quarta-feira, 21 de março de 2018

EDUCAÇÃO CRISTÃ DE FILHOS - EDUCAR É INFLUENCIAR




EDUCAR É INFLUENCIAR


            O verbo “educar” significa dar a alguém todos os cuidados necessários ao pleno desenvolvimento de sua personalidade, o que inclui os processos utilizados para o alcance desse fim e o conteúdo que esses processos carregam. Muito mais que a transmissão de conhecimento, educar envolve estimular na pessoa a capacidade de pensar por si própria, de ter uma visão crítica de si mesma, das pessoas, do mundo e de Deus. O pedagogo Paulo Freio escreveu que “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”, o que retrata uma grande verdade. Educamos e somos educados na convivência com as outras pessoas; aprendemos ao mesmo passo em que ensinamos. Tudo isso ocorre dentro de uma realidade chamada “mundo”, onde os padrões socioeconômicos e culturais influenciam nessa troca de educação.
            No âmbito estritamente familiar, não se pode negar a influência desses padrões, que diariamente ditam as regras de como as famílias devem ser e até mesmo do que é ser família. Costuma-se dizer que a mídia destrói as famílias, acima de tudo as novelas globais, o que não é uma verdade plena. Está claro que a mídia exerce influência sobre as pessoas, mas também é certo que cada um escolhe aquilo que irá influenciá-lo. Assim, só absorve o padrão distorcido ensinado pelas mídias quem não possui padrões morais, sociais e familiares bem definidos ou que simpatiza com esses padrões externos. Quando somos educados por aquilo que é errado e reproduzimos na nossa vida e na sociedade esse padrão, podemos estar certos de estarmos agindo de maneira coerente com nosso próprio interior. Conforme o Senhor declarou: “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12:34).
            Se somos influenciados e influenciamos uns aos outros (1 Co 7:14), como crentes devemos nos importar com o tipo de influência que sofremos, reproduzimos e repassamos aos nossos filhos. Assim como liderar, educar é influenciar. Os pais influenciam seus filhos de forma direta (através da educação verbalizada) e indireta (através do seu próprio exemplo), estimulando-os a fazerem algo ou a reproduzirem determinado tipo de comportamento. Os pais cristãos devem estar certos de que estão exercendo uma influência positiva, bíblica e santa sobre os seus filhos, motivando-os a serem parecidos com eles, que procuram se parecer com Jesus. Muitos pais, infelizmente, inclusive no meio cristão, exercem uma péssima influência sobre os seus filhos, não apenas desestimulando-os, mas fazendo-os desejar jamais se parecerem com eles, o que pode envolver nunca se tornarem crentes.
            Pais cheios do Espírito Santo se tornam sal e luz no seu próprio lar. Se a nossa luz não brilhar dentro da nossa própria casa, como o mundo poderá vê-la? Se, como sal, não salgamos a nossa própria família, como o mundo sentirá o sabor de Cristo através das nossas obras (Mt 5:13-16). Muitas crianças estão desanimadas porque não conseguem encontrar dentro de casa um padrão correto a ser seguido, não se sentem emocional e espiritualmente seguras. Assim, o tipo de influência que exercermos no lar determinará a qualidade da família que seremos e o tipo de filhos que educaremos. Essa influência é exercida por meio de informações e estímulos, como veremos neste estudo.


O verdadeiro padrão do educador cristão[1]

            De uma forma direta ou indireta, aquelas pessoas que estão envolvidas conosco sempre acabam nos influenciando e se deixando influenciar por nós, principalmente no lar. Jesus alertou seus discípulos contra a hipocrisia dos fariseus, dizendo-lhes para não se deixassem levar pelo seu péssimo exemplo e os exortou a não imitá-los em seus atos (Mt 23:3). O que aconteceria se os discípulos elegessem como padrão para o seu comportamento o exemplo dos fariseus? O apóstolo Paulo tinha um padrão: Jesus Cristo, e podia dizer aos irmãos de Corinto que fossem seus imitadores (1 Co 4:16; 11:1). Além disso ele estabeleceu uma padrão a ser seguido: Deus (Ef 5:1). Em Filipenses 3:17, Paulo exorta os irmãos a serem seus imitadores e a observarem aqueles que andam segundo o modelo que tinham nele. Isto significa que se quisermos obter sucesso em nosso ministério como pais ou em qualquer área da nossa vida, precisamos nos cercar de pessoas que padrões santos, elevados, condizentes que a realidade de Deus.
Como crentes que amam a Deus e pais que amam seus filhos, precisamos observar aqueles que venceram pela fé e imitá-los (Hb 6:12). Essa imitação gera comportamentos santos, gera amor e solidariedade para com os nossos filhos (1 Ts 2:14). Nem todas as pessoas têm esse tipo de padrão elevado, mas muitos são escarnecedores (Sl 1:1). Deixando-nos influenciar pelo padrão de Jesus, nos tornamos acolhedores da Palavra, ainda que em meio a tribulação, e com grande alegria (1 Ts 1:6). Mas mesmo a igreja do Senhor está repleta de padrões distorcidos, de pessoas que são uma péssima influência na vida dos outros. Quanto a esses, a Palavra nos exorta a não manter comunhão com eles, pois o seu péssimo exemplo, o seu caráter distante de Deus, pode influenciar e contaminar toda a igreja (2 Ts 3:6,14,15; Dt 29:18) e se estender até o oculto do lar. Se alguém não está de acordo com a fé cristã, se tem mantido um comportamento incrédulo em meio à congregação “dizendo-se irmão”, é preferível que não nos associemos ou sequer comamos com ele (1 Co 5:11). Os pais não podem reproduzir comportamentos e métodos equivocados de educação dos seus filhos, seja aprendidos na própria igreja ou em outros ambientes e fontes. O padrão é a Bíblia.
            Devemos nos perguntar: Quem está exercendo influência sobre nós? Em todas as áreas e questões da nossa vida, incluindo a educação dos nossos filhos, é Deus quem deve exercer a maior influência, é Ele quem deve direcionar os nossos passos, pois a Sua visão é perfeita; Ele sabe o que é melhor para nós. O educador que opera segundo os princípios eternos, busca na Bíblia o auxílio necessário para vencer, ele a tem como última palavra, independente do que os outros digam.

  
AS OITO QUESTÕES ESSENCIAIS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ


            Educar é uma mistura de obrigação, privilégio e desafio; e é ao mesmo tempo uma arte a ser aprendida e desenvolvida por aqueles que assumem a responsabilidade da educação. Para que a família cristã desenvolva uma educação de qualidade, é preciso que algumas questões sejam bem compreendidas. Por exemplo: quem deve educar os nossos filhos: os pais ou essa tarefa deve ser transferida para a escola ou para o Estado? Alguns transferem a educação dos seus filhos para a Internet e a TV. Como esta educação deve ser praticada? Alguns apelam para métodos apresentados pela moderna psicologia que excluem o castigo, por mais leve que seja. As crianças desta era são ensinadas que possuem direitos e que até mesmo os seus pais podem ser processados judicialmente se algum desses direitos não lhes for dado. Uma simples tapa poderá levar os pais aos tribunais.
            Vamos definir alguns pontos cruciais para determinarmos como deve se dar a educação cristã de filhos, respondendo à oito perguntas:


Quem deve educar?

A obrigação de educar os filhos é dos pais. Somente eles possuem essa autoridade e não devem abrir mão dela. Quando transferimos para terceiros a educação dos nossos filhos, não estamos certos que valores serão empregados nessa educação e se ela respeitará os princípios da Palavra de Deus. A obrigação da escola é ensinar as matérias que lhe são próprias (matemática, português, história, geografia, etc.), e não estabelecer princípios para a construção do caráter dos seus alunos. Como se diz por aí: “educação se aprende em casa”.


Quem deve ser educado?

Os pais devem educar os seus filhos, não importa se biológicos ou adotados. Os nossos filhos são os objetos do nosso amor e do nosso cuidado. Se de fato nos importamos com eles e desejamos que eles cresçam pessoas boas e responsáveis, devemos fornecer-lhes os meios próprios que tornem isso possível.


O que se deve ensinar?

Podemos resumir esta questão no provérbio que veremos no próximo capítulo: o caminho em que ela deve andar. E que caminho é este? Ele é, acima de tudo, o caminho traçado por Deus em sua Palavra, isto é: todo o ensino bíblico que conduza o indivíduo a uma vida íntegra, justa e santa. Outro caminho, o mais importante e que levará verdadeiramente a criança a alcançar essa vida ideal, é a pregação do Evangelho aos nossos filhos, para que eles conheçam ao Senhor e sejam convertidos por Ele.


Como ensinar?

A educação cristã deve ser realizada com sabedoria, amor, humildade, honestidade e disciplina. Muitos pais tentam impor aos seus filhos, muitos ainda descrentes, os princípios bíblicos, obrigando-os a serem o que eles não são e fazerem o que eles não têm vontade de fazer porque ainda não se converteram. Educar não significa obrigar ninguém a assumir uma posição diante do que foi ensinado, mas estimulá-lo a praticar o que aprendeu. É preciso amor e paciência, além de humildade. Quem ensina, sempre tem o que aprender. A educação cristã envolve a disciplina, com recompensas e punições, como já foi dito. Essa disciplina deve ser rigorosa, o que não significa abusiva nem agressiva.


Quando ensinar?

A educação é algo que tem tempo para começar, mas não tem tempo para terminar. Ele deve começar logo no início da vida dos filhos e se estender até mesmo quando eles já estiverem adultos. A função dos pais é orientar sempre os seus filhos no caminho certo. O fato de eles cresceram não faz com que deixem de ser filhos nem com que seus pais deixem de ser pais. Sempre é tempo de ensinar e aprender. Sempre haverá lições a serem ensinadas, pois a educação é inesgotável, principalmente quando usamos a Bíblia.


Onde ensinar?

Esta pergunta já foi em parte respondida na primeira questão. O lugar de se educar é no lar. Todavia, em todos os ambientes que frequentar, a criança precisa ser lembrada daquilo que aprendeu. Nem sempre nossos filhos reproduzirão na íntegra o que lhes ensinamos, mas haverá momentos em que precisarão ser lembrados do que fazer. Isto acontecerá até que apreendam totalmente o ensino e este se transforme numa prática comum em suas vidas. Como extensão da família, a Igreja também possui um papel crucial no auxílio da educação dos nossos filhos, ajudando-nos e educando-nos para educarmos. Assim como ocorre com a escola, não é papel da Igreja substituir os pais na educação dos seus filhos, mas apenas auxiliar nessa educação.


Por que ensinar?

Em primeiro lugar porque esta é a vontade de Deus. Nosso Pai nos educa e deseja que eduquemos também os nossos filhos. Uma criança que não aprende em casa quem deve ser e o que deve fazer, onde mais aprenderá? Se nossos filhos não souberem a coisa certa a fazer, como esperaremos que eles a façam? Se o seu caráter não for edificado desde o princípio por meio de uma educação sadia e cristã, que outra educação o edificará? Nossos filhos precisam de um bom alicerce para construírem a sua vida. Eles necessitam de respostas para dar aos questionamentos que encontrarão pela frente e que tentarão colocar em xeque tudo aquilo que eles acreditam.


Para que ensinar?

Enfim, para quê precisamos enfrentar todo este processo, investir neste desafio e enfrentar todas as ondas mundanas contrárias à família? Para que nossos filhos cresçam mentalmente, emocionalmente e espiritualmente saudáveis; para que eles se tornem boas pessoas e bons crentes, caso se convertam. Não educamos nossos filhos para dar uma resposta ao mundo, mas a Deus. Educamos nossos filhos para que eles experimentem a vontade de Deus, tendo a mente renovada, transformada e alicerçada sobre os princípios e valores eternos das Sagradas Escrituras.

Tendo em mente essas oito questões, precisamos aprender sobre o conteúdo daquilo que ensinamos aos nossos filhos e o impacto que uma educação deficiente pode causa em suas vidas. Informações erradas e estímulos distorcidos não fornecem o conteúdo que eles necessitam para o seu desenvolvimento. É o que aprenderemos a seguir.


[1] Adaptado do livro “Liderança multifocal”, de minha autoria, ainda a publicar.

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