quarta-feira, 24 de julho de 2024

SOMOS PEREGRINOS A CAMINHO DO CÉU


Somos peregrinos a caminho do céu
(Mizael Xavier)

Uma das grandes descobertas que fazemos quando entregamos nossa vida a Jesus, é que estamos neste mundo apenas de passagem, porque a nossa verdadeira morada não é aqui, mas no céu (cf. Filipenses 3:20). Para o crente verdadeiramente convertido, que tem a sua alegria no Senhor, saber disso é sinônimo de esperança, uma vez que seu coração anseia por estar com o Senhor na Israel celestial. Entretanto, para tantos outros, saber que a sua esperança e segurança não devem estar neste mundo e que nosso verdadeiro tesouro é o Reino de Deus e não as riquezas e bençãos desta vida, pode ser frustrante viver na perspectiva de um futuro de bençãos celestiais, não de bençãos aqui e agora. Mas meditemos um pouco sobre esta verdade tão maravilhosa e cheia de esperança e alegria: somos apenas peregrinos em um mundo que está prestes a acabar, enquanto aguardamos a vinda bendita do Salvador para nos levar de volta ao lar, de volta à presença gloriosa do Pai.

Em todo o décimo primeiro capítulo de sua carta, o autor de Hebreus, inspirado pelo Espírito Santo, revela-nos verdades maravilhosas sobre a nossa peregrinação. Ele inicia o capítulo com uma descrição do que é a fé: "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem" (v. 1). Ao se aterem apenas a este versículo, sem uma correta exegese do texto, que leva em conta todo o contexto do livro e deste capítulo especificamente, muitos pregam erradamente sobre tomar posse antecipada de bençãos e vitórias que Deus tem para nós e que não vemos, mas enxergamos com os olhos da fé. Entretanto, não é sobre isso que o texto fala. Nos versículos posteriores, começando por Abel e Caim, o autor de Hebreus mostra o que quis dizer sobre a fé como a certeza de algo que não se vê, mas se espera. Todos os homens e mulheres que tiveram suas histórias de sofrimento e martírio relatadas por ele tinham um ponto em comum: eles não esperavam por riquezas e honrarias neste mundo, mas por uma pátria celestial, onde não haveria mais sofrimento e, acima de tudo, onde estariam com o Senhor para sempre. O v. 16 resume bem isso:

"Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade."

O galardão que eles esperavam (v. 26) era a salvação em Cristo Jesus, numa época em que ainda só existiam as promessas e as profecias, que agora são concretas para nós, que vivemos em um mundo para o qual o Messias já veio cumprir sua missão e nos deu completa redenção. O autor de Hebreus conclui (vs. 39,40):

"Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados."

Como aqueles que hoje chamamos de "heróis da fé", nós também somos peregrinos neste mundo de aflições. Todavia, mesmo diante das mais duras provas, mesmo em meio às mais intensas provações, na cova dos leões ou na fornalha a arder, temos suas promessas preciosas do Senhor. A primeira é que Ele sempre estará conosco como aquele que venceu o mundo e nos garante a nossa vitória, que é a sua vitória. Ele nos diz, em João 16:33:

"Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo."

A Bíblia está repleta de promessas que nos garantem que Deus não nos desampara, mas nos abençoa, socorre, fortalece e orienta. Ele está ativo na história do mundo e na nossa própria história. Nossas orações e nossas lágrimas são conhecidas antes mesmo de existirem. Antes possamos elevar a Ele nosso clamor, Deus já tem a resposta para nos dar. O seu poder não falha e a sua boa, agradável e perfeita vontade jamais deixa de se cumprir. O Senhor está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mateus 28:20). O nosso Deus é aquele do Salmo 46, onde lemos (vs. 1-3):

"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem-presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam."

Mas se esperamos em Deus apenas em relação às coisas desta vida, somos tão miseráveis quanto aqueles quem nem acreditam em Deus. Então, falemos da segunda promessa do Senhor, a mais preciosa e aguardada por todos aqueles que entenderam a mensagem do Evangelho, sabem que são peregrinos e possuem a mesma fé e a mesma esperança que os heróis de Hebreus 11: a promessa da vinda do Senhor e a nossa estadia eterna no seu Paraíso, onde todas as dores, crises e dilemas não mais existirão. Leiamos Apocalipse 21:1-7:

"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho."

Que grandiosas promessas fez o Senhor para aqueles que o amam! Nada mais de lágrimas nem morte. O luto desaprenderá, as doenças, a desigualdade social, nossos pecados e todas as artimanhas do inimigo da nossa alma: tudo terá fim. No paraíso celestial, somente a gloriosa presença do Senhor para todo o sempre. Mas precisamos atentar para uma verdade: essas promessas não irão alcançar aqueles cujo interesse está nelas, mas aqueles cujo interesse está em Deus. Quem busca a Deus por causa das suas bençãos, não terá a verdadeira benção: que é o próprio Deus. Enquanto muitos cantam que "o melhor de Deus ainda está por vir", como referência às bençãos de Deus a serem desfrutadas ainda nesta vida, o melhor de Deus (o Senhor Jesus) já veio e já nos preparou bençãos verdadeiras no porvir: a salvação eterna.

Irmãos, enquanto peregrinamos neste mundo mal, jamais esqueçamos que a nossa pátria não é aqui e que este deserto é apenas uma passagem. Diante das provas, mantenhamos firme a nossa fé e a nossa esperança, clamando pelo cuidado gracioso e pelas bençãos de Deus, mas sem negligenciar o Reino dos céus. Paulo escreveu aos coríntios, em 2 Coríntios 4:16-18:

"Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas."

Ele também escreveu aos romanos (8:18):

"Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós."

Por fim, atentemos às palavras do apóstolo Pedro, que teve seu lugar na lista dos mártires, sendo crucificado de cabeça para baixo para a glória do Senhor. Leiamos 1 Pedro 1:3-9:

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.





sábado, 8 de junho de 2024

EVANGELIZAR: A MISSÃO DE TODO CRISTÃO


Evangelizar: a missão de todo cristão

(Mizael Xavier)


A Igreja têm-se esquecido do ímpeto missionário que a caracterizou no início da sua caminhada e há poucos séculos, quando deu-se início às grandes missões orientais e ocidentais, que trouxeram a fé cristã reformada até as Américas e encheu de crentes em Cristo Jesus o Novo Mundo. Quando falamos em missões, todavia, não nos referimos apenas às missões transculturais, mas também às missões domésticas, regionais e locais. Todas parecem ter sido afetadas pelo desgaste da teologia ortodoxa, há muito invadida e influenciada pelo liberalismo teológico e outras forças contrárias, que transformaram a fé em um evento de realização pessoal e a pregação do Evangelho em um meio de vida para muitos pregadores e ministérios. As pessoas lá de fora, os descrentes, deixaram de ser almas que carecem de salvação e se tornaram possíveis clientes de ministérios que possuem a avareza de líderes e liderados como foco.


Sair às ruas, ir de casa em casa, pregar nos hospitais e presídios, levar o Evangelho aos drogados, às prostitutas e aos desvalidos tornou-se uma tarefa de poucos. Lembrar aos ricos de que eles perecerão se morrerem sem Cristo já não faz mais sentido. A mensagem que eles escutam é a de que, se participarem desta ou daquela campanha, ficarão ainda mais ricos. Em suma, mensagem comprometida e atos comprometidos. Embora a Internet e as redes sociais sejam grandes aliadas na missão evangelizadora da Igreja, está claro que evangelizar é a última coisa que se pensa de posse dessas ferramentas. Além disso, a facilidade em assistir cultos e aulas pelos meios digitais tem tirado muitos da congregação pessoal, formando um grupo de crentes virtuais, que se alimentam de vários tipos de alimentos, muitos deles estragados, e que não possuem compromisso algum com a igreja local, muito menos com a evangelização.


A cristandade precisa retomar a compreensão exata da sua natureza e assumir de vez o seu papel como embaixadores do Reino de Deus neste mundo. Além da ausência de uma teologia robusta de Missões mas pregações e no ensino bíblico, falta a compreensão da sua natureza e do seu papel por parte dos cristãos. Por que devemos nos envolver na evangelização? Esta é uma questão que deveria obter uma resposta urgente. Afinal de contas, a maioria daqueles que frequentam as igrejas evangélicas ainda acredita que evangelizar e fazer Missões é compromisso de alguns poucos chamados e ungidos. Alguns pregadores e escritores até colocam a evangelização como algo secundário, afirmando que não existe necessidade de se pregar o Evangelho hoje nas casas e que essa missão ficou restrita aos apóstolos. Ou seja, textos como Marcos 16:15 e Mateus 28:18-20 não estão em voga hoje, mais foram chamados específicos e que já se cumpriram.


O objetivo deste breve estudo é oferecer à igreja razões bíblicas sólidas e urgentes, que atestam claramente que a evangelização é uma missão para hoje, amanhã e até o Senhor voltar. A evangelização não exclui ninguém, embora alguns crentes parecem receber um chamado e uma capacitação específicos para se dedicar a este ministério, como acontece com outros ministérios na igreja local. Onde quer que estejamos e o que quer que façamos, somos crentes com a missão de viver e pregar o Evangelho da graça de Deus. De modo individual ou em grupos organizados, a nossa santa tarefa é ir, buscar os perdidos, falar a eles do amor de Deus e do Juízo Final, confrontando-os com seus pecados e chamando-os ao arrependimento e à conversão pela fé em Jesus Cristo.


Vamos, então, estudar algumas razões bíblicas para casa crentes se envolver ativamente com os eventos evangelísticos e missionários da sua igreja e investir na sua evangelização pessoal.


Leia todas as razões no livreto "Evangelizar: a missão de todo cristão", em formato de PDF. Peça o seu para você e a sua congregação. Ele é gratuito! Entre em contato comigo no Telegram: @mizaelsouzaxavier ou pelo e-mail: mizaelsouzaxavier@gmail.com



segunda-feira, 27 de maio de 2024

O QUE É O EVANGELHO?


O que é o Evangelho que pregamos? Vejamos dez características principais.

1. Poder de Deus

"Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego" (Romanos 1:16).

2. Uma notícia

"Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho" (Marcos 1:14,15).

3. Um chamado

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" (Mateus 11:28-30).

4. Um convite

"O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida" (Apocalipse 22:17).

5. Uma convocação

"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade" (Atos 3:19-21).

6. Uma condição

"Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação" (Romanos 10:9,10).

7. Um ultimato

"(porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação)" (2 Coríntios 6:2).

8. Uma garantia

"em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória" (Efésios 1:13,14).

9. Uma obra do Espírito Santo

"Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo" (João 3:5-7).

10. Pregar esta mensagem é a nossa missão

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado" (Marcos 16:15,16).

Mizael Xavier

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quinta-feira, 2 de maio de 2024

OITO CONSELHOS A TODOS OS EVANGELISTAS


Oito conselhos aos evangelistas
(Mizael Xavier)

1. Tenha uma vida de oração

Mantenha uma vida de oração constante. Ore para que Deus te abençoe com sabedoria, ousadia, oportunidades e amor pelas almas que carecem de salvação. Ore pela conversão dos pecadores. Ore por todos os evangelistas e missionários. Ore para que Deus envie mais trabalhadoras para a sua seara.

1 Timóteo 2:8; Efésios 6:18; Colossenses 4:2; Romanos 12:12; Mateus 5:44; Lucas 10:2

2. Leia e estude a Bíblia

Aplique-se todos os dias à leitura e ao estudo da Palavra de Deus, para conhecer a vontade de Deus e praticá-la. Conheça profundamente esta Palavra para ter conteúdo na sua evangelização, para responder aos contradizentes e para combater as heresias. Estude para ser um obreiro aprovado, evangelista, fazedor de discípulos e discipulador.

1 Timóteo 4:13; 2 Timóteo 2:15; 3:16,17; Deuteronômio 6:6-8; Josué 1:8; Romanos 15:4; Atos 17:11

3. Seja santo

Como portador da mensagem do Evangelho, tenha um estilo de vida santo e exemplar, para dar bom testemunho aos de fora e não se tornar um tropeço para o Evangelho. Ande na verdade e seja praticante da Palavra. Imite o Senhor em todo o seu procedimento.

1 Pedro 1:15,16; Efésios 1:4; Hebreus 12:14; 1 Coríntios 7:1; 1 Tessalonicenses 4:3-7; Romanos 6:19

4. Prepare-se

A oração e o estudo da Palavra de Deus são fundamentais na preparação do evangelista. Além disso estude sobre evangelização, técnicas de evangelismo, o conteúdo da pregação, cuidados a serem tomados e outros temas pertinentes antes de sair em campo.

Efésios 4:14,15; 6:10-20; Tiago 1:6; Romanos 12:1,2; 1 Pedro 3:15

5. Planeje

Além de planejar orar, ler e estudar a Bíblia, viver de modo santo e preparar-se constantemente, planeje cada ação evangelística, levando em conta as condições do local, o público alvo e o encaminhamento dos convertidos ao discipulado na igreja local. Plenaje também os recursos financeiros, estruturais e logísticos.

Provérbios 15:22; 16:3; 24:3,4; Lucas 14:28

6. Pregue o Evangelho

Não pregue nada além do Evangelho da graça de Deus, chamando os pecadores ao arrependimento e alertando-os sobre a vinda do Senhor, o Julgamento final e a condenação dos ímpios, no inferno. Pregue a salvação pela fé em Jesus Cristo, jamais Teologia da Prosperidade.

Mateus 10:7; 1 Pedro 2:9; Romanos 1:16,17; 1 Coríntios 1:7; Gálatas 1:6-9; Atos 8:35

7. Trabalhe em equipe

Não trabalho sozinho. Monte uma equipe de evangelistas separados e capacitados para a obra. Inclua todos em cada um dos pontos anteriores. Faça reuniões periódicas para oração, treinamento e capacitação. Entretanto, esteja sempre preparado para as oportunidades solo.

Romanos 15:5-7; Salmo 133:1-3; Eclesiastes 4:9-12; Marcos 6:7; Lucas 10:1-24

8. Preste de contas

Como membro da igreja local, esteja sempre submisso ao seu pastor, mantendo-o informado de todo o processo e as ações evangelísticas, contando com seu apoio, orientação e orações.

1 Pedro 4,5; 5:1-4; Lucas 16:2; Filipenses 4:17; Mateus 18:24; Hebreus 13:17; Tito 1:6-9; 1 Timóteo 3:2-7

DICAS DE LEITURA:

"Influência Digital e Evangelização (IDE): comunicação, comportamento, relacionamento e evangelismo nas redes sociais"

"Missão: vocação e propósito, volume 1"

"Curso de formação de evangelistas"

"Missão Integral: evangelismo e responsabilidade social na dinâmica solidária do Reino de Deus"

"Agora eu sei: pequenas mensagens para evangelização"

"Novo método evangelístico dos cinco dedos"

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terça-feira, 23 de abril de 2024

NOVO NASCIMENTO


Estudo bíblico: novo nascimento

Texto: João 3:1-30

Mizael Xavier


I. Contexto anterior ( João cap. 1)


Nascimento de Jesus (1:1-14), testemunho de João Batista (1:15-31), batismo de Jesus (1:32-34), vocação dos apóstolos (1:35-21), bodas de Caná (2:1-12), purificação do templo (2:13-22), primeiras conversões (2:23-25).



II. Contexto posterior (João cap. 2)


Novo testemunho de João Batista confirmando o ministério de Jesus (3:22-36), com a repetição do ensino de Jesus a respeito da salvação e da condenação (3:36).



III. Quem era Nicodemos?


Membro do Sinédrio, do qual o apóstolo Paulo também fazia parte (Atos 23:1-24); intérprete e doutor da Lei (João 3:10). Protestou contra a tentativa de prender Jesus (João 7:50-52). Ajudou no sepultamento de Jesus (João 19:38-42).



IV. Explicando o texto


1. O início do diálogo entre Jesus e Nicodemos


Nicodemos vai ao encontro de Jesus na parte da noite. Alguns afirmam que é por conta dos seus afazeres diários ou mesmo da disponibilidade de Jesus. Outros afirmam que ele foi escondido, por causa da sua posição no Sinédrio e de receio da reação dos outros líderes judeus.


Nicodemos não introduz a sua fala com uma pergunta, mas com uma afirmação: "Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele" (3:2). Alguns estudiosos veem aqui a intenção de Nicodemos de inquirir o Senhor a respeito do Reino de Deus, de modo que a resposta de Jesus revelaria a sua presciência ao abordar diretamente o assunto.


Também podemos notar o contraste entre a posição de Nicodemos (mestre e doutor da Lei) e a necessidade do tema que o Senhor introduz: o novo nascimento. Os principais dos judeus eram bastante religiosos, mestres e cumpridores da Lei, a ponto de haver a seita dos fariseus. Eles se firmavam no fato de serem naturalmente filhos de Abraão e herdeiros da promessa, um direito, no seu entender, reservado apenas aos judeus.


O Senhor Jesus mostra que os filhos de Deus não pertencem a uma raça e a uma etinia específicas, mas todo aquele que nasce do Espírito é filho de Deus. Além disso, Ele revela como a religião pode ser inteiramente vã, uma vez que não produz vida e não salva o pecador.


2. O nascimento natural


O Senhor ensina ao mestre Nicodemos que existe um nascimento natural, mas que somente aqueles que nascem de novo poderão ver o Reino de Deus: "A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3:3). Neste nascimento natural estão todos aqueles seres humanos que vieram a partir da Queda, que estão manchados pelo pecado original, separados de Deus e espiritualmente mortos. Eles não podem buscar a Deus nem ter vida em si, mas precisam ser buscados por Deus para que a vida lhes seja dada.


3. O novo nascimento


O Senhor deixa bastante claro que o novo nascimento é uma obra do Espírito Santo, não algo que possamos produzir ou controlar: "Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito" (João 3:5-8). Da mesma forma como é impossível decidir para onde o vento deve soprar e controlar os seus feitos, também é impossível decidir pelo Espírito Santo, que obedece tão somente a soberana vontade de Deus.


Podemos fazer uma ponte entre João 3:1-30 e Gálatas 5:16-26, onde o apóstolo Paulo fala sobre os frutos da carne e o fruto do Espírito. O novo nascimento ensinado pelo Senhor é uma obra do Espírito Santo, que passa a habitar na vida daquele que Ele regenerou. O cristão convertido, como templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19), deve viver no Espírito, não na carne, ou seja, em seus desejos pecaminosos. Se Jesus disse que quem não nascer do Espírito não pode ver o Reino de Deus, vemos que Paulo confirma isso, ao listar inúmeros pecados e afirmar: "não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam" (Gálatas 5:21). Ele ainda afirma que "os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências" (v. 24). Quem crucificou a carne, está morto para o pecado e vivo para Cristo (Romanos 6:10). Isto é o novo nascimento, a regeneração.


4. A salvação


O novo nascimento está diretamente ligado à salvação, o que já fica claro nos vs. 14 e 15, onde o Senhor diz: "E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna". Somente aqueles que nascem de novo são os que o Senhor salva. Não podemos entrar no Reino de Deus sem antes seremos regenerados por Ele. Os vs. 15 e 16 explicam a razão e a necessidade do novo nascimento, quando o Senhor diz: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele."


5. A condenação


Da mesma forma como existem aqueles que, pelo poder do Espírito Santo, nascerão de novo, também existem os que permanecerão mortos e não experimentarão a vida. Jesus deixa claro que uns serão salvos, mas que outros permanecerão condenados. Se existem os salvos, existem os não-salvos. O Senhor diz: "Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (v. 18).


6. A necessidade da fé


O que separa os salvos dos condenados é a fé em Jesus Cristo. Crer em Jesus é a chave da salvação. O próprio evangelista João afirma a respeito do seu Evangelho: "Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (20:30,31). Quem crê, tem a vida; quem não crê, não terá a vida.


7. O testemunho de João Batista


Em seu testemunho a respeito da veracidade, da importância e da excelência da pessoa e da obra de Cristo, João Batista repete o ensino do Senhor, ratificando as suas palavras, ao dizer: "O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos. Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (João 3:35,36).



V. O que significa "nascer de novo" ou "novo nascimento"?


A expressão "nascer de novo" é o mesmo que "nascer do alto" ou "nascer de cima", o que indica a sua natureza divina. O novo nascimento é o mesmo que "regeneração", quando o Espírito Santo atua poderosamente na vida do pecador, dando-lhe a vida verdadeira em Cristo. Conforme o texto de João 3:1-30 nos mostra, a regeneração é uma obra operada por Deus, não pela vontade ou esforços humanos. O primeiro nascimento é carnal, quando a mãe dá a luz ao filho. Todavia, esse nascimento carnal e natural, não nos liga a Deus, mas nascemos espiritualmente mortos, carecendo do novo nascimento para alcançarmos a vida com Deus e a redenção eterna.



VI. Sete pontos sobre o novo nascimento


1. Sua necessidade


Por causa da Queda, nascemos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2:1). todos precisamos nascer de novo porque somos pecadores que carecem da glória de Deus (Romanos 3:23; 5:12-21).


2. Sua razão


A única razão para a necessidade e a possibilidade do novo nascimento é o amor de Deus, que, em Cristo, quer nos reconciliar com Ele (João 3:16; Romanos 5:8).


3. Sua fonte


Somos regenerados pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo. Somente a graça pode trazer à vida quem está morto em seus delitos e pecados (João 3:16; 5:1-3; Efésios 2:8-9; 1 Coríntios 15:21-23; Atos 15:11; Romanos 11:5,6; Tito 2:11,12).


4. Seus meios


Todos os meios de regeneração são externos a nós e não estão sob o nosso controle. Eles são:


a) o Espírito Santo, como fica claro na conversa de Jesus com Nicodemos (João 3:4-8; 16:7-11; Tito 3:5; Ezequiel 36:25-27);

b) a ressurreição de Cristo (1 Pedro 1:3);

c) a Palavra de Deus (1 Pedro 1:23; Tiago 1:18).


5. Seus objetivos


O novo nascimento tem objetivos específicos. Estes são:


a) a própria regeneração em si (1 Pedro 1:3,23; João 3:6-8; 1 Coríntios 15:21-23);

b) a nossa reconciliação com Deus (2 Coríntios 5:18-20; Romanos 3:23,24; 5:10,11; 6:11; Colossenses 1:21-23; Efésios 2:13-18);

c) a adoção de filhos (João 1:12,13; 3:1; Romanos 8:14-16; 9:8,9; Gálatas 3:26,27; 4:4,5; Hebreus 12:7,8; 1 João 3:10; Efésios 1:5);

d) a salvação eterna (João 3:16-18; Romanos 5:7-10; 8:1,2; 10:9-13; Efésios 2:8,9; Atos 4:12; 2 Timóteo 1:9; Tito 2:11,12; Hebreus 9:27,28).


6. Seus resultados


Os resultados do novo nascimento são os seus objetivos espirituais e eternos, mas também são:


a) quando nascemos de novo, nós nos tornamos novas criaturas, novas criações (2 Coríntios 5:17; Gálatas 6:15);

b) a regeneração faz do salvo um novo homem (Efésios 4:22-24; Colossenses 3:9,10).


7. Seus propósitos


Os propósitos do novo nascimento também envolvem seus objetivos, bem como os seus resultados, mas também apresentam questões práticas da espiritualidade cristã:


a) santidade/santificação (1 Tessalonicenses 4:3-8; Efésios 4:22-24; 2 Pedro 1:4; Romanos 6:4-11; Colossenses 3:5-11; 1 João 3:9; 5:18; 1 Pedro 3:15);

b) serviço (João 12:26; Deuteronômio 13:4; Gálatas 5:13; 1 Pedro 2:16; Hebreus 9:14);

c) obras (Mateus 5:15,16; Efésios 2:8-10; 1 Coríntios 15:58; 2 Timóteo 3:16,17; João 6:28,29; Tiago 2:15-17);

d) frutos (Romanos 7:4; Gálatas 5:22,23; Mateus 3:8; Tiago 3:18; Efésios 5:8-10; Mateus 7:15-20; Lucas 8:11-15);

e) evangelização (2 Coríntios 3:6; 5:20; Marcos 16:15; 1 Pedro 2:9; 3:15; Mateus 28:29; Atos 1:8);

f) amor fraternal (1 João 3:14; 4:7-12; 5:1-3; João 13:34,35; Romanos 12:10; Colossenses 3:14);

e) verdade (Colossenses 3:9,10; 1 João 1:6; 2:27; 3:18; 3 João 1:4; Efésios 4:15; Filipenses 4:8);

f) obediência (Ezequiel 11:19,20; 36:25-27; Deuteronômio 5:29; João 14:15; Lucas 6:46; Tiago 1:22; 1 João 5:3,4; Efésios 6:1-5; Tito 3:1).


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segunda-feira, 6 de novembro de 2023

MARIA E A VONTADE DE DEUS PARA NÓS


Maria e a vontade de Deus para nós
Mizael Xavier

Estudo baseado no Evangelho Segundo Lucas 1:26-38

Introdução

O cristianismo de hoje é um cristianismo de benção, de poder, de milagres e de unção. É isso que tem sido pregado na maioria das igrejas evangélicas e atingindo, também, alguns seguimentos da igreja católica: que o cristão não sofre e que Deus possui prosperidade e sucesso profissional guardados num cofre no céu, aberto pela senha que é o nome de Jesus e os dízimos.

Muito se fala do Deus de poder e pouco se fala do Deus de autoridade, do Deus que é justiça e juízo. Pouco se busca a vontade de Deus. Mas a jovem Maria, uma moça pobre de Nazaré, não estava em busca de ouro ou prata, não desejava carros importados nem empresas multimilionárias. Ela só queria uma coisa: que a vontade de Deus se cumprisse na sua vida.

A história e a vida de Maria têm sido negligenciadas pelos evangélicos. Mas é esta personagem agraciada por Deus, bem-aventurada entre todas as mulheres e ao mesmo tempo pequena como nós, que traz uma das maiores e mais belas lições da Bíblia: a submissão à vontade do Pai.

Vamos estudar o texto e ver que grandes lições Deus tem para nos ensinar.

1) O Deus que se revela (vs. 26-28)

Em primeiro lugar encontramos Deus se revelando aos homens. Deus sempre se revelou aos homens ao longo dos tempos (Adão e Eva, Moisés, Abraão, os profetas, apóstolo Paulo). Como vemos na Bíblia Sagrada, a iniciativa é de Deus em nos buscar, em se revelar para nós. Deus se revela por meio da História, tanto bíblica quanto extra-bíblica. Mais em especial, Deus se revela por meio das Escrituras: Êxodo 34:27,28 (mandamentos, profecias e promessas) e nas coisas criadas (Salmo 19:1-4). Jesus Cristo é a revelação perfeita de Deus, o Verbo de Deus encarnado que habitou no meio de nós (Hb 1:1-4; João 1:1-14; João 5:18; Gálatas 4:4).

Qual o propósito de Deus se revelar ao homem? Está claro que é manter relacionamento com ele e mostrar-lhe a sua vontade. Foi isso que aconteceu com Maria: Deus se revelou à sua serva para mostrar a obra que haveria de realizar por meio dela.

Nem sempre estamos prontos para ouvir aquilo que Deus quer falar para nós. Às vezes a vontade de Deus para a nossa vida nos confunde, porque geralmente aquilo que Deus tem para nós é o que queremos para nós mesmos. Quais são os planos de Deus para a sua vida? Deus tem uma grande obra a realizar em você e por você.

2) A fragilidade humana frente aos desígnios de Deus (vs. 29 e 34)

Maria nos dá um exemplo de humildade e de reconhecimento da nossa incapacidade frente aos desígnios de Deus. Ela não se vê capaz de cumprir o que Deus queria realizar. Como ter um filho se nem era casada? Assim como Maria, somos pecadores, somos seres humanos falhos, incompletos, mas mesmo assim Deus nos escolhe e nos separa para a sua obra. Precisamos admitir nossas falhas, nossos pecados, nossa incapacidade de realizar sem Deus a sua obra. Deus não nos chama por aquilo que somos, mas por aquilo que Ele quer realizar por nosso intermédio. Se Deus fosse usar somente as pessoas perfeitas e preparadas, não poderia usar ninguém.

3) A resposta de Deus: o poder que opera tudo em todos (vs. 30 a 33; 35 a 37)

Deus revela a Maria que não é pelo nosso talento, pela nossa capacidade, mas pelo seu poder de Deus que opera em nós que Ele realiza a sua obra. É Deus quem opera tudo em todos (1 Coríntios 12:6; Colossenses 1:29). A nossa suficiência vem do Senhor (2 Coríntios 3:4-6) Deus não chama os capacitados, mas capacita os escolhidos. A vontade de Deus será realizada a despeito da nossa pequenez: Deus se torna grande em nós. O que precisamos é esperar em Deus e confiar que ele fará tudo conforme nos prometeu, além de fazer tudo o que Ele nos ordenou.

4) A submissão servil do coração abençoado por Deus (v. 38)

Um coração alcançado por Deus é um coração que deseja servi-lo. E é impossível servir a Deus sem obedecê-lo. Mesmo diante daquilo que era humanamente impossível, Maria se submeteu aos desígnios de Deus. Submeter-se à vontade de Deus, para a Maria daquela cultura, significaria correr o risco de perder o seu noivo, ser apedrejada por suspeita de adultério ou ser marginalizada pela sociedade. O quanto estamos dispostos a arriscar para cumprir a vontade de Deus para a nossa vida? Será que estamos dispostos a pagar o preço? Será que realmente acreditamos em Deus ao ponto de nos deixar guiar totalmente por ele ao invés de resolver tudo da nossa maneira e com nossos próprios esforços?

Diante da revelação de Deus devemos nos submeter à sua vontade, confiar no seu poder e obedecer a sua Palavra. Temos no livro de Atos dos Apóstolos o exemplo de Paulo: de perseguidor da Igreja a mensageiro das boas-novas. Diante da revelação de Deus, Paulo se converteu e se submeteu até a morte aos planos de Deus para a sua vida.

5) Reflexão

Você conhece a vontade de Deus para a sua vida? Você está disposto(a) a se submeter a Deus e a pagar o preço para que a sua obra se cumpra em você? Você é como Maria que se reconheceu como uma serva do Senhor e se submeteu à sua Palavra, ou você é como muitos cristãos que não querem servir a Deus, mas querem que Deus os sirva, decretando bênçãos para si e exigindo e cobrando de Deus prosperidade para as suas vidas?

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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

DIVISÕES E DIVERSIDADES DOUTRINÁRIAS NA IGREJA CATÓLICA ROMANA


Divisões e diversidades doutrinárias na Igreja Católica Romana
Mizael Xavier

Este breve estudo foi criado em resposta ao vídeo do perfil @arenacatolica, do Kwai, onde o autor questiona os cristãos evangélicos com as seguintes palavras:

"Antes de atrair um católico para a sua doutrina, ou melhor, para suas doutrinas, você não acha que os evangélicos deveriam chegar a um acordo entre si e descobrirem onde se encontra a verdadeira doutrina do Evangelho?"

Em primeiro lugar, desejo observar que todos os vídeos do autor criticam ferozmente os cristãos protestantes de forma chocosa, irônica e sarcástica, deixando transparecer seu desprezo e, em alguns momentos, seu ódio por eles. Ele, de fato, não é um pregador ou um evangelista, mas apenas uma pessoa que não está interessada no debate genuíno e bíblico, pelo contrário, deseja tão somente intimidar aqueles que não compactuam com a Santa Sé, a qual ele serve. Que Deus o abençoe grandemente e tenha misericórdia dele. E que o Espírito Santo opere na mente e no coração dele a mesma conversão experimentada por Saulo de Tarso, por Martinho Lutero e por mim. 

É interessante o nome escolhido para o seu perfil: "arena católica", que parece nos remeter à arena do Coliseu, onde os primeiros cristãos eram destroçados pelas feras, diante da histeria dos imperadores romanos. Posteriormente, como religião oficial do Império, as arenas e as cruzes foram trocadas pela fogueira. De assassinados a assassinos. É apenas uma observação pessoal.

Ilustrações de cristãos mortos pelos romanos

Em segundo lugar, não somente este cidadão, mas a grande maioria ou todos os fiéis católicos enxergam os "protestantes", como fazem questão de frisar, como uma coisa só. Dessa forma, a igreja Presbiteriana, Batista, Metodista, Anglicana e Assembleia (tradicionais, não ramificações posteriores e liberais) são tratadas da mesma forma e se igualam às seitas neopentecostais, como as igrejas Universal, Mundial, Internacional, Vitória em Cristo e as menores e menos conhecidas, que mais se assemelham a terreiros de Umbanda. Todos os seus pastores são mercenários, pregam a Teologia da Prosperidade, roubam os dízimos e são milionários.

Em terceiro lugar, essas divisões presentes nas igrejas reformadas são apenas questões denominacionais, mas cada uma delas se considera igrejas co-irmãs e seus fiéis, membros do Corpo de Cristo, ou o "Corpo místico de Cristo", formado por todos os cristãos convertidos de todo o mundo e de todas as épocas. Nós não lutamos uns contra os outros, mas nos ajudamos, temos eventos interdenominacionais, além de uniões que congregam todos os pastores de várias denominações para manter a unidade da fé da Igreja.

Em quarto lugar, as igrejas protestantes conforme citado, possuem muito mais unidades do que diversidades teológicas, que, no fim em nada fere sua unidade teológica. Todas creem no mesmo credo dos apóstolos, seguem a mesma Bíblia, creem na Trindade, esperam o mesmo Cristo e praticam as ordenanças (batismo, ceia do Senhor e disciplina eclesiástica). As igrejas protestantes e reformadas estão fundamentadas nos chamados "cinco solas" da Reforma Protestante: sola gratia, sola fide, solus Christus, sola Scriptura e soli Deo Gloria. Qualquer movimento ou igreja que desacredite em algum desses pontos, não pode ser considerado verdadeiramente cristão e, por isso, não está ligado à verdadeira Igreja. Que verdadeira Igreja é esta? Aquela a qual já me referi: o Corpo místico de Cristo, espalhado por diversas denominações (igrejas locais).

Em quinto lugar, nem ele nem a quase totalidade dos católicos conhecem a história dos missionários cristãos que espalharam a Palavra de Deus pelos quatro cantos do mundo. Sugiro o livro de Ruth A. Tucker: "Até os confins da terra". O que eles sabem sobre John Wesley? Além disso, nunca leram os grandes teólogos reformados, os autores Puritanos. Jamais folhearam uma página dos livros de Jonathan Edwards, Martin Lloyd-Jones, Charles Sopurgeon, Russel Shedd, Augustus Nicodemus, Hernandes Dias Lopes, John MacArthur, A. W. Pink, C. T. Studd ou qualquer outro desses grandes teólogos e homens de Deus.

Para um estudo mais aprofundado sobre o que é ser igreja, sugiro este livro de minha autoria, que você pode encontrar na Amazon: O QUE É SER IGREJA

O livro "Decepcionados com a Igreja" também busca compreender o que é a igreja e as causas das evasões: DECEPCIONADOS COM A IGREJA

Tendo feito essas observações, vamos a alguns pontos que os católicos romanos não conhecem ou preferem não comentar:

1. Existem 24 igrejas católicas: 1 no Ocidente e 23 no Oriente, com uma "unidade" regulamentada pelo Vaticano II (LG, 23) e o Código de Direito Canônico (cânon 112).

Igrejas ortodoxas grega, russa, siríaca e etíope

2. Em 1054, 463 anos antes da Reforma Protestante, ocorreu um cisma na Igreja Católica, surgindo, assim, uma divisão entre a igreja chefiada pelo papa, em Roma, e a igreja chefiada pelo patriarca, em Constantinopla.

3. Quem conhece a história dos concílios, sabe que jamais houve unidade de pensamento entre os religiosos participantes, mas inúmeras divergências doutrinárias e políticas, repletas de brigas e disputas que culminavam em documentos ditos, posteriormente, infalíveis.

As trevas sinistras da Inquisição

4. A igreja católica possui movimentos divergentes dentro da própria Santa Sé: os liberais e os ortodoxos. O papa Francisco é liberal e vive em embates com a ala conservadora da igreja. Se a ala conservadora vence o debate, então significa que nem o papa nem as duas decisões tomadas ex cathedra são infalíveis.

5. Há muitos anos que a Santa Sé vem lutando contra movimentos dentro da igreja de corrente marxista, como a Teologia da Libertação, considerando-a um movimento não legítimo, mas que não para de crescer. O próprio papa Francisco tem sido acusado de ser comunista.

O Marxismo invade a igreja católica

6. A igreja católica também sempre viu com reservas o movimento carismático surgido em 1960, nos Estados Unidos. O seu objetivo claro é parecer-se com o pentecostalismo evangélico, reduzir o número de evasões e atrair de volta os fiéis que se converteram ao protestantismo.

7. Além do falar em línguas estranhas, próprio do movimento pentecostal, os católicos têm diversificado suas missas para se parecerem ainda mais com os protestantes. Assim, seus fiéis já podem contar com missas de cura e libertação, como os cultos, por exemplo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

8. Embora a mariologia oficial da igreja católica apresentada no Vaticano II trate Maria como a quarta pessoa da Trindade, faz-se uma diferença entre essa mariologia oficial e a chamada "mariologia popular", presente, acima de tudo, nos países sul-americanos. A igreja não apoia totalmente, ao mesmo tempo em que não condena totalmente os excessos praticados pelos fiéis em seu culto a Maria.

Manifestações da mariolatria popular

9. É impossível negar que a fé católica, acima de tudo no Brasil, está envolvida com o sincretismo religioso, absorvendo porções da fé e da prática das religiões afro-brasileiras, participando ativamente de seus cultos, não por motivo evangelístico, mas em nome da tolerância e do politicamente correto ou permitindo que se realizem trabalhos e rituais em suas igrejas. Outras, no entanto, não concordam nem praticam isso. Quem está certo? Não seria multiplicidade de crenças e doutrinas?

10. A igreja católica não possui a unidade da qual tanto se gaba e propagandeia. Em se tratando da igreja oficial e do Vaticano II, essa unidade não parte do Espírito Santo nem é espontânea, mas forçada por: (1) o ensino de que a igreja é infalível e tudo que parte dela é certeza de fé, pois o papa é representante de Cristo na terra; ir contra o papa e as doutrinas da igreja é ir contra Deus; (2) a proibição, sob risco de excomunhão, de interpretar a Bíblia sem a mediação da Tradição e do Magistério da Igreja, que impede a descoberta da verdade; (3) o medo de não alcançar a salvação, porque, segundo se ensina, "fora da igreja católica não existe salvação"; (4) a vergonha de se parecerem com os "irmãos separados", os "protestantes", os "evangélicos hereges, filhos de Lutero."

Muito mais se poderia dizer sobre a diversidade de pensamentos e crenças dentro da igreja católica, basta lermos livros como "Os crimes dos papas" e "A vida sexual dos papas", que contam a real história por detrás do papado. Se a igreja sempre esteve certa em questões de fé e prática, o Tribunal do Santo Ofício não deveria estar ainda em pleno funcionamento? Se as decisões conciliares são a voz de Deus para a igreja, as decisões do Concílio de Trento ainda estão em voga? A Santa Inquisição e as Cruzadas, que assassinaram milhares de pessoas foram um terrível erro ou decisões infalíveis tomadas pelos sumos pontífices?

Talvez chegue o dia, se Deus assim o permitir, em que os católicos finalmente entenderão que a sua opinião sobre nós e a nossa fé não significa absolutamente nada. Quebrados os grilhões da Santa Sé e afugentadas as ameaças da "Santa Inquisição", nada lhes devemos, a não ser o amor e a pregação do Evangelho para a sua salvação. O que o papa pensa a respeito de nós, os "irmãos separados", conforme nos denomina o Vaticano II, não interfere nem altera a graça de Deus na nossa vida, não remove a certeza da nossa salvação, não nos arranca da Videira verdadeira, não nos afasta do nosso único e suficiente Senhor e Salvador, Jesus Cristo. E tudo isso, pela graça de Deus e para a sua glória.

Se você deseja saber mais sobre a fé reformada e em que realmente creio, vá para este estudo que está neste mesmo blog: AS RAZÕES DA MINHA FÉ

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