sábado, 7 de novembro de 2020

BATALHA ESPIRITUAL: NÃO LARGUE A SUA CRUZ!


 


Disse sabiamente o reverendo Augustus Nicodemus, em seu livro "O que você precisa saber sobre batalha espiritual" (Ed. Cultura Cristã, 2015), que o objetivo principal do diabo não é atacar nossas finanças, nossa saúde, nosso casamento ou nosso emprego. Tudo isso são apenas meios que ele utiliza para roubar a nossa fé em Cristo e nos confundir ao ponto de nos neutralizar com as suas acusações (p. 89). O que o diabo quer ao atacar qualquer área da nossa vida é abalar a nossa confiança em Deus, tirar o nosso foco dele e da sua Palavra, e fazer morrer a nossa esperança. Não a esperança de que tudo ficará bem quando a vitória chegar, mas a esperança eterna, a vitória que já é nossa por meio de Cristo. Ele quer que desistamos do Evangelho, que larguemos a nossa cruz, amaldiçoemos a Deus e morramos, como sugeriu a mulher de Jó. Lembre-se de que Jó enfrentou sofrimentos indescritíveis infringidos por Satanás, com a permissão de Deus, mas manteve o seu caráter e a sua fé intactos.
 
Pense bem: quantas pessoas estão hoje longe da igreja, abandonaram a fé e voltaram para o mundo, porque tiveram a sua vida abalada por alguma tragédia pessoal. Questionaram a Deus, encheram-se de amargura e fizeram o que o inimigo queria: largaram a cruz. Elas não querem crer mais. Para evitar passar por isso, precisamos fortalecer a nossa fé pela graça do Senhor, usar a armadura de Deus e estar firmes no Evangelho da cruz (Ef 6:13-18). Resistir ao diabo e manter a fé intacta deve ser o nosso alvo nesta batalha contra as trevas. Não se trata de fé nas bênçãos, mas a doutrina correta, a fé salvífica. É essa fé que o diabo quer destruir. Ele deseja abalar a nossa certeza da salvação e o nosso anseio pela vinda gloriosa do Senhor.
 
Hoje, muitos crentes investem pesado no clamor por bênçãos e vitórias, mas muito pouco no estudo sistemático e aprofundado das Escrituras. A sua fé nas promessas está firme, mas o seu conhecimento e a sua obediência à Palavra, nem tanto. Quando o dia mau chegar, talvez não resistam. É Isso que o diabo deseja. É para isso que ele trabalha. De nada adianta uma vida de sucesso se naufragarmos na fé. Mesmo que tudo nesta vida esteja perdido, jamais devemos perder a fé em Deus. Lembre-se sempre: tudo aqui é passageiro. Família, saúde, emprego, casamento e dinheiro: tudo findará. Em breve o Senhor virá para levar seus escolhidos. Nenhum poder diabólico pode nos tirar isso, pois "Já  nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus" (Rm 8:1). Não esqueça disso jamais.

Mizael Xavier

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DOM ESPIRITUAL: CONHEÇA O SEU PARA SERVIR MAIS E MELHOR A DEUS

 



Deus separou pessoas específicas na sua Igreja para exercerem diferentes ministérios (Ef 4:11), tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos e a edificação do corpo de Cristo, com vistas ao amadurecimento da nossa fé (vs. 12-16). Uma obra de tal magnitude não pode jamais ser feita por pessoas despreparadas, mas existem parâmetros para a escolha de quem estará guiando a Igreja em seu caminho de serviço e amadurecimento (1 Tm 3:1-16; 5:17; Hb 13:17). Deus dá o dom conforme o ministério e a obra a ser realizada (1 Co 12:1-11). Quem tem o dom de ensino, por exemplo, atuará como mestre. Por isso, é importante que cada crente conheça o seu próprio dom, e a liderança esteja sensível para identificar os vocacionados para utilizá-los na obra do Senhor de maneira estratégica. Aliadas ao dom, estarão as questões morais e espirituais que vemos nos textos supracitados.

 

Em sua segunda carta a Timóteo, Paulo revela mais um fundamento importante da vida do obreiro: ele precisa ser aprovado (2 Tm 2:15). Neste texto, o termo "obreiro" não diz respeito a um cargo de obreiro, mas à natureza de todo aquele que trabalha na obra do Senhor. No caso de Timóteo, ele era pastor. E como o obreiro demonstra que é aprovado? Ele "maneja bem a Palavra da verdade". Esse manejo está ligado ao estudo, interpretação e aplicação correta da Sagrada Escritura. Isso era de suma importância naquela época em que alguns haviam se desviado da verdade (v. 18). Então imaginemos hoje, com uma variedade tão absurda de novas doutrinas e heresias. Mais adiante (4:1-5), Paulo exorta Timóteo a pregar com insistência a Palavra, porque em breve muitos se desviariam dela para abraçar os falsos ensinos que alimentam o seu ego. E é essa a teologia em voga em muitos ambientes que se autodenominam "igreja".

 

O apelo de Paulo é bastante atual. A igreja carece de obreiros aprovados, que não tratem o estudo teológico com leviandade, mas que se aprofundem no conhecimento bíblico para apresentar um ensino substancial à Igreja. A superficialidade do ensino bíblico de hoje não promove um conhecimento profundo da Palavra de Deus nem fornece bases teológicas eficazes contra os modismos heréticos modernos. O obreiro aprovado maneja bem a Palavra da verdade para a edificação de si mesmo e da igreja. Ele tem conteúdo. Ele está preocupado com a exegese do texto bíblico. Ele não coloca palavras da boca de Deus, mas prega o que a Bíblia de fato revela. Não são os seus pensamentos que guiam a fé dos irmãos, mas os pensamentos de Deus revelados nas páginas da Bíblia. Não existe sucesso ministerial sem conhecimento teológico profundo. Não é possível haver edificação e amadurecimento do corpo de Cristo se, no exercício dos dons, o conteúdo da Palavra de Deus não for levado a sério.

Mizael Xavier

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MEMETO MORI (LEMBRA-TE QUE MORRERÁS)


 

Estou assistindo pela segunda vez a série "Desventuras em série", inspirada na obra de Lemony Snicket. Na temporada 2, episódios 1 e 2, os órfãos Baudelaire são enviados para uma escola preparatória chamada Prufrock, cujo lema é "memento mori", que significa: "Lembra-te que morrerás". Neste momento que o mundo vive com o surto do Corona vírus e tantas mortes ocorrendo pelo mundo, somos convidados a meditar sobre isto: Lembra-te que morrerás. Pandemias como esta nos confrontam com a finitude da nossa existência terrena. Como escreveu o salmista: "Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais" (Salmo 103:15,16). Portanto, não importa sua classe social, etnia, sexo ou qualquer outro fator: Lembra-te que morrerás, mas não sabes quando. O sábio rei Salomão escreveu que há tempo para todas as coisas neste mundo, inclusive para morrer (Eclesiastes 3:2). Podemos nos proteger dentro de casa, usar máscara e álcool em gel, mas no dia determinado, nem antes ou depois, a morte vem. Portanto: Lembra-te que morrerás! Isso não deve nos desesperar, mas nos despertar para a realidade da vida após a morte. Morreremos, mas para onde iremos? De forma direta é preciso esclarecer: para o céu ou para o inferno. Pode ser que o Corona vírus jamais lhe alcance, mas o vírus do pecado já lhe infectou. O apóstolo Paulo escreveu: "Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram" (Romanos 5:12). O ser humano nasce espiritualmente morto, separado de Deus, pecador, perdido, carente de salvação. Com você e comigo não é diferente. Lembra-te que morrerás! Mas também se lembre disto: "Porque Deus amou o Mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16). Jesus morreu e ressuscitou para perdoar os nossos pecados e nos dar a vida eterna! Se você aceitar a Jesus com o seu único e suficiente Senhor e Salvador, viverá para sempre no céu! Ele mesmo garantiu: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?" (João 11:25,26). A crise do Corona vírus passará, mas a realidade da morte e do pecado, não. Você pode se proteger e escapar de uma possível contaminação, mas jamais poderá escapar do juízo de Deus. Não espere o tempo passar. Lembra-te que morrerás! E jamais esqueça das palavras do Senhor em João 3:17,18: "Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do Unigênito Filho de Deus". Lembra-te!


MIZAEL XAVIER


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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O QUE É O AMOR?

 


O QUE É O AMOR?
 
Certa vez escrevi: “O amor é um lugar onde a minha alma faz morada, onde meu coração busca descanso, onde os meus pensamentos procuram abrigo. O amor é o meu porto seguro, onde tenho certeza que o navio da minha vida jamais irá naufragar”. Será possível definir algo tão transcendente como o amor? Onde buscar conceitos em pensamentos humanos tão complexos que anseiam por explicar algo que parece estar muito além da sua capacidade de compreensão? E será mesmo que explicar o amor é tão complicado assim? Na Bíblia não encontramos explicações como aquelas figurinhas dos anos de 1980 onde aprendemos que “amar é”. Mesmo o texto áureo do amor – 1 Coríntios 13 – não diz: o amor “é paciência”, mas que o amor “é paciente”. Ele não ensina que o amor “é benignidade”, mas que ele “é benigno”. Então o amor não é, o amor faz. E é pelos frutos que reconheceremos aquilo que é amor e o que não é. É fácil ser paciente quando algo nos interessa muito. Precisamos cavar profundo.
            Muitos estudiosos procuram classificar as diversas formas de amor existentes nas relações humanas: um amor ligado a família, outro expressado nas relações interpessoais; o amor a si mesmo, o amor de reprodução e aquele puramente de recreação. Tantas classificações podem gerar alguma confusão quando falamos de amor num sentido mais pleno. Tais estudiosos não veem barreiras para, por exemplo, a poligamia ou a relação amorosa entre pessoas do mesmo sexo ou até mesmo entre pais e filhos. A relação extraconjugal também não é um problema, uma vez que o indivíduo saiba fazer a separação entre o amor que sente por sua esposa e aquele que se presta apenas a recreação. Mas no amor, é possível haver dois amores? A prática nos mostra duas realidades: na primeira, o casal pensa que se ama e se trai mutuamente, mantendo uma relação de aparências que cumpre uma função social na vida dos dois; ou seja: eles se usam mutuamente. Na segunda, uma das partes sairá machucada quando descobrir este “segundo amor”.

O amor já foi definido como um termo único para designar diferentes sentimentos, pensamentos e ações. Se for assim, podemos crer que possam existir diversos tipos de amor, visto a complexidade de sentimentos, pensamentos e ações do ser humano, todos ocasionados por motivações e causas diversas. Por não existir uma pessoa idêntica à outra, embora fisicamente elas possam ser perfeitas cópias, a forma como cada uma sentirá e vivenciará o amor será diferente. Cada pessoa acaba dando ao amor o seu próprio significado. Mas o que realmente é o amor? Apenas um sentimento do coração ou um sistema de valores que redundam em atitudes amorosas? O conceito de amor será diferente para cada povo do planeta, para cada seguimento religioso e social. O conceito de amor também irá variar de acordo com as crenças e os valores de cada indivíduo. O modo diferente como experimentamos o amor nos faz ter percepções diferentes, o que não afasta a possibilidade de investirmos pesquisa e conhecimento em busca de uma definição ideal que possa refletir de maneira positiva este poder universal que nos acompanha desde o início dos tempos.
            O objetivo primordial deste estudo não é se aprofundar nas questões teóricas sobre o amor, mas debater pontos importantes na arte de amar, o que envolve um estudo mais acurado. Todavia, para compreendermos a profundidade do tema e a sua dificuldade de estudo, devemos dar uma busca em alguns conceitos sobre o amor. Como afirmei no início, o meu norte está na Palavra de Deus, onde o Deus-amor se revela a nós. Estes conceitos não têm a intenção de descartar as descobertas cientificas acerca dos relacionamentos humanos e de como agimos em dadas situações. Na verdade, eles tencionam reafirmar descobertas racionais e ao mesmo tempo fundamentar aquilo que não se pode provar através de experimentos científicos, mas que a Palavra de Deus demonstra claramente.
 
 
Amor é partilha
  
Precisamos entender que o amor se mede em atos, mas os atos de amor devem ser feitos “sem fins lucrativos”. Se desejamos obter algum lucro no amor, este amor de nada nos adianta, pois o amor não é mesquinho, nem egoísta ao ponto de querer somente o bem para si. Ainda, todas as nossas ações quando feitas sem amor de nada valem, apenas denunciam o nosso orgulho e a nossa prepotência; apenas mostram a nossa tentativa de nos exaltarmos, de expormos nossa “bondade”. Quem assim procede está a quilômetros de distância do amor puro, verdadeiro e sincero. Devemos aprender a amar com o amor de Deus, o amor altruísta que desiste de si mesmo em benefício do outro; amor que se aniquila, que se anula e se eterniza. Amar assim é saber abrir mão de nossas opiniões, saber compreender o outro lado, aceitar seus defeitos e limitações, ajudar no crescimento e no amadurecimento sem críticas e represálias. Deus assim nos ama e assim nos pede para amar. Essa é, porém, uma ação de mão dupla, não de dar para receber, mas receber como consequência natural de ter dado.
            Este amor não impõe condições para amar. Existem muitos casais que vivem a crise da “suprema decisão”. Uma das partes é obrigada a decidir entre algo ou alguém e o seu (sua) amado (a): Você escolhe: ou o seu emprego ou eu! Ou: Você decide: ou eu ou os seus amigos! E ainda: Você escolhe: ou a sua família ou eu! Agindo deste modo, o amante pensa que pode manipular a vida do ser amado e moldá-la ao seu jeito de ser, ao seu modo de vida. Impede-o de exercer uma profissão, por preconceitos ou ciúmes; impede-o, talvez pelos mesmos motivos, de dar continuidade à sua vida social e familiar. Esquece, porém, que antes de conhecê-lo, este ser amado tinha uma vida pessoal e não é obrigado a abrir mão dela (a não ser que seja esta a sua abnegada vontade!) por causa dos caprichos de alguém que quer imperar sobre a sua vida. Será que isto é amor ou apenas um mecanismo de auto-realização? Se não houver a partilha, não se pode falar de amor. Deus partilhou de Si conosco e nós compartilhamos de nós com Ele.
 
 
A verdade da palavra “amor”
 
Existem muitas pessoas que brincam com a palavra “amor”, que a confundem com uma simples atração sexual de momento ou um emocionalismo, fruto de frustrações e carência afetiva. Quando chegamos a dizer a alguém que o amamos, devemos estar cientes da veracidade desta declaração, pois o impacto que ela poderá causar no outro pode trazer consequências irremediáveis se não contiver nenhum fundo de verdade. O que pode acontecer algumas vezes é o amor cair nas garras da monotonia e aquela declaração que outrora fizemos ir perdendo todo o seu sentido. O amor resiste à monotonia quando é cuidado, alimentado, transformado a cada dia. Em muitas declarações que afirmam “Eu te amo”, existe uma gama de sentimentos e intenções que não traduzem o verdadeiro amor. Tentar manter uma relação com base nisso é um caminho para a frustração.
            Como existem diferentes tipos de amor, é preciso que saibamos com certeza que tipo de amor alimentamos pela pessoa que dizemos amar. É comum ocorrer um tipo de “amor de infância” entre parentes ou amigos bem próximos, que crescem juntos. Uma das partes pode passar a desenvolver um amor platônico, que no coração do outro não passa de amor fraterno. Por mero costume com a pessoa tão querida de infância, mesmo inconscientemente, é possível que este outro alimente ilusões que jamais poderão ser supridas. A dor será grande quando ele decidir envolver-se amorosamente com uma terceira pessoa. Quando alguém se apaixona por nós sem necessariamente termos alimentado tal sentimento, é necessário que mantenhamos nossa autoafirmação de lado, não permitindo a nós mesmos iludir este alguém só para vê-lo “aos nossos pés” e tirarmos disto algum proveito. O amor não pode se transformar num jogo de interesses medíocre, um mecanismo de conquistas egoístas onde uma das partes sempre sai machucada. Amor não é brincadeira.
 
 
O amor é um exercício diário
  
Quando aspiramos a alguma profissão ou carreira, nós nos empenhamos o máximo nos estudos e em tudo mais que lhe diga respeito para alcançarmos nossos objetivos. Se somos desportistas, aplicamo-nos diligentemente em treinar nosso esporte preferido, ultrapassando limites e barreiras de tempo e espaço. Se somos atores de teatro, aprofundamo-nos em técnicas de interpretação e expressão corporal, em incontáveis ensaios e decoração de textos para estarmos perfeitos na hora da apresentação do espetáculo. Enfim, tudo o que fazemos desprendemos esforço e força, quer emocionais, intelectuais ou físicos. Quando assim não procedemos, nosso trabalho não rende os frutos necessários, não nos saímos bem, não nos sentimos realizados ou satisfeitos. Por que o mesmo não ocorre com o amor? Porque não consideramos o amor um exercício diário, um aprendizado constante, um desenvolvimento que requer prática ininterrupta e abnegada? Por que somo relapsos com as pessoas que dizemos amar e deixamos que o tempo apague a chama que em nós foi acesa no início?
Uma planta sem água pode até germinar, mas não cresce e acaba morrendo. Um atleta que ambiciona ganhar uma medalha olímpica jamais deixa de lado seus constantes exercícios e treinos, pois deles depende para obter sucesso, chegar ao primeiro lugar no pódio. No amor, não se trata de vencer, de estar em primeiro, mas de alcançar a sua plenitude, de amar incondicionalmente, amar de fato e de verdade. Não um amor de aparências, mas um amor real, transparente. Muitos relacionamentos começam de forma espetacular e vão-se esfriando ao longo do tempo. O problema não está no amor, mas na nossa incapacidade de continuar cuidando dele, o que significa cuidar da pessoa que amamos, não desistir jamais de respeitar, de dar carinho e atenção. Os problemas cotidianos e a monotonia da vida vêm como sombras, tapando o sol do amor na relação, impedindo que ela cresça e se fortaleça. Se não entendermos isso, não tomaremos os cuidados necessários com as ervas daninhas e os predadores, como ciúme, indiferença e traição. Não há relacionamento que resista a isso e permaneça saudável.
 
 
O amor é uma reação aprendida
 
Todos nós nascemos predispostos a amar. Amar é uma necessidade básica que todo ser humano carrega dentro de si, necessidade de se apegar a alguém, ser importante, de expressões de amor e de afeto, do sentimento de pertença, dando-nos uma segurança necessária para que possamos cultivar a autoconfiança, sem a qual não podemos enfrentar a vida. A nossa maior dificuldade é saber que o amor é um aprendizado, que amar significa se envolver e se entregar, estar disposto a passar por provações. Este aprendizado, esta capacidade, todos precisamos desenvolver no decorrer de nossas vidas. Mas, infelizmente, parece que a maioria das pessoas se acham autossuficientes, de modo que não precisam aprender nada, basta entrar numa relação e exercer o amor da maneira como achar melhor. Algumas sequer aprendem algo com os erros do passado, mas seguem cometendo os mesmos equívocos, impondo a sua maneira de amar, sem se importar com o que o amor realmente é e com o que a outra pessoa pensa e sente.
            A forma como somos amados ou não desde os primeiros instantes de nossa infância é que servirá de base para o nosso aprendizado na arte de amar. Na medida em que recebemos amor, correspondemos a este amor e aprendemos a devolvê-lo. Se não recebemos amor, como saberemos como amar? Crianças que crescem em lares desajustados, onde seus pais brigam constantemente em gritantes demonstrações de desarmonia e desrespeito mútuo, aprenderão desde então a agirem desta mesma forma e na vida adulta terão maiores dificuldades de se relacionar. Quando o amor que a criança necessita não é demonstrado em seu lar, ela parte para outras fontes, que certamente lhe fornecerão uma visão completamente distorcida de amor, vida e felicidade. Graças a Deus que colocar pessoas na nossa vida para nos dar o que talvez nunca tivemos quando crianças, algo que não conseguimos desenvolver da maneira correta. Mas é preciso estar atendo, aprender, assimilar.
            Nós somos produtos de vários fatores: genéticos e hereditários, educacionais (educação familiar, escolar, religiosa, política, etc.), biológicos, sociais e culturais. Ao mesmo tempo em que construímos nosso caráter, nosso conjunto de crenças e valores através da percepção e da vivência de todos estes fatores, vamos também transformando o mundo pelas nossas ações, que revolucionam e transgridem na medida em que vão de encontro a velhos sistemas estabelecidos, buscando o novo. Nesse processo, o amor caminha conosco e seguimos nos moldando segundo a vida que vivemos, nossos pensamentos, sonhos e ideais, nossas atitudes para com as pessoas e o mundo ao nosso redor. O amor subverte a vida ao passo que a recria. O amor evolui, apesar de ser eterno. Ele é construtivista, aceita a interatividade; não é passivo, sabe o momento certo de desistir das teorias arcaicas.
            Aprendemos a amar conforme nos permitimos amar e ser amados. Se amar se aprende amando, ser amado só se aprende se permitindo amar. E se amar só é possível se nos compreendermos e nos aceitarmos na expressão mais exata do nosso ser. As limitações impostas pelo aprendizado deturpado ou insuficiente nos colocam numa situação desagradável, mas não limitadora. Por menos que saibamos a respeito do amor e por menor capacidade que encontremos de nos lançar nesta odisseia, sempre haverá o desejo de crescer, de desbravar florestas e transpor barreiras. Não existem barreiras para o amor e quem decide amar deve munir-se da certeza de que o amor é real e ilimitado, não se molda na forma do tempo ou do espaço e não se deixa levar pela mentira e a inveja. O amor está além da nossa capacidade de controle, embora possa esfriar-se por nossa falta de zelo.
 
 
Direitos e deveres
 
Apesar do dever de nos esquecermos de nós mesmos em benefício da pessoa amada, o amor é uma relação entre dois seres distintos, e por isso envolve direitos e deveres. Assim como temos o dever de amar, também temos o direito de sermos amados. Se devemos aceitar, compreender, perdoar, suportar, esperar, abnegar-nos, temos também o direito de receber em troca os mesmos atos de amor. Todos os relacionamentos humanos envolvem direitos e deveres: pais e filhos, patrões e empregados, técnico e jogadores, diretores e atores, comércio e consumidor, cidadão e estado. Neste relacionamento, nenhuma das partes pode abrir mão de suas responsabilidades ou ser leviana, para que ambos sigam por um caminho único e jamais em direções opostas. Quando isto ocorre, um dos lados sofrerá. Se o indivíduo age contra a lei, sofrerá as consequências. No caso do amor, infelizmente, quando uma das partes resolve burlar as leis, a parte afetada é que sofre as consequências.
Quando a Bíblia fala em “amar”, sempre se refere a uma relação de “uns aos outros” (Jo 13:34; 1 Pe 1:22; Hb 10:24,25; Gl 5:13; Ef 4:32) . Ou seja: eu amor o meu irmão que me ama também. Não que devemos amar o nosso irmão apenas se ele nos amar ou para que ele também nos ame. Mas é essa a dinâmica do amor. O amor não é uma obrigação ou uma dívida. Ele é um presente que damos e recebemos. O fim de muitos relacionamentos está na falta dessa compreensão. Uma das partes da relação decide que não irá dar, mas apenas receber, sugando do outro as suas forças sem recarregá-lo. Mas uns aos outros significa que aquele que fala, deve aprender a escutar; aquele que quer receber carinho, deve dar carinho também; aquele que espera compreensão e apoio, deve agir da mesma forma; aquele que cobra respeito, precisa igualmente respeitar. Essa mutualidade só não deve acontecer quando os sentimentos e atitudes são negativas. Aquele que sofre com a falta do dialogo do companheiro, por exemplo, não deve devolver com silêncio, mas deve trabalhar para que o diálogo aconteça. Se recebeu uma palavra dura, não deve retribuir da mesma forma. E pagar traição com traição não resolverá o problema. Devemos ser mútuos no amor e nos seus frutos, não na sua ausência.

ESTE É APENAS UM PEQUENO TRECHO DO LIVRO:


CONTATOS COM O ESCRITOR PELO TELEGRAM: FALE COM O ESCRITOR

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Eis algumas questões que atormentam muitas pessoas:
 
1. Como sobreviver à perda de um grande amor?
2. Como superar o término de um relacionamento amoroso?
3. Como se recuperar após o fim de uma relação abusiva?
4. Como dar a volta por cima e viver uma nova história de amor?
 
Essas e muitas outras questões sobre o relacionamento amoroso e suas implicações estão no livro NINGUÉM MORRE DE AMOR. Afinal de contas, de amor não se morre, mas se vive!
 
Para abranger toda a profundidade do tema e tratá-lo com a seriedade que ele merece e como o leitor precisa, o livro NINGUÉM MORRE DE AMOR está estrategicamente dividido em três partes que sugerem uma evolução na sua caminhada rumo ao sucesso pessoal:
 
ANTES QUE CHEGUE AO FIM
. A arte de prevenir incêndios
. Por que os relacionamentos entram em colapso?
. O perigo das redes sociais
. Reacendendo a chama do amor
. Antes que venha o adeus
 
DO FIM À SUPERAÇÃO
. Tudo acabou. E agora?
. Encarando a realidade
. Primeiro passo: reprograme-se
. O caminho da cura
. Atitudes que transformam
. Aprendendo a lidar com os sentimentos
. Revendo a nossa relação com o ex
. Possibilidades
. Identificando a relação abusiva
 
DA SUPERAÇÃO AO NOVO AMOR
. Da superação à continuidade
. Os problemas de transição
. É possível viver um novo amor
. Empoderando-se para o amor
. A quem se entregar?
. Como conhecer a vontade de Deus?
 
Este livro foi produzindo para todas aqueles que precisam e querem superar perdas e dar a volta por cima, independente da sua confissão religiosa. Todavia, ele foi escrito dentro de uma óptica cristã, com valores bíblicos que cabem na vida de todos nós, mesmo os que não acreditam em Deus.
 
O que o livro NINGUÉM MORRE DE AMOR não promete é algum tipo de mágica, mas o processo da cura, da libertação e da superação, que para alguns pode ser bastante doloroso, mas extremamente necessário. Logo, ler não é o suficiente: é preciso partir para a prática.
 
NINGUÉM MORRE DE AMOR irá lhe ajudar a vencer suas barreiras interiores, rever seus próprios sentimentos, fortalecer a emoção e a mente, amar a si próprio, liberar perdão, acreditar no amor, investir na sua própria felicidade e abrir-se para uma nova oportunidade de amar e ser amado. Sim, é possível!
 
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CORPO E ESPIRITUALIDADE: COMO GLORIFICAR A DEUS ATRAVÉS DO NOSSO CORPO (OS OLHOS)

 


OLHOS
 
 
“porque tudo que há no mundo, a concupiscência
da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida,
não procede do Pai, mas procede do mundo.”
(1 João 2:16)
 
 
Todas as outras partes do nosso corpo a serem estudadas são guiadas pelas duas primeiras: mente e coração. Assim são os olhos. Um cego não é menos pecador que alguém que enxerga normalmente, porque, mesmo sem enxergar, ele pode ter pensamentos libidinosos e sentimentos destrutivos. Mas os olhos são as janelas da nossa alma, por onde entra e sai quem somos. Eles podem estar cheios de toda espécie de cobiças (1 Jo 2:16). Um exemplo de como olhos e coração estão interligados está em Mateus 5:27,28, onde o Senhor diz: "Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela". A questão é tão séria que o Senhor diz que é melhor arrancar fora o olho pecador (v. 30). Perceba que a cobiça nasce no coração e guia depois os olhos. Se os olhos seguem a cobiça do coração, o que precisamos realmente fazer: amputar os olhos ou resolver o problema do pecado que os influencia? Basta o coração desejar aquilo que é errado para que os olhos o busquem. O pecado não acontece quando os olhos buscam, mas antes disso, quando o coração deseja.

O Senhor Jesus também ensinou: "São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!" (Mt 6:22,23). Existe aí uma inconstância, ou seja: os nossos olhos podem nos guiar para o bem ou para o mal. Os olhos são utilizados como metáforas para a nossa consciência moral. Eles apontam para o que desejamos de acordo com nossas crenças, valores e inclinações. Se essa consciência pende para o que é errado, a integridade do nosso corpo estará comprometida, surgindo vícios, paixões nocivas, adultério, cobiça, ganância, promiscuidade e apostasia. Como, então, glorificar a Deus nos nossos olhos? Arrancando-os literalmente? Provavelmente não, uma vez que não precisamos enxergar algo para cobiçá-lo. O problema é interno.

O que precisamos é de um referencial seguro que mantenha a integridade do nosso juízo moral, de modo que avaliemos todas as coisas biblicamente e saibamos fazer escolhas certas e santas, de acordo com o padrão moral divino. Em primeiro lugar, é importante desviar os olhos do que é inútil (Sl 119:37), que não edifica. Como fazer isso? Mantendo os olhos fixos em Cristo: seu senhorio, sua vontade, sua santidade, sua justiça, seu exemplo, seu reino e seu amor (Hb 12:2; Sl 123:2; 25:15; Pv 4:25).  Além disso, Deus é glorificado nos nossos olhos quando estes têm em vista a esperança eterna no céu (2 Co 4:18; Ef 1:18). Anelar pela glória celestial mantém nosso foco em Jesus, o que traz luz para a nossa alma e santifica os nossos olhos. Se o céu não é o nosso alvo, os nossos olhos jamais buscarão o que agrada a Deus, mas viverão em busca de riquezas e prazeres. Para ter olhos santos, precisamos usar a lente da graça de Deus em tudo que enxergarmos.

Como acontece com todas as partes do nosso corpo na glorificação de Deus, existem ações positivas e negativas que precisamos observar com relação aos olhos. As negativas são todas as coisas para as quais direcionamos o nosso olhar e que representam pecado. Por sua vez, as positivas dizem respeito a tudo o que precisamos enxergar para render glórias a Deus. Por exemplo, quando fechamos os nossos olhos para irmãos da igreja que estão padecendo algum tipo de necessidade, significa que o nosso coração está fechado para o amor, por isso não consegue compadecer-se daqueles que sofrem. Um exemplo disso está em 1 João 3:17,18, onde o apóstolo diz: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”. Veja como os olhos revelam a disposição interior de alguém com base nas suas atitudes ou a falta delas. Os olhos veem o irmão necessitado, percebem a sua carência, sabem que possuem plenas condições de ajudar, mas não o fazem. O amor permanece nos discursos, mas não se legitima no cuidado com os desvalidos.

Para manter os nossos olhos sãos e santos, devemos enxergar todas as coisas dentro de uma perspectiva divina e bíblica de mundo, a nossa cosmovisão. A cosmovisão é a nossa maneira de enxergar o mundo, a ideia que fazemos de tudo e de todos com base nas nossas próprias crenças. Essa maneira de enxergar o mundo é que definirá a forma como nos relacionaremos com ele, como empregaremos os nossos esforços, as nossas preocupações, as nossas orações; como direcionaremos o nosso amor, as nossas obras, a nossa fé. Se enxergamos o mundo como um navio lotado de almas perdidas que já estão condenadas ao inferno, isso afetará o nosso evangelismo. Se nos enxergamos como crentes capacitados por Deus para a sua obra, isso nos levará a um engajamento sério nessa obra. Aquilo que é objeto do nosso desejo ou alvo do nosso ódio parte da nossa cosmovisão, construída ao longo da nossa vida até aqui por meio da educação, das experiências, da conversão, da nossa comunhão com Deus e do conhecimento da sua Palavra. Como uma cosmovisão mundana ou carnal direcionará o nosso olhar e, consequentemente, as nossas atitudes? Como uma visão espiritual e bíblica nos levará a enxergar a vida e vivê-la? Uma cosmovisão de pecado pertence ao mundo e é uma base movediça para firmarmos o nosso caráter (1 Jo 2:16).

A maneira como enxergamos a nós mesmos, as pessoas, a vida, o mundo e Deus irá influenciar as nossas escolhas e decisões. Quando temos a chance de fazer o mal ou o bem, quando nos vemos em situações difíceis que pedem nos cobram um rápido posicionamento ou mesmo situações que nos convidam a pecar, não seremos vítimas das circunstâncias nas atitudes que tomaremos, mas da nossa cosmovisão, que revela nada mais que o nosso “homem interior”. Se os nossos olhos estão iluminados pela Palavra de Deus, se eles são direcionados pelo Espírito Santo, o nosso comportamento responderá a uma cosmovisão santa, bíblica. Portanto, glorificamos a Deus nos nossos olhos quando percebemos o mundo a partir da perspectiva de Cristo. Tendo em mente que essa perspectiva é formada a partir da experiência da conversão, da sã doutrina e do amor, vejamos o que o apóstolo João escreveu: “Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisso sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1 Jo 2:4-6).

Para responder à pergunta “Como glorificar a Deus através dos nossos olhos”, basta a afirmação: “Andar como Jesus andou”. Esse andar como Cristo nos levará a enxergar com os seus olhos amorosos e misericordiosos, olhos que foram humildes e obedientes, olhos que se sacrificaram por amor ao pecador, olhos que choravam diante das misérias humanas. E esse olhar cristológico e cristocêntrico nos levará a comportamentos e atitudes que glorificam a Deus. Como enxergar com os olhos de Cristo o nosso cônjuge, os nossos pais, os nossos filhos, os nossos amigos, os nossos familiares, os nossos colegas de trabalho, os criminosos, os políticos, os perdidos do mundo, a obra do Senhor, o irmão da igreja, os vizinhos? Como é a nossa visão hoje e como ela passará a ser através de uma cosmovisão cristã? Com certeza haverá uma migração dos frutos da carne para o fruto do Espírito listados em Gálatas 5:19-23. Enquanto a nossa carne clama por vingança, os olhos de Cristo nos convidam a perdoar. Enquanto a nossa carne acredita que o nosso compromisso com o Evangelho é ir aos cultos todos os domingos, o olhar de Cristo nos chama a um envolvimento efetivo na sua obra. Enquanto escolhemos quem vamos ou não amar, o Senhor nos chama a amar ao próximo como a nós mesmos e a orar pelos nossos inimigos. Este é o olhar que agrada a Deus e que o glorifica.

Este estudo faz parte do livro “Corpo e espiritualidade: glorificando a Deus através do nosso corpo”, onde várias partes do corpo serão estudadas. Além dos olhos: mente, coração, boca, língua, ouvidos, mãos, pés e joelhos. Os dons do Espírito Santo, usados por meio do corpo, também são alvo deste estudo. Como cada parte do nosso corpo pode e deve ser usada para que o Nome de Deus seja glorificado? O crente pode usar tatuagens, piercing, silicone ou fazer plástica? Você encontra esses e muitos outros assuntos no e-book que é vendido pela Amazon:







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