sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

O PREGADOR DE SUCESSO


 

O pregador de sucesso

Mizael de Souza Xavier


"As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava" (At 8:6).


Podemos dizer com certeza que o maior pregador da era moderna do Cristianismo foi o grande evangelista norteamericano Billy Graham, falecido em 2018. Ele pregava a incontáveis multidões, tanto presencialmente como em seus programas de TV. Outros grandes homens de Deus que vieram antes dele, como John Wesley e Charles Spurgeon, também figuram na história do Cristianismo como pregadores cheios do Espírito Santo, que levaram milhões de pessoas ao conhecimento de Jesus e da sua salvação. Em Atos 8, logo após o martírio de Estêvão, encontramos Filipe que operava grandes sinais e anunciava a Cristo, de modo que as multidões o seguiam de perto. O seu ministério, portanto, estava rendendo muitos frutos para o Reino de Deus. Qualquer pastor, missionário ou evangelista dos dias atuais se sentira realizado ministerialmente, seria considerado um grande homem de Deus e um pregador de sucesso.


Todavia, Jesus retirou Filipe do meio das multidões e o enviou para pregar o Evangelho em um local desértico e para apenas uma pessoa: um eunuco que estava de viagem e lia o livro do profeta Isaías (vs. 26-40). Imaginemos os pregadores famosos da atualidade, que em nada lembram Wesley, Spurgeon ou Graham, sendo convocados pelo Senhor a deixarem suas suntuosas igrejas e seus milhares de fiéis para servirem-no em um lugar ermo, com poucas pessoas e parcos recursos. Imaginemos os pregadores "coaches", os "apóstolos" e os empresários da fé deixando tudo isso para trás, a fim de sevir a pessoas humildes, que só possuem um desejo insaciável de conhecer a Deus. Filipe atendeu prontamente a voz do Senhor Jesus e partiu para pregar a apenas uma alma, que foi convertida e batizada. Filipe não era um pregador das multidões, mas um pregador do Senhor, por isso não importava quantos fossem escutá-lo.


Pensemos sobre o que Deus quer nos falar. O sucesso da pregação não está na performance do pregador nem na quantidade de pessoas que ele arrebanha com sua pregação, mas na sua capacidade de obedecer a voz do Senhor. A conversão do pecador é operada pelo Espírito Santo, e isso está totalmente fora do nosso controle. Talvez Deus nos leve a pregar a multidões ou nos envie para algum povoado perdido no mapa, onde existem várias almas que Ele quer salvar. Não pregamos para aparecer ou para nos tornarmos famosos, mas para que Jesus seja conhecido e vidas se rendam a Ele. Não importa o número daqueles que responderão positivamente ao apelo à conversão, porque sempre será o número exato daqueles que o Senhor quis salvar. Da boca do pregador deve sair a Palavra que gera a fé e ele precisa entender que a obra é de Deus, não dele.


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DOZE CESTOS CHEIOS

 


Doze cestos cheios

Mizael de Souza Xavier


Os Evangelhos estão repletos de grandes sinais e milagres operados pelo Senhor e que hoje enchem de esperança todos aqueles que leem o Livro Sagrado. Um deles está relatado no Evangelho segundo João e é um dos mais conhecidos: a multiplicação dos pães, em João 6:1-15. Naquela ocasião, o Senhor saciou a fome da multidão de quase cinco mil homens que o seguia com apenas cinco pães e dois peixinhos, sobrando doze cestos cheios. Geralmente, quando esse texto é pregado, a mensagem apresentada fala do Senhor que realiza milagres, que socorre os famintos e multiplica as bênçãos. Jesus é o Deus da fartura! As suas bênçãos superabundam na vida daquele que nele crê. Embora Deus sempre nos abençoe, não é isso que deveria nos chamar a atenção no texto. Indo um pouco mais adiante, após a travessia do mar rumo a Cafarnaum (vs. 16-21), lá estava a mesma multidão do outro lado (vs. 22-25), ao que o Senhor lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo” (vs. 26,27).


Hoje, continuamos a pregar sobre a multiplicação dos pães com o mesmo espírito daqueles que deles comeram e se fartaram: interessados nos pães, nas bênçãos. Não entendemos nada! O que importa não é o que foi multiplicado, mas a própria multiplicação, que revelou o caráter messiânico e divino do Senhor Jesus e que proclamava o seu Reino, que havia chegado com a sua encarnação, que manifestaria o seu poder com a sua ressurreição e que se tornaria completo com a sua segunda vinda. Como aquelas pessoas não estavam interessadas em uma comida espiritual e imperecível, parece que nós também não estamos, porque nem sempre buscamos a Deus, mas as suas bênçãos. Ficamos com os pães e os peixes, enchemos nossos cestos até transbordarem, mas não trabalhamos pela verdadeira comida que jamais perece e que é a que realmente deve nos importar.


Ao falar sobre todos os sinais que o Senhor Jesus realizou, João escreve: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20:30,31). O objetivo dos sinais e do próprio Evangelho escrito por João não era para que, crendo, tivéssemos milagres, bênçãos e vitórias, mas vida em seu nome! Este é o verdadeiro sinal trazido pelo Senhor: o Filho de Deus que, vindo ao mundo, ilumina a todo homem (Jo 1:9-18); o Messias que deu sua vida pelos pecados da humanidade, para salvar aqueles que viessem a crer, não nos milagres, mas na sua natureza divina e na sua obra salvífica. Não temos notícias sobre onde foram parar os doze cestos cheios que sobraram naquele dia, mas podemos ter certeza de que aqueles que creram em Jesus para a salvação estão com Ele no céu. Quem vamos querer: os milagres de Deus ou simplesmente Deus, com ou sem milagres?


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A CENTRALIDADE DE CRISTO NA PREGAÇÃO

 


A centralidade de Cristo na pregação

Mizael de Souza Xavier


Quem poderia responder qual é a mensagem central da Igreja ao observar o tipo de mensagem que tem sido pregado na maioria das igrejas atuais? Com certeza, diversos elementos acabariam por revelar uma mensagem híbrida, formada por muitas teologias e práticas sem nenhuma linha mestra, sem muitos elos em comum. Quando olhamos para a Bíblia e buscamos nela a essência da sua mensagem, o ponto central da sua existência, descobrimos que é um só, de Gênesis a Apocalipse: a pessoa do Senhor Jesus. É o que Paulo lembra aos crentes de Corinto (1 Co 15:1:33). A mensagem a eles pregada foi que Cristo morreu e ressuscitou segundo as Escrituras, o que foi testemunhado por inúmeras pessoas, incluindo os apóstolos e o próprio Paulo. Ao contrário dos falsos ensinos que os coríntios estavam recebendo de outros, a ressurreição de Cristo é um fato, como também é a garantia de que nós mesmos ressuscitamos com Ele pela fé e ressuscitaremos dos mortos na sua vinda, quando a morte será aniquilada.

É esse Evangelho que separa os crentes dos miseráveis, que não possuem tal esperança. Se não acreditarmos na ressurreição do Senhor e na nossa, onde estará a nossa esperança? Contra o falso ensino que corroía a fé da Igreja, Paulo adverte: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (v. 33). Infelizmente, as más conversações não pararam em Corinto, mas perduram, principalmente, nos dias atuais, onde a mensagem da cruz e a centralidade de Cristo não encontram mais espaço em muitos púlpitos e mensagens evangelísticas. Não que se pregue contra a ressurreição de Jesus ou que seu Nome não esteja presente nas mensagens modernas. A ressurreição apenas deixou de ser relevante diante de temas mais urgentes, como bênçãos e vitórias; e o Nome de Jesus transformou-se apenas numa senha de acesso a essas coisas. A mensagem que os pregadores mais famosos e bem pagos apregoam é o “evangelho dos miseráveis”, que não apresenta nada ao pecador que vá além desta vida.

No v. 57, após descrever como será a ressurreição dos mortos, o apóstolo Paulo fala em vitória, palavra tão apreciada ultimamente. Não é uma vitória financeira, mas sobre a morte, conquistada para nós pelos méritos de Cristo. Ele é a mensagem central do Evangelho e de toda a Bíblia. A sua morte e ressurreição para aplacar a justa ira de Deus contra nós é o bom costume do qual Paulo falou anteriormente e as más conversações o tem corrompido. O que sobra quando o Senhor Jesus é retirado do seu lugar único na nossa fé? Para Deus, tudo permanece como está e os salvos jamais se perderão. Mas para aqueles que desprezam o Evangelho da cruz e baseiam sua fé nas más conversações, resta apenas a vergonha eterna ao lado dos falsos profetas no inferno. É isto que devemos entender: os planos de Deus não se alteram, Ele continua sendo Deus e Jesus permanece como único Redentor. Retomar a centralidade de Cristo na pregação é o que a Igreja precisa fazer. Ele e somente Ele é o bom costume da nossa fé.


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terça-feira, 29 de novembro de 2022

EU SOU: DEUS É QUEM ELE É



Eu sou: Deus é quem Ele é

Texto áureo: Êxodo 3:13,14


Para cada pergunta que fizermos a respeito de Deus, a Bíblia tem a resposta. Todavia, pode ser que nem sempre a resposta nos agrade ou pode ser que estejamos perguntando a respeito de outro que não Jeová. Mas ainda assim a Bíblia nos dará a resposta ao falar dos falsos deuses. O Deus que cremos é aquele que Ele afirma que é em sua Palavra, com todos os seus atributos visíveis e invisíveis. Algumas pessoas, porém, são experts em reinventar Deus, formando através da sua própria imaginação e conveniência a imagem do deus que elas julgam ideal. Para isso, deturpam a sua Palavra ou a desconsideram. Então surge o deus submisso às vontades e caprichos dos fiéis, o deus sem moral ou ética, o deus permissivo que aceita toda sorte de pecados porque ama o ser humano e quer vê-lo feliz. Alguns reinventam Deus por mera falta de conhecimento. Baseiam-se mais na experiência e testemunhos de outros do que naquilo que a Bíblia ensina. Esse deus dependerá do emocional de cada um que o invoca, das suas crenças nem sempre bíblicas.

Não podemos entender ou explicar Deus em sua completude, mas aquilo que Ele se propôs a nos revelar de Si por meio da revelação escrita e do Senhor Jesus está na Bíblia e deve ser crido e estudado. No livro do Êxodo, Deus se revela a Moisés como o EU SOU, quando Moisés indaga: Eis que quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: o Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? (v. 13). Deus lhe respondeu: “Eu Sou o que Sou. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós outros” (v. 14). Deus possuía um nome, uma identidade, uma identificação histórica com o seu povo e era sobre Ele que Moisés deveria falar. Moisés não deveria conjecturar sobre Deus ou criar uma imagem dele de acordo com seu próprio entendimento e necessidade, mas deveria revelar ao povo de Israel o Eu Sou como Ele se revelava. Mais adiante, no livro do Êxodo, vemos que aquele povo teimoso e desobediente não se agradou muito do Deus que se revelava, preferindo construir um deus para si de acordo com seu próprio entendimento e necessidade: um bezerro de ouro (cf. Êx 32).

Deus é aquele que Ele é e não aquilo que queremos fazer dele. O Senhor determinou o que haveria de fazer ao povo de Israel e a sua vontade se cumpriria de qualquer forma. Mesmo diante da dureza de coração do Faraó e da incredulidade do seu próprio povo, Ele permaneceu o mesmo e seus planos não foram frustrados. Deus jamais se moldaria aos rótulos dos judeus nem ao desprezo e à arrogância dos egípcios. Ninguém pode moldar Deus de acordo com seu bel-prazer. Que conheçamos o Deus que a Bíblia nos revela e nos relacionemos com Ele como Ele realmente é. Muitos virão dizendo “Eis que Deus me falou”, mas não acreditemos neles. Leiamos a Bíblia!


Pensar-Sentir-Agir: Miqueias 7:18; Deuteronômio 7:9,10; João 8:58.

Ação transformadora: Adore o único Deus revelado na Bíblia.


Eu Sou o que Sou”

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