A IMPORTÂNCIA DA EBD NO COMBATE À IGNORÂNCIA BÍBLICA
(Mizael Xavier)
Enquanto escrevo este capítulo (março/2025), um falso profeta mirim está no auge da sua carreira. O seu ministério consiste em profetizar bençãos e vitórias, afirmando, muitas vezes, ser o próprio Deus que fala pela sua boca. Ele próprio já afirmou que Deus não o chamou para ser pregador, mas profeta. Também pudera, não existe nada em suas palavras que de longe se pareça com a doutrina bíblica. A sua teatralidade esdrúxula, com as línguas estranhas mais estranhas, só não impressiona mais que o número de pessoas que seguem e apoiam o seu "ministério" e a quantidade de igrejas que estão dispostas a pagar por suas apresentações. Para fins do nosso estudo, é importante que pensemos sobre os motivos que levam milhares de pessoas a darem atenção a esses falsos profetas, o que podemos resumir em apenas dois pontos. Primeiro, quem segue esses falsos profetas e consome suas heresias e produtos, não está interessado em Deus, mas nas bençãos de Deus; não se importa com falsos ensinos, contando que atendam às suas expectativas e ambições. Esses se enquadram naquilo que Paulo alertou a Timóteo:
Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério (2 Timóteo 4:1-5).
Esse tipo de ouvinte dificilmente será um verdadeiro convertido, mas alguém que busca na fé cristã o que outros buscam nas outras religiões e até mesmo na bruxaria, sem nenhum compromisso com Deus e com a sua Palavra. O que esses indivíduos precisam é da pregação do Evangelho para arrependimento e conversão.
Um segundo ponto, porém, retrata a deficiência do ensino e do aprendizado da Palavra de Deus, uma responsabilidade inerente a todos os crentes e às lideranças das igrejas. Muitos que emprestam suas atenção aos falsos ensinos, fazem-no por ignorância bíblica, por não conhecerem a verdade para compará-la com aquilo que escutam. Não é difícil encontrar crentes que, mesmo após muitos anos de conversão, não possuem um sólido conhecimento das Sagradas Escrituras nem são capazes de manuseá-las e aplicá-las com destreza. Essa realidade está ligada a fatores internos e externos. Como fatores internos, temos problemas diversos inerentes a cada indivíduo. Muitos não leem nem estudam a Bíblia porque jamais criaram o hábito da leitura. Ler a Bíblia lhes dá sono. Outros possuem problemas de aprendizado ou não sabem ler nem escrever. Com o avanço das tecnologias e o fácil acessos à Bíblia em áudio pelo aparelho celular, essas desculpas não fazem sentido. Também podemos citar a desculpa da falta de tempo, as prioridades de cada um, conflitos familiares, entre outros.
Como fatores externos existe a negligência das igrejas em prover o estímulo à leitura e ao estudo da Bíblia, bem como momentos de aprendizado, como é a EBD. Algumas igrejas são negligentes de maneira deliberada, porque não é importante para seus negócios que os fiéis estudem a Bíblia. Outras, por uma mentalidade equivocada de que o crente não precisa estudar a Bíblia, uma vez que ele recebe a iluminação diretamente do Espírito Santo. Outras ainda não atentaram para a importância do ensino bíblico na igreja e resumem a transmissão do conhecimento bíblico à pregação dos cultos de domingo. Por fim, muitos ministérios até se esforçam para criar e manter a sua EBD ativa, mas não conseguem contar com a assiduidade dos membros, que pouco se importam e pouco participam. EBDs vazias, porém, não são o problema, mas o sintoma de uma doença espiritual que precisa ser tratada e curada, o que é um dos objetivos deste livro.
A falta de conhecimento gera destruição (Oseias 4:6). Sem o conhecimento correto, não existe prática ou essa falta gera práticas incorretas, levando o crente a pecar contra Deus por não conhecer a verdade. Além do risco de legitimar as heresias, a ignorância bíblica pode nos levar a orar da maneira errada, a praticar os mandamentos de forma incorreta, a dar mais valor aos usos e costumes do que a piedade genuinamente bíblica. Certo pastor pentecostal disse abertamente na sua igreja que crente que não dá o dízimo não é crente de verdade ou pode perder a sua salvação. A EBD existe para combater esses falsos ensinos e a firmar a mente e o coração dos crentes no conhecimento e na prática da sã doutrina. E se existe a EBD, também existem aqueles que nela ensinam, separados e capacitados por Deus para ensinar seu povo, a fim de que ninguém se deixe levar pelo engano, mas que todos cresçam, sejam sadios na fé e se pareçam com o Senhor Jesus, como escreveu Paulo aos efésios:
E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro (4:11-14).
Este texto faz parte do livro ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL: MANUAL DO ALUNO, de Mizael Xavier. Lançamento em breve!
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