segunda-feira, 7 de maio de 2018

A PRÁTICA DO AMOR NO COMBATE À MENTIRA - PARTE 3





3. AS CONSEQUÊNCIAS DA FALTA DESTE AMOR (vs. 6,7)

            A ausência deste amor que Paulo ensinou traz consequências desastrosas à vida aqueles que pregam a mentira e de todos os que seguem os seus falsos ensinamentos. Desde que se instaurou a Teologia da Prosperidade na fé evangélica, os fiéis dessa teologia passaram a desenvolver uma fé e uma espiritualidades vazias e egoístas, com uma piedade voltada apenas para os seus próprios interesses. Tudo o que se prega e realiza nas igrejas que se servem dessa maneira equivocada de interpretar e empregar a Bíblia, recorrem a Deus tão somente para resolver seus problemas pessoais e conquistar bênçãos que serão benção apenas para eles próprios. Não existe uma teologia solidária que conduza a uma vida em comunidade, que leva os crentes a terem tudo em comum, a se alegrarem com os que se alegram ou chorarem com os que choram. Isso demonstra o poder que as falsas doutrinas podem causar na Igreja.
O objetivo do falso ensino não é desviar os crentes de Deus, mas da crença correta nele. Quanto mais errados estiverem acerca da sua fé em Deus, mas distante dele estarão sem se darem conta disso. Por mais que o mundo insista em afirmar que toda crença em Deus está correta e que todos os deuses de todas as religiões são, na verdade, o mesmo Deus, a ortodoxia evangélica protestante crê somente no Deus que se encontra revelado na Bíblia, com seu caráter e seu modo de agir descritos em palavras inspiradas pelo seu Espírito Santo. Qualquer crença que difira do que está revelado – guardadas as corretas interpretações – é um falso ensino, uma heresia. O problema da igreja evangélica atual está em abrir mão da verdade e se apegar às mentiras pregadas pelos falsos profetas, contanto que essas mentiras vão de encontro às suas necessidades. Não importa se não está na Bíblia ou se deturpa o Evangelho, o importante é atender aos anseios dos seus corações mesquinhos e ególatras.


Especulações inverídicas

Paulo apresenta em sua epístola algumas consequências negativas dos ensinos dos falsos mestres, tanto para eles como para aqueles que seguem seus ensinamentos heréticos. Em primeiro lugar está uma perturbação mental causada por vãs especulações, na qual muitos estão perdidos (1:6). Ao buscar um conhecimento que não é essencial, essas pessoas se desviam das verdades essenciais da fé cristã, passando a se importar com ensinos desnecessários, criando novas doutrinas e aquilo que se denomina hoje de “usos e costumes da igreja”. Paulo cita dois exemplos de ensinos enganadores desses falsos mestres: a proibição do casamento e a abstinência de alguns alimentos, coisas criadas por Deus e que são intrinsecamente boas (4:3-5; cf. Mc 7:15). Em sua segunda epístola à Timóteo, o apóstolo Paulo continua a combater os falsos mestres que, também por meio de falatórios inúteis e profanos, asseveravam que a ressurreição já havia se realizado (2 Tm 2:16-18). A consciência cauterizada é incapaz de conceber a verdade, de aceitá-la em sua inteireza e de vivê-la.


Naufrágio na fé

Em segundo lugar, negligenciar a boa consciência leva ao naufrágio na fé, o que envolve a blasfêmia (1:18-20). Quando a crença correta não está presente, o que resta é a heresia, os falsos ensinos que pervertem o Evangelho de Cristo e induzem as pessoas ao engano. Para abraçar uma nova fé, é preciso abrir mão da antiga. Para aceitar uma nova doutrina, é necessário considerar a anterior falsa ou, no mínimo, obsoleta. Ao naufragar em sua fé, o que resta na mente dos homens ímpios é a mentira, o que deixa patente que eles, na verdade, nunca acreditaram de fato. Isto fica patente na declaração de João a respeito de muitos anticristos que naquela época já surgiam e que saíam do seio da Igreja do Senhor: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto de que nenhum deles é dos nossos” (1 Jo 2:18,19).
Não é possível pertencer ao Senhor Jesus e ao mesmo tempo crer o contrário daquilo que é ensinado nas Escrituras, seja rejeitando parte dela, deturpando alguns ensinamentos, acrescentando ou diminuindo o que se achar conveniente. As igrejas que pregam uma teologia homoafetiva e possuem uma Bíblia especial para fundamentar a sua crença, não podem ser chamadas de cristãs, pois, para defender seu ponto de vista, precisam retirar das Sagradas Escrituras tudo aquilo que lhes é contrário. Da mesma forma, as Testemunhas de Jeová devem ser consideradas seitas porque desprezam os textos que demonstram claramente que Jesus é Deus. As igrejas que tem como fundamento da sua fé a Teologia da Prosperidade também não podem ser chamadas de cristãs, porque desprezam o fundamento apostólico e usam a Bíblia tão somente para criar doutrinas sobre dízimos, bênçãos, vitórias e prosperidade financeira, todos ligados às conquistas materiais e egoístas neste mundo. Quem afirma estar em Cristo e se serve dessas formas teológicas heréticas, nunca foi dele de fato, é um apóstata que blasfemou contra o Espírito Santo (4:1-3; 2 Tm 3:1-7; Hb 6:4-6; 10:26,27; 2 Pe 2:20,21; 1 Jo 2:18,19).


Hipocrisia religiosa

            O que resta para aqueles que não possuem um coração puro, uma consciência boa e uma fé sincera é a hipocrisia. As crenças erradas levam a práticas igualmente erradas, baseadas num amor fingido, numa consciência cauterizada e numa fé hipócrita (4:1-5). Os falsos mestres, os falsos profetas, os falsos apóstolos e os anticristos que enchem muitas igrejas sempre agem de má fé. Eles já nasceram ali ou se infiltraram num estado de rebeldia contra Deus. Não podem ser considerados apóstatas porque jamais tiveram fé de verdade. Os seus ensinos, porém, espalham-se como um câncer que influencia a mente daqueles crentes fracos na fé, que não possuem uma consciência plenamente formada por Deus e cheia do Espírito Santo. Estes também podem ser contados como ímpios que jamais se converteram de verdade, que estão inseridos no contexto das igrejas por motivos errados, como a conquista de bênçãos, por exemplo. Qualquer vento de doutrina os carrega, qualquer novidade teológica os prende, qualquer heresia os conquista, porque não possuem compromisso com a verdade, mas apenas consigo mesmos.
            Uma religiosidade vã e vazia consequentemente gera uma espiritualidade hipócrita. Pensemos naquelas pessoas que diariamente lotam templos suntuosos com a desculpa de estarem indo adorar a Deus, mas que no fundo estão a serviço de si próprias, usando a fé apenas como um trampolim para o seu sucesso financeiro. Ou naqueles líderes que pregam sobre Deus, mas que no fim o seu Deus é o dinheiro. Talvez apenas a Idade Média tenha presenciado uma degradação tão terrível da fé cristã, com homens gananciosos e depravados, que não se importam em usar a Palavra de Deus para satisfazer seus próprios interesses. A mentira, o adultério, a fornicação, a prostituição, a inveja, o assassinato, o homossexualismo, a ganância, entre tantos outros pecados ainda mais abomináveis, entraram nas igrejas e fazem parte do seu modo de viver, como se fosse a coisa certa a ser feita. Tudo isso é fruto do abandono da sã doutrina, da cruz de Cristo, além de o juízo de Deus sobre aqueles que acham que podem ser crentes sem a Bíblia, que se entregam a todo vento de doutrina como se fosse a verdade de Deus.


Amor ao dinheiro

            Como já dissemos, o amor dos falsos mestres não está em Deus nem é direcionado às pessoas, mas está no dinheiro e voltado totalmente para si próprios (6:10). O apóstolo Paulo descreve com precisão o caráter desses homens, ao afirmar: “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as palavras do nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (6:3-5). Por rejeitarem o ensino de Jesus Cristo como padrão da sua fé, rejeitam-no, também, como padrão para o seu comportamento, o que não somente revela a sua verdadeira natureza, como também influencia negativamente algumas pessoas dentro da igreja, promovendo distorções na fé e na prática de vida, o que se pode ver por meio da inveja, das provocações, das difamações, das suspeitas malignas e das altercações que passam a fazer parte da realidade eclesiástica.
            O que estava por trás de tudo isso na época em que a epístola foi escrita e que também é a razão para a situação atual da igreja evangélica é o amor ao dinheiro. Os falsos mestres combatidos por Paulo visavam lucrar com a piedade cristã. A piedade (gr. eusebeia) está ligada a todas as nossas atitudes com relação a Deus (At 3:12; 1 Tm 2:2; 4:7,8; 6:3,5,6,11; Tt 1:1; 2 Pe 1:3,6,7; 3:11). Além de partir de um coração espontâneo, essa piedade é direcionada exclusivamente a Deus e pode significar a nossa santidade, a nossa espiritualidade em geral e a nossa adoração, que também envolve o serviço sagrado por meio das pessoas. Segundo o que temos estudado, esta piedade deve estar fundamentada na doutrina correta e gerar amor. Quando isso não acontece, não é uma piedade correta, não tem em vista a adoração a Deus, mas ao próprio homem, servindo aos seus interesses, o que de fato acontece com os falsos mestres, que supõem que a piedade é fonte de lucro.
            O amor ao dinheiro é a raiz do todos os males (v. 10), o que indica que o desvio da fé está ligado diretamente à cobiça desses homens. A difusão das heresias não visa apenas criar heresias, mas obter lucro financeiro em cima delas. É o que alerta o apóstolo Pedro sobre os falsos profetas em sua segunda epístola: “também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias” (2 Pe 2:3a; cf. 2 Co 2:17; Tt 1:11; 2 Pe 1:16). No sistema religioso atual, os falsos mestres sentem-se à vontade, porque lotam seus templos com falsos crentes que não buscam a verdadeira piedade, mas estão de fato interessados em serem explorados. Eles aceitam de bom grado que a sua fé seja explorada, porque ambos buscam a mesma coisa: lucrar com a fé, obter vantagens da sua autopiedade. O resultado dessa fé é um consumismo de bênçãos celestiais e a atormentação por meio de muitas dores que gozam essas pessoas nesta vida e na sua eternidade (6:10).


CONTINUA...



AUTOR:

Mizael de Souza Xavier, natural do Rio de Janeiro. Moro atualmente em São Paulo. Sou poeta, teólogo e escritor. Exerço o ministério pastoral na Igreja Cristão Nova Aliança do Senhor, em São Paulo/SP.

CONTATOS:

Whatsapp (11) 93013-4176
Facebook: facebook.com/mizaelsouzaxavier
Youtube: Mizael Poeta

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, jamais comente anonimamente. Escrevi publicamente e sem medo. Faça o mesmo ao comentar. Grato.