domingo, 8 de novembro de 2020

LOUVE A DEUS PELO QUE ELE FAZ. ADORE-O POR QUEM ELE É

 


"Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Salmo 19:1).

 

Alguns hinos cristãos são muito bonitos e trazem ótimas intenções, mas nem sempre conseguem ser bíblicos, ou seja: não transmitem a verdade da Palavra de Deus em sua inteireza. Um exemplo são alguns hinos que declaram: "Não o adoro pelo que Ele faz, eu o adoro pelo que Ele é"; ou: "Mas não o adoro pelo que Ele faz nem menos por bens materiais. Eu o adoro pelo que Ele é". A intenção dos compositores, com certeza, foi dizer que devemos adorar a Deus em todas as circunstâncias, mesmo as mais difíceis, porque Ele é Deus, não apenas quando Ele responde as nossas orações com o sim que tanto esperamos, como muitos fazem. Está corretíssimo! Entretanto, longe da intenção mesquinha, podemos e devemos adorar a Deus por tudo o que Ele fez e faz. O salmista escreveu: "Pois tu, Senhor, me alegraste com os teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos. Quão grandes são, Senhor, as tuas obras! Mui profundos são os teus pensamentos!" (Salmo 92:4,5). Devemos nos alegrar e exaltar a Deus pela vida, pela saúde, pela nossa salvação, pelas bênçãos que Ele nos dá, pelas lutas que nos trazem vitórias, pela nossa família, pelo pão de cada dia, pela sua igreja, pela sua Palavra, pela glória futura. Enfim, cada um de nós tem motivos infinitos para adotar a Deus pelo que Ele faz, inclusive pelas orações respondidas com um "não". Se Ele fizer, Ele é Deus. E se não fizer? Continua sendo Deus. Mas nós continuamos confiando nele? Quando adoramos a Deus pelo que Ele faz, jamais esquecemos de quem Ele é: Deus. Lembrando de tudo o que Deus já fez e tem feito por nós, jamais deixaremos de confiar nele e esperar pelo seu agir. Lembrar das obras de Deus também nos torna obedientes e submissos a Ele. Também lemos no livro de Salmos: "Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos" (143:5). Meditar nos feitos de Deus nos traz esperança nos momentos difíceis. Ele cuida de nós! Ele fez e continuará fazendo, porque Ele é Deus. Mesmo que sejamos infiéis, Ele permanece fiel (2 Timóteo 2:11-13). Exalte a Deus por tudo o que Ele tem feito na sua vida, mesmo aquelas coisas que aos seus olhos não pareçam boas, como uma grande provação. Louve-o pelo que Ele faz e adore-o por quem Ele é: Soberano sobre tudo e sobre todos, "Dando sempre graças por tudo ao nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (Efésios 5:20). A Ele toda honra e toda glória, agora e para sempre, em Cristo Jesus. Amém.  "Grandes coisas fez o Senhor por nós, e, por isso, estamos alegres" (Salmo 126:3).


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sábado, 7 de novembro de 2020

A PREGAÇÃO DA PALAVRA NA IGREJA

 


"Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (At 20:24).
 
Em seu fabuloso livro, intitulado "Pregação e pregadores" (ed. Fiel, 2008), o Dr. Martin Lloyd-Jones descreveu a pregação da Palavra como "a mais elevada, a maior e a mais gloriosa vocação para a qual alguém pode ser chamado" (p. 15). Entretanto, com felizes exceções, parece que a pregação expositiva da Bíblia nas igrejas está perdendo espaço para palestras sobre autoajuda e temas de interesse geral. O importante é deixar o culto e a mensagem atrativos, para que o perdido sinta desejo de ir ao culto e, quem sabe, aceite a Jesus. O Evangelho puro e simples, com temas como pecado, céu e inferno, parece não ser mais eficaz, além de afastar as pessoas da igreja. Além disso, sermões triunfalistas de prosperidade e isenção de sofrimento escondem que viver para Cristo traz dores e sacrifícios. É um evangelho sem cruz. Junta-se a tudo isso a baixíssima frequência aos cultos de ensino e à escola dominical. Soma-se, ainda, um preconceito irracional contra o ensino teológico que poderia salvar a mente do crente moderno e colocá-lo no centro da vontade de Deus.
 
A pregação bíblica genuína não pode perder seu espaço para o louvor, a dança e o teatro. Embora cada um desses possua a sua utilidade na liturgia do culto moderno e na evangelização, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus "pregada" (Rm 10:13-17). Essa Palavra é o Evangelho de Cristo (1 Co 1:23), a sã doutrina transmitida pelos apóstolos (1 Tm 1:10; 2 Tm 4:3; Tt 1:9; 2:1). Não é o testemunho das bênçãos que recebemos de Deus. Não é nem mesmo o testemunho do que Deus fez na nossa vida. Essas coisas, na pregação, são secundárias. Elas servem para ilustrar e até mesmo motivar os ouvintes. Mas o Espírito Santo irá trabalhar a partir da verdade bíblica racional e claramente explicada. Bom testemunho de conduta, até um ateu possui. Bênçãos vêm mesmo para os ímpios. Um pecador pode falar da sua vitória contra o vício citando os Alcoólicos Anônimos.
 
O diferencial da igreja cristã está em pregar a respeito daquele que possui as "palavras de vida eterna", Jesus Cristo. E é isso que devemos fazer. Não vemos em parte alguma da Bíblia a Palavra de Deus sendo transmitida de algum modo que não seja pela pregação oral. Leia os Atos dos apóstolos. No caso da Palavra escrita (a Bíblia), ela contém o que já foi transmitido oralmente, e que nós também devemos transmitir. Paulo ordenou a Timóteo: "Prega a palavra" (2 Tm 4:1,2). Em 2 Tm 2:2, o jovem pastor é orientado a transmitir a homens idôneos o que fora ouvido, para que eles, por sua vez, ensinem a outros. Além da forma oral, o conteúdo é muito importante. Se a nossa mensagem não é o Evangelho da graça de Deus e todos os seus desdobramentos (temporais e eternos), fiquemos calados. Se não lemos nem estudamos a Palavra de Deus, não ousemos pisar no altar. Se não temos interesse em nos tornar obreiros aprovados que manejam bem a Palavra da verdade (2 Tm 2:15), não somos dignos de estar no púlpito. Saiamos de lá. Louvo a Deus porque esta é uma preocupação constante do pastor da minha igreja.

Mizael Xavier

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BATALHA ESPIRITUAL: NÃO LARGUE A SUA CRUZ!


 


Disse sabiamente o reverendo Augustus Nicodemus, em seu livro "O que você precisa saber sobre batalha espiritual" (Ed. Cultura Cristã, 2015), que o objetivo principal do diabo não é atacar nossas finanças, nossa saúde, nosso casamento ou nosso emprego. Tudo isso são apenas meios que ele utiliza para roubar a nossa fé em Cristo e nos confundir ao ponto de nos neutralizar com as suas acusações (p. 89). O que o diabo quer ao atacar qualquer área da nossa vida é abalar a nossa confiança em Deus, tirar o nosso foco dele e da sua Palavra, e fazer morrer a nossa esperança. Não a esperança de que tudo ficará bem quando a vitória chegar, mas a esperança eterna, a vitória que já é nossa por meio de Cristo. Ele quer que desistamos do Evangelho, que larguemos a nossa cruz, amaldiçoemos a Deus e morramos, como sugeriu a mulher de Jó. Lembre-se de que Jó enfrentou sofrimentos indescritíveis infringidos por Satanás, com a permissão de Deus, mas manteve o seu caráter e a sua fé intactos.
 
Pense bem: quantas pessoas estão hoje longe da igreja, abandonaram a fé e voltaram para o mundo, porque tiveram a sua vida abalada por alguma tragédia pessoal. Questionaram a Deus, encheram-se de amargura e fizeram o que o inimigo queria: largaram a cruz. Elas não querem crer mais. Para evitar passar por isso, precisamos fortalecer a nossa fé pela graça do Senhor, usar a armadura de Deus e estar firmes no Evangelho da cruz (Ef 6:13-18). Resistir ao diabo e manter a fé intacta deve ser o nosso alvo nesta batalha contra as trevas. Não se trata de fé nas bênçãos, mas a doutrina correta, a fé salvífica. É essa fé que o diabo quer destruir. Ele deseja abalar a nossa certeza da salvação e o nosso anseio pela vinda gloriosa do Senhor.
 
Hoje, muitos crentes investem pesado no clamor por bênçãos e vitórias, mas muito pouco no estudo sistemático e aprofundado das Escrituras. A sua fé nas promessas está firme, mas o seu conhecimento e a sua obediência à Palavra, nem tanto. Quando o dia mau chegar, talvez não resistam. É Isso que o diabo deseja. É para isso que ele trabalha. De nada adianta uma vida de sucesso se naufragarmos na fé. Mesmo que tudo nesta vida esteja perdido, jamais devemos perder a fé em Deus. Lembre-se sempre: tudo aqui é passageiro. Família, saúde, emprego, casamento e dinheiro: tudo findará. Em breve o Senhor virá para levar seus escolhidos. Nenhum poder diabólico pode nos tirar isso, pois "Já  nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus" (Rm 8:1). Não esqueça disso jamais.

Mizael Xavier

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DOM ESPIRITUAL: CONHEÇA O SEU PARA SERVIR MAIS E MELHOR A DEUS

 



Deus separou pessoas específicas na sua Igreja para exercerem diferentes ministérios (Ef 4:11), tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos e a edificação do corpo de Cristo, com vistas ao amadurecimento da nossa fé (vs. 12-16). Uma obra de tal magnitude não pode jamais ser feita por pessoas despreparadas, mas existem parâmetros para a escolha de quem estará guiando a Igreja em seu caminho de serviço e amadurecimento (1 Tm 3:1-16; 5:17; Hb 13:17). Deus dá o dom conforme o ministério e a obra a ser realizada (1 Co 12:1-11). Quem tem o dom de ensino, por exemplo, atuará como mestre. Por isso, é importante que cada crente conheça o seu próprio dom, e a liderança esteja sensível para identificar os vocacionados para utilizá-los na obra do Senhor de maneira estratégica. Aliadas ao dom, estarão as questões morais e espirituais que vemos nos textos supracitados.

 

Em sua segunda carta a Timóteo, Paulo revela mais um fundamento importante da vida do obreiro: ele precisa ser aprovado (2 Tm 2:15). Neste texto, o termo "obreiro" não diz respeito a um cargo de obreiro, mas à natureza de todo aquele que trabalha na obra do Senhor. No caso de Timóteo, ele era pastor. E como o obreiro demonstra que é aprovado? Ele "maneja bem a Palavra da verdade". Esse manejo está ligado ao estudo, interpretação e aplicação correta da Sagrada Escritura. Isso era de suma importância naquela época em que alguns haviam se desviado da verdade (v. 18). Então imaginemos hoje, com uma variedade tão absurda de novas doutrinas e heresias. Mais adiante (4:1-5), Paulo exorta Timóteo a pregar com insistência a Palavra, porque em breve muitos se desviariam dela para abraçar os falsos ensinos que alimentam o seu ego. E é essa a teologia em voga em muitos ambientes que se autodenominam "igreja".

 

O apelo de Paulo é bastante atual. A igreja carece de obreiros aprovados, que não tratem o estudo teológico com leviandade, mas que se aprofundem no conhecimento bíblico para apresentar um ensino substancial à Igreja. A superficialidade do ensino bíblico de hoje não promove um conhecimento profundo da Palavra de Deus nem fornece bases teológicas eficazes contra os modismos heréticos modernos. O obreiro aprovado maneja bem a Palavra da verdade para a edificação de si mesmo e da igreja. Ele tem conteúdo. Ele está preocupado com a exegese do texto bíblico. Ele não coloca palavras da boca de Deus, mas prega o que a Bíblia de fato revela. Não são os seus pensamentos que guiam a fé dos irmãos, mas os pensamentos de Deus revelados nas páginas da Bíblia. Não existe sucesso ministerial sem conhecimento teológico profundo. Não é possível haver edificação e amadurecimento do corpo de Cristo se, no exercício dos dons, o conteúdo da Palavra de Deus não for levado a sério.

Mizael Xavier

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