segunda-feira, 5 de março de 2018

CONFISSÃO DE FÉ DA IGREJA CRISTÃ NOVA ALIANÇA DO SENHOR





CONFISSÃO DE FÉ DA

IGREJA CRISTÃ NOVA ALIANÇA DO SENHOR



1. Revelação

Cremos que a Revelação é um ato de Deus através do qual Ele torna a Sua pessoa e a Sua vontade conhecidas ao Homem. O conteúdo da revelação é o próprio Deus, tendo dois pontos focais: os propósitos de Deus e a pessoa de Deus. Antes que o homem conheça a Deus, é preciso primeiro que Deus se revele a ele. O homem não pode ver a Deus (Jo 1:18; 1 Tm 6:16; Ex 33:20), nem encontrá-lo, por mais que se esforce em buscá-lo (Jó 11:7; 23:3-9), nem ler os seus pensamentos mediante as suas próprias habilidades e teorias (Is 55:8ss). Por ser pecaminoso, o homem possui seus poderes e sua capacidade de percepção desfocados por satanás (2 Co 4:4) e pelo pecado (1 Co 2:14). O homem só encontra a Deus quanto este o busca, quando a ele se revela. O homem carrega dentro de si a centelha da revelação divina
Deus se revela ao homem através da natureza (revelação natural), por meio das coisas criadas (Sl 19:1; Rm 1:20,21) e através da revelação na consciência humana da sua existência eterna (Rm 121-27; 2:1-16). Estas, porém, não produzem salvação, mas somente aquela registrada nas Escrituras. Se Revelação de Deus encontra-se nas Escrituras Sagradas, não pode haver novas revelações. Cremos, também, que Deus se revelou a nós de maneira direta e perfeita por meio de Cristo (Hb 1:1; Jo 1:11-14). Só podemos conhecer a Deus perfeitamente através de Jesus. Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1:15), e a Sua glória é a glória de Deus revelada na sua face (2 Co 4:4-6). Se quisermos ver Deus, precisamos olhar para Jesus (Hb 1:3; Jo 14:9). Jesus é a revelação final e perfeita de tudo aquilo que Deus realmente é. Esse Jesus não é aquele das religiões, mas o Unigênito do Pai; ou melhor afirmando: o próprio Pai (Jo 14:8,9).


2. Escrituras

Cremos que a Bíblia é o registro da Revelação especial de Deus. Ela foi escrita por homens de maneira sobrenatural, inspirados pelo Espírito Santo, que os guiava como instrumentos poderosos nas suas mãos para deixar gravada toda a revelação que Ele desejava (2 Tm 3:16,17; 2 Pe 1:21, Hb 1:1,2; 2 Tm 3:14-16). As Escrituras Sagradas que temos em mãos (Antigo Testamento e Novo Testamento) é totalmente perfeita, o que envolve a sua veracidade (que inclui inerrância, infalibilidade e confiabilidade), perspicuidade, suficiência e autoridade. Ela é também íntegra, imutável e a nossa única e suprema autoridade em matéria de fé e conduta prática (Mt 24:35; Hb 4:12). Aceitamos a Bíblia como tendo 39 livros no Antigo Testamento e 27 livros no Novo Testamento, considerados canônicos pelas igrejas reformadas.


3. Trindade

Cremos na existência de um só Deus Trino, Pai, Filho e Espírito Santo, Um em essência e Trino em Pessoa, ou seja: três modos ou formas em que existe a essência divina (BERKHOF; Mt 28:19; Jo 14:8-11; 16,17; 16:13-15; 1 Jo 5:5-8). A essência divina não está dividida em três pessoas, mas cada uma delas contém todas as perfeições divinas, não tendo existência fora ou à parte dela. Há provas escriturísticas da Trindade no Antigo Testamento (cf. Gn 1:26; 11:7; 16:7-13; 18:1-21; 19:1-22; Is 48:16; 61:1; 63:9,10) e, principalmente, no Novo Testamento (Lc 1:35; 3:21,22; Jo 14:16; Mt 28:19; 1 Co 12:4-6; 2 Co 13:13; 1 Pe 1:2). As três pessoas da Trindade são consideradas separadamente da seguinte forma:


4. Deus.

Cremos num único Deus e Soberano que criou e sustenta todas as coisas visíveis e invisíveis. Deus é espírito, um ser pessoal, real, verdadeiro e imortal, com poder para pensar, sentir e querer. Ele não possui matéria física nem está sujeito às limitações inerentes ao homem. Não pode ser visto com os olhos nem apreendido pelos sentidos. Ele é um espírito pessoal e possui consciência própria e perfeita a cerca de Si mesmo. Ele dirige e se basta a Si mesmo. Deus não precisa de nós para ser Deus.

a) A natureza de Deus. Deus ainda possui os seus atributos naturais. São eles:

·         Onipresença. Deus existe desde a eternidade. Ele não preenche espaço, não há lugar onde possa ser encontrado. Não há como se esconder de Deus (Sl 139).
·         Eternidade. Deus não se limita ao tempo. Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre (1 Cr 16:36; 29:10; Sl 41:13; Is 9:6; Dn 2:20; Hc 1:12).
·         Onisciência. O conhecimento de Deus é perfeito e não pode ser medido. Ele conhece antecipadamente todas as coisas (Gn 16:13; Pv 15:3; Sl 139:2,3).
·         Sabedoria. Esse conhecimento implica em sabedoria e a capacidade de julgar todas as coisas retamente (Pv 3:19).
·         Onipotência. Ele é capaz de fazer todas as coisas que são dignas do Seu poder (Ex 21:1-6; Sl 123:2; Is 6:8-11).
·         Soberania. Deus é absoluto e único no universo, possuindo total liberdade, poder, conhecimento e sabedoria (Sl 115).
·         Constância. Deus não muda. A sua natureza não sofre modificações (Sl 55:19; Tg 1:17).

b) O caráter de Deus. Através da criação, da História, da Bíblia e da pessoa de Jesus Cristo, Deus revela o seu caráter, os seus atributos morais. Deus é muito mais que o Criador de todas as coisas: Ele é o nosso Pai. E como Pai divino Ele possui:

·         Bondade. Deus é perfeitamente bom. A bondade é o fundamento do Seu amor. Ele está sempre buscando a nossa felicidade, para o louvor da sua glória (Sl 145:9).
·         Amor. Deus é amor (1 Jo 4:8,16). O amor é a essência de Deus e a base para todas as suas qualidades morais. Esse amor é feito de atitudes (Jo 3:16) e se expressa através de Cristo.
·         Santidade. Na santidade temos a plenitude da excelência moral de Deus. Ele é absolutamente puro e não pode tolerar o pecado. Essa mesma santidade Ele exige de nós (Ex 15:11; Sl 77:13; Hb 12:10).
·         Justiça. Deus é justo na aplicação da Sua Lei. Sua Lei são preceitos que devem se constituir o nosso padrão. Se a justiça de Deus condena o pecador, o amor o leva à restauração (Sl 11:7; 50:6; 97:2; Is 30:18; Sf 2:3).


5. Jesus

Cremos em Jesus Cristo enquanto o Verbo de Deus encarnado (Jo 1:1-14) como totalmente Deus e totalmente homem, conforme revelado nas Escrituras, que designam seu estado e seus ofícios, chamando-o de Filho de Deus, Filho do Homem, Homem de Dores, Senhor da Glória, Messias, Mediador, Senhor, Profeta, Sacerdote e Rei (Sl 8:4; Dn 7:13; Jo 12:34; At 7:56; Ap 1:13; 14:14; Lc 1:35; Mt 8:29; 11:27; 14:28-33; 21:3). Como Senhor, fica bastante claro que Jesus é o Deus Jeová (Mt 7:22; Mc 12:36,37; Lc 2:11; 3:4; 5:8; At 2:36; 1 Co 12:3; Fp 2:11). Cristo é o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2:5; At 4:12), o cabeça e salvador da Igreja (1 Co 12:26,27; Ef 5:23,30; Cl 1:18). Ele pôs de lado a sua Majestade divina e humilhou-se ao assumir a forma humana para cumprir a Lei e os profetas (Mt 3:15; Gl 3:13; Fp 2:6-8). Por amor aos pecadores, Cristo sofreu na cruz para a redenção dos pecados da humanidade (Mt 4:1-11; Lc 22:28; Jo 12:27; Hb 2:18; 4:15; 5:7-9). Após a sua crucificação (Gl 3:13; Dt 21:23; At 2:27,31; 13:14,35), Ele ressuscitou em corpo glorioso e subiu aos céus (Lc 24:31,50-53; Jo 6:62; 14:2,12; 16:5,10,17,28; 17:5; 20:1-29; 21:7; At 1:6-11; Rm 4:25; 1 Co 15:50; Ef 1:20; 4:8-10; 1 Tm 3:16), sendo glorificado por Deus e entronizado à sua destra (Mt 26:64; At 2:33-36; 5:31; Ef 1:20-22; Hb 10:12; 1 Pe 3:22; Ap 3:21; 22:1), sendo as primícias dos que dormem (1 Co 15:20; Cl 1:18; Ap 1:5).

a) A natureza divina de Cristo. A deidade de Cristo é amplamente ensinada nas Escrituras. O Antigo Testamento já apontava para a vinda de um Messias divino (Is 9:6; Jr 23:6; Dn 7:13; Mq 5:2; Zc 13:7; Ml 3:1). O Evangelho de João também apresenta a Cristo como o Deus que se fez carne, exaltando-o sobremaneira (Jo 1:1-3,14,18,25-27; 11:41-44; 20:28). Em diversas outras passagens do Novo Testamento, Jesus é apresentado como Soberano Deus e Senhor (Mt 5:17; 9:6; 11:1-6,27; 14:33; Mc 8:38; Rm 7:7; 9:5; 1 Co 1:1-3; 2:8; 2 Co 5:10; Gl 2:20; 4:4; Fp 2:6; Cl 2:9; 1 Tm 3:16; Hb 1:1-3,5,8; 4:14; 5:8).

b) A natureza humana de Cristo. Como homem, Cristo foi gerado pelo Espírito Santo e concebido no ventre de uma jovem chamada Maria, possuindo todas as propriedades da natureza humana, como um corpo material e uma alma racional (Mt 1:23; 26:28,38; Lc 23:46; 24:39; Jo 1:14; 11:33; 1 Tm 3:16; 1 Jo 4:2; Hb 2:14; Is 7:14; 9:6,7), porém, sem pecado (Lc 1:35; Jo 8:46; 14:30; Hb 4:15; 7:25-28; 2 Co 5:21; 1 Pe 2:22; 1 Jo 3:5). Que Cristo veio na forma humana está patente nas Escrituras. Ele chama a si mesmo de “homem”, como também é chamado por outros (Jo 8:40; At 2:22; Rm 5:15; 1 Co 15:21). Como todo ser humano, Jesus experimentou as mesmas necessidades humanas que nós e esteve sujeito aos mesmos sofrimentos (Mt 4:2; 8:24; 9:36; Mc 3:5; Lc 2:40,52; 22:44; Jo 4:6; 11:35; 12:27; 19:28,30; Hb 2:10,18; 5:7,8).

c) A suficiência de Cristo. Cremos na intercessão de Jesus Cristo, como único medidor e Salvador entre Deus e os homens, porque Ele ressuscitou (Jo 14:6-13; 1 Tm. 2:5; At 4:11,12). A ressurreição de Cristo é o fundamento da fé cristã e a legitimação da missão evangelística da Igreja (At 17:31; 24:21; 26:7,8; Rm 14:9; 1 Co 15:15-22; Cl 1:18; 2 Tm 4:1; 1 Pe 4:5). Paulo chega a escrever que se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação e a nossa fé, de modo que nos tornamos falsas testemunhas diante de Deus (1 Co 15:14,15). Tendo a plena certeza da ressurreição gloriosa do Senhor, a pregação evangélica deve anunciar que Cristo ressurgiu dentre os mortos e vive para sempre. Pregar a ressurreição de Cristo implica pregar também a nossa própria ressurreição (Rm 6:4-9; 2 Co 13:14; 2 Tm 2:11). A pregação que não está fundamentada na ressurreição de Cristo nem demonstra amor pela sua vinda é fruto de uma fé vã e mentirosa.


6. Espírito Santo

Cremos no Espírito Santo como uma pessoa divina, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho (Jo 14:16,17,26; 15:26; 16:7-15; Rm 8:26). Ele falou através dos profetas e autores sagrados, e expressa vontade, caráter e intelecto (1 Co 2:13; 2 Pe 1:21. O Espírito Santo atua soberanamente na geração da fé necessária à salvação, no arrependimento, na regeneração e na santificação dos verdadeiros cristãos (Jo 3:3-7; 16:7-11; 2 Co 5:17; Ef 1:13,14; 2:8,9; Tt. 3.5). Ele atua na Igreja, formando-a e habitando nela de forma vivificadora (Ef 1:22,23; 2:22; 1 Co 3:16; 2:14ss) e no mundo. O Espírito reúne os cristãos pelo amor, de modo que eles vivem unidos, tendo tudo em comum (At 2:1-13, 37-39). É o Espírito quem leva o perdido à salvação pela graça de Deus (Jo 16:7-11; At 2:36-38); é Ele quem nos regenera; é Ele quem nos santifica e nos torna obedientes, submissos e nos disciplina (1 Pe 1:22,23). Esta presença se deixa evidenciar pelos frutos, cujo fruto original e que gera a todos os outros é o amor. (Gl 5:22). É o Espírito quem auxilia o crente nas suas orações, quem o capacita espiritualmente para ler, entender e seguir a Palavra (Jo 14:26; 15:26; 16:13,14; At 5:32; Hb 10:15; Rm 8:26,27; 1 Co 2:13-15; 1 Jo 2:27). O Espírito produz a edificação através da participação de cada membro da Igreja, o corpo, de maneira individual e ao mesmo tempo coletiva, por meio dos dons espirituais e do amor (1 Co 12:4-11; 27-31; cap. 13; Ef 4:11-13; 1 Ts 5:19-21).


7. Homem

Cremos que Deus criou homem e mulher conforme a sua imagem e semelhança, sendo homem e mulher (Gn 1:26,27). A natureza humana é constituída de corpo e alma (Mt 6:25; 10:28), ou corpo e espírito (Ec 12:7; 1 Co 5:3,5; 7:34; 2 Co 7:1; Ef 2:3; Cl 2:5; Rm 8:10). Essa alma – ou espírito – é imortal e é um ato criativo direto de Deus; ela é parte integrante o ser humano desde a sua concepção. De acordo com Berkhof (1992, p. 123), a opinião reformada distingue a imagem de Deus no homem em dois sentidos: restrito e abrangente. O sentido restrito consiste nas qualidades espirituais com que o homem foi criado por Deus: o verdadeiro conhecimento, retidão e santidade (Ef 4:24; Cl 3:10). No sentido abrangente, entende-se que o homem é um ser espiritual, racional, moral e imortal, no corpo; este não como substância material, mas como instrumento da alma, e no seu domínio sobre a criação inferior. Nesse sentido abrangente, o homem ainda carrega a imagem de Deus em si; todavia, no sentido restrito, ele passou a carregar uma natureza caída, corrompida pelo pecado, o que o impede de aspirar ao verdadeiro conhecimento, à retidão e à santidade. É preciso que haja uma intervenção de Deus para que esse estado original seja restaurado, o que implica na obra salvífica de Cristo e nas suas implicações positivas para o pecador.


8. Pecado original

Cremos na pecaminosidade universal, na depravação total e a culpabilidade de todos os homens, desde a Queda de Adão, início da ira de Deus e a condenação de todos os homens. Nenhum ser humano nascido a partir da Queda está isento do pecado original nem da necessidade da fé e do arrependimento para alcançar a salvação. Todos somos pecadores (Gn 2:16,17; 3:1-24; Jo 8:34; 1 Jo 1:8,9; 3:8; Rm 3:9-23; 5:12-21; 6:3; 7:14-17; Hb 9:27; Pv 28:13; Sl 32:1,5; 25:11). Cremos que a Queda do homem trouxe consequências temporais e eternas para o ser humano. São elas:

a) Perda da liberdade. Se antes da Queda o homem possuía uma inclinação positiva para amar a Deus e praticar o bem, após a Queda esta liberdade foi perdida, tornando-o propenso apenas para o mal. Havia a possibilidade de pecar, mas não havia a necessidade moral pra fazê-lo (Rm 3:10,11). O homem está perdido e é de todo corrupto (Gn 6:5; Jr 17:9; Pv 28:26; Mt 15:19; Rm 7:18). Qualquer bem só pode nascer em seu coração se pela graça de Deus for produzido.

b) Obstrução do conhecimento. A capacidade intelectual do homem foi afetada na Queda. Não somente a capacidade de compreender Deus, mas em todas as áreas da vida (Rm 1:18-28. Por esta causa, o homem não pode entender a verdade de Deus, necessitando da iluminação do Espírito Santo para compreendê-la corretamente e sem distorções (1 Co 2:13-15). Aquilo que ele supostamente compreende está afetado pelo pecado e não conduz ao conhecimento perfeito de Deus.

c) Perda da graça de Deus. Na Queda, o homem foi destituído da glória de Deus (Rm 3:23). A assistência graciosa que o homem possuía para a prática do bem lhe foi tirada e ele passou a viver sem essa graça, sendo propenso apenas para o mal. Sem esta graça maravilhosa, qualquer esforço do perdido de se aproximar de Deus é totalmente inútil (Ef 2:8,9; 2 Tm 2:1; 2 Co 12:9; At 15:11; Hb 4:16).

d) Perda do paraíso. Perder o paraíso nada mais é que estar longe da comunhão com o Pai. Reverter os efeitos da Queda só é possível por meio da justificação pela fé em Jesus Cristo (At 13:39). Embora não tenhamos aqui a comunhão perfeita que havia no paraíso, o Senhor nos promete vida em abundância, a certeza de que Ele é a nossa suficiência (1 Co 6:11; 2 Co 3:1-18) e de que sempre estará conosco (Mt 28:20).

e) Presença da concupiscência. A concupiscência é a propensão humana para o pecado, a busca pelo paraíso por meio da sensualidade. É interessante definirmos o que é o pecado. O pecado é uma inclinação interior para fazermos aquilo que Deus desaprova. O pecado é, também, a rebelião e a desobediência contra Deus. Nós o somos por causa de uma avaliação feita pelo próprio Deus (Rm 3:23,24). A incapacitação espiritual também é uma característica do pecado. O homem é um ser incapaz de se relacionar com Deus sem a salvação. Estamos todos mortos e afastados de Deus antes de sermos convencidos pelo Espírito Santo; somos pecadores não-arrependidos (Rm 3:9-18).

f) Morte. Na criação, o homem possuía capacidade tanto para morrer quanto para não morrer, mas ao desobedecer, atraiu a morte para si e para toda a humanidade. A morte do homem pós-Queda é evidenciada da seguinte maneira: morte espiritual (separação de Deus) e morte física (capacidade para morrer fisicamente). Além da morte, o próprio corpo humano está sujeito à degeneração, isto é, deteriorar-se com o passar dos anos até morrer, algo que provavelmente não deveria ser possível no paraíso. Quando morremos em Cristo, apenas fazemos uma mudança para nosso destino real e derradeiro: o céu, onde estaremos para sempre com o Senhor (Fp 3:20; 2 Co 5:1-10; Ef 1:14; 1 Pe 2:9). Aqueles que morrem sem Cristo, passam pela segunda morte (Ap 20:14,15; 21:8).

g) Culpa hereditária. O pecado original é muito mais que uma ação praticada pelo primeiro casal. Esta ação trouxe consequências para toda a raça humana, de modo que o pecado tornou-se uma condição de toda a humanidade, transmitida de Adão para nós (Rm 3:23; 5:12). Nenhuma criatura está isenta da culpa original. Este fato é suficiente para compreendermos a graça de Deus em Cristo: todos pecaram e somente através da obra vicária de Cristo na cruz é possível haver redenção. A graça exclui a nossa participação e reúne a todos os seres humanos num único rebanho de condenados, até alcançarem a justificação pela fé. Esse conhecimento é deveras importante para a evangelização, pois demonstra que ninguém é bom demais para merecer o céu e que a salvação não pode ser conquistada por meio de obras, como pregam algumas correntes do cristianismo.


9. Salvação

Cremos na redenção da culpa, pena, domínio e presença do pecado, somente por meio da morte expiatória do Senhor Jesus Cristo, no sangue do Unigênito Filho encarnado de Deus, nosso representante e substituto (Rm 3:24; 4:25; 5:6-10; 1 Co 1:30; 15:50-57). O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida (Rm 6:23). Deus não sente prazer na morte do ímpio, por isso lhe forneceu um meio de salvação: seu único Filho, que morreu na cruz para salvar o pecador (Jo 3:16; 1 Pe 2:22-24; 3:18; 2 Co 5:21). A dívida impagável que temos com Deus foi liquidada por Cristo ao derramar o seu sangue. Através de Cristo somos regenerados, a ira de Deus que está sobre nós é aplacada, a paz entre nós Ele é feita e finalmente somos com Ele reconciliados (Cl 2:13-15). Quando levados a aceitar a Jesus como nosso Senhor e Salvador, somos selados com o Espírito Santo e nos tornamos seus filhos (Ef 1:13). Esta salvação é unicamente pela graça de Deus, pela fé em Jesus Cristo. Não existe nada que possamos ou precisemos fazer, apenas crer quando convencidos do pecado pelo Espírito (Rm 5:1; Ef 2:8,9). Embora Deus abomine o pecado, Ele nos ama e prova o seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5:8). A fé em Jesus nos garante a vida eterna nos céus (Jo 6:68; 17:3; 1 Jo 5:11-13; Gl 6:7,8). Por meio dele somos justificados (Rm 5:1,2), ou seja: considerados justos diante de Deus e totalmente livres de condenação para sempre (Rm 8:1,2).


10. Justificação do pecador

Cremos na doutrina da justificação pela fé, salvação eterna do crente, sem concurso do mérito próprio. A justificação do pecador é somente pela graça de Deus, na suficiência do sangue remido de Jesus Cristo, com eterna segurança (Jo 10:27-29; Rm 8:1,2, 31-39; 11:5,6; Ef 2:1-9).

a) Sua natureza. A palavra “justificação” é um termo forense que nos lembra o tribunal de Deus: o homem é condenado por seu pecado, julgado e absolvido, declarado justo, isto é, justificado. Esta justificação independe de nossa atuação neste tribunal em defesa de nossos interesses, mas é um Dom gratuito de Deus o qual nos é outorgado pela fé em Cristo (Rm 1:17; 3:21,22). Este veredicto divino ninguém pode contradizer, embora tenhamos um passado pecaminoso e ainda estejamos sujeitos ao erro (Rm 8:34). Na justificação, Deus perdoa todos os nossos pecados e nos imputa justiça (Rm 8:1). Somos justificados pela fé e temos paz com Deus (Cl 1:20; Rm 5:1). Esta justificação nos dá nova posição diante de Deus e nos considera justos, o que independe de nossa maldade ou bondade.

b) Sua necessidade. O homem encontra-se em estado de rebeldia contra Deus e necessita de uma reparação para reatar os laços de comunhão perfeita que outrora gozava no paraíso, o que só pode ocorrer por meio da justiça de Deus imputada ao pecador, que o torna aceito através da fé em Cristo (Rm 1:16,17). Todos são indesculpáveis (Rm 1:19,20; 2:14,15) e estão sob condenação (Rm 3:19,20). Esta justiça divina tem como finalidade fazer o homem reto, justo, o que é obra exclusiva de Deus, não podendo o homem concorrer para que isso ocorra. É obra do Espírito Santo (Rm 3:21; Gn 3:15; 12:3; Gl 3:6-8; Jr 23:6; 31:31-34).

c) Sua fonte. A única fonte possível para que o pecador possa justificar-se diante de Deus e ter livre a cesso à Sua presença é a Graça (Ef 2:8,9). Graça significa, antes de tudo, um favor imerecido que nos é dado através da bondade de Deus e não incorre em nenhuma dívida para com Ele. Ela é um benefício legítimo de Deus, independente de merecermos ou não, porque de fato não o merecemos (Rm 6:23). Esta Graça revela-se na expiação de Cristo, onde toda a nossa dívida foi paga pelo seu sangue (Rm 3:24; Ef 1:6).

d) Seu fundamento. Somente provendo justiça ao homem Deus pode tratá-lo como pessoa justa. Mas de que forma? Mediante a redenção que há em Cristo, que nos favorece com o título de “justos” (Rm 3:24; Ef 1:7). Cristo morreu na cruz para nos salvar e tornou-se a propiciação externa para a nossa justificação, através da fé. Para apresentar-se diante de Deus, necessitamos de um caráter renovado, recriado pela pureza do sangue de Cristo (Ap 19:8; 3:4; 7:13,14) e só poderemos conseguir isto através da “justiça de Deus”, comprada pela morte expiatória de seu Filho Unigênito na cruz do Calvário (Is 53:5,11; 2 Co 5:21; Ro 4:6; 5:18,19), independente de nossas obras (Rm 3:28; Gl 2:16). Esta justificação pela fé é um ato inicial da vida cristã, que deve se estender através da nossa santificação, onde somos feitos novas criaturas (2 Co 5:17). Se nos revestimos da justiça de Cristo, devemos, também, purificarmo-nos, do mesmo modo como Ele é puro (1 Jo 3:3).

e) Seu meio. A justificação do pecador é somente através da fé despertada nele pelo Espírito Santo, que lhe dá uma mudança de posição e condição diante de Deus (Rm 3:22; 4:11; 9:30; Hb 11:7; Fp 3:9; Ef 2:8,9). Através da fé, os méritos de Cristo são comunicados aos pecadores, que sofrem uma transformação diante de Deus, chamada de justificação, e uma transformação espiritual, chamada de regeneração. Esta justificação pela graça independente das obras do homem (Rm 3:20, 24) remove o perigo do orgulho de autojustiça e auto-esforço e o medo de ninguém ser suficientemente capaz de conseguir a salvação. Esta fé não somente salva o pecador como transforma o seu coração, seus pensamentos e suas atitudes (Ef 3:17; 1 Ts 1:3; Rm 14:23; 2 Ts 2:12), implicando em sujeição à justiça de Deus (Rm 10:3). É uma fé que, quando viva, produz obras (Ef 2:10; Tg 2:18,26).


11. Conversão e o crente genuíno

Cremos que a conversão do pecador a Jesus é uma obra exclusiva do Espírito Santo, quando Deus o escolhe/elege e chama (Ef 1:3-14; Rm 8:28-33; 1 Ts 5:9; 2 Ts 2:13) regenerando-o (Jo 1:12,13; 3:3-8; 2 Co 5:17; Ef 2:1-5), dando-lhe a fé necessária á conversão (Ef 1:9; 2:8,9), produzindo nele o arrependimento e convertendo-o (At 26:18; 2 Cr 7:14; At 2:38; 3:19; Mt 4:17; Tt 1:21; Cl 2:12), para que os seus pecados sejam cancelados e ele se torne filho de Deus (Rm 8:14-23; 9:4,26; Jo 1:12; 8:44; 1 Jo 3:1,2,10; 4:3-6; Gl 3:26; 4:4-6; Ef 1:5) e nova criatura (2 Co 5:17; Gl 2:20). Aceitamos o seguinte padrão para definir a conversão sincera do pecador:

a) Um chamado especial de Deus. Aqueles que se convertem genuinamente a Cristo são objetos do chamado especial de Deus. Embora haja um chamado geral à conversão (p. ex. Mt 11:28 e 22:14), somente nos eleitos ela é operada. De acordo com Millard J. Erickson, falando a respeito do chamado especial (1992, p. 362): “Deus atua de forma particularmente eficaz com os eleitos, dando-lhes condições de reagir com arrependimento e fé, e fazendo com que de fato assim reajam”. Ainda segundo o mesmo autor, “O chamado especial é, em grande medida, a obra da Iluminação do Espírito Santo, dando ao receptor a capacidade de compreender o verdadeiro significado do evangelho. Essa obra do Espírito é necessária porque a depravação que caracteriza todos os homens os impede de captarem a verdade revelada de Deus” (idem). Somente iluminado pelo Espírito Santo o pecador pode compreender a loucura de Deus na cruz (2 Co 5:19; 1 Co 1:18-25; 12:3). Uma vez iluminado, a sua resposta sempre será positiva, isto é: a conversão, porque o Espírito Santo já está operando nele.

b) Arrependimento. A verdadeira conversão produz arrependimento e leva à confissão de pecados (At 19:18). O arrependimento é o aspecto negativo da conversão e mostra a necessidade de abandonar o pecado para ter comunhão com Deus. O verdadeiro arrependimento implica em mudança real de comportamento, como ocorreu com Pedro em contraste com Judas (Jo 21:15-19). Pedro teve remorso por haver traído o seu Mestre; este remorso o levou a uma mudança total de atitude, o que fica comprovado em toda a sua carreira de apóstolo e evangelista.

c) Novo nascimento. Uma explicação para definir o sentido de conversão é aquela dada por Jesus a Nicodemos: “Importa-vos nascer de novo” (Jo 3:7). Por que deveríamos nascer novamente? E como se dá este novo nascimento? Qual a finalidade dele? Certamente este “nascer de novo” nos identifica com Cristo, o qual nos dá uma nova identidade como filhos de Deus. Antes do novo nascimento existe algo imprescindível: a fé (Ef 2:8,9). Essa fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo (Rm 10:17). O nosso primeiro nascimento é aquele em que nascemos mortos espiritualmente (Ef 2:1; Rm 5:12). É um nascimento produzido em pecado e para o pecado. O novo nascimento é operado pelo Espírito para a vida. Ele nos ressuscita em Cristo e nos reconcilia com o Pai (2 Co 5:17; 1 Jo 3:1,2; 1 Pe 1:23; Rm 6:4-7; Gl 2:20). O novo nascimento é a regeneração, onde morremos para o pecado e somos gerados para Deus como novas pessoas em Cristo. A natureza morta cede o seu lugar a uma vida nova, transformada, santificada e repleta de frutos de justiça e obediência a Deus. Além de nos tornar filhos de Deus, a regeneração nos garante a herança eterna nos céus. Sem participar dela, ninguém poderá chegar à glória celestial.

d) Fé. Quando cremos em Jesus Cristo, podemos reconhecer a nossa condição de pecadores, arrependermo-nos e sermos convertidos por Ele. Não é possível haver a genuína conversão se o arrependimento não for seguido pela fé em Jesus. Sentir-se culpado pelos próprios pecados e pedir perdão a Deus não resolve a questão da culpa hereditária. Sem aceitar a Cristo como Senhor e Salvador, ninguém pode se considerar convertido (Rm 10:1-10). Esta fé não deixa o homem confundido, porque “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (vs. 12,13). A salvação é fruto da fé. Através da fé em Cristo o homem é justificado e muda de posição diante de Deus. Antes desta mudança, ele não passa de um cadáver espiritual, um morto-vivo (Ef 2:1. Se não houve a fé salvadora, se o pecador não foi tocado pelo Espírito Santo, a sua conversão não é verdadeira.

e) O tempo da conversão. Como ocorre a conversão? Ela é instantânea, no momento em que o pecador ouve o apelo do Evangelho e decide radicalmente atender ao chamado de Deus ou é um processo no qual o pecador se converte aos poucos? Essas duas linhas de pensamento são possíveis. Algumas pessoas, a exemplo de Nicodemos (cf. Jo 19:39) parecem experimentar uma conversão gradativa a partir do momento em que ouvem a mensagem de Cristo. Outras passam por um momento de crise em que se convertem em um instante, como o exemplo do carcereiro (At 16:30). O importante é sabermos que em ambos está a ação do Espírito Santo, quer mostrando aos poucos a verdade da salvação, quer impactando com essa verdade a vida de alguém ao ponto de num único instante levá-lo ao arrependimento e à conversão. Por outro lado, se já existe uma ação eficaz do Espírito Santo encaminhando o pecador à conversão, esse tal já é dele.

f) Mudança de posicionamento. Por fim, a conversão não é apenas a inserção de um indivíduo na vida da comunidade cristã, da Igreja como instituição, mas uma mudança de posicionamento diante de Deus que redunda em transformação de vida, onde uma mudança sensível e necessária se faz real. Essa mudança é operada exclusivamente pela graça de Deus e nos leva a uma vontade diferente daquela que tínhamos quando ainda estávamos mortos, gerando compromisso com a sua Palavra e uma consequente mudança de comportamento. A conversão é evidenciada, não apenas afirmada. Ela é prática, não apenas proclamada. Não é um levantar da mão após o apelo fervoroso do pastor, mas um entregar de vida e coração nas mãos do supremo Pastor da nossa alma. Além de um preço que já foi pago na cruz, a conversão tem consequências atuais e eternas (Ef 4:28,29; 1 Co 6:10,11). Podemos ver essa mudança de posicionamento na vida dos crentes de Tessalônica. Aqueles irmãos davam testemunho da sua fé em toda a Macedônia e Acaia. O ingresso do Evangelho naquela cidade por meio de Paulo e seus companheiros, converteu aquelas pessoas da adoração aos ídolos para o Deus vivo e verdadeiro (1 Ts 1:8-10). A Igreja de Tessalônica é fruto da obra missionária, da pregação do Evangelho de Deus (1 Ts 2:1,2).


12. Igreja

Cremos numa única Igreja de Cristo, invisível, santa e universal, que é o Corpo de Cristo, à qual pertencem todos os genuínos cristãos, que serão ressuscitados, transformados, trasladados e arrebatados, na vinda de Jesus, como “igreja triunfante” (orgânica e invisível), e que na terra se manifesta nas Igrejas locais, como “igrejas militantes” (igreja visível; Mt 16:18; 1 Co 12:12,13; Ef 4:1-16; Cl 4:15; Rm 16:4,5,16; 1 Pe 2:9,10; Ap 2:1,8,12,18; 3:1,7,14). A Igreja do Senhor Jesus Cristo não é: um templo (At 17:24), a casa de Deus (Ef 2:19-22), uma denominação evangélica (Hb 10:25) ou uma empresa particular. (2 Pe 2:1-3). Ela é:


a) Assembleia os crentes. O termo grego para Igreja – ekklesia – significa literalmente uma comunidade, ou assembleia, de “chamados para fora”. Durante o seu ministério, Jesus utilizou o termo “igreja” somente duas vezes, em Mateus 16:18 e 18:17. Usado como ajuntamento de pessoas, de crentes, o termo aparece em Atos 19:32,40 e  1 Coríntios 1:2. A Igreja não era considerada um prédio, mas a reunião daqueles que professavam a fé em Cristo com o objetivo de colocarem em prática os seus ensinos e viverem sob a atuação do Espírito Santo em suas vidas. Igreja não era um “lugar”, mas a comunidade dos salvos, dos adoradores de Cristo (1 Co 16:19; Cl 4:15).

b) Igreja como totalidade do corpo de Cristo na Terra. Quando a Bíblia fala da igreja como sendo um único organismo vivo não está se referindo a uma instituição civil. Também não está falando de uma denominação evangélica com seu templo cede e suas várias congregações. A igreja de Cristo é formada pela totalidade dos membros de seu corpo, os cristãos de todas as épocas espalhados pelo mundo inteiro, independente das denominações evangélicas as quais pertençam. Alguns exemplos:

·         Atos 10:28: este texto pode ser uma referência à igreja de Éfeso especificamente, como também pode ser à totalidade do corpo de Cristo, sendo a cidade de Éfeso um grande berço missionário.
·         1 Coríntios 10:32; 11:22; 12:28; 15:9: Paulo perseguia “a Igreja” de Cristo, embora saibamos que ele percorria várias cidades onde esta igreja se reunia.
·         Gálatas 1:13; Filipenses 3:6; Efésios 1:22,23; 3:21; 5:23,32: igreja como corpo de Cristo, que é a cabeça.
·         Colossenses 1:18; 1 Timóteo 3:5; Hebreus 12:23: aqui como a igreja celeste.

c) Templo de Deus. Além de ser o corpo de Cristo, a “ekklesia” é, também, o Templo de Deus, onde Ele habita através do seu Santo Espírito (1 Co 3:16,17). Da mesma forma que Deus morou no tabernáculo no Templo no Antigo Testamento, Ele mora agora na sua igreja através do Espírito que lhe deu para confirmá-la, santificá-la e fortalecê-la (1 Pe 2:5,6; Êx 25:8; 1 Rs 8:27; Ef 2:21,22). Ela é também a noiva de Cristo, uma ilustração muito usada nas Sagradas Escrituras para descrever o povo de Deus e sua comunhão com Ele (2 Co 11:2; Ef 5:25-27; Ap 19:7; 21:2; 22:17).
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d) A igreja local. A igreja de Cristo é universal por sua missão de levar a mensagem do Evangelho a todo o mundo e por estar presente em todos os países. É única porque está formada por um único corpo, cuja cabeça é Cristo. Mas ela é também local, isto é: formada por um grupo de crentes em determinada localidade geográfica. Na era apostólica não existiam diversas denominações, mas uma única Igreja que se congregava como assembleia em cidades diferentes, mas todas eram consideradas uma mesma Igreja. Esta igreja cristã única em Cristo Jesus tem suas congregações espalhadas pelo mundo, que, unidas, formam um corpo só no Espírito: Jerusalém (At 5:11; 11:22; 12:1,5; 15:4), Damasco (At 8:3), Judéia, Galiléia, Samaria (At 9:31), Antioquia (At 13:1; 14:23,27), Listra, Icônio (At 14:23), Éfeso (At 20:17; Ap 2:1), Roma (Rm 16:5), Ásia (1 Co 16:19; 1 Pe 1:1), Macedônia (2 Co 8:1), Corinto (1 Co 1:2; 2 Co 1:1), Galácia (Gl1:2; 1 Pe 1:1), Tessalônica (1 Ts 1:1; 2 Ts 2:1), Ponto, Capadócia, Bitínia (1 Pe 1:1), Esmirna (Ap 2:8), Pérgamo (Ap 2:12), Tiatira (Ap 2:18), Sardes (Ap 3:1), Filadélfia (Ap 3:7) e Laodicéia (Ap 3:14). É provável que se tratavam de igrejas independentes entre si, a não ser no amor e na caridade de umas para com as outras. Elas eram administradas por aqueles que os Apóstolos escolhiam e, de um modo geral, pelos próprios Apóstolos que as fundavam.

e) Igrejas locais, congregações. As igrejas espalhadas pelas diversas cidades reuniam-se, muitas vezes, nas casas dos crentes: Priscila e Áquila (Rm 16:5), Ninfa (Cl 4:15), Filemom (Fm 2). Muitos outros textos indicam uma pluralidade de congregações independentes entre si, seguindo o mesmo Senhor e sendo ensinadas por Ele. Paulo se refere a muitas igrejas (Rm 16:16; 2 Co 8:23; 11:8). Às vezes se expressa à igreja local como sendo “igreja de Deus”, da mesma forma que trata a igreja universal (1 Co 1:2; 2 Co 1:1; At 16:5; 1 Co 7:17; 11:2,18; 14:4; 16:19; 2 Co 8:23; 11:8; 14:19,35; 1 Tm 5:16; 3 Jo 10; Ap 1:4; 2:23; 16:5; 22:16).


13. Governo da Igreja

Cremos no governo Teocrático-Congregacional, o governo que emana de Deus, sendo Cristo a cabeça da Sua Igreja, que é o Seu Corpo, com o qual permanece em relação vital e orgânica, enchendo-o de vida e controlando-o pelo seu Espírito (Jo 15:1-8; Ef 1:10,22,23; 4:15; 5:30; Cl 1:18; 2:19; 3:11). Como cabeça da Igreja, Jesus reina e tem toda autoridade sobre ela (Mt 16:18,19; 23:8,10; Jo 13:13; 1 Co 12:5; Ef 1:20-23; 4:4,5,11,12; 5:23-24). Ele está sobre tudo e sobre todos para que em tudo tenha a preeminência (Is 9:6; Cl 1:16-20; Ef 2:20-22; 4:11-16; 1 Co 3:11; 12:12-31; 1 Pe 2:6). Cristo exerce autoridade sobre a Igreja e a governa por meio da sua Palavra, única fonte e padrão de autoridade para os crentes, de modo que todos estão condicionados a obedecê-la. Todos aqueles que fazem parte da Igreja de Cristo devem se submeter ao controle do Espírito Santo e da sua Palavra. A Igreja se reúne em conselhos presididos pelo pastor presidente e seu corpo de ministros para discutir interesses da congregação e, assim, tomar decisões em comunidade e com a participação ativa dos membros.


14. A segunda vinda de Cristo

Cremos na certeza da Segunda vinda do Senhor Jesus Cristo em corpo glorificado, juntamente com os cristãos ressuscitados, após o arrebatamento de Sua Igreja triunfante e a consumação do Seu Reino milenar naquela manifestação. A sua segunda vida foi declarada pelo próprio Senhor Jesus (Mt 24:25,30; 25:19,31; 26:64; Mc 13; Lc 21:5-36 Jo 14:3). Os anjos também se referiram a ela após a ascensão do Senhor aos céus (At 1:11). Também os apóstolos falaram inúmeras vezes sobre ela (At 3:20,21; Fp 3:20; 1 Ts 4:13-18; 5:1-11; 2 Ts 1:7,10; Tt 2:13; Hb 9:28).

a) Acontecimentos que precedem a segunda vinda. A Bíblia registra diversos acontecimentos que ocorrerão antes que o Senhor venha resgatar a sua Igreja e julgar a humanidade.

·         A vocação dos gentios. É necessário que o Evangelho da salvação seja pregado a todos os povos, para que todos ouçam a mensagem da cruz e assim creiam em Cristo para a salvação eterna (Mt 24:14; Mc 13:10; Rm 11:25). Isto não significa que todos crerão, mas que aqueles que foram escolhidos para a adoção de filhos sejam convertidos pelo Espírito Santo e creiam (Ef 1:2-14; Jo 6:37-62).
·         Conversão de Israel. Toda a Bíblia, Antigo e Novo Testamento, apontam para uma conversão futura de Israel (Zc 12:10; 13:1; 2 Co 3:15,16), o que não significa uma volta de Israel ao seu estado original de povo de Deus com a conversão de todos os judeus a Cristo, mas do remanescente, os eleitos conforme o antigo pacto e predestinados para a salvação pela graça (Rm 11:11-32).
·         A vinda do anticristo. Antes da volta gloriosa do Senhor para o resgate da sua Igreja, ainda será revelado o anticristo, descrito na Bíblia como o homem da iniquidade, o perverso, por meio de maravilhas e sinais operados pelo poder de Satanás, colocando-se a si mesmo em oposição a Cristo, mas sendo morto pelo sopro do Senhor quanto este voltar (2 Ts 2:3-10). A vinda do anticristo pode ser vista pelo seu espírito que já opera no mundo por meio dos “falsos cristos” e dos “anticristos”, conforme vemos no Novo Testamento (1 Jo 2:18-22; 4:3; 2 Jo 7).
·         Sinais e maravilhas. A segunda vinda do Senhor Jesus Cristo será precedida por diversos sinais e maravilhas, como guerras, fome e terremotos, o que será apenas o princípio das dores (Mt 24). Também será precedida pela grande tribulação, quanto alguns crentes sofrerão perseguição e martírio de falsos profetas que enganarão a muitos. Os poderes do céu serão abalados antes do Senhor voltar (Mt 24:29,30; Mc 13:24,25; Lc 21:25,26).

b) A segunda vinda em si. Após a realização de todos os sinais que antecedem a sua vinda, o Filho do Homem virá sobre as nuvens, com grande poder e glória (Mt 24:30). Embora a volta de Cristo seja iminente (Mt 16:28; 24:34; Hb 10:25; Tg 5:9; 1 Pe 4:5; 1 Jo 2:18), todas as coisas mencionadas acima precisam acontecer antes que Ele venha (Mt 24:14; 2 Ts 2:2,3; 2 Pe 3:9). Esta será uma vinda: a) pessoal (At 1:11; 3:20,21; Mt 24:44; 1 Co 15:23; Fp 3:20; Cl 3:4; 1 Ts 2:19; 3:13; 4:15-17; 2 Tm 4:8; Tt 2:13; Hb 9:28); b) física (At 1:11; 3:20,21; Hb 9:28; Ap 1:7); c) visível (Mt 24:30; 26:64; Mc 13:26; Lc 21:27; At 1:11; Cl 3:4; Tt 2:13; Hb 9:28; Ap 1:7); d) repentina (Mt 24:37-44; 25:1-12; Mc 13:33-37; 1 Ts 5:2,3; Ap 3:3; 16:15); e) gloriosa e triunfante (Hb 9:28; Mt 24:30; 2 Ts 1:7,10; 1 Ts 4:14-16; Ap 19:11-16).


15. Ressurreição dos mortos

Cremos na ressurreição dos mortos, na vida eterna dos salvos e na condenação eterna dos injustos que não aceitaram Cristo Jesus como Senhor e Salvador (Dn 12:1; Jo 5:28,29; At 17:31; 24:15; Hb 9:27,28; Ap 20:11-15). Esta ressurreição se dará com a volta de Cristo e pode ser encontrada nos escritos do Antigo Testamento (Êx 3:6; Sl 49:15; 73:24,25; Pv 23:14; Is 26:19; Dn 12:2). No Novo Testamento, a ressurreição é claramente ensinada por Jesus (Mt 22:23-33; Jo 5:25-29; 6:39,40,44; 11:24,25; 14:3; 17:24) e pelos apóstolos (1 Co 15; 1 Ts 4:13-17; 2 Co 5:1-10; Ap 20:13). Esta ressurreição será corporal (Rm 8:23; 1 Co 6:13-20; Rm 8:11; 1 Co 15). Ela envolve tanto os justos como os injustos (Dn 12:2; Jo 5:28,29; At 24:15). A ressurreição coincide com a volta de Cristo, o fim do mundo, precedendo imediatamente o juízo final (1 Co 15:23; Fp 3:20,21; 1 Ts 4:16), estando ligada ao último dia (Jo 6:39,40,44,54; 11:24) e ao juízo final (Jo 5:27-29; Ap 20:11-15).


16. Juízo final

Cremos na Soberania de Deus na criação, revelação, redenção, governos e nos grandes julgamentos. A Bíblia ensina claramente a respeito do juízo final, tanto no Antigo Testamento (Sl 96:13; Ec 3:17; 12:14) quanto, principalmente, no Novo Testamento (Mt 11:22; 16:27; 25:31-46; At 17:31; Rm 2:5-10,16; 14:12; 1 Co 5:10; 2 Tm 4:1; Hb 9:27; 1 Pe 4:5; Ap 20:11-14). Está claro, também, que todos os indivíduos da raça humana terão de comparecer perante o tribunal de Deus para serem julgados (Ec 12:14; Sl 50:4-6; Mt 12:36,37; 25:32; Rm 14:10; 2 Co 5:10; Ap 20:12). O julgamento seguirá imediatamente a ressurreição dos mortos (Jo 5:28,29; Ap 20:12,13). Ele será:

·         Dos crentes no Tribunal de Cristo, para receber segundo o que cada um tiver feito por meio do corpo, bem ou mal, após o arrebatamento. Cremos que o crente comparece diante de Deus já de posse da sua salvação e livre de condenação (Jo 3:16,36; Rm 8:1; 14:10; 1Co 3:11-15; 2 Co 5:10; Ap 22:12). Os justos são apresentados como ministros de Deus em conexão com a obra do juízo (BERKHOF; Mt 13:30,41; 25:31; 2 Ts 1:7,8).
·         O julgamento das nações vivas na Sua vinda Gloriosa (Mt 25:31-46; Ap 1:7).
·         O julgamento de Satanás e seus demônios (Mt 8:29; 1 Co 6:3; 2 Pe 2:4; Jd 6).
·         E, finalmente, o julgamento dos incrédulos e condenados no juízo final (Ap 20:11-15; 21:8; Mt 16:16; Hb 9:27).


17. Dons espirituais

Cremos na vigência do exercício dos Dons Ministeriais e Espirituais, tal qual se encontram na Palavra de Deus (Mc 16:17-20; At 2:1-13; 38,39; 10:44-47; Rm 12:3-8; 1 Co 13,14; Ef 4:11). Não cremos na manifestação do “dom de línguas” como um segundo revestimento de poder ou um “segundo batismo”, nem como evidência de conversão. Assim que o pecador se converte, é selado com o Espírito Santo (Ef 1:13,14), passando a possuir um ou mais dons dados pelo Espírito Santo para a edificação do corpo de Cristo, que é a Igreja (1 Co 12:1-31). A evidência de que o crente possui o Espírito Santo está nos frutos que este produz em sua vida (Gl 5:22,23). Reconhecemos e aceitamos os seguintes dons do Espírito Santo: serviço (Rm 12:7), ajuda ou socorro (1 Co 12:28), misericórdia (Rm 12:8), contribuir (Rm 12:8), profecia (Rm 12:6; 1 Co 14:1-22), exortação (Rm 12:8), ensino (Rm 12:7), liderança ou presidir (Rm 12:8), administração ou governos (1 Co 12:28), evangelista (Ef 4:11), hospitalidade (1 Pe 4:9,10), palavra de sabedoria (1 Co 12:8), palavra de conhecimento (1 Co 12:8), fé (1 Co 12:9), curar (1 Co 12:9), operar milagres (1 Co 12:10), discernimento de espíritos (1 Co 12:10), variedade de línguas (1 Co 12:10), interpretação de línguas (1 Co 12:10) e celibato (1 Co 7:7).


Bibliografia consultada


BERKHOF, Louis. Manual de doutrina cristã. Minas Gerais: CEIBEL, 1992.

ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1992.


Mizael de Souza Xavier
Pastor

05 de março de 2018


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