sistema pecaminoso gerador de morte, que não produz o bem, só o mal. Embora os demônios não habitem em coisas inanimadas, é nelas que o ser humano caído vive, podendo contaminá-las com a sua presença e com o uso errado que faz delas. O objeto em si não possui nenhum valor que não seja aquela que damos a ele. Uma faca de cozinha, por exemplo, pode ser usada para partirmos um pão para servir na ceia do Senhor, apertarmos um parafuso, cortarmos metade de um sabonete ou cometermos um assassinato. Um quarto pode ser usado para estudarmos, dormirmos, guardarmos coisas velhas, hospedarmos um missionário ou cometermos adultério. Até mesmo a boca pode ser empregada para fins nobres – como ensinar, aconselhar, abençoar, pregar o Evangelho – ou com finalidades malignas: mentir, fazer fofocas, amaldiçoar alguém, dizer palavrões. Nós precisamos da influência do Espírito Santo para realizar todas as coisas boas listadas acima, mas não precisamos de uma influência diabólica para fazer as más.
O Movimento de Batalha Espiritual caminha na contramão dessas verdades, ensinando que existem espíritos específicos para cada espaço territorial, o que pode abranger objetos, casas, ruas, bairros inteiros e até mesmo cidades e países. Eles são responsáveis pelas pessoas que moram ali. De acordo com o site revelacao-na-palavra.webnode.com.br:

Espíritos territoriais são demônios colocados em lugares específicos. Eles argumentam e resistem para ocupar determinados espaços geográficos, tendo como responsabilidade amaldiçoar tais localidades. Muitas residências têm sido atormentadas por demônios, mesmo sendo seus moradores pessoas sem aparente envolvimento com os mesmos. Isso acontece porque tais espíritos foram invocados por antigos moradores ou frequentadores do local, e hoje exigem o direito de permanecerem no mesmo.

Tal explicação nos lembra o roteiro da maioria dos filmes de terror que vemos no cinema e na TV. Em se tratando de cidades ou aldeias, esses espíritos podem cegar as pessoas que ali residem para impedir que a Igreja do Senhor penetre para lhes pregar o Evangelho que poderia libertá-las. Entretanto, esta cegueira espiritual não é novidade, pois a própria Bíblia ensina que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2 Co 4:4). Embora o mundo esteja cego por Satanás, esta cegueira foi originada na Queda do homem. Mesmo sem uma presença diabólica em determinados ambientes, os incrédulos permanecem cegos e alheios a Deus. Os defensores desta heresia afirmam, ainda, que existe o “trono de Satanás”, como um quartel general de onde ele comanda os demônios que oprimem uma determinada região. Para iniciar uma campanha de evangelização nestes locais, é necessário, antes de tudo, que a igreja neutralizasse os espíritos territoriais que neles vivem.
Esses territórios ocupados pelos demônios causam grandes danos espirituais, físicos, emocionais e sociais às pessoas que ali vivem ou que por ali passam, podendo promover toda sorte de males, incluindo vícios, assassinatos, estupros e “amarração financeira”. Os principais textos bíblicos utilizados para confirmar esta teoria são: Daniel 10; João 12:31; 14:30; 16:11; Marcos 5:10, Efésios 6:12, Apocalipse 2:13; e Levítico 14:35,36. Esses espíritos podem ser atraídos e presos em determinados territórios por: idolatria, feitiçaria, trabalho de macumba, inveja, simpatias, pecados, invocações e rituais, objetos amaldiçoados ou enterrados, entre outros. Esses objetos amaldiçoam não somente a família ímpia que mora nesses locais, mas também as cristãs. Cabe ao intercessor ou exorcista avaliar o ambiente em questão e determinar que tipo de espírito está atuando ali, para somente depois expulsá-lo, libertando o ambiente da presença demoníaca que ali habita por causa de algum trabalho feito anteriormente. Aconselha-se ao crente tomar muito cuidado com as pessoas que entram na sua casa e com os objetos que elas trazem, incluindo presentes e alimentos. Se não for tomado o devido cuidado, poderemos estar trazendo maldição para dentro do nosso lar, que só poderá ser quebrada quando o objeto amaldiçoado for identificado e o espírito que está nele for expulso.
Existem alguns sinais característicos que nos ajudam, segundo o referido site, a identificar a presença desses demônios para que o lugar possa ser purificado: mudanças de comportamento após a mudança para tal endereço, opressão e medo de escuro, sensação de estar sendo observado, barulhos e janelas que batem sozinhas, objetos desaparecerem e aparecerem novamente (o que ocasiona stress e brigas), brigas constantes no relacionamento; insônias, sensação de enforcamento enquanto dorme (ou sufoco), ódio repentino. Embora não esteja excluída a possibilidade da opressão demoníaca (como veremos no capítulo que trata sobre possessão e exorcismo), muitos desses fatores podem ser desenvolvidos por causa de problemas patológicos, como transtornos de personalidade, estresse causado pelas atividades diárias, descontentamento com a nova moradia, falta de adaptação, entre tantos outros. Pessoalmente, já fui acometido de terríveis pesadelos em que senti a presença de um ser maligno me tragando para ser atormentado no meu próprio sonho. A primeira vez foi na minha infância, na casa onde morava com meus pais; a segunda vez foi durante um cochilo quando tirava serviço de guarda no exército. Haveria nesses locais espíritos demoníacos? Quando acordei, o pesadelo cessou e a vida transcorreu normalmente.
O site consultado ensina que devemos procurar objetos dentro da casa para removê-los imediatamente. Por exemplo: objetos de conteúdo pornográfico, objetos ocultistas, presentes supostamente oferecidos aos demônios (como saber?), cinzeiros, garrafas de bebida alcoólica. Ao quebrar esses objetos, estaremos anulando a influência maligna. Além disso, evitar filmes de terror e novelas pornográficas nos auxiliam nesta batalha! Todavia, como vimos logo no início, o objeto em si não representa mal algum, mas pode se transformar em um mal de acordo com o uso que fazemos dele. Se formos nos mudar para alguma casa onde alguns dos objetos listados pelo site tenham sido esquecidos, uma boa faxina resolverá o problema. Para quem não tem problemas com bebidas alcoólicas, descobrir uma adega no porão não lhe trará problema algum. Do contrário, para o alcoólatra, ela representará um tremendo risco. Este risco, porém, não está na influência de um demônio preso dentro da garrafa, mas no desejo da sua carne de consumir a bebida até se embriagar. De fato, é incoerente para o crente usufruir daquilo que pode levá-lo a pecar, como uma revista pornográfica, por exemplo. Todavia, mesmo sem a revista em mãos, os seus pensamentos pornográficos poderão fazê-lo cair, e não é necessária uma influência diabólica para isto.
O pecado da idolatria, da feitiçaria, da inveja, do ódio, da pornografia ou qualquer outro não provém da influência de um espírito territorial. Podemos estar dentro da igreja, participando do culto e pecando. É do coração do homem que provém o seu próprio mal. Quando fala a respeito do adultério, o Senhor Jesus não ensina que devemos repreender o “espírito do adultério” ou expulsar da nossa casa o demônio da sensualidade. Ele coloca toda a responsabilidade do pecado sobre nós mesmos: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos seus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mt 5:29). É o nosso desejo por fazer aquilo que é errado que nos induz ao erro. Não há como justificarmos os nossos pecados com base em espíritos territoriais, pois o mundo inteiro jaz no maligno, mas todos os territórios se tornam malditos pela presença humana neles, produzindo o mal e destruindo até mesmo o meio-ambiente. Não é Satanás que joga lixo pelas ruas, extingue os animais e polui as águas e o ar.
A solução apresentada para nos livrarmos desses espíritos, segundo o site citado, é uma reunião com os demônios para depois expulsá-los, comandando e proibindo definitivamente que voltem a habitar em qualquer cômodo da casa. Pode-se, também, adquirir com o pastor o óleo da unção para ungir alguns lugares da casa, que incluem: portas, janelas, aparelhos de TV, computadores, telefones fixos e celulares. O que se pode presumir disso é que, quando o marido aproveita a ausência da esposa para acessar as redes sociais e marcar um encontro com outra mulher, a culpa é do demônio que habita no seu celular. Quando alguém acessa as redes sociais para fazer fofocas e espalhar maledicências para destruir a vida das pessoas, o responsável na verdade, foi o espírito imundo que habita no computador. A incoerência presente neste ensinamento sem fundamento bíblico apenas demonstra que a maior estratégia de Satanás é atentar contra a verdade de Deus.


Formas de enfrentamento

            O Movimento de Batalha Espiritual apresenta algumas formas de enfrentamento desses demônios que povoam as coisas e os lugares. O objetivo é utilizar táticas e estratégias para enfrentar o inimigo e conquistar o seu território. As principais são:


a) Mapeamento espiritual

O mapeamento espiritual é um desdobramento do conceito de espíritos territoriais e abrange o enfrentamento desses espíritos. Ele envolve fazer um mapeamento do lugar onde se vai evangelizar para identificar quais são os demônios territoriais que estão naquela região e quais são os seus nomes, amarrando e destronando esses demônios para só então pregar o Evangelho. A ideia que se esconde por trás disso é que não seria possível evangelizar enquanto não se fizesse esse trabalho de purificação. Todavia, mesmo que haja demônios nesses ambientes e nas pessoas que ali se encontram, o que distancia essas pessoas de Deus não é a presença do diabo, mas do pecado original. Está escrito no livro do profeta Isaías: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (59:1,2). Por meio da fé em Cristo temos o perdão dos nossos pecados e a eterna redenção. Pode uma atuação demoníaca impedir a pregação do Evangelho do Deus vivo e o avanço da sua Igreja? Pode haver algum impedimento diabólico para que o eleito de Deus ouça a sua Palavra para ser convertido? As forças satânicas podem ser maiores que o poder do Espírito Santo?
No mapeamento espiritual, deve-se identificar também onde é o trono de Satanás em determinada região, fazendo-se uma corrente de oração para derrubá-lo. Se isso não for feito, se as entidades espirituais presentes em determinada região não forem anuladas, a conversão se torna impossível. Vemos como esse movimento superestima o poder e a atuação de Satanás, conferindo-lhe tronos na terra e o poder de impedir que o pecador se arrependa para ser salvo. Todavia, não existe lugar algum onde Satanás tenha um reino ou um poder que não estejam debaixo do controle do Deus Todo-poderoso. Não existe no céu ou abaixo do céu lugar onde o Senhor não reine (Dn 7:27; Sl 7:9; 103:19; Jr 10:7). Todos os principados e potestades estão sob o domínio de Cristo. Na cruz, Ele os despojou e os expôs ao desprezo, triunfando deles poderosamente (Cl 2:15). Satanás não precisa ser destronado para que alcancemos a vitória, pois ele já foi derrotado na cruz. Nós o enfrentamos não para vencermos, mas porque já somos vencedores em Cristo.
Essa estratégia inventada pelo Movimento de Batalha Espiritual jamais foi ensinado por Jesus ou seus apóstolos. Vejamos exemplos tirados do livro dos Atos dos apóstolos. O primeiro está no capítulo 17, quando Paulo esperava por Silas e Timóteo em Atenas (vs. 14-16). Que lugar poderia ser mais demoníaco que Atenas, um grande centro de idolatria, com todos os seus deuses e imagens esculpidas? Lucas escreve: “Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade” (v. 16). Seguindo as estratégias do Movimento de Batalha Espiritual, Paulo deveria fazer um mapeamento espiritual para definir que demônio estava atuando naquela cidade ou se ali era o trono de Satanás. Após essa identificação, seria necessário organizar um grupo de oração com irmãos de guerra para amarrar e expulsar os demônios que ali se encontravam, para somente assim ter todas as condições de pregar o Evangelho. Todavia, não foi isso que aconteceu, mas ele passou a dissertar na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos (v. 17). Ao invés de amarrar o espírito da idolatria, Paulo utilizou-se disso para pregar a respeito do Deus verdadeiro (vs. 22-31), havendo ali muitas conversões (v. 34). Todos os deuses gregos não foram capazes de impedir a pregação da verdade e a conversão dos pecadores.
No capítulo 19, vemos a chegada de Paulo à cidade de Éfeso, onde encontrou alguns discípulos que foram batizados (vs. 1-7). Inicialmente, Paulo pregou na sinagoga que havia naquela cidade, vindo a pregar mais tarde na escola de Tirano, onde esteve falando aos ouvintes por dois anos. Ali foram realizados milagres extraordinários e muitos espíritos malignos foram expulsos. Assim, “a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (v. 20). Houve naquela cidade uma grande revolta por parte de um ourives, chamado Demétrio, que via seu negócio afundar por conta da pregação de Paulo e das conversões que vinham acontecendo, promovendo um grande tumulto que levou os discípulos a enfrentarem a fúria daquelas pessoas. No final das contas, tudo foi apaziguado e a igreja permaneceu firme em Éfeso, o que nos rendeu a preciosa carta de Paulo aos Efésios. Com toda a idolatria presente naquela cidade e todas as forças contrárias à pregação do Evangelho, em que momento Paulo e os demais discípulos de Jesus organizaram um clamor para expulsar os espíritos territoriais antes de evangelizar os idólatras? Em que a deusa Diana impediu que houvesse conversões? O caminho de Deus corre na direção certa: o poder do Evangelho converte o idólatra e este abandona a sua idolatria. É assim que a idolatria é quebrada.
Temos também outro exemplo em 1 Tessalonicenses 2:18, que mostra como Satanás está atuante no mundo para impedir o avanço do Evangelho. Paulo escreve: “Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho”. Está claro que a barreira imposta por Satanás impediu o apóstolo de visitar aqueles irmãos. E ele de fato não foi! Paulo poderia ter reunido alguns irmãos para uma oração de libertação daquele território, ou mesmo solicitar que os irmãos de Tessalônica amarrassem e destronassem Satanás da sua cidade para que o apóstolo pudesse entrar. O que ele fez, todavia, foi driblar as trincheiras inimigas, enviando Timóteo em seu lugar. Problema resolvido. Não existem impedimentos para a propagação do Reino de Deus. As forças diabólicas não são capazes de impedir a obra missionária da Igreja, mesmo que em alguns instantes possa atrapalhá-la. O que precisamos é orar e nos revestir das armas da luz, da armadura de Deus para resistirmos ao diabo e vencermos nos dias maus.


b) Quebra de maldições

A oração por quebra de maldição é uma das mais praticadas pelos adeptos do Movimento de Batalha Espiritual, estando presente em muitas igrejas pentecostais e seitas neopentecostais. A ideia por trás disso é a “maldição hereditária”, quando um demônio passa a ter poder sobre uma vida que foi amaldiçoada de alguma forma por seus pais, controlando-a para que ela não seja feliz, não progrida. Também está em vista a doutrina de que os filhos sofrem as consequências dos pecados praticados pelos seus pais. Isto é: se um pai ou uma mãe cometerem assassinato, a família é amaldiçoada e o demônio do assassinato atormentará esta família ou o local onde o crime possa ter ocorrido. Outra forma de maldição hereditária envolve vícios, como o alcoolismo, por exemplo. Se os pais são alcoólatras, a tendência é suas futuras gerações também desenvolverem a dependência do álcool, como uma maldição que precisa ser quebrada.
Esta é uma interpretação equivocada da Bíblia que não leva em conta o ensino geral das Escrituras. Quebrar uma maldição hereditária pode significar pesquisar em nossa genealogia a possibilidade de algum familiar ter feito pacto com o demônio. Aqui não estamos falando de descrentes que vivem sob a maldição da Lei e por isso ainda estão sob condenação, mas de pessoas que se afirmam crentes em Cristo Jesus e creem que precisam repreender e expulsar espíritos malignos que possam estar amarrando a sua vida por conta de alguma maldição que lhes foi lançada ou em algum familiar. Haverá oração por quebra de maldição na vida familiar, sentimental, financeira, ministerial, acadêmica e tantas outras.
Um dos textos utilizados para este falso ensino é Êxodo 20;5, onde o Senhor diz ao proibir a confecção e a adoração de imagens de escultura: “porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (v. 5). O que está em vista aqui é a perpetuação do pecado da idolatria, o que realmente fez parte da trágica história espiritual de Israel por muitos séculos. Quando lemos o livro do profeta Ezequiel em seu capítulo 18, aprendemos que a responsabilidade pelo pecado praticado é pessoal. Deus começa com uma advertência que destrói completamente a teologia da maldição hereditária, posicionando-se contra o provérbio “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram” (v. 2). O Senhor diz por meio do profeta que cada um dará conta do seu próprio pecado. Aquele que praticar a justiça e andar retamente, viverá (v. 9). Todavia, aquele que praticar a iniquidade e fizer o que é mal perante Deus, o seu sangue será sobre ele (v. 13). Os vs. 14 a 17 nos ensinam que o homem iníquo pode gerar um filho justo, e este não morrerá na iniquidade do seu pai, mas viverá. Deus argumenta: “Mas dizeis: Por que não leva o filho a iniquidade do pai? Porque o filho fez o que era reto e justo, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso, certamente, viverá” (v. 19). Vemos como cada um responderá por seus próprios atos.
A prática do mal não é fruto de uma maldição herdada, mas consequência das nossas escolhas pessoais, quando decidimos reproduzir em nossas vidas as atitudes erradas dos nossos pais. É muito cômodo colocar a culpa pelos nossos erros e fracassos nos erros dos nossos pais ou em demônios que infestam algum lugar. Parece ser muito mais fácil organizar um culto de exorcismo ao invés de reconhecermos a nossas falhas e nos dispormos a mudar, a confiar em Deus e a lutar para sermos melhores. Sempre teremos a oportunidade de decidir por fazer o que é certo. No Novo Testamento, encontramos a repetição do ensino de Ezequiel. Em primeiro lugar, ao deixar bastante claro que a salvação é pessoal (Jo 3:16,36); e também por afirmar que cada um dará contas de si mesmo a Deus (Rm 14:12). Não compareceremos diante do tribunal de Deus para responder pelos pecados cometidos por nossos mais, mas pelos nossos próprios. Entretanto, se comparecermos salvos por Cristo diante de Deus, a nossa salvação não será uma “bênção hereditária” para os nossos filhos, isto é: se eles não creram em Cristo, perecerão.
Para aquele que está em Cristo, falar sobre maldição é renegar a obra que Jesus fez na cruz. Por causa da Queda, a raça humana e todo o mundo ficaram sob maldição (Gn 3:17-19). Na cruz, todavia, toda maldição foi quebrada para aqueles que creem (Gl 3:13,14). Já passamos da morte para a vida e nenhuma condenação pesa mais sobre nós (Rm 8:1,33-39; 1 Co 15:53-57). O crente genuíno não precisa temer palavras de maldição contra ele, mesmo vindas de seus pais. É Deus quem tem o poder sobre a sua vida, é o Espírito Santo quem nos conduz. As palavras de maldição não possuem nenhum poder, porque quem pode amaldiçoar é Deus (Êx 20:5,6; Dt 5:9,10). Não podemos supor que Deus fará um mal desejado por alguém em uma maldição! Imaginemos que uma pessoa tenha a sua família amaldiçoada para que não prospere. De onde virá o poder para que isso aconteça? Ainda que parta do diabo, ele só poderá agir se Deus o permitir. Então nos perguntemos: por que Deus permitiria? Palavras de maldição são palavras lançadas ao vazio. O que pode acontecer é a pessoa amaldiçoada temer a maldição e passar a viver em função dela, crendo que de fato não prosperará, o que a levará a viver em função dessa mentira, achando que não adianta lutar nem investir em nada, porque alguém disse que ela não iria prosperar jamais. A solução para quem acha que a sua vida está sob maldição é a autoavaliação e o arrependimento de pecados.

Trecho do livro: BATALHA ESPIRITUAL: UMA LUTA EM DEFESA DA VERDADE, de minha autoria, ainda a publicar.

Mizael de Souza Xavier

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domingo, 11 de novembro de 2018

A PAZ QUE EXCEDE TODO ENTENDIMENTO - UMA INTRODUÇÃO




TEXTO ÁUREO: Colossenses 3:15


INTRODUÇÃO

            Escrevo este estudo num momento em que a minha vida, de um ponto de vista meramente humano, passa por grandes conflitos, e a paz parece um horizonte inalcançável. Pergunto a mim mesmo: como falar de paz se para todos os lados só vejo guerra? Como dizer que tenho paz enquanto olho para dentro e fora de mim e encontro tantas razões para viver ansioso e desesperado? Como fazer um estudo cristão sobre paz assistindo as guerras que são travadas dentro das igrejas, onde muitos pastores acabam cometendo suicídio por não suportarem a pressão? Então fica bastante claro que este não pode ser um estudo sobre a paz a partir de mim mesmo, uma paz que é impossível ser produzida pelos meus próprios esforços. A paz que este estudo irá tratar está além da compreensão humana, como escreveu o apóstolo Paulo: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4:7).
            O mundo precisa de paz. Na criação, o homem tinha todas as condições, dadas por Deus, para gozar de plena paz. Ele habitava num paraíso onde tinha ao seu dispor tudo o que era necessário à sua sobrevivência e ao seu bem-estar físico, mental, emocional e relacional. A relação entre o primeiro casal seria totalmente livre de conflitos, porque não havia a presença do pecado determinando seus pensamentos, sentimentos e ações. Eles gozavam, acima de tudo, da presença diária de Deus, algo que foi suprimido após a sua desobediência. O fato de a morte vicária de Cristo servir para nos devolver a paz com Deus, demonstra que o primeiro casal gozava desta paz, mas que passamos a necessitar desesperadamente dela. Quando o pecado e a morte entraram no mundo, a paz perfeita já não seria mais possível sem uma intervenção direta de Deus. A ausência de paz é que guia a vida do homem perdido, que determina as suas escolhas e que conduz as suas ações. A busca pela paz, mesmo entre os ímpios, é fruto da graça comum de Deus, que não permite que o mal humano se concretize na sua plenitude, pondo freios aos seus intentos malignos.
Em meio a este universo de conflitos gerados pelo pecado, o cristão é chamado a uma vida de paz: “Vivei em paz uns com os ouros” (1 Ts 5:13; cf. 1 Co 7:15; 2 Co 13:11). Somos convocados a seguir as coisas da paz, que são aquelas que não promovem divisões, mas a edificação do corpo de Cristo (Rm 14:19). A nossa paz precisa estar firmada em Deus e na sua Palavra para termos a segurança de sermos dele e subirmos com Cristo quando Ele vier buscar a sua igreja. O crente precisa vigiar, esperar pelo Senhor na certeza da sua salvação. Muitos presumem ser possível experimentar paz com Deus e estar seguros sobre a sua vida sem a fé em Cristo, mas sobre estes virá uma destruição repentina (1 Ts 5:3). Essa paz que acontece num nível vertical, entre nós e Deus, reflete na paz que deve acontecer no nível horizontal, entre nós e os outros. Somente em paz com Deus estaremos em paz conosco e com as pessoas ao nosso redor.
Neste estudo, abordaremos o assunto sob diversos aspectos dentro da perspectiva cristã bíblica. É necessário enfatizar esta perspectiva cristã como sendo bíblica, porque muitos conceitos sobre a paz estão equivocados dentro do próprio cristianismo, especialmente o protestante, que é a nossa corrente de estudo. A teologia neopentecostal trouxe para o mundo evangélico a ideia falsa de que o cristão não precisa passar por tribulações e que o sofrimento não faz parte da nova vida que o Senhor nos dá. A presença da dor significa ausência de fé, de modo que é impossível falar de paz nessa perspectiva, porque tal teologia nega o sofrimento como parte integrante da caminhada cristã e, portanto, não poderá encontrar paz em meio ao conflito. A perspectiva bíblica, no entanto, mostrará uma paz que se estabelece independente das circunstâncias e está além dos nossos sentimentos humanos. Isto é: ela não depende das nossas impressões e reações ao ambiente para se tornar real. Ela é real por si só. Mesmo quando não achamos que temos paz, estamos em paz.
Então, fundamentados na Palavra de Deus, vamos analisar a paz enquanto conceito e ação divinos na transformação da vida do homem. Vamos aprender que ter paz está além de experimentar um sentimento de tranquilidade ou um bem-estar físico ou emocional. Também responderemos às perguntas: é possível haver paz sem a mediação do Espírito Santo? O mundo pode experimentar uma paz sem Deus? Veremos que Aquele que é o autor e consumador da nossa fé, também é o autor e consumador da paz que esta fé produz. Logo, uma paz sem Deus é um ideal mundano ilusório, uma utopia. Aprenderemos, ainda, que a paz se estende para além desta vida e nos conduz à eternidade. Na verdade, é a paz eterna proporcionada por Cristo na cruz que permite ao homem experimentar a paz neste mundo tenebroso. Se não temos a paz eterna, nenhuma outra que possamos vivenciar nesta vida será de fato paz, porque ainda estaremos destinados à danação da segunda morte.


O QUE É A PAZ

            A primeira pergunta que devemos responder é: o que é a paz? A própria definição da palavra já nos ajuda a compreendê-la e absorver alguns ensinamentos importantes para o nosso estudo. De acordo com os linguistas, a paz pode ser explicada como a relação tranquila entre os cidadãos, ausência de problemas e de violência. A palavra paz pode ser definida a partir do termo latino pax, que significa um estado de calma e tranquilidade, remetendo à ausência de perturbações e agitação. No Antigo Testamento, o termo hebraico utilizado para paz é shalom, que significa seguro, bem, feliz, amistoso, ligado a bem-estar. É um substantivo masculino que significa paz ou tranquilidade. É utilizado 237 vezes como uma saudação (Jr 19:20; 1 Cr 12:18; Dn 10:19), sendo empregado, também, para perguntar como está a paz de alguém (Gn 43:27; Êx 18:7; Jz 18:15), entre outras aplicações. A paz está presente com os sábios, mas ausente dos ímpios (Pv 3:2,7; Is 57:21; 59:8). Esta paz é geralmente retratada como procedente de Deus. Gideão edificou um altar e o chamou Yahweh-shalom (o Senhor é Paz; Nm 6:26; Jz 6:24; Is 26:3). O termo shalom, na raiz primitiva salam, envolve estar seguro, completo, ser amistoso, retribuir, fazer reparação, dar um fim, concluir, terminar, tornar cheio, dar novamente, tornar bom, reembolsar, reconciliar, realizar, prosperar. Significa estar seguro, estar concluído, na mente e no corpo (Jó 8:6; 9:4).
O termo shelamim está ligado à palavra shalom, designando os sacrifícios pacíficos ou de paz, ou "sacrifícios de comunhão", um rito sacrificial que restabelece a relação e eleva uma amizade, até ali perturbada, a seu pleno acabamento, à sua plenitude, à sua perfeição (Lv 23:3-13). Trata-se de um dom divino (Jz 6:24). Deus possui a paz e deseja dá-la a todos os que o servem (Sl 35:27), o que indica a possibilidade de gozar da sua paz aqueles que não o amam. A paz entre Deus e o pecador foi efetuada por Cristo na cruz (Ef 2:14-17; Rm 5:1), de modo que os sacrifícios de paz foram abolidos e não são mais necessários. Não pode haver paz entre o homem e Deus e entre o homem e seu próximo por meio de rituais. Nenhum ritual promove a paz efetiva. Caminhadas pela paz, por exemplo, não trazem a paz que o mundo necessita. A paz verdadeira exige ações, como a justiça e a verdade (Jr 6:14; 8:11) e obediência aos mandamentos de Deus (Is 48:18; 54:13,14).
No Novo Testamento, o termo grego usado para paz é eirene, que significa paz, quietude, repouso, retornar à unidade. Vemos que o significado de paz, tanto no hebraico quanto no grego, está além da sensação de tranquilidade. Vemos, também, que a paz possui um sentido positivo e outro negativo. Em seu sentido positivo, a paz é a presença de algo bom que gera essa paz, como a tranquilidade e a quietude. No sentido negativo, ela é a ausência daquilo que pode tirá-la ou impedir que ela aconteça, como a guerra e a violência. Por exemplo: a nossa mente está em paz quando relaxamos num lugar tranquilo. Ou: um casal vive em paz quando não existem brigas e a sua situação financeira é estável. A paz não é somente aquilo que ocorre externamente, isto é, não diz respeito apenas às condições externas, mas também as internas. Neste sentido, ela estaria ligada à ausência de conflitos internos gerados por sentimentos negativos, como a ira, a desconfiança, o medo, a falta de esperança, por exemplo. De qualquer forma, ambos os ambientes estão interligados. Aquilo que nos aflige internamente, influencia o ambiente em que estamos por meio da nossa relação com ele, do nosso comportamento. Uma mente perturbada, sem paz, agirá de maneira desordenada. Por sua vez, o ambiente pode influenciar negativamente uma mente tranquila, quando não apresenta paz. Por exemplo: uma situação econômica instável, a violência urbana, a poluição sonora, as crises sociais, e assim por diante.
Logo, a paz verdadeira não pode ser resultado de apenas um dos lados da questão – a interna ou a externa – mas ambos precisam estar estáveis para que haja paz. Neste ponto, percebemos que a paz de Cristo excede todo entendimento quando permite aos crentes viverem em paz num mundo de conflitos, a seguir confiantes em meio às mais duras provas, a manterem a sua esperança viva quando não existe nenhum motivo aparente para isso, a não ser a certeza de que Deus cuida de nós. O Senhor nos dá a segurança interior que precisamos para enfrentar os problemas do dia a dia sem nos entregarmos ao desespero. Por outro lado, sentir paz diante dos problemas dos outros sem experimentar qualquer perturbação é egoísmo e não demonstra amor. Geralmente buscamos a paz para nós mesmos e as nossas relações pessoais, mas pouco olhamos para o bem-estar de quem está a nossa volta. Conseguimos repousar tranquilos enquanto sabemos que existem irmãos da igreja em conflito, passando necessidades financeiras, desempregados, sofrendo perseguições. Essa paz que nos leva a enxergar somente a nós mesmos e não nos permite ser solidários com as dores do irmão e do próximo, não vem de Deus. A paz do Senhor é comunitária, envolve o que acontece com todo o corpo, de modo que, quando um membro do corpo sofre, os outros sofrem com ele; se ele se alegra, todos se alegram também (1 Co 12:26,27). Devemos nos alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram (Rm 12:15).
A paz pode ser igualmente traduzida como “felicidade”, indicando bem-estar, prosperidade e todas as formas de bem. Em Lucas 1:79, o “caminho da paz” significa o “caminho da felicidade” (cf. 2:14), que retira o homem da situação de trevas em que se encontra perdido e sem Deus e o coloca na luz. O Evangelho da paz (Rm 8:6; Ef 6:15; 2 Ts 3:16) também significa “evangelho da felicidade” a bem-aventurança trazida pelo evangelho da felicidade, as boas-novas de “grande alegria” (Lc 2:10). Esta felicidade não é conquistada pelo esforço humano nem diz respeito às bênçãos materiais que ele possa gozar nesta vida, mas é uma felicidade espiritual e eterna que os filhos de Deus usufruem pela fé em Cristo. Deus é chamado de “O Deus da paz”, aquele que é o autor da paz e que a concede aos homens (Rm 15:33; 16:20; Fp 4:9; 1 Ts 5:23; Hb 13:20), o que não os isenta de conflitos. Podemos falar de paz nestes dois sentidos: (1) aquela que se estabelece após um período de conflito, quando os problemas que causavam esse conflitos são resolvidos; e (2) aquela capaz de nos manter seguros, confiantes e esperançosos, mesmo durante o conflito.
A paz não é um bem que resulta em algo, mas um bem resultante de algo, embora aqueles que possuem em si a paz de Cristo atuem na paz e pela paz. A paz de Cristo irradia a vida cristã e produz relações harmoniosas dentro da comunidade (Rm 14:17; 1 Co 7:15). Os filhos de Deus estão entre aqueles que promovem a paz (Mt 5:9). Isto não significa que esta promoção automaticamente nos transforma em filhos de Deus. Se assim fosse, mesmo os ateus teriam uma filiação divina ao se engajarem em ações pela paz. A paz de Deus só pode obter e promover aquele que está em paz com Ele por meio da fé em Jesus Cristo produzida pela regeneração efetuada pelo Espírito Santo. A presença de Deus na nossa vida é que nos traz a paz (Sl 4:8; Jó 25:2). Então, se mesmo estando com Deus não nos sentimos em paz, pode ser que não estejamos tão certos assim do mover de Deus na nossa vida, não estejamos confiando plenamente nele ou não andamos em conformidade com a sua Palavra, e isso traz consequências que nos roubam a paz.
Um dos pensamentos equivocados a respeito da paz é que ela significa ausência de conflito. Mas muitas vezes a paz só pode ser conquistada através do conflito. Este é necessário para nos esvaziar de tudo aquilo que nos rouba a paz, para resolver problemas que sem o conflito não podem jamais ser resolvidos. Por meio do conflito acabamos fortalecidos e aprendemos. Paz não é ausência de guerra, mas a presença constante de Deus em meio às lutas e aos momentos de tranquilidade, proporcionando-nos confiança, segurança e esperança. Somente aqueles que estão firmes no Senhor podem ter confiança e experimentar a paz (Is 26:3). Quando praticamos aquilo que Deus não aprova, não podemos estar seguros quanto aos resultados dos nossos atos, se nos trarão paz, porque o Senhor não compactua com o pecado. Podemos estar confiantes, seguros e esperançosos quanto ao nosso hoje e o nosso amanhã quando Deus é Senhor da nossa vida, quando vivemos de maneira íntegra.
A paz não somente nos mantém firmes nos momentos angustiantes, como também nos preserva nas horas de calmaria, de bonança. Podemos desenvolver um sentimento de ansiedade de que a qualquer momento algo muito ruim pode acontecer para nos roubar a nossa paz, como um problema na família, na igreja ou no trabalho. Existem crentes que, mesmo tendo todos os ventos ao seu favor, não conseguem ter paz, porque vivem ansiosos pelo dia de amanhã, projetando desgraças que não existem. Por outro lado, outros crentes confiam em Deus e mantêm a tranquilidade, mesmo quando tudo parece lhes faltar ou quando as lutas são intensas. A paz de Cristo se apresenta como um antídoto eficaz contra a ansiedade e o estresse causado pelo mundo e suas demandas, que muitas vezes atormentam até mesmo o cristão. Davi escreveu: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Sl 55:22). A confiança em Deus não afasta de nós o que quer nos abalar, mas nos mantém firmes nessas situações. Da mesma forma, o Senhor nos exorta a não andarmos ansiosos ou inquietos quanto às solicitudes da vida, porque Deus cuida de nós (Mt 6:25-34). A paz de Cristo que excede todo entendimento, guarda a nossa mente e o nosso coração quando oramos e damos graças a Deus, colocando diante dele as nossas petições (Fp 4:6,7).
A paz conforme descrita na Bíblia é, também, um efeito da justiça, o que não exclui a possibilidade de enfrentarmos fortes tempestades (Is 32:17-20). Em primeiro lugar está a ideia da justificação pela fé em Cristo. Se temos paz com Deus por meio da justificação que há na expiação efetuada por Cristo, a nossa fé não pode ser abalada e a nossa alma permanece firme, guardada pelo Senhor. A colheita desta fé que provém da justiça se demonstra por meio dos bens espirituais e eternos (Sl 85:10). Mais adiante veremos como Deus efetuou a paz na cruz, justificando aqueles que de outra forma jamais poderiam ser considerados justos. Aqueles que foram justificados em Cristo produzem os frutos da justiça. Isaías escreveu: “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre” (Is 32:17). Vê-se no contexto a presença do Espírito Santo, que concede vida e traz paz. Aquele que tem o Espírito, dá frutos (Jo 15:8; 14:16-20), sendo a paz um dos seus frutos (Gl 5:22).
A paz não é algo abstrato ou um sentimento que possa ser conquistado por meio da meditação ou do ascetismo. Ela não é meramente um conceito ou algo sobrenatural que repousa sobre nós e nos livra de sentimentos negativos e conflitos interiores. Não podemos fortificar as nossas relações com um “sentimento de paz”, como, por exemplo: esvaziar a mente de pensamentos ruins para que isso influencie o nosso comportamento e o nosso relacionamento. Essa visão esotérica não produz a verdadeira paz. Em primeiro lugar, já aprendemos que ela é, acima de tudo, fruto da relação íntima e transformadora do homem com Deus. Esta é uma relação ativa e passiva. Ela é ativa quando sofremos influência do Espírito Santo na regeneração e na nossa conversão, santificando o nosso caráter e, assim, transformando a nossa disposição mental e espiritual para ações que são frutos da paz de Deus e a promove, que é a relação ativa. Não buscamos a paz para que haja justiça, mas praticamos a justiça para que haja paz. A paz é ao mesmo tempo um sentimento novo que gera novas atitudes e as consequências positivas que essas atitudes trazem. Sentir paz não resolverá os nossos problemas. Não adianta experimentarmos a paz de Cristo em meio à guerra: é preciso lutar, ter atitude, tomar decisões diante da vida que conduzam a uma solução pacífica.
A paz é fruto da sabedoria que vem de Deus (Pv 3:2,5,17). Muitos problemas e conflitos são gerados quando decidimos abrir mão da sabedoria do alto para resolvermos tudo segundo o nosso próprio entendimento. A confiança em Deus também significa acreditar que seus mandamentos são verdadeiros e que praticá-los é a coisa certa a ser feita. Significa, também, que confiamos nos resultados positivos que a obediência a esses mandamentos nos trazem, assim como também estamos convencidos das consequencias negativas de não observá-los. Um exemplo disto está na história do povo de Israel e todos os seus pecados, dos quais se lamentavam e se indagavam sobre a razão do seu sofrimento. Em Isaías 2:10-16, o Senhor fala a respeito da infidelidade de Israel aos seus mandamentos, quando os homens deixaram a companheira da sua mocidade para se casar com mulheres pagãs. Diante da recusa de Deus em aceitar as suas ofertas, eles se perguntavam “Por quê?” (v. 14). O adultério, as discórdias, as mentiras, a maledicência, a violência, o roupo, a inveja e quaisquer outros pecados que atormentam o crente e a Igreja nada mais são do que frutos da falta de obediência a Deus.
Paz tem uma relação direta com a humildade. Aquele que é humilde não se coloca acima dos outros nem quer suprimir seus direitos. Não é soberbo ou arrogante e sabe reconhecer seu erro e abrir mão do que for necessário em favor do outro. Não aumenta a sua voz nem impõe suas ideias. Não quer se impor, mas buscar a harmonia entre todos.




AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO: O QUE É?




A blasfêmia contra o Espírito Santo

            Assim como eu, você com certeza já foi repreendido por alguém quando criticou certas manifestações estranhas que acontecem em muitas igrejas: pessoas rodando como peão, gritando e batendo palma freneticamente, pulando, jogando-se ao chão ao serem tocadas por algum objeto ungido, falando línguas estranhas e incompreensíveis como se fosse o seu segundo idioma, profetizando toda sorte de bênçãos, revelando o futuro das pessoas, batendo tambor e dançando vestidas de branco como num terreiro de macumba, entre tantas outras cenas bizarras. Se você lê e estuda a Palavra de Deus, é claro que não consegue se sentir bem diante dessas coisas, porque nenhuma delas está na Bíblia. E quando falamos isso, lá vem aquela velha ameaça de estarmos blasfemando contra o Espírito Santo. Essas ameaças geralmente partem de quem não tem o costume justamente de ler e estudar a Bíblia, mas acredita em novas revelações, inclusive aquelas que aparecem no Facebook e no Whatsapp. Se pedimos que nos expliquem essas manifestações, essas pessoas começam dizendo “Eu acho...”, como se o que elas acham ou deixam de achar fosse a Palavra de Deus para nós, digno de fé e confiança.
Para termos a nossa mente tranquila, precisamos abordar um tema importantíssimo para a nossa compreensão daquilo que é de Deus: a blasfêmia contra o Espírito. As pessoas que acreditam, defendem e praticam muitas das coisas que citamos, geralmente são de denominações consideradas neopentecostais. Elas defendem que o Espírito possui total liberdade para agir como quiser, insistindo que o seu agir não está limitado pela Bíblia. Afinal de contas, o vento sopra onde quer (Jo 3:8). Precisamos, então, compreender o que é a blasfêmia contra o Espírito. Compreendendo isto, saberemos discernir as ações do Espírito de Deus das manifestações puramente carnais ou diabólicas. Por exemplo: a vassoura consagrada para varrer todo mal da nossa casa é de Deus ou do diabo? Através dessa vassoura Deus por fazer o milagre acontecer e tirar toda maldição da nossa vida? É o que faz a Igreja Despertar da Fé, no centro de Belo Horizonte, Minas Gerais, como vemos em vídeo divulgado na Internet.
            Quando entendemos claramente o que é a blasfêmia contra o Espírito Santo revelada na Bíblia, temos segurança para julgar todas as coisas sem o medo de incorremos neste pecado imperdoável. Então podemos iniciar afirmando: a blasfêmia contra o Espírito Santo é o que está ensinado em Marcos 3:28,29, Mateus 12:32 e Lucas 12:10. Não é aquilo que pensamos ser, mas aquilo que a Palavra de Deus declara que é. Não é qualquer pecado que julgamos grande e imperdoável, mas o que o Senhor afirmou ser imperdoável. Vamos analisar o texto de Marcos 3:20-35, observando o seu contexto e todos os fatos que levaram o Senhor ao ensino dos vs. 28 e 29. Neste ponto, Jesus já vinha sofrendo uma forte oposição dos escribas e fariseus, que contestavam a natureza do seu ministério e a validade dos sinais que Ele realizava, motivados por ciúmes. No capítulo segundo, dois episódios nos chamam a atenção. Primeiro, Jesus havia sido acusado de ser blasfemador ao perdoar os pecados de um homem que havia sido curado de paralisia (v. 7). Somente Deus tem poder para perdoar os pecados; agindo assim, Jesus fazia-se igual a Deus, o que para os judeus era inadmissível e digno da mais severa punição. Mais adiante, o Senhor foi advertido pelos fariseus porque os seus discípulos não guardavam o sábado (v. 24), rebatendo-lhes: “de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado” (v. 28). Isto significa que Jesus é o dono do perdão, da cura e do dia santo dos judeus.
            A essa altura já estava bastante claro que a popularidade de Jesus crescia entre os populares, acima de tudo as pessoas sempre desprezadas pelos fariseus e escribas. Aqueles que possuíam apenas a figura desses líderes religiosos como modelo, passaram a enxergar em Jesus alguém diferente, como lemos em Mateus 7:28,29, após o Sermão do Monte: “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas”. Em Mateus 12:22,23, que está dentro do contexto de Marcos, Jesus acabara de realizar a libertação de um endemoninhado cego e mudo. A admiração da multidão despertou a inveja nos escribas e fariseus, o que desencadeou a sua hostilidade contra Jesus. Até mesmo a sua família não cria nele, afirmando que estava fora de si e saiu para prendê-lo (Mc 3:21). Nesta feita, os escribas que haviam descido de Jerusalém, diziam: “Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo maioral dos demônios que ele expele demônios” (v. 22). Eles estavam afirmando que Jesus estava endemoninhado e atuava pelo poder de Belzebu, transformando a encarnação de Deus numa obra maligna ou na encarnação do próprio mal.
            Da acusação dos escribas contra Jesus, surge o significado de “blasfêmia contra o Espírito”: ela é um pecado consciente e deliberado contra o conhecimento claro da verdade e da evidência da divindade de Cristo, atribuindo a obra do Espírito Santo ao próprio Satanás” (LOPES, 2016). É preciso, entretanto, cuidado na compreensão deste ensino, para não cairmos no erro de definirmos de acordo com o nosso próprio entendimento que obra é do Espírito. Jesus não está abrindo espaço para condenarmos como blasfemador aquele que, por exemplo, afirma que o falar em línguas estranhas não é do Espírito; ou que uma pessoa que se contorce, roda e se joga ao chão gritando também não é uma obra do Espírito Santo. Se assim fosse, qualquer novidade espiritual criada pelas igrejas que fazem uso desse tipo de manifestação teria que ser aceita como divina, sem questionamento, sob o risco de blasfêmia contra o Espírito. O que a Bíblia nos ensina sobre isto é que essa é uma blasfêmia consciente contra a verdade, atribuindo o que é de Deus a Satanás. O que nos levará ao restante deste capítulo, onde apresentaremos meios de discernir o que é de Deus ou não.
            Logo, blasfemar contra o Espírito Santo é declarar que Jesus opera segundo o poder de Satanás, como seu aliado. Podemos aqui fazer uma ponte entre a realidade apresentada em Hebreus 6:4-6 e a blasfêmia contra o Espírito Santo. Os judeus acusavam Jesus Cristo de blasfemar quando se autoafirmava Deus (Jo 10:33). Do mesmo modo, Jesus os acusava de blasfêmia por imputarem os seus milagres à atuação do diabo (Mt 12:22-31). Nos dois episódios vemos a negação do caráter messiânico de Jesus, tanto afirmando que Ele não era o Ungido do Senhor, quanto dizendo que as suas obras eram feitas pelo poder de Belzebu. Em ambos os casos a condenação é cabida pela total incredulidade. Não é uma simples negativa ou dúvida a respeito de alguma obra de Cristo, mas da sua própria natureza divina. Não é possível trazer ao arrependimento os que assim creem. Existe aí um endurecimento total do coração que extingue toda possibilidade de conversão (cf. Hb 10:26-31). Sendo impossível discernir entre aquilo que é divino e o que é diabólico, como voltar-se para Deus? Podemos ver aqui uma clara apostasia (cf. 3:12; 6:4-8; 12:25; cf. tb. Is 1:2,29,30; 2 Pe 2:21). A blasfêmia contra o Espírito Santo é uma demonstração de que o blasfemador jamais foi convertido.

Este estudo faz parte do livro BATALHA ESPIRITUAL: UMA LUTA EM DEFESA DA VERDADE, de minha autoria, ainda a publicar.

Estou em busca de patrocinadores para a publicação deste livro. Pode ser pessoa física ou jurídica. Você pode contribuir com qualquer valor. Entre em contato comigo:

AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

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