domingo, 14 de abril de 2013

AUTOCONHECIMENTO: SUA IMPORTÂNCIA PARA O CRISTÃO




AUTOCONHECIMENTO
A importância do autoconhecimento para o crescimento espiritual


TEXTO ÁUREO: Números 13:25-33

INTRODUÇÃO

Amados irmãos e irmãs, o nosso objetivo é fortalecer a nossa identidade como discípulos de Cristo para que possamos entender o nosso papel no seu reino e trabalhar para o crescimento e o avanço da sua igreja. Não podemos fazer isso sem, contudo, ter certeza de que conhecemos a nós mesmos. Quem somos? O papel desta lição é ajudá-los nesse processo de autoconhecimento para que nos tornemos cada dia mais conscientes daquilo que Deus deseja para nós.


PERGUNTA DE TRANSIÇÃO

Será que temos plena consciência de quem somos, com todas as nossas virtudes e os nossos defeitos, com nossos dons e talentos? Será que esta visão que temos de nós mesmos é a correta? Estamos colocando quem somos a serviço do Reino de Deus?


O REAL VALOR DO SER HUMANO

·         O humanismo é uma atitude filosófica que faz do homem o valor supremo e que vê nele a medida de todas as coisas. O Humanismo contemporâneo, sobretudo os existencialistas e de certas correntes marxistas, define o homem como o ser que é o criador do seu próprio ser, pois o humano, através da história, gera a sua própria natureza.
·         Em parte está certo, porque o homem constrói a sua própria realidade através das suas escolhas e atitudes.
·         Enquanto o humanismo supervaloriza o homem e anula a existência de Deus e o seu mover na vida da humanidade, algumas teologias cristãs tendem a desvalorizar o ser humano e discriminá-lo.
·         Há que se buscar a visão correta e bíblica. Deus valoriza o homem (Gn 1:31), embora este seja pecador (Rm 3:9-23). Por amor ao ser humano, Deus se fez homem e morreu em seu lugar (Jo 3:16).


A IMPORTÂNCIA DO AUTOCONHECIMENTO

Como vimos no nosso texto introdutório, as nossas ações são afetadas pela visão que temos de nós mesmos e da realidade que nos cerca. Se nos enxergarmos pequenos e incapazes, essa visão limitará a nossa atuação no mundo e na obra do Senhor. Se a visão que temos acerca de nós mesmos for uma visão equivocada, baseada em traumas, complexos, informações erradas transmitidas pelos nossos pais e baixa autoestima, dificilmente sentiremos que temos algum valor, que podemos realizar grandes coisas.

Isso aconteceu com os espias. Alguns olharam para o problema e se viram pequenos demais e incapazes de superá-lo. outros olharam para o mesmo problema e confiaram que eram capazes de realizar aquilo que parecia ser impossível. Além da baixa autoestima por parte dos espias covardes, também existia a falta de confiança nas promessas de Deus e no seu poder para lhe dar a terra que havia lhes prometido.

O autoconhecimento nos leva a:

·         Conhecer-nos como seres únicos e especiais, criados segundo a imagem e semelhança de Deus e selados com o Espírito Santo.
·         Descobrir nossos dons e talentos para utilizá-los para a glória de Deus.
·         Reconhecer nossos pontos fracos e pecados que precisam ser trabalhados.
·         Entender o nosso papel na sociedade e no reino de Deus.
·         Muitas pessoas evitam o autoconhecimento, preferem enganar-se, mentindo para si mesmas ao invés de encarar a sua própria realidade. Quanto menos se conhecem, menos utilizam o seu potencial e menos produtivas se tornam na obra do Senhor.
·         Quem não conhece a si mesmo e não se aceita, dificilmente saberá conhecer e aceitar o irmão e o próximo.


AS VÁRIAS VISÕES ACERCA DE NÓS MESMOS (Jo 1:19-23)

João possuía uma visão correta acerca de si mesmo. Ele não pensava de si além do que devia. Sabia que não era o Messias e que jamais poderia assumir uma identidade que não era a dele. Se João não soubesse quem era nem o seu real papel na história da salvação, seria a pessoa errada, no lugar certo, fazendo a coisa errada. Ele não cumpriria o seu papel, mas viveria num esforço inútil em ser quem não era e fazer o que não foi chamado para fazer.

Quanto mais nos conhecemos e entendemos o nosso papel na sociedade e no Reino de Deus, mas podemos estar certos de que estamos sendo as pessoas certas, no lugar certo, fazendo a coisa certa, para a glória de Deus.

·         Quem somos nós: aquilo que achamos que somos, aquilo que as pessoas pensam que somos e aquilo que Deus sabe que somos.
·         É preciso uma visão equilibrada acerca de nós mesmos, sem preconceitos, orgulho, baixa autoestima, narcisismo e hipocrisia.
·         Não devemos permitir que fatores externos influenciem e moldem o nosso caráter – como as coisas do mundo. Nem podemos nos permitir manipular pelas pessoas ou nos tornar aquilo que achamos que elas querem que sejamos. Tampouco nos devemos deixar moldar pela carne.
·         Precisamos buscar uma identidade própria, aceitando-nos, mas sem nos conformar com o que somos, ao contrário, buscando sempre o crescimento integral do nosso ser.
·         Devemos nos entender como seres únicos, especiais, insubstituíveis, amados por Deus. Mas também como seres incompletos, que carecem de constante aperfeiçoamento.


NOSSAS ATITUDES DIANTE DO QUE SOMOS

·         Nossas atitudes são determinadas por aquilo que pensamos sobre nós mesmos. Em Números 13:30-33 vemos a atitude dos espias quando voltaram da sua missão: talvez por causa do tempo de escravidão no Egito, a visão que tinham de si mesmos estava bastante limitada e condicionada às circunstâncias, mesmo tendo a promessa de Deus e diante dos seus milagres e prodígios que os levaram até ali. Eles haviam se libertado da escravidão, mas a imagem que haviam criado para si de escravos, de seres pequenos e incapazes ainda não havia se apagado.
·         A nossa perspectiva de nós mesmos sem uma avaliação sincera e meticulosa pode nos levar ao autoengano.
·         Se aceitarmos os rótulos que nos são colocados, se aceitarmos que o passado manipule o nosso Eu hoje, se permitirmos que o mundo se torne um padrão para a construção do nosso caráter e decida o nosso comportamento, se nos deixamos guiar pelo pecado que habita em nós, que visão construiremos de nós mesmos?
·         Sob qual perspectiva estamos nos enxergando? Se não estivermos seguros de quem somos, permitiremos que a visão dos outros invada a nossa vida até nos tornarmos criaturas estranhas a nós mesmos. Um dia nos perguntaremos: Quem sou?


O AUTOENGANO (1 Jo 1:8)

É possível estarmos enganados a respeito de quem somos, não somente pelas informações equivocadas que ajudaram a moldar o nosso “eu”, como também pela falta de uma autoavaliação sincera que nos faça entender quem realmente somos.

·         É possível enganarmos a nós mesmos. O pior autoengano não é aquele que acredita em informações erradas a nosso respeito, mas aquele que sabe que não somos aquilo que afirmamos ser, quando lá no fundo sabemos que estamos mentindo.
·         Enganamos a nós mesmos quando: 1) não nos conhecemos como de fato somos; 2) não admitimos as nossas falhas e a necessidade de mudança; 3) quando temos uma visão errada de nós mesmos; 4) quando não queremos mudar.
·         A visão que temos de nós mesmos é determinante para as nossas escolhas e são elas que ditarão o nosso modo de viver. Algumas pessoas para crescerem ou mesmo para se enturmarem, tomam atitudes contrárias ao seu verdadeiro “eu”, o que pode levá-las a um sentimento de deslocamento, além da perda da sua própria identidade e da depressão.
·         Quanto mais equivocada for a visão de nós mesmos, mais nos distanciaremos do ideal de Deus para nós.


A NOVA IDENTIDADE QUE DEUS NOS DÁ (Sl 139:13-17)

·         Para nos conhecermos como realmente somos, devemos nos enxergar na perspectiva de Deus, pois foi Ele quem nos criou. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais aprimoramos a visão que temos de nós mesmos e maiores chances temos de crescer. Deus nos mostra que somos pecadores e nos oferece a santificação como alternativa.
·         Deus não é como nós que julgamos pela aparência, mas Ele enxerga o nosso coração (1 Sm 16:7). Ele sonda o nosso íntimo, os recantos mais escondidos do nosso ser (Sl 7:9; 139:1; Pv 21:2; Rm 8:27; Ap 2:23).
·         Deus agrega valor ao ser humano, como fez com Davi (1 Cr 17:7,17).
·         Quando nos convertemos, Deus nos dá uma nova identidade. De pecadores errantes em um mundo perdido, passamos a seus filhos e servos, herdeiros do seu reino; de trevas Ele nos transforma em luz; de egoístas e orgulhosos, em santos.
·         A nova identidade de Deus para nós é de novas criaturas (2 Co 5:17). Não importa quem fomos, o que as pessoas pensam de nós ou o que o mundo tenta nos impor, mas o que Deus diz que somos e o que Ele quer que sejamos. Em Cristo Deus nos faz santos e irrepreensíveis (Ef 1:4)
·         Assim como aconteceu com Gideão (Jz 6:12-16), precisamos aceitar a nova identidade que Deus nos dá, a renovada e perfeita visão de nós mesmos para que tenhamos os nossos nomes escritos entre os heróis da fé (ver tb. Abraão, Moisés, Sansão, Davi, Samuel, etc.). Essa nova visão redundará consequentemente em atitudes coerentes e positivas. Se ficasse escondido detrás da sua visão limitada de si mesmo e rejeitasse o propósito de Deus para a sua vida, teria Gideão obtido algum êxito? Se ele fosse um mero produto do meio e das circunstâncias, onde ele teria chegado? A partir do momento que ele permitiu que a visão de Deus o impregnasse, grandes foram os seus feitos.
·         A visão positiva que Gideão tinha de si mesmo era a humildade, o reconhecer-se pequeno demais diante de um Deus tão poderoso e de problemas que, pela sua própria força, não seria possível resolver.
·         Um encontro pessoal com Cristo transforma a visão que temos de nós mesmos e nos dá uma nova identidade que nos capacita a amá-lo e a servi-lo, como aconteceu com o a mulher samaritana.


REGRAS PARA A AUTODESCOBERTA

Para uma autoavaliação sincera a respeito de si mesmo, faça-se as seguintes perguntas:

·         O que mais desejamos. Procure dentro do seu coração os seus desejos mais secretos, aqueles que você geralmente não compartilha com ninguém. Existem desejos que fazemos questão de externar (ideias, planos, sonhos e até mesmo alguns poucos pecados), mas a essência do que o nosso coração anseia permanece oculta, entre nós e Deus.
·         O que mais pensamos. Que tipo de pensamentos mais ocupam a nossa mente, aos quais dedicamos a maior parte do nosso tempo? Não é aquilo que pensamos porque a Bíblia ensina assim, mas o que de fato idealizamos a respeito das coisas. Pensamos mais em Deus ou em nós mesmos? O reino de Deus ocupa espaço na nossa mente? Pensamos no próximo?
·         Como usamos nosso dinheiro. Muitos crentes resistem em ofertar dinheiro na Igreja, em investir na obra do Senhor, mas gastam seu dinheiro com coisas que não precisam, com vícios e com o consumismo. A forma como utilizamos nossos recursos materiais – que podem ou não ser dinheiro – dizem muito a respeito do que valorizamos e demonstra quem de fato somos.
·         O que fazemos com o nosso tempo. O modo como utilizamos tanto o nosso tempo útil quanto o nosso tempo ocioso diz muito a respeito de nós mesmos. As atividades com as quais nos ocupamos e o que fazemos nas horas de lazer demonstram nosso caráter. Quanto tempo de qualidade gastamos com a nossa família, com o cuidado com a nossa saúde e com as coisas de Deus? Temos investido tempo em orar, ler a Bíblia, evangelizar, promover o bem? Ou gastamos nosso tempo com ociosidade infrutífera, uma vida desregrada e vícios?
·         A companhia que gostamos. Existe um ditado popular que afirma: “Diga-me com quem andas que te direi quem és”. Embora possamos andar com pessoas ímpias e ainda assim mantermos a nossa santidade – como o Senhor Jesus – geralmente nosso tipo de amizade fala muito sobre nossos gostos e preferências. Estar na companhia de pessoas que não agradam a Deus para desagradar a Deus juntamente com elas nos diz muito de nós mesmos (Sl 1).
·         Quem e o que admiramos. Quem são os nossos heróis? Quem são os nossos artistas preferidos? Quem são as pessoas no nosso meio familiar, social e religioso que admiramos e queremos imitar? Muitos procuram modelos errados para se espelhar, não olham para o Senhor Jesus, nem tampouco admiram a vida dos grandes homens de Deus da história da Igreja ou mesmo aqueles que frequentam a sua própria congregação. Quem admiramos diz muito sobre quem somos e quem desejamos nos tornar.
·         Sobre o que podemos rir. O que traz alegria ao seu coração? Sobre o que você é capaz de rir? De piadas a respeito de Deus? Do sofrimento de alguém? Aquilo que nos faz rir, que alegra o nosso coração, é o que valorizamos ou desprezamos. Podemos rir do fracasso dos nossos inimigos? Podemos nos entristecer com a vitória dos nossos amigos? A resposta que dermos a respeito do que podemos rir dirá muito sobre a nossa personalidade, o nosso caráter.


9. CONCLUSÃO

A Palavra de Deus nos ensina a amar ao próximo como a nós mesmos. Como poderemos nos amar sem nos conhecermos, sem nos aceitarmos, sem nos compreendermos? E se não nos conhecemos, não nos aceitamos, não nos compreendemos, como poderemos fazer isso com o nosso próximo? O autoconhecimento é de suma importância no amor fraternal. Mas não é o conhecimento pelo conhecimento. Ele deve nos impulsionar a buscar santidade e obediência a Deus; deve nos fazer conhecer o nosso papel no seu reino e nos levar a servir. Em primeiro lugar, porém, deve estar o conhecimento de Deus: quanto mais conhecemos a Deus, mais sabemos acerca de nós mesmos e da sua vontade para nós.


Mizael de Souza Xavier, todos os direitos reservados











Um comentário:

  1. MUITO IMPORTANTE TUDO ISSO, MAS INFELIZMENTE NÃO SÃO TODOS QUE PROCURAM ENTENDER. AS VEZES QUEREMOS PRATICAR E SOMOS MAU INTERPRETADOS, MAS NÃO DESISTO. HAJA O QUE HOUVER E DEUS SABE, GRAÇAS A ELE TENHO PROCURADO VIVER ISSO.

    CLEIDE.

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