A ORAÇÃO DO PAI NOSSO: UMA ORAÇÃO COM A VIDA
AUTOR: MIZAEL XAVIER
A oração do Pai Nosso é como tudo aquilo que está escrito na Bíblia: para se transformar em uma prática diária. A Palavra de Deus é o nosso alimento diário. Ela não apenas sustenta a nossa alma, como também traz esperança. Paulo escreveu sobre as Escrituras, o Antigo Testamento: "Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança" (Romanos 15:4). Por meio de tudo que Deus fez escrever, temos certeza do seu caráter e do seu agir, podemos estar seguros quando às suas promessas e ter esperança de que tudo o que foi profetizado, tem-se cumprido e ainda se cumprirá. Nessa esperança, vivemos pela fé, não somente a fé que espera, mas a fé que ama, adora e serve. Tiago nos exorta: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tiago 1:22). A oração do Pai Nosso está inserida nessa Palavra que deve ser praticada, vivida com esperança e alegria. Ela afeta e transforma todas as áreas da nossa vida, porque toda a nossa vida, com tudo o que somos, temos e fazemos, vem do nosso Pai e a Ele pertence.
Aquele que apenas "reza" o Pai Nosso, sem compreender o significado real e profundo das suas petições, sem entender o que Ele nos ensina e o que nos chama a viver, engana a si mesmo. Se chamamos Deus de Pai, devemos amá-lo e obedecê-lo como tal. Se reconhecemos que Ele é Santo, não podemos esquecer a sua ordem para o seu povo na antiguidade e para nós: "Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo" (Levítico 19:2; cf. 11:44; 1 Pedro 1:16). Se anelamos pelo Reino do nosso Pai, somos levados a pensar sobre que lugar esse Reino têm ocupado na nossa vida, nos nossos interesses e qual é o nosso papel nele. E quando pedimos a Deus que a sua vontade celestial seja feita na terra, será que estamos prontos para nos submeter a ela, ao ponto de renegarmos os nossos próprios interesses? O Pai Nosso é uma oração teocêntrica, que dispensa o nosso orgulho e nos chama à humildade, que nos lembra que não somos o centro da preocupação de Deus, mas que tudo Ele faz para o louvor da sua glória. Então recordamos as palavras do apóstolo Paulo: "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Coríntios 10:31).
Outra lição que aprendemos ao estudarmos a teologia prática da oração que o Senhor nos ensinou, é que existe espaço para a individualidade na oração, afinal de contas, de modo particular e íntimo, buscamos a Deus em oração. Todavia, esse particular não é individualista, egoísta e egocêntrico, mas existe e partir e para a coletividade: o pão é nosso, o perdão é nosso, a segurança nas tentações é nossa, e o livramento do mal também é nosso. Aqui, cabem as palavras do apóstolo Paulo, que nos exorta ao amor fraternal e à comunhão:
Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros (Filipenses 2:1-4).
O Pai Nosso nos lembra das nossas fraquezas e debilidades, mas também que temos um Pai que cuida de nós, que nos santifica e nos fortalece. Somos levados a reconhecer aquilo que o Senhor Jesus nos disse: "Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (João 15:5). Só podemos receber o perdão e perdoar os que nos ofenderam, porque estamos em Cristo. Somente por estarmos enxertados nele é que temos vontade e capacidade para vencermos nossas tentações. Porque nele somos mais que vencedores, vencemos o maligno. João escreveu: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno" (1 João 5:18,19). Somos os intocáveis do Pai que está no céu, porque Cristo venceu por nós e nós deu o penhor do Santo Espírito, que nos selou para o dia da nossa redenção (Efésios 1:12:14).
Por fim, ler, estudar e orar o Pai Nosso nos traz esta certeza: de Deus é Reino, o poder e a Glória. Diante da revelação e da sabedoria de Deus, Paulo reconheceu que sondar a mente divina está totalmente fora da nossa capacidade humana infinitamente limitada, e exclamou:
Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! (Romanos 33-36).
Não se trata de nós, mas de Deus. Mesmo quando oramos e pedimos aquilo que acreditamos necessitarmos, não pedimos para nós mesmos, mas para que, por meio disso, Deus seja glorificado. E se queremos que Deus seja por nós glorificado, viver a sua verdade e a sua vontade deve ser a nossa única meta de vida. Se essa for a nossa perspectiva de vida, as demais coisas encontrarão o seu devido lugar. O Senhor estará sempre a nos lembrar no seu Evangelho: "buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6:33). Se o que buscamos em Deus é mais importante para nós do que a sua Glória, a nossa busca não é legítima. Então, será que Deus vai atender as nossas orações? Não nos esqueçamos das palavras de Tiago: "Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres" (Tiago 4:2,3). O nosso prazer deve estar na Lei do Senhor e nela devemos viver, não para nós mesmos.
Concluo dizendo: faça da oração do Pai Nosso um manual para a sua vida com Deus, não a vida devocional e eclesiástica apenas, mas toda ela, a começar pelo seu lar. Como você pode viver o pai nosso como marido ou esposa, como filho ou filha? Como aplicar as verdades desta oração na sua vida escolar, acadêmica e profissional? Como o Pai Nosso pode te ajudar a lidar com os problemas da vida, a fazer escolhas e tomar decisões? Ao viver a oração que o Senhor nos ensinou, como será seu comportamento na sociedade, suas amizades, seus hábitos e seus hobbies? Em que o Pai Nosso acrescenta ao seu ministério e que transformações pode trazer às suas pregações? Sugiro que você pense em todas essas questões à luz de tudo o que aprendemos neste livro. Ore e viva o Pai Nosso todos os dias, ensine e pregue sobre ele, estimule todas as pessoas, crentes ou não, a meditarem sobre as suas verdades. Que o Pai nosso que está no céu te abençoe grandemente, em Nome de Jesus. Amém.
Observação: Este texto faz parte das considerações finais do livro "Pai Nosso: uma oração com a vida", de minha autoria. À venda na Amazon, em e-book.
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